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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Negociação: Uma Linda Mulher


A cena abaixo é uma das negociações mais conhecidas da história do cinema. Julia Roberts (Vivian) e Richard Gere (Edward) estão negociando o preço de uma semana de serviços. Depois de uma rápida barganha eles chegam ao valor de USD 3,000 por seis dias, 24h por dia.

Ao final da negociação eles revelam quais os preços que estariam dispostos a aceitar.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Saúde e Impostos


Depois de trabalhar 5 meses do ano para alimentar o governo resolvi tirar a tarde de hoje para cuidar da saúde. Fiz a última etapa do meu check-up médico iniciado em Dezembro. Condicionado pela tradicionalíssima Pelada da Madrugada aqui da FUCAPE, os resultados deram todos 100%.

A partir de amanhã começo a trabalhar para mim.

Se você quiser saber mais sobre carga tributária no Brasil visite esse link AQUI.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Mantegada Explicada


A Míriam Leitão explicou a confusão que o Min. Guido Mantega fez ao falar sobre os índices de endividamento das famílias no Brasil comparados aos das famílias americanas.


Confiram a explicação direto no blog da Míriam Leitão clicando AQUI.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Sol do Exterior


Talvez um dos economistas mais irreverentes da história do pensamento econômico tenha sido Frédéric Bastiat. Um de seus textos mais famosos se chama Candlemaker's Petition (Petição dos Produtores de Velas).

Bastiat criou uma petição (fictícia) para que os produtores de velas fossem protegidos da competição externa:
We are suffering from the ruinous competition of a rival who apparently works under conditions so far superior to our own for the production of light that he is flooding the domestic market with it at an incredibly low price; for the moment he appears, our sales cease, all the consumers turn to him, and a branch of French industry whose ramifications are innumerable is all at once reduced to complete stagnation. This rival, which is none other than the sun, is waging war on us so mercilessly we suspect he is being stirred up against us by perfidious Albion (excellent diplomacy nowadays!), particularly because he has for that haughty island a respect that he does not show for us.

Essa sátira de Bastiat ilustra bem a atual política econômica brasileira. Vemos os competidores externos, em geral caricaturados como produtos chineses, como o sol na sátira de Bastiat. Tentamos nos proteger das formas mais esdrúxulas possíveis, mas é como proteger a indústria de velas da competição do Sol.


No nosso caso porém, temos uma saída. Podemos fazer o nosso sol brilhar mais do que o sol do exterior. É possível competir com o sol. Mas temos que mudar um pouco a nossa economia e nossa forma de pensar economia.

Temos que reduzir a carga tributária sobre os produtos brasileiros e cuidar do lado da oferta (leia-se produtividade). Para uma boa discussão sobre o assunto recomendo a entrevista de Armínio Fraga ao Estado (AQUI).

Parece que o governo estuda fundir impostos e desonerar a folha salarial, o que ajudaria, se acompanhado de redução de despesas (AQUI).

Acho a iniciativa louvável, desde que saia do discurso e entre na prática. Em particular, sou um terrível opositor do discurso de que "o Brasil precisa de uma reforma tributária". O Brasil não tem tempo pra isso. Se formos ficar discutindo não vamos chegar a lugar algum. Até agora só se discutiu e não saímos do lugar. Temos que por a mão na massa e fazermos pequenas mudanças, aos poucos.

Podemos começar reduzindo a carga de um ou outro imposto, aos poucos, e daqui a pouco: Bain! Acabamos com ele. O IPI e o IOF são fortes candidatos. Juntar o PIS e o COFINS são uma boa. O imposto sindical nem deveria existir. Podemos começar tornando ele facultativo. Que tal?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Crise Econômica: Os Desafios do Brasil


Na quarta-feira estive na redação do jornal Meio & Mensagem, em São Paulo. Participei de uma iniciativa do Instituto Millenium chamada "IMIL nas Redações". A idéia é levar os debates de interesse do IMIL para dentro das redações dos jornais e conversar um pouco com os jornalistas sobe um determinado tema específico. No meu caso falei sobre economia. Foi bem legal. A platéia estava muito interessada e também muito curiosa sobre os caminhos da economia.

Falei sobre a crise européia e sobre as perspectivas para o Brasil. Fica difícil fazer um resumo aqui, mas o tom geral foi de pessimismo e muita incerteza quanto ao potencial do Brasil no curto prazo. Montei uma apresentação breve, mais para dar um rumo no meu próprio raciocínio. Sem números e estatísticas. Os slides estão disponíveis AQUI.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Proposta de Romney para a Educação


O candidato republicano, Mitt Romney, tem uma proposta para a educação (AQUI). Sua proposta consiste em dar mais opções para os alunos americanos através das chamadas charter schools e de vouchers escolares. A idéia é simples, você aumenta a competição entre as escolas e elas tem que melhorar os seus serviços para atrair alunos.

A charter school é uma escola administrada privadamente e que recebe dinheiro do governo por aluno. Então, a escola tem incentivos a ser boa para atrair mais alunos e receber mais verba. Ela também é dispensada de muitas regulações e burocracias que afetam o setor público e, em contrapartida, deve cumprir certas exigências em termos de proficiência.

Já o voucher é um cheque que os pais recebem e matriculam o filho na escola privada que desejarem. Inclusive, se o preço da mensalidade da escola privada for $800,00 e o voucher apenas $500,00 os pais podem pagar a diferença, se assim o desejarem.

Em ambos os casos os alunos tem mais liberdade de escolha e os dois mecanismos buscam aumentar a competição entre as escolas, o que é bom para os alunos e para os professores.

A proposta de Romney para a educação não é nova. Charter schools e vouchers já existem. Em particular, Milton Friedman, no seu livro Capitalism and Freedom (Cap. VI), já defendia o uso de voucher como forma de o governo prover educação. O livro de Friedman foi escrito em 1962. Mas, o que chama a atenção é que desta vez Romney pode ter apoio suficiente para trazer este debate para o centro da discussão sobre educação nos EUA.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Animação: Teorema do Eleitor Mediano


Esses dias alguém me enviou um email perguntando sobre o Teorema do Eleitor Mediano. Na busca por um bom material encontrei esse vídeo que explica o teorema com base no modelo de Hotelling.

Não posso deixar de compartilhar. Confiram o vídeo e entendam porque a esquerda está cada vez mais para a direita e a direita está cada vez mais para a esquerda.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Trocando os Pés pelas Mãos


A equipe econômica se perdeu. Baixou os juros, subiu IOF, reduziu juros, aumentou impostos, reduziu juros, reduziu IPI e nada. Nada de o PIB se mexer. O investidor estrangeiro ficou apavorado e o câmbio disparou. O dólar bateu R$ 2,08 hoje no fim da tarde.

O que parecia um problema para o Governo, se tornou um problema ainda maior. Um câmbio alto pode trazer implicar em uma inflação acima da esperada, que já é alta. A previsão de inflação é de 5,20% para 2012 e ainda maior para 2013.

Isso, sem contar essa lambança toda das últimas semanas. No livro texto do Governo não tem esse caso: estagflação. PIB parado e inflação alta. Não sabem o que fazer. Querem mover a economia a qualquer custo.

Chegamos no fim do mês de Maio e o ministro não sabe dizer quanto vai ser o PIB anual.

O governo muda alíquotas de impostos e interfere no mercado de crédito como se as pessoas fossem sempre reagir em um modelo de equilíbrio parcial. Baixando os juros, aumenta o crédito e a demanda aumenta. Sim, só na cabeça deles mesmo.

Meteram os pés pelas mãos.

Boa sorte para você que não fez hedge cambial.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sobe-Desce da Bolsa: Dois Fatores


O índice IBOVESPA perdeu mais de 7 mil pontos, quase 20% do seu valor, entre 2 de março e 18 de maio de 2012. Hoje, 21 de maio, a bolsa subiu 3,81%. O que explica estes dois movimentos tão distintos?

A queda pode ser atribuíada a dois fatores. Um externo e outro interno. O fator externo é a deterioração dos cenários das economias européias. Em particular, a perspectiva de que a economia grega abandone o uso do Euro. Uma corrida bancária na semana passada deu os primeiros indícios de que essa trajetória possa ser irreversível. Os dados da economia chinesa e americana também não são animadores.

No setor interno, os dados econômicos mostram que a economia, apesar de todos os esforços da equipe econômica, não dá sinais de recuperação. Os indicadores mostram que o PIB do primeiro trimestre de 2012 está quase estagnado, apesar da formalização do emprego. As políticas adotadas para desvalorizar o Real e outras incertezas quanto as políticas do governo federal (alteração de impostos, etc.) afastaram o investidor estrangeiro da bolsa e do país, desvalorizando o câmbio em mais de 10%.

Mas o que explica a alta de hoje?

Foram outros dois fatores. O primeiro deles foi a declaração do premier chinês, Wen Jiabao, manifestando que o governo chinês irá continuar estimulando a economia. A economia chinesa não vem tão bem quanto vinha, e qualquer desaceleração na segunda maior economia do mundo pode ser desastrosa para o Brasil e para os mercados em geral. Manter o crescimento chinês é a prioridade por lá e isso animou os mercados.


O segundo fator foi a reunião do líderes europeus que buscou uma última alternativa para manter a Grécia no Euro. Algo improvável, na minha humilde opinião. Mesmo que possível, o custo seria altíssimo. Mas, essa possibilidade teve reflexo nos preços dos mercados.

Após o fechamento do mercado, o governo anunciou redução do IOF e IPI para o setor automobilístico e aumentou as linhas de crédito do BNDES. Todas elas valem até 31 de agosto. É difícil prever o efeito desse tipo de medida, principalmente em um cenário de endividamento e inadimplência elevada. A inflação não dá trégua e com um câmbio desvalorizado o Brasil pode estar armando uma sinuca para si mesmo.

É muito difícil prever uma tendência de curto prazo para os mercados. Mas, sem sinais reais de que a economia brasileira voltará a crescer sem inflação, dificilmente veremos um Ibovespa acima dos 70 mil pontos no curto prazo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Teoria Macroeconômica Contemporânea


Ontem dei uma palestra para um pequeno, mas muito interessado, grupo de alunos de economia da UFES. O centro acadêmico me convidou para falar sobre os recentes avanços da macroeconomia.

Preparei uns slides sobre os recentes avanços em: Crescimento, Real Business Cycles e DSGE. Tudo em linguagem bem simples. No final discutimos o futuro da macroeconomia e os motivos pelos quais esses modelos não conseguiram prever a crise de 2008. Ou será que alguns conseguiram?

Confiram nos slides abaixo:

Clique para abrir a apresentação.

PS: sugestões para melhorar estes slides são bem vindas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os Efeitos da Queda dos Juros Sobre a Dívida


Dei uma pequena contribuição ao jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira. Falei sobre o que o governo deverá fazer com a economia gerada pela queda dos juros. O valor que deixará de ser gasto com pagamento de juros, devido a queda da SELIC, é estimado em 56 bilhões de Reais.


O ideal seria economizar essa verba. Mas, em um ambiente político complicado, a sobra de caixa deve se transformar em gasto público.

Leia a matéria completa clicando AQUI.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Mantegada Semanal #28


Segundo o Min. Guido Mantega (via G1):

"O dólar alto beneficia a economia brasileira"

Parece um mantra. O Ministro pensa que repetindo a afirmação exaustivamente ela se torna verdadeira.

O dólar alto beneficia certos setores e pessoas, mas prejudica outros setores e pessoas. Pode até ser que o PIB industrial e as exportações aumentem, mas isso não necessariamente implica em um maior PIB Real (e muito menos em um maior bem-estar para a economia).

A resposta do Ministro deveria ser a seguinte: o câmbio é um preço como qualquer outro na economia. Seu valor sobe e desce de acordo com a oferta e a demanda. Em particular, os juros reais mais baixos (fruto da política do BC) diminuem a demanda por Real e desvalorizam a moeda, beneficiando uns e prejudicando outros e no líquido isso pode aumentar o PIB Real em algumas circunstâncias, dependendo do impacto sobre os preços.


domingo, 13 de maio de 2012

40° Encontro Nacional de Economia


A ANPEC anunciou o 40° Encontro da Nacional de Economia. Ele será realizado em Porto de Galinhas (PE), no Hotel Armação, entre os dias 11 e 14 de dezembro. O encontro da SBE também acontece neste período e no mesmo local.

Confiram os detalhes clicando na imagem abaixo:

Clique para visitar o site da ANPEC.

sábado, 12 de maio de 2012

A Volta do Protecionismo


Segue abaixo um pequeno texto que escrevi para uma revista local, o Guia Praia do Canto, sobre protecionismo (clique na figura para visualizar):

Clique para ampliar

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Palmeiras ou Banco Central?


O novo presidente do Palmeiras mostra que, assim como o anteriror, sabe tudo de economia (AQUI):

"O Palmeiras não é o Banco Central ou a Casa da Moeda, que emitem dinheiro todo dia. O importante é que pagamos em dia, apesar do passivo que o clube tem."

Foi impressão minha ou ele aproveitou e deu uma sacaneada no Tombini?

Mantegada Semanal #27


O Min. Guido Mantega disse o seguinte quando questionado sobre o IPCA de Abril (AQUI):

"Continuamos com inflação muito menor do que no ano passado. Existem razões, como a elevação do cigarro, de 15% [para o crescimento da inflação em abril]. Foi o maior vilão da inflação. Tivemos feijão, empregada doméstica, alguns itens que elevaram. Porém, nada preocupante porque ela vai continuar em trajetória menor do que no ano passado"

Ele só esqueceu de dizer que esse item tem pouco peso no índice. O IBGE disponibiliza os resultados por subitem (veja AQUI). De fato o cigarro subiu 15,04%. Acontece que o peso no índice é de 0.77%.

O que importa é o 0,64%! Que foi o que subiu o IPCA como um todo.



A inflação não foi um fenômeno isolado, como o ministro gostaria que fosse. De fato o cigarro subiu muito. Mas, a idéia de citar um produto e tentar passar a idéia que o índice não reflete o nível de preços e sim casos isolados é o fim da picada. O índice é uma média ponderada dos preços. Meus alunos de primeiro período sabem isso. Ele foi construído para refletir o nível geral de preços da economia. Todo mês tem maior alta e outro que tem maior queda.

O mais impressionante é que todos os meses os jornalistas caem nessa!

PS: Ele poderia ter sido ainda mais teatral e dito que o Tucunaré já acumula alta de 31,1% no ano e que vai tomar medidas! Ou ainda, que a alta de 43,94% no ano do feijão-carioca (rajado) deve ser combatida com rigor!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Câmbio, Juros, Inflação e Meta


Ontem saiu o IPCA de Abril e o resultado foi acima do esperado. A inflação em Abril foi 0,64%. A previsão do relatório FOCUS de segunda-feira era 0,58%. O acumulado em 12 meses é 5,10% (AQUI).

Os dados já mostram os efeitos da queda dos juros e da desvalorização cambial sobre os preços dos produtos. O efeito do câmbio, por exemplo, já é percebido no preço da soja. O mesmo acontece com os produtos de limpeza, disse a Eulina Nunes, coordenadora da pesquisa lá no IBGE (AQUI).


O fato é que o BC não parece muito preocupado em alcançar a meta de inflação, que é 4,5%. O relatório FOCUS prevê inflação de 5,12% para 2012 e de 5,5% em 2013.

Os juros vão continuar caindo a despeito da inflação. O câmbio vai seguir desvalorizando e a inflação logo voltará. Pelo menos se a Europa não afundar o resto do mundo.


Quando o BC reduziu os juros da última vez eu escrevi:

O risco é a inflação não convergir para a meta no segundo semestre, e o BC ter que elevar novamente os juros no fim do ano. Isso abortaria novamente a retomada do crescimento. Uma medida mais cautelosa seria a manutenção da SELIC até a inflação voltar ao centro da meta, ou pelo menos que a sua expectativa voltasse ao centro da meta, e aí iniciar um novo ciclo de redução.

Esse risco persiste. Só nos resta esperar e ver o resultado.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fidel Castro x Justin Bieber


E não é que o Partido Comunista de Cuba tem uma página no Facebook? Vejam só, as pessoas não podem sair da ilha sem autorização do Governo, mas o partido pode usar o Facebook. Sim, isso mesmo, e tem quase 22 mil fans! Imagino que todos fora da ilha.


O Justin Bieber? Tem quase 43 milhões de fans. Uhhhh baby, baby, baby.....



Economia Criativa


Eu tenho lido bastante sobre economia criativa. Hoje cedo encontrei esse vídeo de uma entrevista da Lala Deheinzelin, que é uma das principais referências no assunto no Brasil, no blog Menina de Negócios.

Ela fala sobre as perspectivas para as cidades criativas. Muitas vezes os economistas se fecham nos seus modelos e conceitos e deixam algumas coisas muito interessantes de lado. A entrevista da Lala Deheinzelin discute vários temas que podem ser explorados nessa área, incluindo a definição de PIB e papel do governo vs. setor privado.


PS: A apresentadora é meio empolgada e fala da crise do "sub-price" mas a entrevista é muito boa.

terça-feira, 8 de maio de 2012

De Economista e de Louco...


Segue abaixo uma nota de rodapé em uma das versões do livro de Macroeconomia do Dornbusch:


Cortesia do aluno Kym Ardison.

domingo, 6 de maio de 2012

As Mudanças na Remuneração da Poupança


O que muda na economia com as novas regras da poupança? Essa foi a pergunta que me fizeram com mais freqüência essa semana. Segue abaixo a minha primeira impressão sobre o tema.

1) A mudança era necessária. Na verdade, eu já havia postado sobre o assunto aqui no blog em 2009 e 2010. Os links estão AQUI e AQUI.

2) Não sei se a regra é muito clara. Do ponto de vista jurídico, não poderiam alterar a remuneração dos depósitos já feitos. Logo, a regra tinha que ser para os novos depósitos. A questão é que poderiam ter atrelado a remuneração a 70% da SELIC mesmo quando a SELIC estivesse acima dos 8,5%. Assim, quando a SELIC subisse as pessoas poupariam mais e o efeito do aumento da SELIC sobre a economia seria maior (na margem). A regra também ficaria mais simples, mais linear.

3) Eu acho a poupança um pouco esdrúxula. Você coloca o dinheiro lá e fica sem receber remuneração por 30 dias. Mas, sei lá. As pessoas gostam de usar.

4) Uma forma alternativa seria cobrar imposto de renda sobre o rendimento da poupança. Mas, o custo político seria muito grande. Isso já foi discutido antes, AQUI.

Quais os efeitos da medida?

Bem, o primeiro deles é o aumento do consumo. Como a remuneração da poupança é menor, a teoria econômica indica que as pessoas vão poupar menos e consumir mais. Ao mesmo tempo, isso vai possibilitar a queda da SELIC, reduzindo os juros, o que também vai na direção de mais consumo.

Um dos setores que pode se beneficiar mais com essa mudança é o setor de habitação. A primeira intuição seria dizer que como os recursos da poupança serão menores, menos dinheiro seria destinado à habitação. Mas, deve ocorrer justamente o contrário. Com a queda dos juros, o setor de imóveis deve continuar sua trajetória de crescimento.

Junte a isso a política de redução de juros dos bancos públicos e está a armada a farra do crédito. O BB e outros bancos já estão enchendo seus balanços com provisões para créditos duvidosos. Ou seja, esperam um aumento da inadimplência. Mesmo que neguem. A tendência já era essa. Os dados do SERASA EXPERIAN já mostram isso. A inadimplência entre os consumidores foi 19% maior em Março de 2012 do que em 2011.

A minha leitura é que se a economia mundial não desacelerar muito (e há muita incerteza com relação a isto) podemos ter um cenário de inflação ainda no final de 2012. Antes da medida, o mercado precificava uma inflação (do IPCA) em torno de 5,12% e 5,53% em 2013 (AQUI).

Vamos ver o que o relatório dirá amanhã...


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Gasolina: Hipóteses e Reajustes


Na semana passada eu escrevi sobre uma das hipóteses do COPOM na sua ata 166. Uma outra hipótese (além da de 1/4 de Crise) é esta aqui:

"As projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de 2012, foram mantidas em 0%, valor considerado na reunião do Copom de março"

Ou seja, as previsões do modelo do BC assumem que o preço da gasolina não muda até o final do ano.


Pois bem, agora leiam o que disse o Min. da Minas e Energia (AQUI):

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta quinta-feira que o governo federal está estudando o momento certo para aumentar os preços dos combustíveis. Ele destacou que a Petrobras precisa realizar elevados investimentos, ao mesmo tempo em que o governo tem que controlar a inflação. Para o ministro, os preços dos combustíveis devem subir se a cotação do barril de petróleo atingir a média de US$ 130. Nesta quinta-feira, o barril de petróleo está cotado a US$ 103,06 na Bolsa de Nova York, queda de 2,05% no dia. No ano, o barril de petróleo acumula alta de 3,63%.

É meu amigo, não é fácil não...

200 Mil Visitas!


Alguns meses depois de iniciado o blog eu comecei a usar o Sitemeter. Hoje ele me deu uma notícia muito legal. O blog chegou a 200 mil visitas! Deixo aqui o meu muito obrigado a todos os leitores pela confiança, audiência, comentários e divulgação!


Ao longo dessa jornada foram mais de 1,500 posts e mais de 2,200 comentários aqui no blog! Muito obrigado pessoal!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Argentina: Intervenção até no Big Mac?


Recentemente rolou uma excelente dicussão na blogosfera motivada pelo post do Drunkeynesian que mostrava que, em média, Argentina e Brasil vem crescendo a taxas parecidas, apesar das escolhas econômicas inusitadas do país vizinho. Muitos desconfiam da qualidade dos dados da Argentina, principalmente dos dados de preços. A The Economist, inclusive, parou de divulgar a inflação oficial argentina.

Lá no post do Drunkeynesian, o Alexandre Schwartsman levantou a tese de que os dados do PIB também poderiam estar distorcidos, pois, segundo ele "...estava fuçando os dados de PIB argentino dos últimos anos e comparando com os números de geração de energia elétrica. Se formos tomar estes números ao pé da letra, a Argentina produziu 20% a mais de PIB por unidade de energia gerada do que em 2004. É impossível? Não sei, mas - se já tinha dúvidas sobre a confiabilidade dos dados argentinos - todos meus tentáculos estão agitados com este achado.".

Todos desconfiam. A origem é a manipulação real de algumas variáveis, principalmente preços. Deixo abaixo o exemplo. A imagem mostra a tabela de preços de um McDonald's da Argentina (fonte AQUI).

Menu Argentino

Prestem atenção no seguinte, o Triple Mac está lá em cima, e o Big Mac, sanduíche mais famoso e carro-chefe de vendas no mundo todo, está lá no fim do cardápio. O Big Mac custa 20 pesos, o Triple Mac custa 28. Mas, o Triple Mac nada mais é do que um Big Mac com uma carne a mais. Mas, basta comprar um hamburguer, que custa 7, e você tem um Triple Mac por 27. Qualquer um pode arbitrar.

O que está errado nessa conta? A resposta é o preço do Big Mac. Segundo consta na reportagem (AQUI), o governo estaria forçando o Mcdonald's a manter o preço do Big Mac artificialmente baixo para não afetar o valor do famoso Índice Big Mac, que também é publicado na The Economist, como medida de câmbio PPP.

Para ilustrar a distorção, vejam abaixo o menu de um McDonald's da Australia. O Double Quarter Pounder é $8.25 e o Big Mac $5.95. O Double Quarter custa 38% a mais. Já no menu argentino, o  Doble Cuarto de Libra custa $33 e o Big Mac $20. A diferença é de 65%. O Big Mac deveria custar mais, se a proporção fosse a mesma que na Australia. O mesmo tipo de distorção acontece com o Quarter Pounder, e o Cheeseburguer argentino é ainda mais distocido (para baixo).*

Menu Australiano

Infelizmente, temos muitas razões para desconfiar dos dados dos hermanos. Inclusive, o Drunkeynesian também twittou o link para uma reportagem do Estadão que cita um trabalho da UCA que estima que a pobreza real argentina seria três vezes maior do que a oficial. Leiam a reportagem clicando AQUI.

Pobres hermanos...

PS: A dica de link para a imagem foi do amigo Felipe Iachan.

* Pode ser que esse meu menu australiano não seja o ideal para comparar. Mas foi o que eu encontrei na internet que possuía a melhor imagem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Custo Brasil: Aluguel de Veículos


Hoje resolvi alugar um carro e levar a família para conhecer alguns pontos turísticos capixabas. A decisão foi em cima da hora e acabei alugando um Doblô na Localiza. Qual não foi minha surpresa quando no processo de retirada do veículo a atendente passou uma pré-autorização de R$ 1.700,00 no meu cartão de crédito. Uma pré-autorização bloqueia o seu crédito no mesmo valor.

Eu automaticamente pensei em duas hipóteses:
a) Suponha que eu não tivesse esse crédito. Eu não podeira alugar um carro cuja diária era R$ 132,00? É essa a política da empresa?
b) Suponha que eu tivesse alugado o Doblô pra comprar uma TV e no momento de comprar a TV com o cartão de crédito a autorização tivesse sido negada, como eu ficaria?

Eu não sou inocente, guardei o recibo da pré-autorização. Eu só não tinha certeza se a pré-autorização bloqueava o meu crédito, e isso não foi informado pela atendente.


Quem já alugou carros no exterior sabe que passar o cartão antes do cliente sair com o carro é prática comum. O valor, entretanto, é o que assombra. Nos EUA, o valor é exatamente o valor da diária mais seguros. Jamais um valor desproporcional como este.

Voltei para devolver o carro algumas horas depois e perguntei sobre o valor. A moça do atendimento me informou que o valor pré-aprovado é 7 vezes o valor da diária. Acho que ela faltou a aula de matemática, ou esta não é a política da empresa. Argumentei que não havia sido informado que o crédito ficava bloqueado durante o período em que o carro estava alugado, e ela me respondeu dizendo que "o Sr. não está acostumado, mas esta é a prática da empresa". Óbvio que não estou acostumado. É a primeira vez que alugo um carro no Brasil e deveria ter sido informado.

Na verdade, não é só a Localiza que faz isso.
Leiam esse caso com a locadora de veículos AVIS.

Por que a pré-autorização é feita em um valor que é mais de 10 vezes o valor da diária?

A resposta óbvia é a seguinte, você está alugando um bem de alto valor, logo a pré-autorização é uma forma da empresa se proteger parcialmente caso você roube ou furte o veículo.

Essa resposta não faz sentido nenhum. O risco do negócio ja deveira estar no preço da diária. É assim em qualquer país civilizado e em qualquer ramo de atividade. Qualquer negócio de aluguel pode requerer um valor, mas este valor tem que ser proporcional ao serviço que está sendo contratado e não ao valor do bem.

É exatamente isso que diz o manual da CIELO: "Ao realizar uma pré-autorização, os estabelecimentos tem a segurança e a garantia do recebimento dos serviços de locação de veículo."

Mais do que isso, se eu roubasse o carro, a Localiza tinha todos os meus dados e cópia da minha CNH. Ela poderia me processar facilmente. Sem levar em conta o fato que ela pode comprar seguro contra esse tipo de perda.

No Brasil, as empresas usam práticas abusivas no tratamento de seus clientes e ninguém reclama, o camarada vai lá e deixa o crédito trancado e nem percebe o custo disso (em forma de custo de oportunidade). As pessoas já entubam esse Custo Brasil e nem reclamam mais.

Vejam a lógica do negócio. Como temos muitos roubos e furtos de veículos, então jogamos a pré-autorização na lua pra discriminar a clientela. Na verdade, a prática mais honesta e ética seria fazer uma pré-autorização igual ao valor devido pelo serviço e aumentar o preço do aluguel.

Esse tipo de prática é a cara do Brasil, temos que aguentar todos os tipos de abusos pois falta regulação de mercado e as pessoas já se acostumaram a serem tratadas como potencias ladrões. Esse sim é um Custo Brasil bem brasileiro.

Alugar carro na Localiza? Nunca mais.

Leituras do Feriado


Seguem abaixo alguns links para artigos legais que andei lendo este início de semana:

- Vinicius e João Manoel, da PUC-Rio, escrevem sobre spread e mercado bancário: AQUI

- Leo Monasterio dá uma bela dica de leitura sobre o caminho que Cuba poderia ter seguido: AQUI

- A The Economist recomenda que fans do futebol vejam seus clubes como empresas: AQUI

- Escolaridade nos EUA para de crescer após décadas de evolução: AQUI

- Que tal um duelo entre Ron Paul e Paul Krugman? Veja AQUI.