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sábado, 28 de abril de 2012

1/4 de Crise


Esta semana saiu a ata do COPOM número 166. A parte mais interessante das atas, na minha opinião, é a parte de "avaliação prospectiva das tendências da inflação". Nela o COPOM deixa mais claro algumas das hipóteses utilizadas no modelo. Uma delas chamou a minha atenção:


"17. Admite-se, ainda, a hipótese de que a atual deterioração do cenário internacional cause um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do observado durante a crise internacional de 2008/2009. Note-se que parte desse impacto estimado se manifesta em indicadores recentes de atividade econômica."

O BC aposta alto na crise européia....

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sistema de Cotas: Solução Fácil


Ontem o STF declarou a constitucionalidade do sistema de cotas. As universidades estão livres para reservar vagas para grupos de pessoas, em particular para os alunos oriundos de escolas públicas e afro-descendentes.

Na minha opinião o sistema de cotas é a solução "fácil" para um problema muito maior. Facilitar a entrada na universidade pública para estes grupos busca corrigir uma forma de desigualdade que possui outra origem: a desigualdade na qualidade da educação pública.

A má qualidade da educação básica (ensino fundamental e médio) no Brasil é a maior causadora das desigualdades de renda observadas na idade adulta. Crianças de famílias pobres evadem e reprovam com mais freqüência que as mais ricas e tem acesso a uma educação que, em média, é de qualidade e quantidade (horas aula) inferior. Este é o verdadeiro problema. Estivessem todos, ricos e pobres, em igualdade de condições ao completar o terceiro ano do ensino médio, não seria necessária a política de cotas. Entrariam na universidade os mais inteligentes e os mais esforçados.

Buscar corrigir a desigualdade via sistema de cotas não é a solução de longo prazo. Pode ajudar a mitigar a desigualdade no curto prazo, mas também causa distorções. Uma delas é o aumento na demanda por vagas no ensino público. O aluno do setor privado tende a migrar para o ensino público para ter acesso a vaga de cotista. Outro efeito é o viés estatístico. Nos últimos 10 anos, quando o sistema de cotas em universidades passou a ser discutido e implementado, a população de cores parda e preta (nomenclautra do IBGE) aumentou como proporção do total de brasileiros. Os pretos eram 10.554.336 em 2000 e eram 14.517.961 em 2010. Um aumento de cerca de 38%. Enquanto isso, a população branca diminui. O que indica, provavelmente, algum viés, já que a cor é auto-declarada.


O grande ponto é que o sistema de cotas é paliativo. É um torniquete em uma fratura exposta. A solução não é simples e muitos políticos não se interessam em solucionar o problema. A solução de longo prazo para a desigualdade de renda no Brasil (ou em qualquer outro lugar) não será alcançada com bolsas ou cotas. A única solução é melhorar a educação da populacão.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tecnologia e Crescimento


No curso de Crescimento Econômico, uma das perguntas mais difíceis de se responder é "o que faz a tecnologia evoluir"?

É difícil porque não existe resposta certa. Pode ser o investimento em P&D, acúmulo de capital humano acima de um certo nível, etc. Eu gosto de citar o exemplo da criatividade. A criatividade é um dos fatores determinantes da tecnologia, mas como "gerar" criatividade em uma nação? Isso eu já não tenho muita certeza de como responder.

Muitas vezes, o baixo nível de educação ou capital físico leva ao aumento da criatividade. Querem um exemplo? Analisem a foto abaixo:



O churrasqueiro se viu diante de uma restrição de capital físico: a ausência do suporte para espetos. Diante de sua fome (e da restrição) ele teve criatividade para bolar um sistema de suporte improvisado. A ausência de capital, levou ao desenvolvimento da tecnologia.

Foi um pequeno empurrão na fronteira de tecnologia...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Economia Brasileira: Grande ou Pequena?


Eu passei o seguinte exercício para os meus alunos de Macroeconomia I:

Encontrar os dados do PIB Mundial, EUA, China e Brasil e calcular quanto o PIB de cada país representa como proporção do PIB Mundial.

Seguem os resultados usando câmbio PPP do IMF (dados AQUI).


EUA: 19,13%

China: 14,32%

Brasil: 2,90%


E aí? A economia brasileira é grande ou pequena em relação a economia mundial?

domingo, 22 de abril de 2012

Redução de Juros e Modalidades de Empréstimo


O texto abaixo foi escrito pela equipe do Emprestimo.org em exclusividade para o Blog do Cristiano M. Costa. O site Emprestimo.org é um guia independente para o consumidor que pretende fazer empréstimos nos Brasil. Foi construído especialmente para oferecer dicas e dar conselhos para que se tome uma decisão correta na hora de solicitar um empréstimo.

Bancos decidem reduzir os juros para as principais modalidades de empréstimo

No Brasil, é possível encontrar diversas modalidades de créditos, as quais possuem requisitos únicos e que se destinam a diferentes pessoas e rendas. Dentre os tipos de empréstimos mais praticados no mercado, podem ser destacados: o crédito pessoal, financiamento de imóveis, o crédito consignado e a aquisição de veículos. Esses empréstimos se dispõe à pessoas jurídicas ou físicas, dependendo de cada regra que a espécie de crédito possui, que são normas que de extrema necessidade para a confecção do contrato entre a casa bancária e a pessoa.

O crédito consignado é um modelo de empréstimo com benefícios bem diferentes do que os concedidos por outros modelos de créditos: as prestações são descontadas da folha de pagamento, não é necessária garantia como avalista e fiador e não se consulta SPC ou SERASA para checar se o cliente está com o nome sujo. Diferente do que acontece com a linha de crédito pessoal, os trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas têm o salário deduzido das prestações que são devidas ao banco. Para o crédito consignado do Banco do Brasil, em regra, o primeiro desconto em folha pode acontecer até 59 dias da assinatura do contrato de empréstimo.

Nos últimos dias, impulsionados pela intenção de baixar o spread bancário (a diferença do valor cobrado pelos bancos ao cliente e o valor que os bancos pagam por esses serviços), os bancos oficiais – Banco do Brasil e Caixa Econômica – anunciaram importantes mudanças em relação às taxas de empréstimos. As casas bancárias decidiram fazer uma redução substancial nas taxas de juros dos principais serviços de linhas de crédito. Enquanto o Banco do Brasil entendeu por bem estipular um piso de 0,84% de juros ao mês para o empréstimo consignado, o qual já foi brevemente esclarecido, a Caixa Econômica Federal, reduziu sua taxa de juros, para a mesma modalidade de empréstimo, de 2,82% para 1,95% ao mês.

Quanto ao empréstimo pessoal, com a nova modificação, especialistas apontam a Caixa com o menor taxa de juros, que varia até os 4,9%, além disso, o banco é indicado como o que pratica menor taxa de juros para o cheque especial. Outra importante modificação, no tocante às linhas de crédito da Caixa Econômica, é em relação ao Crédito Direto da Caixa (CDC) que obteve uma redução anual de 34%.

É importante entender as modificações e avaliar a conveniência da ocasião. A quitação de dívidas, por exemplo, se faz oportuna com as novidades no cenário bancário brasileiro e, de acordo com as previsões (apesar do presente momento de redução de juros da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil se aplicar apenas para clientes desses bancos) a medida tende a se expandir aos bancos privados.


sábado, 21 de abril de 2012

Dica de Livro: Nudge


Hoje comecei a ler o Nudge, Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness. O livro parece muito bom. Na sua introdução ele discute um conceito que chama de libertarianismo paternalista.

O libertarianismo prega (entre outras coisas) a liberdade de escolha e estado muito limitado. Adicionar o termo paternalista parece até dicotômico, mas não é. Segundo os autores a idéia é manter a liberdade de escolha, mas mudar a forma como ela é apresentada ao indivíduo.

O exemplo do livro é o buffet de comida em uma escola. Mudar a ordem em que os alimentos são expostos pode levar as crianças a escolherem uma comida mais saudável. Ou seja, você mantém o conjunto de possibilidades de escolha, mas ao alterar a forma que ele é exposto você pode alterar a escolha. Essa seria a parte paternalista.


Eu achei muito interessante a discussão e estou curioso para ler o resto do livro. #ficadica

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Valuation do R10


A Pluri Consultoria é uma empresa de consultoria que divulga alguns estudos na internet. Ela trabalha, entre outras áreas, com economia do esporte. Esta semana eles fizeram uma reavaliação do passe do jogador Ronaldinho Gaúcho. Vejam abaixo o novo valuation do jogador.

Clique na imagem para ver o relatório completo (PDF)

Esse resultado vai contra todos os resultados esperados por muitos, inclusive por este que vos escreve. Quando o R10 esteve para ir para o Grêmio eu escrevi um post e dizia que não sabia se daria retorno em campo, mas seria uma fonte de renda. Vejam o que eu (cegamente) escrevi na época clicando AQUI.

Argentina = Pior Que o Brasil


Quando algo não vai bem na economia do Brasil existe uma maneira fácil de ver que poderia estar pior, basta olhar para a economia Argentina. O mais novo desatino foi a expropriação da petrolífera Repsol YPF (que era originalmente do governo espanhol, foi privatizada em 1997 e posteriormente foi comprada pela Repsol).

O motivo da nacionalização é totalmente político. Do ponto de vista econômico não existe nada que justifique a expropriação do capital de uma empresa. A ação do governo só prejudica o país. Os investidores estrangeiros que já não confiavam na economia Argentina vão ter mais um motivo para não confiar. Além disto, a produtividade da empresa deve cair, como aconteceu na Venezuela.

As nacionalizações voltaram a se tornar comuns na América Latina. Acreditar na eficácia delas faz parte do "Manual do Perfeito Idiota Latino Americano". Achar que uma empresa irá apresentar melhor resultados só porque é gerenciada pelo estado e não pelo setor privado contraria qualquer lógica econômica. E convenhamos, esse argumento de que o setor petrolífero é estratégico é uma grande bobagem, pois o governo sempre pode manter estoques e intervir no mercado, mesmo que ele só tenha empresas privadas (como no caso dos EUA).

Hoje em dia, com políticos populistas, uma inflação mascarada e um PIB pífio, a Argentina só tem um papel na América Latina: mostrar que o Brasil poderia estar muito pior.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sheik e a Teoria dos Jogos


O Corinthians venceu seu jogo na Libertadores ontem por 6 a zero. Após o jogo o atacante Emerson Sheik deu uma entrevista e disse:



"Talvez seja um placar perigoso pelo que vamos enfrentar pela frente. Tenho certeza que o Corinthians vai ser respeitado, mas não temido. Não é porque fez seis gols que é o bam bam bam. As equipes agora virão mais preparadas, estudando nossos jogadores"




A observação do artilheiro faz sentido. No momento que você revela o seu tipo, a estratégia do adversário muda. Ponto para o Sheik!

A Nova Redução da SELIC


O Banco Central fez uma nova redução da taxa básica de juros da economia. A nova meta para a taxa SELIC é de 9% ao ano. Uma discussão se dá em torno das decisões do BC a cada reunião do COPOM.

Sempre surge a pergunta: o que os dados mostram? Bem, os dados mostram uma previsão de inflação de 5% para 2012 e de 5,5% em 2013. Apesar do discurso do COPOM de que a inflação estaria convergindo para o centro da meta, que é 4,5%, os dados ainda não mostram isso.


O BC está errado? Essa pergunta não é trivial. O BC tem mais informações que o público geral, conta com uma equipe especializada e usa modelos econômicos (matemáticos) sofisticados. Apesar disso, para tomar a decisão final algumas hipóteses e visões qualitativas são levadas em consideração (assumindo-se ausência de interferência política, como já discutimos aqui no bloig antes) . Se o BC está esperando uma desaceleração da economia americana em seus cenários e isso não ocorre, o risco de ter que elevar a SELIC já no fim de 2012 pode aumentar. De todo modo, a decisão não pode ser considerada errada por si só. Apenas, que a hipótese estava errada, ou foi muito arriscada, e isso gerou uma decisão arriscada, que pode ou não vir se concretizar.

Qual o risco da decisão de ontem? O risco é a inflação não convergir para a meta no segundo semestre, e o BC ter que elevar novamente os juros no fim do ano. Isso abortaria novamente a retomada do crescimento. Uma medida mais cautelosa seria a manutenção da SELIC até a inflação voltar ao centro da meta, ou pelo menos que a sua expectativa voltasse ao centro da meta, e aí iniciar um novo ciclo de redução.

É difícil entender qual o tempo ótimo de fazer a política, já que existe um tempo entre a mudança dos juros e o efeito sobre os preços. Em geral, estima-se uma defasagem de cerca de 6 meses na política monetária. Neste caso, os efeitos da redução de juros ontem serão sentidos em outubro. Enfim, se o cenário pessimista do BC par ao setor externo não se concretizar, existe a chance de retorno da inflação.

Para finalizar, vou comentar uma manchete que vi nos jornais. Muitos apontam que o Brasil não tem mais o maior juros real do mundo. Eu acho isso muito bom, etc. Mas notem que um juros baixo não significa necessariamente uma economia em com alto crescimento ou desenvolvimento econômico. Uma coisa não implica a outra. Dois exemplos: Espanha e Argentina. As duas economias vivem momentos dificílimos e estão com juros reais negativos (veja a reportagem da Exame, gráfico abaixo). Juros baixos não necessariamente implicam crescimento. Pensem nisso!

Clique para ampliar

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mudanças no Seguro-Desemprego


Em meio a toda essa discussão sobre redução de juros, alguns assuntos passam batidos. Uma notícia interessante que saiu ontem foi a de que o seguro-desemprego irá mudar.

Segundo a Exame (AQUI):
Brasília - O trabalhador que solicitar o benefício do Programa de Seguro-Desemprego a partir da terceira vez, dentro de um período de dez anos, terá de comprovar matrícula e frequência em curso de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional, habilitado pelo Ministério da Educação (MEC), com carga horária mínima de 160 horas.

Esta mudança é muito boa. Depois de um determinado tempo de trabalho com carteira assinada, o funcionário tem direito ao seguro-desemprego. A quantidade de parcelas que ele tem direito depende da quantidade de meses trabalhados nos últimos 36 meses anteriores à data da dispensa, na forma a seguir:

- De 6 a 11 meses: 3 parcelas;
- De 12 a 23 meses: 4 parcelas;
- De 24 a 36 meses: 5 parcelas.

Apesar de ser uma segurança para o trabalhador, o seguro-desemprego cria um incentivo perverso. O trabalhador de baixa renda tem o incentivo a ficar um tempo na empresa e "forçar a demissão" depois de um período para sacar o FGTS e ter direito ao seguro-desemprego. Muitos pensam que isso seria uma estratégia ruim, porque, afinal, o valor total recebdo será menor. Mas, mutias pessoas, infelizmente, preferem "receber sem trabalhar". É uma escolha e os dados mostram isso.

A nova legislação vai dificultar esse terceiro pedido. Ela vai impor um custo, na forma de freqüência em um curso, aos que desejarem requerer esse seguro após a terceira vez. É uma boa medida, ela limita o efeito do incentivo perverso e ao mesmo tempo qualifica o trabalhador.

Obviamente, esse curso tem um custo (via PRONATEC). Imagino que isso tenha sido levado em conta na decisão de mudar o sistema.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Laboratório Intelectual


Desta vez eu vou aguardar (e aceitar antecipadamente) as críticas dos economistas mais ecléticosque eu. Esta eu não conhecia. Ela se chamava Alice Amsden e conforme reportagem da Folha, era professora do MIT. Segue um trecho da sua entrevista (íntegra AQUI):

O que mudou no Brasil para colocá-lo no caminho certo? A primeira coisa e a mais importante foi que o Brasil teve uma mente rebelde: fez uma mudança radical no aprendizado e no pensamento sobre desenvolvimento. Parou de olhar na direção da teoria do mercado para buscar inspiração para as suas políticas. Em vez de se dirigir para o beco sem saída das políticas universais - como o livre comércio e as vantagens comparativas - e que eram supostamente boas para todos os países, começou a pensar com linhas dedutivas. Seu guia passou a ser as "experiências" de muitos países, não as teorias. O Brasil se tornou um laboratório intelectual para experimentações cuidadosas.

Realmente, se eu fosse definir as políticas econômicas brasileiras jamais teria chegado nessa frase brilhante: "laboratório intelectual para experimentações cuidadosas".

Essa rebeldia custa muito caro ao país. Negar as vantagens comparativas e a importância do comércio em prol de um desenvolvimentismo nacionalista e dizer que o Brasil serve de guia para outros países é até um deboche. Queria ver ela aqui no Brasil na década de 80 com hiperinflação e uma economia fechada.

Os intelectuais desenvolvimentistas deveriam ser gratos ao comércio internacional, que foi um dos fatores determinantes para a implantação e sucesso do Plano Real. Pregar o protecionismo e subsídios a setores que não são competitivos (negar as vantagens comparativas) é fácil quando a economia vai bem. Como diz o cartaz: "Keep Calm e Quero Ver  Quando o Fluxo Cambial Mudar".


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Vencedores da Promoção de Aniversário: Fotos!


Dois dos quatro vencedores da Promoção de Aniversário de 4 Anos do Blog mandaram as fotos com os seus prêmios!

Bárbara de Morais (vale de R$ 50 da Saraiva)

Marlon Fernandes (livro Axiomas de Zurique)

 Eles parecem contentes, né? Mais uma vez parabéns aos sortudos e obrigado por acompanharem o blog!

domingo, 15 de abril de 2012

O Tchau do Comandante


Leiam abaixo o excelente texto escrito pelo professor Fernando Caio Galdi (FUCAPE):

A decisão do governo de forçar a queda da taxa de juros praticada no mercado brasileiro fazendo os bancos públicos cortarem vigorosamente o spread cobrado pode parecer boa à primeira vista. Contudo, é uma decisão arriscada e pode ter sérias consequências. Para entender o porquê, podemos fazer um paralelo entre o adequado funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN), e de um grande transatlântico. O ideal para uma viagem segura é que o mar não esteja revolto, a tripulação seja bem preparada e que o comandante tenha em mãos a carta náutica e siga a rota pré-determinada. Quando o comandante resolve sair da rota e faz uma manobra arriscada para navegar perto da costa de uma ilha e se exibir para uma de suas namoradas, ele coloca toda a segurança do navio em risco. Nessas condições, uma rocha no meio do caminho pode causar uma tragédia e o naufrágio da embarcação. A mesma coisa acontece com o SFN. Seu adequado funcionamento depende de segurança jurídica, cumprimento de contratos e equilíbrio entre os agentes. Quando o governo (comandante) resolve mudar de maneira radical seu funcionamento cortando pela metade as taxas de juro cobradas, aumenta o risco do sistema. Se os bancos privados não baixarem os juros, perderão bons clientes, pois nos públicos conseguirão crédito mais barato. Isto aumenta o risco dos bancos privados. Se eles baixarem os juros cobrados para competir com os bancos públicos terão prejuízo por conta do altíssimo custo da inadimplência e dos impostos no Brasil. De todas as maneiras o risco dos bancos privados quebrarem aumenta. Isso é um grande risco para o sistema. É o tchau do comandante para a moça bonita na ilha.


Texto públicado na matéria "Só maquiagem não nesolve", escrita pelo também sempre excelente Abdo Filho (A Gazeta, 12/4/2012). Link AQUI.

sábado, 14 de abril de 2012

Matemática na Web


Recebi uma dica (totalmente acadêmica) muito legal. É um programa open-source em Java que permite que você escreva com facilidade fórmulas matemáticas em websites e blogs, o que não é possível em HTML ou CSS convencionais. O nome do programa é MathJax e o endereço do site para conhecer o programa é este aqui: http://mathjax.org.

Com este programa você escreve o seu código em LaTex e só cola no código. Funciona com qualquer browser e sem necessidade de plug-ins. Fica com uma definição muito boa e você não precisa colar como figura, como eu tive que fazer neste post AQUI.

Um exemplo de uso é esta função utilidade aqui:

\begin{equation}
u(w,t)=-\exp (-r\left[ w-c\left( t\right) \right] ) \end{equation}
Fica aí a dica para quem curte usar fórmulas matemáticas na web.

Clique na figura para visitar o website.

Teoria dos Jogos no Gauchão


Essa vem direto do treinador do Cerâmica, Hélio Vieira, ao ser perguntado sobre qual seria a estratégia para superar o SC Internacional (no blog No Ataque):

E qual será a estratégia?
Ah, não digo (risos). Aí não seria estratégia (mais risos). Mas tudo o que eu quero é que o Inter venha para cima. Treinamos bastante cobrança de pênalti.


Muito boa! Exemplo clássico de teoria dos jogos. Qualquer anúncio que ele fizesse seria cheap-talk. Ou seja, conversa barata, papo furado, não altera a estratégia do adversário. O adversário sabe que ele pode anunciar uma coisa e fazer outra. Mas, foi muito boa a forma como ele respondeu.

Hélio Vieira (Cerâmica)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mantegada Semanal #26


Às vezes eu fico me perguntando se o Min. Guido Mantega vive de fato no mesmo Brasil que nós. Vejam esta declaração de ontem (AQUI):

"A economia brasileira está bastante sólida, estamos com inflação baixa, em torno de 4,5%, estamos com uma situação fiscal ótima, estamos com superávit, diminuindo a dívida pública, os consumidores estão com vontade de consumir, com mais salários, porém está havendo uma retenção de crédito por parte dos bancos"

Nao é bem por aí. O mercado prevê uma inflação de 5% para 2012 e 5,5% para 2013 (ver AQUI). A situação fiscal não é ótima. Não é arriscada, mas não é ótima. Em primeiro lugar o Governo não tem superávit. O governo tem um superávit primário (antes de incluir o gasto com juros). Ou seja, o governo precisa emitir dívida pra pagar os juros. Como conseqüência, a dívida pública não diminui, como diz o ministro, ela aumenta.

Se os consumidores tem mais renda e tem vontade de consumir, o que falta? Ah, o crédito. Mas, será que os consumidores não tomam crédito porque os bancos são malvados e não dão ou porque já possuem muitas dívidas e não querem fazer mais? Os dados do SERASA Experiam mostram o seguinte. O IDC, que mede a procura por crédito, foi 121.8 em março de 2012, comparado com 123.5 em março de 2011. Ou seja, caiu mais de 1%. É verdade que aumentou para os consumidores de menor renda, mas caiu para todos os consumidores com renda acima de 500 reais (ver dados AQUI). Já a inadimplência era 116.5 em março de 2011 e em março de 2012 atingiu 133.0, um aumento de mais de 14% (dados AQUI).

O céu não está tão azul comandante.

Vacas gordas ou magras?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ICMS Interestadual


De acordo com A Gazeta (AQUI):

"...a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem o projeto de resolução que acaba com o Fundap. A apreciação do plano também na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), prevista também para ontem, foi adiada para a próxima terça-feira por pressão dos parlamentares e governadores dos três Estados mais prejudicados: Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás."

O que estava em jogo? Os estados mantinham alíquotas de ICMS menores para atriar empresas importadoras. Criou-se um modelo em que as empresas estavam aqui no ES para importar mais barato e se comprometiam (através do FUNDAP, mais AQUI) em fazer investimentos no estado. Depois o produto era enviado para outros estados e era cobrado 12%, o chamado ICMS Interestadual, mas mesmo assim era vantajoso para as empresas. Veja na figura abaixo:

Infográfico do FUNDAP. FONTE: A Gazeta


A mudança prevê uma nova alíquota desse ICMS interestadual para produtos importados. Ela cairá dos atuais 12% para 4% e será igual para todos. Ou seja, estados que usavam este arranjo tributário sairão perdendo, bem como as prefeituras, pois espera-se que a circulação de mercadorias e serviços caia. Também espera-se uma migração dos empregos.

Embora pareça uma solução mais equitativa, em que o ICMS é igual para todos, ela não necessariamente é a mais eficiente. A competição, como todos sabem, leva a uma maior eficiência alocativa. Deste modo, a tão mal falada "guerra tributária" seria boa pra economia. É uma competição tributária. Estados iriam concorrer para atrair empresas, oferencendo impostos reduzidos, melhore infra-estrutura e mão-de-obra.

Esse parece ser o primeiro passo em busca de um novo pacto federativo, que pode até vir a ser mais eficiente que o atual, é claro. O que os governantes dos estados prejudicados clamam é por um período de transição. Receber um choque negativo de receita é complicado. Eles tem razão na sua demanda.

Infelizmente, não deverá haver transição.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Maximizando a Utilidade


Diálogo de corredor em véspera de prova de Microeconomia:

Professor
- E aí? Estão sabendo tudo sobre maximização de utilidade?

Aluno
- Sim, acho que sim. Só não estou conseguindo maximizar a minha!

FIM


terça-feira, 10 de abril de 2012

Produção Industrial e Macroeconomia


Saíram os resusltados da produção industrial (AQUI). Os dados mostram o seguinte:

"No índice acumulado nos últimos doze meses, o total nacional apontou queda de 1,0% em fevereiro de 2012, prosseguindo com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%) e registrando a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%). Em termos regionais, sete dos 14 locais pesquisados também mostraram taxas negativas em fevereiro desse ano, com destaque para as perdas observadas no Ceará (-11,4%) e em Santa Catarina (-6,4%). As principais expansões foram assinaladas em Goiás (9,3%), Paraná (5,4%) e Espírito Santo (4,5%)."

A indústria não vai bem, é verdade. Mas não é um desespero anunciado nos jornais. Mês sobre mês, a indústria cresceu 1,3% com ajuste sazonal. A grande questão está além da análise conjuntural. Acho que o ponto principal é entender porque a indústria vai mal. Muito se fala de câmbio, mas o câmbio é igual para os outros setores e mesmo para os subsetores dentro da indústria. Vejam o crescimento mês sobre mês no gráfico abaixo:

Clique para aumentar.

Ou seja, a pergunta é: o que acontece com estes setores? Mais do que isso, será que não é natural que uma economia tenha ciclos de crescimento diferentes entre os setores e subsetores? Um grande ponto que deve ser melhor explorado pelos jornalistas e economistas é o crescimento do setor de serviços.

Nas economias desenvolvidas o setor de serviços é o mais dinâmico e o que mais emprega. Será que ter uma indústria menor (como proporção do PIB) não é o caminho natural? Qual o problema em exportamos minério e importarmos bens industrializados? E mais do que isso, qual o custo para a sociedade em manter subsídios a este ou aquele setor?

Para finalizar, é importante ressaltar que, sim, é muito caro produzir no país. Os impostos, os custos de tranporte e os custos de mão-de-obra brasileiros estão entre os mais altos do mundo. Será que não chegou a hora de rever tudo isso? Não seria esse momento de discussão o momento propício, a gota d'água, para que se faça uma reforma tributária no país?


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sobre Músicas e Discos


O José Paulo Kupfer escreve um excelente blog no Estadão chamado Economia e Outras Histórias (link AQUI). Esses dias um de seus leitores deixou um comentário em um post e colocou um link para uma das Mantegadas Semanais. Ele respondeu ao leitor na área de comentários e compartilhou com ele o seguinte pensamento (o quadrado vermelho fui eu que adicionei):


Eu não posso deixar de concordar com o José Paulo Kupfer. Ler opiniões diferentes é fundamental para quem deseja aprender economia. Jamais devemos achar que sabemos tudo ou que a nossa opinião é a única correta. Muitas vezes eu vou escrever coisas aqui no blog que eu mesmo não vou concordar daqui um tempo.

Eu li muitos livros e artigos básicos, avançados, de teoria, empíricos, clássicos, neoclássicos, etc, mas também li muita coisa do Marx, Kalecki, Shumpeter, e toda aquela turma que tinha visões bem diferentes, ou, como dizem, heterodoxas. O importante é construir a sua própria visão e sempre se perguntar se ela não fere nenhum princípio econômico básico.

Nesse sentido acho que os blogs tem um papel muito importante. Eu toco a minha música, e os outros blogueiros tocam as deles e, de certa forma, quem ganha é o leitor. Note que tudo isso pode ser feito em um ambiente de baixo custo para o leitor (visitar vários blogs).

Enfim, achei muito válida a colocação do José Paulo e achei uma boa oprotunidade de voltar naquela discussão que rolou esses dias na blogosfera econômica e no II ENBECO sobre o papel dos blogs de economia.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Regulação do Transporte Coletivo


A questão do transporte público é debatida nas grandes cidades do mundo inteiro e sua solução é sempre muito complexa. No início de sua história, NY se deparava com o problema das fezes animais espalhadas pelas cidades, depois vieram os veículos, os bondes, carros, e tudo mais que só poderia deixar a cidade mais caótica.

Ao longo do tempo foram criados também mecanismos para controle do tráfego, como os semáforos e as regras de trânsito, com o objetivo de organizar a bagunça. Acontece que, na medida que a cidade cresce, o transporte coletivo necessita obrigatoriamente ser organizado (provido ou contratado/regulado) pela autoridade pública e acaba se sobrepondo aos meios de transporte individuais.

Neste processo é importante que existam muitas alternativas, de preferência interligadas, que possam ofertar um transporte eficiente: rápido, seguro e barato.

A cidade do Rio de Janeiro está entre as grandes cidades do mundo. Sua geografia, cheia de morros, pedras, lagos e enseadas, torna o problema ainda mais complexo. Neste caso, o papel da autoridade pública é ainda mais importante para que o transporte seja bem regulado, organizado e enfim usufruido pela população.

Trânsito no Rio de Janeiro.

Como ocorre em muitas cidades, muitas vezes as autoridades responsáveis pelo transporte público não tomam as melhores medidas para a organização do trânsito. Em particular, as cidades carecem de iniciativas econômicas que busquem criar os incentivos corretos para a provisão deste serviço.

Um exemplo de ineficiência é a atual proposta de renegociação dos contratos de barcas, no estado do Rio de Janeiro. Segundo reportagem do O Globo (AQUI):

"O secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, Júlio Bueno, afirmou na tarde desta segunda-feira que o governo do estado quer trocar os sócios que operam o sistema de barcas. Segundo Bueno, a ideia do governo é repactuar a concessão do transporte marítimo de passageiros na Região Metropolitana."

Quando o governo faz um contrato, é importante saber as vias de escape e, principalmente, quais as medidas que devem ser tomadas para que a concessão do serviço seja feita de forma mais eficiente na etapa seguinte. Um ponto fundamental é que qualquer mudança de provedor seja feita com uma nova concorrência, onde as melhores ofertas são elencadas segundo critérios previamente estabelecidos e de conhecimento comum.

O caso das barcas não é isolado. As grandes cidades brasileiras carecem muito de maior eficiência e de melhores contratos. Mas o caso do Rio de Janeiro, assim como o de SP, é peculiar. A cidade sofre com trens lotados e outros problemas de congestionamentos há muitos anos e não consegue achar soluções como as vistas em outras cidades dos EUA e Europa. Para terem idéia do que estou falando, assistam ao documentário abaixo:


Vocês vão se surpreender com a semelhança com os dias atuais.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mantegada Semanal #25


A Mantegada desta semana é em forma de Power Point. Segue abaixo o slide número 13 da apresentação do Ministro Guido Mantega (As Novas Medidas do Plano Brasil Maior). Eu marquei 7 itens e analiso eles logo abaixo.


Análise do slide 13:

1) Caráter permanente? Significa que o governo vai intervir no câmbio de forma permanente? Sério?

2) Principais instrumentos de competitividade? Achei que fossem a produtividade marginal do capital e do trabalho. Até onde eu sei o câmbio é um preço relativo. Sim, se você alterar artificialmente esse preço relativo a demanda e oferta se alteram. Mas, é impossível alterar esse preço relativo de forma permanente.

3) Interpretei isso como "Vamos comprar dólares! Se preparem!". Saque. Pelo menos as reservas vão ser úteis quando a fuga de capitais iniciar.

4) Taxar poupança externa em um momento que o Brasil precisa de tantos investimentos? Sério?

5) Bom, não entendi esse. Mas imagino que o raciocínio seja este: a redução da SELIC serviu para desvalorizar o câmbio, "aquecer" a economia e "fortalecer" a indústria. É isso? Mas não seria a determinação da SELIC uma escolha do BC? E a função do BC não seria combater a inflação? O Min. da Fazenda estaria admitindo que intereferiu na decisão do BC e aquele "indireta" foi colocado ali só pra despistar? Essa também seria uma medida permanente?

6) Foi muito oportuna a ausência do ponto final nesta frase. Eu continuaria colocando uma vírgula e escrevendo "portanto a gente vai é usar o câmbio mesmo galera!"

7) Tradução: Vocês ainda não viram nada!

Das duas uma, ou as medidas serão modestas e isso foi um showzinho pro empresariado ou a coisa vai ficar complicada.

PS: Dica do link dos slide via Twitter do Drunkeynesian.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia Muito Especial!


Hoje é um dia muito especial. A Sra. Costa defendeu com sucesso a sua tese de doutorado e se tornou a mais nova Ph.D. in Economics da LeBow College of Business (Drexel University)!

Luciana D. Costa (Ph.D. in Economics)

Parabéns meu amor! Estou muito orgulhoso! Te amo!

domingo, 1 de abril de 2012

A Várzea Não é Mais Várzea


O futebol de várzea é uma das grandes marcas da cultura brasileira. Todos os finais de semana milhares de jogadores disputam partidas em suas comunidades. Essas disputas tem muito valor pessoal. Dentro da comunidade, ganhar ou perder para o time da rua do lado pode ser algo muito importante.

Nesse tipo de situação é natural que os prêmios sejam somente as alegrias e tristezas que um jogo de futebol podem proporcionar. Entretanto, na medida que o país vai se desenvolvendo e a renda vai aumentando, um novo fenômeno vem acontecendo nas várzeas do país.


Cada vez mais, jogadores de várzea recebem prêmios em dinheiro para jogar pelos times. Uma reportagem recente do UOL sobre o assunto traz algumas evidências:

"Normalmente, os times com poderio econômico maior pagam “luvas” para contratar os destaques de outras equipes. O valor não é revelado, mas pode passar dos R$ 1.000,00. Além disso, o pagamento aos atletas é comum: R$ 600,00 por mês, R$ 200,00 por jogo ou até bônus por performance (como R$ 100,00 por gol, por exemplo)."


Essa é a evidência. O "poderio econômico" chega ao futebol de várzea. O mesmo fenômeno econômico que hoje mantém craques como Neymar e Ganso atuando no Brasil, faz com que o futebol amador ganhe ares de profissionalismo. É a economia profissionalizando os craques amadores e mantendo os profissionais no Brasil.

O mais interessante da reportagem do UOL são os comentários.
Dêem uma conferida lá: AQUI.

PS: Dica do Prof. Fábio Morais.