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sexta-feira, 30 de março de 2012

Notícias: Duas Boas e Uma Má


Estou meio atrapalhado com a minha viagem. Mas, hoje, enquanto esperava nos aeroportos, selecionei alguns links para compartilhar:

1) Neymar brilha dentro e fora do gramado. O garoto passou dos 100 gols com a camisa do Santos e mostra que sabe tudo dentro e, principalmente, fora de campo. O salário do craque já chega a três milhões de reais ao mês e depois da Copa vira dono do próprio passe. Que tal? Mais AQUI.


2) Dezoito estados brasileiros vão iniciar a implantação de medidores de luz que possibilitam variação de preço de acordo com o horário. Uma grande inovação que promete sacudir o mercado de energia no país. Link AQUI.

3) A má notícia vem da equipe econômica. Mais impostos sobre importados. Nem vou comentar. Leiam mais AQUI.

Bom final de semana!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Gonna Fly Now




Infográfico do Censo Americano


Muito legal o infográfico com os dados do Censo americano em 2010 versus 1940. Muita coisa mudou nesse tempo. Um exemplo legal é a mudança do tamanho dos setores na economia (em número de trabalhadores).

Tal como já falamos aqui nos posts anteriores (AQUI, por exemplo), na medida que a sociedade se desenvolve o setor de serviços (principalmente educação e saúde) cresce mais, relativamente ao setor industrial.

Vejam as principais mudanças clicando na figura abaixo:

Clique para visitar o site do Censo americano.

terça-feira, 27 de março de 2012

Espanha: Barrando Economistas?


Que a economia espanhola não vai muito bem todo mundo já sabe. Mas ameaçar barrar economistas brasileiros já é demais...


FONTE: Ancelmo Gois (O Globo)

Petróleo: Preço, Oferta e Demanda


Certa vez, lá por 2009, eu tive uma grande discussão com uma colega de doutorado. Ela era toda natureba e só andava de bicicleta. Ela dizia que eu não devia pegar o ônibus e ir a pé pra poupar energia. Eu expliquei que compartilhava da preocupação dela quanto ao futuro do planeta, mas acreditava que se de fato o petróleo ficar escasso na velocidade que os analista prevêem então logo a gasolina ficaria muito cara e isso incentivaria a produção de etanol e reduziria o consumo. Enfim, usei um argumento de mercado(é claro que a poluição é uma externalidade e tudo mais, mas eu insisti para ver até onde ela ia com aquele papo).

A pergunta que fiz foi: se o petróleo se tornar escasso e caro, as pessoas vão mudar os seus hábitos? Sim, produtores vão produzir mais e consumidores vão consumir menos. Vamos aos fatos que basearam meu argumento(via NYT):

"Across the country, the oil and gas industry is vastly increasing production, reversing two decades of decline. Using new technology and spurred by rising oil prices since the mid-2000s, the industry is extracting millions of barrels more a week, from the deepest waters of the Gulf of Mexico to the prairies of North Dakota. At the same time, Americans are pumping significantly less gasoline. While that is partly a result of the recession and higher gasoline prices, people are also driving fewer miles and replacing older cars with more fuel-efficient vehicles at a greater clip, federal data show."

Vamos ver como esse comportamento dos americanos é comparado ao do resto da economia mundial (também do NYT):

Clique para aumentar.

Notem na figura que nas duas crises em que o preço do petróleo subiu muito o consumo caiu drasticamente*. A diferença desta vez é que a Ásia e o resto do mundo (fora Ásia, EUA e Europa) continuam crescendo numa velocidade muito grande, aumentando o preço ainda mais.

Não parece existir uma tendência clara de diminuição no consumo nestes países. O cenário mundial é de contínuo aumento do preço do petróleo, o que viabilizará combustíveis e transportes alternativos. Obviamente, que este é um cenário complicado para o Brasil. Bom, para a Petrobras e produtores de cana, mas ruim para o Brasil, pois encarece muito o transporte (sem contar a condição precária das nossas estradas).

Enfim, talvez eu devesse ter escudado a minha colega...

*: reparem também que a inclinação da trajetória do consumo americano diminui a cada choque.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Crescimento Industrial e IPI


Eu não sou tão entendido de finanças públicas como o Mansueto Almeida ou o Felipe Salto (dois excelentes economistas e blogueiros), mas vou me arriscar e dar um palpite sobre a questão fiscal brasileira neste cenário de discussão sobre os rumos da indústria.

No debate sobre o crescimento industrial, muitos levantam a tese de que a indústria poderia ser desonerada de uma forma ou de outra. Diante disso, resolvi dar uma olhada nos números da arrecadação fiscal. Visitei o site da Receita Federal (AQUI, recomendo a visita) e encontrei a seguinte tabela neste PDF AQUI:

Clique para ampliar.

Vamos aos dados. O valor arrecadado com o IPI não vinculado, impostos sobre produtos industrializados, subiu de 31,2 bilhões para 34 bilhões entre 2010 e 2011. Um aumento de 8,71%. Um aumento um pouco menor do que o crescimento da receita total, que foi de 10,16%. Ou seja, os impostos recolhidos no setor cresceram menos do que no resto da economia.

O que o governo poderia fazer para tornar a indústria nacional mais competitiva? Bem, uma medida simples seria reduzir gradualmente o IPI de todos os setores, até acabar de vez com o imposto. Notem que (aqui eu tenho certeza que o Salto e o Mansueto devem ter opiniões contrárias) o IPI não é tão importante assim. A parte não vinculada corresponde a 3,07% da arrecadação total.

Uma medida de desoneração da indústria seria uma redução gradual deste imposto, de modo a não afetar tanto a arrecadação. Depois desta etapa, poderíamos pensar em reduzir a parcela do IPI Vinculado, que não deve corresponder a mais de 4% do resto da arrecadação.

Com uma arrecadação que cresce mais de 10% ao ano não teríamos tanta dificuldade.

Que tal? gostaram da sugestão?

domingo, 25 de março de 2012

Quantitative Easing


O governo brasileiro tem se debatido em busca de medidas para desvalorizar o real frente ao dólar. Entretanto, a verdade é que o dólar tem se desvalorizado em relação as outras moedas do mundo. Esse movimento é resultante de uma medida que vem sendo adotada pelo FED (banco central americano) desde o início da crise, em 2008. Essa medida ficou conhecida como "quantitative easing", ou, simplesmente QE.

O QE é uma medida de expansão monetária. A medida é simples, o FED imprime dinheiro e compra ativos financeiros. Em geral, esses ativos são comprados dos bancos, colocando reservas nos cofres dos bancos, aumentando o preço dos ativos financeiros e reduzindo juros. Essa medida é tomada quando as taxas de juros nominal da economia já estão muito baixas, e a política monetária convencional já não é efetiva (condição conhecida como armadilha da liquidez).

Uma característica do QE é que ele aumenta o ativo (ativos financeiros) e o passivo (moeda em circulação) do FED. Um infográfico do WSJ mostra como os ativos do FED aumentaram nos últimos anos e sua composição.

Clique para ser redirecionado ao infográfico.

O gráfico mostra as diferentes composições do ativo do FED ao longo do tempo, desde o início de 2007. O impressionante é o aumento do tamanho do ativo, que salta de algo em torno de 850 bilhões de dólares para 2,6 trilhões na metade do ano passado. Notem também que a composição do ativo muda bastante ao longo dos anos.

Fica aí a dica do infográfico para os interessados em entender a política monetária americana que vem aumentando a oferta de dólares na economia mundial e, como conseqüência, desvalorizando a moeda americana.

sábado, 24 de março de 2012

Gapminder World: Indústria e Serviços


Recebi uma excelente dica de ferramenta online do meu amigo Angelo Polydoro (do IBRE). É o Gapminder World. O site permite que você escolha vários tipos de estatísticas econômicas e monte gráficos dinâmicos de fácil visualização. A ferramenta permite que você escolha a estatística, o país, a escala (linear ou log), e várias outras funções legais.

Na foto abaixo eu criei um gráfico, por sugestão do Angelo, que mostra a participação da indústria e do setor de setor de serviços no PIB. Com o desenvolvimento econômico e o aumento da renda de um país o natural é que os pontos saiam da região noroeste e se movimentem em direção ao sudeste. E foi exatamente isso que o gráfico mostrou.

Clique na imagem para ser redirecionado ao site.

Clique na figura para ser redirecionado ao site onde você pode ver o gráfico dinamicamente, bastando apertar play (no canto inferior esquerdo). Para fazer o contraste, coloquei Portugal em laranja. Note que esta mesma dinâmica acontece no país europeu, mas numa velocidade menor, pois o país já se encontrava mais desenvolvido no início da série.

E aí? Acharam legal?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Mantegada Semanal #24


Paulo Skaf (da FIESP) terá uma reunião com o Min. Guido Mantega (VEJA). Eles discutirão a questão da suposta desindustrialização. Paulo Skaf disse o seguinte:

"...há um problema no câmbio, pois a atual taxa de R$ 1,80 é a mesma do ano 2000, porém, destacou, nos últimos 12 anos, ocorreu uma inflação de 112%. "Portanto, há uma distorção". Skaf sugere que o Reintegra, programa que devolve aos exportadores 3% do valor exportado, seja elevado para compensar parcialmente esses problemas do câmbio. Ele pediu também mais agilidade na área de defesa comercial e a redução dos juros e do spread bancário."

O raciocínio é meio confuso. Mas, imagino que seja assim. A inflação aumentou os custos de produção, como o câmbio é o mesmo e a inflação nos países estrangeiros é menor, então os empresários brasileiros se deram mal, pois agora não conseguem competir. Portanto, a solução óbvia é desvalorizar o câmbio*.

Uhm, parece uma boa idéia! Tenho certeza que o Mantega concordará. Ele já até deve ter pensado nisso. Na Reuters, o ministro falou sobre a questão. Segundo a reportagem:

"... ele afirmou que um dos maiores desafios é o câmbio, pois coloca os produtos brasileiros em condição de inferioridade no mercado. Mantega considera que o país tem mercado consumidor, mas vem perdendo terreno para os produtos importados."

Pronto! Está convencido!

Bem, o pessoal da CTB acha que não, e que o Ministro Guido Mantega vive no Mundo da Lua. Poxa, sacanear o ministro é brincadeira! Compararam ele com o Lucas Silva e Silva! Vamos pegar leve pessoal da CTB!

Lucas Silva e Silva (No Mundo da Lua)

*: Ele só esqueceu de dizer que os outros setores da economia também enfrentam o mesmo câmbio e a mesma inflação!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Incentivos, Cerveja e Preservação Ambiental


Achei muito legal a iniciativa da AMBEV.

Eles criaram um programa que incentiva as pessoas a pouparem água e dão reembolsos financeiros. O projeto tem a finalidade de preservar o meio ambiente e faz uso de um mecanismo de incentivos bem simples e muito eficiente, que basicamente internaliza a externalidade gerada pelo consumo excessivo de água. Sim, sim, aquilo mesmo que você aprendeu em microeconomia.

E o que a AMBEV ganha? Bem, se as pessoas pouparem água isso reduz a demanda por água, reduzindo o custo do principal insumo da empresa. Faz sentido, não faz?

Anúncio da AMBEV

Aos que se interessaram em cadastram a sua conta segue o link AQUI.

terça-feira, 20 de março de 2012

Testosterona e Risco


Uma reportagem no  Estadão me chamou a atenção:

"Segundo o neurocientista John Coates, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, aspectos fisiológicos, como a variação no nível dos hormônios, podem influenciar que tipo de risco os operadores estão dispostos a correr. Se os riscos forem grandes demais, pode haver uma bolha especulativa; se quase inexistentes, um ciclo de recessão."

Este tipo de relação entre fenômenos físicos/biológicos e/ou psicológicos já não é mais novidade em economia. A versão atual do livro de Microeconomia do Varian, por exemplo, já traz um capítulo inteiro dedicado à economia comportamental.

Eu acho uma área interessantíssima. Entender como os aspectos biológico e/ou psicológicos afetam as escolhas é muito importante. Por exemplo, no caso de a testosterona (ou outro hormônio) de fato aumentar a propensão ao risco do indivíduo, talvez as mesas de operação financeira busquem traders mais diversificados, mesclando homens e mulheres, jovens e adultos e até mulheres com ciclo menstrual diferente (fui longe demais?).

Uma outra área interessante relaciona a neurociência às decisões econômicas. Ou seja, qual área do cérebro é utilizada ao tomarmos decisões e como diferentes níveis de sensibilidade nervosa afetam as decisões dos indivíduos. Esses dias mesmo, lá no Washington Post, eles perguntaram "seria a neurociência a nova área que os economistas terão que aprender/invadir"?

Fica aí a pergunta e quem sabe uma sugestão de área de pesquisa para jovens economistas.


PS: Dica do Professor Moisés Balassiano.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Protecionismo e Suas Conseqüências (Parte 2)


Além de deslocar o consumo, como explicado no último post, o protecionismo tem outras conseqüências. Uma delas é o aumento generalizado de preços.

O Brasil importa muitos veículos estrangeiros. Uma idéia de caráter protecionista seria intervir no mercado de câmbio, desvalorizando o Real. Essa medida é custosa para o Banco Central. Mas, vamos abstrair desse detalhe neste post.

A conseqüência imediata seria o aumento de preço dos veículos, já que a oferta diminuiu. Mas, os preços de outros produtos que enfrentam a concorrência externa também subiria, já que agora todos os produtos importados entram no país com preços mais elevados (em moeda local).

A consequência: inflação.

Esse fenômeno é conhecido como pass-through: o efeito de uma variação percentual no câmbio (desvalorização) sobre a inflação doméstica.

Esta conseqüência é das piores. Ela diminui a renda real de todos, inclusive dos que se beneficiaram com a proteção.

Durante o início do Plano Real, esta foi justamente uma das armas (usada ao avesso) para conter a inflação. Um câmbio altamente valorizado, incentivava as importações e mantinha os preços domésticos sob controle. Um câmbio artificialmente desvalorizado traz o efeito oposto, ou seja, mais inflação.


domingo, 18 de março de 2012

Protecionismo e Suas Conseqüências (Parte 1)


Eu não sou daqueles economistas acadêmicos que acredita que os economistas devem saber tudo que aconteceu na história econômica para entender a economia contemporânea ou fazer previsões.

Acredito que as aulas de história econômica e história do pensamento econômico (HPE) funcionam mais como ilustrações do que qualquer outra coisa. Por exemplo, eu posso explicar o princípio das vantagens comparativas sem mencionar David Ricardo, tecidos ou vinhos. Obviamente, ele deve receber o crédito e é aí que entra a contextualização histórica. Mas, creio que isso possa ser feito rapidamente na aula de microeconomia, ou de economia internacional.

Portanto, quando vejo os erros econômicos do passado serem cometidos na atualidade não acredito que seja porque as pessoas não conhecem todos os erros econômicos cometidos na história. Em geral, os erros da atualidade possuem três possíveis explicações: (a) não conhecem os princípios econômicos básicos, (b) são movidos por interesses políticos, ou (c) ambos.

Vamos aos fatos. Em poucos meses o governo brasileiro fez uso de diversas políticas com a finalidade de proteger a indústria nacional, em particular, a indústria de transformação. As medidas envolvem aumento de carga tributária sobre produtos originários de outros países, revogação de acordos comerciais, elevação de impostos sobre operações financeiras e interferência no mercado cambial.

Empresas estrangeiras do setor automotivo, por exemplo, foram incentivadas a abrir fábricas no Brasil para poderem desfrutar de menores impostos. Resultando em anúncios como o da foto abaixo:

Anúncio da Hyundai em uma revista.

Este tipo de política é chamada de protecionismo, e a história econômica está recheada de exemplos de reinados e estados que tentaram usar desta política para prosperar economicamente. Infelizmente elas foram ineficazes, pois violam alguns princípios econômicos básicos e têm diversas conseqüências*.

Elevar o preço de produtos importados por meio de taxas, tarifas, impostos ou cotas tem como efeito a mudança dos preços relativos e a por conseqüência mudanças no padrão de consumo e produção de bens e serviços.

Vamos ver um exemplo com um CD.

Suponha que antes dos impostos um CD americano chegava aqui ao preço de R$ 23,00 enquanto o preço do nacional era R$ 25,00. Se com a elevação dos tributos o CD importado passar a custar R$ 27,00, o CD nacional passa a ser o mais barato. Nada mais justo do que elevar o preço para R$ 26,00 (ou, quem sabe, R$ 26,99, certo?). Ou seja, a proteção alcança seu objetivo, diminuir o consumo do produto importado e elevar o consumo do produto nacional.

Mas notem que neste processo alguém mais foi afetado. O consumidor que antes pagava R$ 23,00 e agora para R$ 26,00. Não só isso. Antes, esses R$ 3,00 de diferença poderiam ser consumidos em outros produtos, como por exemplo, um queijo nacional. Deste modo, não só o consumidor nacional perdeu R$ 3,00, mas também a agroindústria nacional deixou de vender R$ 3,00.

Esta é apenas uma das conseqüências do protecionismo. Ele desloca a alocação dos recursos, pois muda os preços relativos. Neste processo, consumidores e produtores dos setores que não foram afetados pelos impostos são afetados.

*: Este post é o primeiro de uma série sobre as conseqüências do protecionismo. Sim, eu sei que pelo o novo acordo ortográfico eu posso escrever "consequências", mas até o fim de 2012 ele é facultativo.

sábado, 17 de março de 2012

III Encontro de Economia do ES


Clique na imagem e saiba mais detalhes.

Ausência e Retorno


Estive um pouco ausente aqui do blog esses últimos dias. Mas foi por um bom motivo. Me ausentei pois estava viajando e ficou difícil postar.

Fui apresentar um artigo sobre criminalidade na UFRGS e depois fui até São Paulo. A apresentação no PPGE/UFRGS foi, como sempre, muito agradável. Uma platéia interessada e questionadora. Depois fui até a cidade da garoa buscar meu diploma na USP. Desde então sou oficialmente reconhecido como Doutor pelo Ministéiro da Educação. O trabalho de 5 anos agora é juridicamente reconhecido.

Os posts retornarão em breve. Na minha ausência parece que voltamos ao Mercantilismo.


quinta-feira, 15 de março de 2012

II ENBECO


O Instituto Millenium fez um pequeno vídeo sobre o II ENBECO. Confira o que eu e o Prof. Cláudio D. Shikida dissemos sobre o evento:


terça-feira, 13 de março de 2012

Para Onde Não Vai a Taxa de Câmbio?


O gráfico abaixo mostra a evolução da taxa de câmbio entre janeiro de 2002 e ontem, 12 de março de 2012. Nesse período, a taxa de câmbio sofreu fortes desvalorizações em dois momento. Na véspera das eleições presidenciais em 2002 e em 2008, durante a crise financeira. No restante do tempo, a moeda brasileira parece seguir uma tendência de valorização.

Clique na imagem para ampliar.

Evitar essa tendência parece ser o alvo das políticas recentes, tanto de redução dos juros, quanto de aumento de impostos (leia-se IOF).

Segundo o Ministro da Fazenda, "não podemos fazer papel de bobos". O ministro faz referência ao grande aumento da oferta monetária americana. Um aumento da oferta monetária nos EUA tende a desvalorizar o dólar (valorizando o Real). A causa, está bem detectada.

O governo entende que existe necessidade de responder à essa política americana.

Pelas declarações à imprensa, o governo calcula que uma taxa de câmbio abaixo de R$ 1,60 torna inviável a produção industrial no país. Segundo o ministro: "se não estivéssemos comprando dólares nos últimos anos, já estaríamos com câmbio em R$ 1,40 ou até menos. Com isso, toda indústria brasileira já estaria quebrada. Não teria condições de competitividade. Não conseguiria exportar nada e não conseguiria competir com as importações, que entrariam ainda mais".

As medidas não foram somente a compra e venda de moeda estrangeira, mas também aumento de tributos (impostos de importação e IOF, mais recentemente - AQUI). Diante desta visão, que eu discordo fortemente, não do diagnóstico, mas do medicamento (se é que se faz necessário), eu pergunto: para onde vai o câmbio?

Aparentemente, o mercado entendeu a mensagem que o governo vai interferir toda vez que a taxa baixar de R$ 1,70. O interessante é notar que no último relatório FOCUS a taxa de câmbio prevista para o fim de 2012 ainda é de R$ 1,75. Ou seja, o mercado entende que todo o esforço do governo vai ser em vão, ou ainda não precificou essas políticas com perfeição (o relatório é de 9 de março, AQUI).

Minha leitura é a de que existe esse piso fictício, entre R$ 1,60 e R$ 1,70, na mente do governo. Vejam novamente o gráfico acima. Toda a vez que ele se aproxima de R$ 1,60 ele volta a subir. Mais do que isso, recenetemente parece que o piso imaginário pra R$ 1,70.

A reposta para a minha pergunta não é simples. É difícil prever o câmbio. Fatores externos e fluxos comerciais podem afetar diretamente e de forma muit rápida a taxa de câmbio nominal. Mas eu consigo, talvez, responder uma outra pergunta: para onde não vai a taxa de câmbio?

Essa resposta é mais fácil. Ela não vai para menos de R$ 1,60.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Falácia da Desindustrialização (Again)


Se alguém vier falar com você sobre a desindustrialização do Brasil, mostre a tabela abaixo. Aponte para a segunda linha de dados e mostre que a participação da indústria no Valor Agregado Bruto é próxima de 28% e que esta participação tem se mantido relativamente constante ao longo da última década, apesar de todas as variações cambiais e crises externas.

Clique na tabela para ampliar

Fonte: IBGE, Contas Nacionais Trimestrais (Outubro/Dezembro 2011)

domingo, 11 de março de 2012

Mantegada Back to The Future


Do O Globo, em 9/Dez/2010:


O crescimento em 2011, segundo o IBGE, foi de 2,7% (AQUI). Mas, sem problemas. Clique AQUI e descubra a previsão de crescimento para 2012, segundo o Ministro da Fazenda.

quinta-feira, 8 de março de 2012

II Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia


Veja o vídeo de divulgação do II Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia, saiba todos os detalhes e participe!


Inscrições: http://www.surveymonkey.com/s/enbeco

Dia Internacional da Mulher 2012


Hoje, no Dia Internacional da Mulher, vou deixar como dica de leitura os artigos da Christina Paxson, de Princeton.

Ela é uma das economistas top na área de economia da saúde e impactos da educação na infância. Ela recebeu seu título de Ph.D. em Columbia, em 1987, e desde então leciona em Princeton.

Sua pesquisa é referência em Economia da Saúde, principalmente seus estudos sobre os impactos das características físicas e formação de habilidades cognitivas. Entre os seus trabalhos está um que é muito interessante e se chama "Stature and Status: Height, Ability, and Labor Market Outcomes" que foi publicado no Jounal of Political Economy em 2008.

O artigo mostra que a altura das pessoas está correlacionada com a habilidade, que aumenta a renda das pessoas. Logo, é natural que se observe uma correlação entre altura e renda ao longo da vida. Mesmo depois de muitos anos, pessoas mais altas têm renda maior. Ou seja, no fundo as habilidades cognitivas desenvolvidas na infância têm efeitos permanentes para a produtividade marginal do trabalho, e isso se reflete na relação altura-renda. O artigo é seminal na área, explorando toda a parte médica e depois a parte econômica.

Segue um link para a sua biografia/curriculum AQUI.


Parabéns a todas mulheres, em especial, às economistas!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Luis Fernando Veríssimo x Tom Brady


Recentemente foi publicado um artigo supostamente escrito por meu conterrâneo Luis Fernando Veríssimo sobre Tom Brady (AQUI). O autor mostra como alguém pode ser incapaz de entender princípios econômicos básicos e, principalmente, não buscar informações sobre um assunto que desconhece antes de escrever para um público gigante.

Vamos ao texto. O autor diz sentir inveja do tempo livre de Tom Brady, quarterback do New England Patriots, que perdeu o Super Bowl para o NY Giants. Segue um trecho do artigo:

"E o outono é para o "football", cuja temporada, curta, é esticada com uma série de semifinais eliminatórias que tem sua apoteose no milionário "Super Bowl". Não se sabe o que fazem os jogadores de futebol americano no resto do ano, quando não é outono.

Descontada a alta periculosidade do esporte - apesar de eles jogarem encasulados em proteção como jogam - não existe melhor profissão do que a de um bom jogador de futebol americano. Um mês de trabalho, um ano de salário garantido."

Como assim não se sabe? Eles trabalham muito, como qualquer outro esportista. Vamos aos fatos. Cada jogo da NFL tem cerca de 4 horas, das quais o quarterback está presente 100% do tempo, pois quanto está fora de campo está se aquecendo e combinando jogadas com o coordenadores ofensivo. Brady jogou 21 jogos, totalizando cerca de 84 horas. Algo como 55 jogos de futebol (soccer). É mais ou menos isso que um jogador de ponta joga no futebol europeu. O Argentino Messi jogou exatas 55 partidas na temporada 2010/2011, contando os 8 jogos pela seleção (AQUI). É titular absoluto. Dificilmente alguém joga mais que ele no mundo, pois o Barcelona é o time que chega em mais finais na atualidade.

Fora a temporada regular, o quarterback passa horas e horas trancado em salas assistindo vídeos e tendo reuniões. Isso, além da horas de treinamento prático. Só de pré-temporada são cerca de 2 meses. Os jogadores top de linha, como Brady, chegam a alugar ginásios e profissionais com o próprio salário para treinarem fora da temporada. Tom Brady tem inclusive um treinador privado, chamado Tom Martinez, que é seu técnico desde 1992. O que Martinez tem a dizer sobre a profissão de Brady (AQUI) :
"Mechanics should be coached on a daily basis, and I don't know that it is. It's like Tiger Woods' golf swing or Michael Jordan's free throws."

Tom Brady (pai), Tom Brady e Tom Martinez.

A profissão de Tom Brady se assemelha muito a de qualquer outro atleta de ponta, seja Messi, Kobe Bryant, Federer, Nadal, ou qualquer outro grande vencedor. São horas e horas de trabalho intenso*.

Ah, sim, o esporte tem alta periculosidade. E as proteções não são suficientes. Um intenso debate sobre os efeitos de longo prazo das concussões sobre os jogadores de futebol americano tem ocorrido nos últimos três ou quatro anos. Elas tem sido causas inclusive de mudanças nas regras do jogo. Na medida que o esporte evoluiu, ganhando em força e principalmente velocidade, elas se tornaram mais frequentes e preocupantes. Na prática, a cada jogada um jogador pode ficar paralítico.

A fonte da renda alta de Brady está na sua qualidade técnica, física e em sua  liderança. Todas que certamente resultaram de muito trabalho. Na economia de mercado é assim. Se você consegue ter alta produtividade e gerar muito valor agregado, certamente o valor do seu produto será alto.

"Um mês de trabalho, um ano de salário garantido". Essa foi a afirmação do autor.

Infelizmente, não é nem uma coisa nem outra. Os contratos dos jogadores tem uma parte garantida, é verdade, mas uma parte substancial é variável, e depende do desempenho, tal como os salários do mercado financeiro.

Mas, é querer demais que alguém que não é capaz de buscar o mínimo de informação sobre um assunto antes de escrever possa entender como funcionam os complexos contratos salariais da maior e mais rentável liga esportiva do mundo.

Só tem uma explicação para este texto do Veríssimo:  uma grande piada.

* Sobre horas de prática em esportes e resultados, recomendo o livro "Outliers" de Malcoim Gladwell

terça-feira, 6 de março de 2012

Nada Mais Me Surpreende


Ainda bem que na minha idade nada mais me surpreende. A notícia abaixo é o fim da picada (do UOL):


Ou seja, a prefeitura vai fazer um leilão de algo que não tem valor, a não ser para a empresa que constrói o Itaquerão!

Imagine se alguém irira entrar em um leilão para comprar um crédito fiscal para construir um estádio que não sediará a Copa, sendo esta uma condição necessária para obter o crédito? Ou seja, quem vencer, se não for a Odebrecht, não pode receber o crédito.

É uma piada com a cara do contribuinte da cidade de São Paulo.

II Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia


Do Valor Econômico:


Saiba todos os detalhes AQUI!!!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Resultado da Promoção de Aniversário!


Caros leitores,
segue abaixo a lista dos ganhadores da Promoção de Aniversário do Blog!

Prêmio #1
Ganhador dos 2 ingressos para assistir o filme O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball), com Brad Pitt.
Rayanne Gois (via Twitter)

Prêmio #2
Ganhador do exemplar do livro "Axiomas de Zurique", de Max Gunther.
Marlon Fernandes (via email)

Prêmio #3
Ganhador do vale presente da livraria Saraiva no valor de R$ 50,00.
Bárbara de Moraes (via Facebook)

Prêmio #4
Ganhador exemplar do livro "Uma Gota de Sangue" de Demétrio Magnoli, cortesia do Instituto Millenium.
Paulo Naibert (via Facebook)


Os ganhadores devem enviar um email para blogdocmcosta@gmail.com com o nome e endereços completos. Os quatro sorteados receberão os prêmios por correio o mais breve possível!

Parabéns aos sortudos!

sábado, 3 de março de 2012

Promoção de Aniversário: 4 Anos do Blog!


O Blog do Cristiano M. Costa comemora seu quarto aniversário. O blog completou 4 anos dia 18 de Fevereiro, mas quem vai ganhar um presente quadruplicado é você!

Esta é uma mega promoção! Serã 4 prêmios! Para 4 leitores diferentes!

Os prêmios são os seguintes:

1) Dois ingressos para assistir o filme O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball), com Brad Pitt.

2) Um exemplar do livro "Axiomas de Zurique", de Max Gunther.

3) Um vale presente da livraria Saraiva no valor de R$ 50,00.

4) Um exemplar do livro "Uma Gota de Sangue" de Demétrio Magnoli, cortesia do Instituto Millenium.


Veja como participar da promoção:

A) No Facebook

- Seja um fã da página do blog no Facebook => AQUI
- Encontre o post da promoção na fanpage e compartilhe o post da fanpage com os seus amigos clicando em Compartilha (Share)!

B) No Twitter

- Siga o blog no Twitter => AQUI
- Tweet a seguinte frase: Eu quero participar da Promoção de Aniversário: 4 Anos do Blog do @cristianomcosta e ganhar um dos 4 prêmios! Participe você também!

C) Via Email

- Mande um email para blogdocmcosta@gmail.com com o título "Promoção de Aniversário" e no corpo do email escreva o seu nome e complete a frase: Eu gosto do Blog do Cristiano M. Costa porque...

Você pode participar uma vez em cada formato!

O que você está esperando? Participe e avise seus amigos!


O resultado será divulgado no dia 5 de Março!

Mantegada Semanal #23


Segundo o Ministro Guido Mantega (via Portugal Digital):

"A politica de expansão monetária desvaloriza moedas de outros países e valoriza moeda do Brasil. O governo não ficará assistindo impassível a guerra cambial."

Muito bem ministro, até me lembrei do Collor e seu famoso "imexível". Pra sua sorte, essa palavra existe (AQUI).


Mas não é bem assim. O que está ocorrendo é uma necessária mudança de preços relativos mundiais. Os países avançados (EUA e EUR) precisam rebalancear suas economias e exportar parte das dificuldades para os mercados emergentes (via taxas de juros muito baixas, depreciação do dólar/euro e reversão da conta-corrente). Mas os emergentes, os quais se beneficiaram muito durante a última década, não tem interesse (individualmente) em aceitar esse ajuste de preços relativos (teoria dos jogos?).

Eu vou além, digo que não há como evitar esse rebalanceamento dos preços relativos usando câmbio sem incorrer em prejuízos para a economia brasileira (leia-se inflação ou custos de intervenção no mercado cambial). Agora, Sr. Ministro, eu creio que seria interessante deixar o câmbio valorizar e aproveitar para implementar políticas que aumentassem a competitividade da economia brasileira (leia-se redução de impostos). Apesar de muitos defenderem o câmbio desvalorizado (inclusive o FMI, AQUI), isso pode custar caro.

Pode ser até que o ajuste acabe ocorrendo não via taxa de câmbio nominal, mas via taxa de câmbio real (devido as diferenças de inflação). Mas este processo é muito lento e custoso para a população de baixa renda.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Default or Not Default?


Segundo o noticiário (AQUI e AQUI, por exemplo):
The International Swaps and Derivatives Association (ISDA) said that new Greek legislation forcing all bondholders to accept losses and steps by the European Central Bank to avoid losses on its Greek bonds, did not equate to a 'credit event'.

Ou seja, de acordo com as autoridades, o caso grego de renegociação da dívida ainda não é um default (calote) e pode nunca vir a ser, dependendo das negociações.

Neste ponto surge um problema. Se diante de uma mega reestruturação da dívida, ou seja, redução do valor devido, os detentores de seguro contra esse tipo de evento (CDS) não podem usá-lo, por que as pessoas continuarão comprando seguros (CDS) no futuro?

É um problema muito complexo. Se um default não é considerado default, por que comprar seguro?

Eis o problema: se for decretado o default e os CDS tiverem que ser pagos isso pode gerar uma crise do sistema financeiro europeu (dependendo da estrutura de quem tem a dívida e quem tem os CDS). Por outro lado, se não for decretado default, quem comprou CDS fica com um mico e isso afeta o futuro dos mercados de CDS.

É um problema complicado, seja no curto ou no longo prazo.