Ontem dei uma entrevista sobre as perspectivas econômicas para 2013. Uma das perguntas era sobre o setor externo. O grande questionamento é a dicotomia entre baixo volume de comércio e protecionismo.
O Brasil é uma economia pouco aberta, mas apesar disso apoia medidas protecionistas em vários setores, inclusive promovendo fusões e aquisições em setors exportadores. Um deles é o setor de carnes.
Além de todos esses problemas, o governo tem sido um mau regulador, desincentivando o investimento, a pesquisa e o fluxo de comércio nesses setores. O mais recente exemplo é o caso da Vaca Louca no Paraná. Nas últimas semanas alguns compradores de carne brasileira suspenderam a compra da carne brasileira. O maior é a Rússia, mas ainda não se manifestou sobre o assunto, até porque precisam da carne.
Vejamos o caso. Do Portal G1:
O Ministério da Agricultura divulgou, nesta sexta-feira (7), que uma fêmea bovina morta no Paraná, em 2010, foi detectada com o agente causador da EEB (Encefalopatia Espongiforme Bovina), mais conhecida como a doença da vaca louca. O caso ocorreu em Sertanópolis, na região de Londrina.
Vocês perceberam o detalhe? O exame é de uma vaca de 2010! Ou seja, o governo levou 2 anos para dar o diagnóstico de um caso seríssimo! E qual o discurso do Ministério da Agricultura (ainda do G1):
1) Trata-se de um caso antigo, de 2010, ocorrido no Paraná;
2) O que foi detectado é que o animal possuía o agente causador da EEB, porém, não manifestou a doença e nem morreu por esta causa;
3) O episódio não reflete risco algum à saúde pública ou à sanidade animal, considerando o que o animal não morreu em função da referida doença;
4) A OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), em comunicação oficial mantém a classificação do Brasil como país de risco insignificante para EEB;
5) O Brasil não tem EEB.
Muito bem, só tem um problema de identificação aí: o governo não tem casos EEB ou o governo não detecta os casos?
Se o nível de fiscalização é tal que uma vaca de 2010 só teve seu diagnóstico completado ao final de 2012, então podemos suspeitar que a fiscalização não é eficiente e não ocorre no tempo correto.
Quando o Brasil não poder mais exportar carne, esse mesmo pessoal vai lá na OMC choramingar...





1 comentários:
Achei que você tivesse falando da presidente da Argentina! Também serviria!
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