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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Nobel 2012: Roth e Shapley


O prêmio Nobel de economia 2012 foi dado para Alvin Roth (Stanford) e Lloyd Shapley (UCLA) por suas contribuições "for the theory of stable allocations and the practice of market design". Detalhes direto da página do Nobel AQUI.

Esse ano eu não fiz nenhuma lista de previsões e eles também não aparecem em nenhuma lista que fiz nos anos anteriores. Também não apareceriam na deste ano. Dificilmente alguém previu esse prêmio.

Em particular eu não imaginaria que premiariam o pessoal de jogos cooperativos (ou matching, como queiram) apenas dois anos depois de terem premiado o pessoal de search theory, que é uma área bem correlata. Mais do que isso, as contribuições na área de jogos cooperativos são vistas meio que como heterodoxas dentro do campo. A revista Slate escreveu o seguinte (AQUI):

These concerns are a bit far afield from the debates you normally see in the economics blogosphere, which I think is a good thing. An awful lot of economics is extremely politicized and features relatively little in the way of really persuasive work. Shapley, Roth, and deferred acceptance is a good example of the whole range of economics work that isn't like that. These ideas are relevant to policy, but far from the core of ideological disagreement in American politics and the application of smart mathematical analysis to the problems has actually yielded better solutions rather than just better talking points.

Alvin Roth

Dos dois, o trabalho que eu conheço melhor é o do Roth. Tenho o livro "The handbook of experimental economics", do qual ele é co-autor. Também tive a oportunidade de aprender bastante sobre economia experimental na EPGE, com a Profa. Joisa Dutra e também em Wharton, quando a minha esposa, Profa. Luciana Costa, trabalhou no Behavioral Lab, de Wharton (UPenn). É uma área muito interessante, e, aos menos teóricos ou acadêmicos, recomendo o livro Nudge, que traz vários exemplos de experimentos.

Parte do trabalho do Roth foi justamente sair do campo da teoria e aplicar os conceitos na prática. Basicamente, os jogos cooperativos buscam modelar situações em que pode haver uma melhor alocação de recursos mas não há um sistema de preços funcionando e troca de informações. Um exemplo clássico é o sistema de doação de rins ou o casamento. As pessoas procuram o matching perfeito, mas não há mercado e nem informação correta de onde o outro par está. O grande trade-off é entre esperar e continuar procurando, ou, casar-se logo. Neste caso, mecanismos de alocação que não são via preços podem tornar as alocações mais eficientes. Os exemplos se estendem por diversas áreas.

Lloyd Shapley

Já a área do Shapley eu conheço menos. O apêndice A do capítulo 18 do Mas-collel é tudo que vi sobre o assunto. Isso lá em 2005. Basicamente, o valor de Shapley é um conceito que determina uma solução para um jogo cooperativo, e tem como base o igualitarismo. O conceito é meio complexo de ser explicado aqui, mas leva a uma locação eficiente sob certas circunstâncias. O trabalho de Shapley é de 1953, na sua tese de doutorado em Princeton.

A professora Marilda Sotomayor, da USP, uma das referências mundiais em teoria dos jogos, escreveu sobre os vencedores na coluna da Míriam Leitão: segue o link AQUI. Ela escreveu um livro chamado Two Sided Matching com o Roth e sua análise certamente será uma das melhores. Recomendo a leitura.

1 comentários:

Daniel Gottlieb disse...

A contribuição do Al Roth recebeu enorme atenção nos últimos anos dentro e fora da academia (da uma olhada na quantidade de artigos de matching no AER nos últimos 5 anos). Ele (e seus co-autores) tem sido um dos poucos que tem feito teoria com aplicações diretas no mundo real.

Dentre os sistemas que ele ajudou a reformar estão os de alocação de alunos para vagas em escolas publicas nas grandes cidades americanas, alocação de médicos para hospitais, alocação de matérias para alunos em programas de MBA e distribuição de participantes do programa "teach for America").

O artigo dele sobre repugnância, escrito num nível acessível a alunos de graduação, e' muito interessante:
http://kuznets.harvard.edu/~aroth/papers/Repugnance.pdf

Abs,
Daniel