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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Nada Mais Me Surpreende...


Certa vez, em uma prova da EPGE foi colocada uma questão com muitos itens e no penúltimo item o resultado (se tivesse sido encontrado corretamente) era meio contra-intuitivo. No último item o professor perguntava: esse resultado te surpreende?

A melhor resposta naquela questão foi dada por um colega meu (que terá seu nome preservado):

"Caro professor, nos dias de hoje, nada mais me surpreende".

Foi essa a minha reação ao ler que o governo abandonou a meta de superávit primário para 2012 (AQUI). Na minha opinião essas metas nunca existiram. Elas "aconteciam" por excessos de receita, que muitas vezes vinham de receitas extraordinárias. O governo atual não tem compromisso com metas de inflação ou fiscais, somente com as metas (que eles entendem como) sociais. Convenientemente, ele acabam esquecendo que a inflação é um imposto e que descuidos fiscais hoje implicam em mais impostos no futuro.

Também não me surpreende a pesquisa que mostra que os consumidores não planejam comprar bens duráveis no fim do ano (ver AQUI):

O índice de consumidores que pretendem comprar bens duráveis neste quarto trimestre, período de Dia das Crianças e Natal, apresentou queda recorde, de 22 pontos percentuais, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 56%, aponta nesta quarta-feira (3) a Pesquisa de Intenção de Compra do Varejo realizada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA)


É claro, nos últimos anos o governo estimulou a compra de duráveis. E adivinhe! Os duráveis duram! Você não precisa comprar todos os anos. Mesmo que a minha renda dobre, eu não comprarei um segundo refrigerador. Tá, talvez um frigobar pra minha sala e tal, mas a tendência é que a demanda por bens duráveis não seja elástica a partir de um certo nível de renda.

Muita gente vai se surpreender com essa pesquisa. Menos eu. Nos dias de hoje, nada mais me surpreende.

5 comentários:

Mirta disse...

Estimado Cristiano,
Vou pegar carona no seu Blog e adicionar o comentário que segue que podem complementar as suas relevantes colocações que, aliás, poucos economistas no comando parecem (perigosamente) desconhecer.
No Estadão de hoje (Economia B2, 4/Out/2012) “A contabilidade criativa e os repasses ao BNDES” descreve-se o alarmante mecanismo artificial pelo qual o governo federal consegue gerar contabilmente superávit primário mediante endividamento com os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, em torno de R$20 a R$25 bilhões. Ora, só com a operação matemática básica de subtração podemos auferir que se o custo da dívida pública supera o retorno líquido dos empréstimos do BNDES às empresas estatais, obviamente a sociedade brasileira deve arcar com esse custo.
Com o anuncio da equipe econômica de o País não conseguir atingir a meta de superávit primário este ano, ainda com essa pirotecnia contável e o pífio crescimento econômico (1,6%) me levam a pensar que se o cenário internacional não for o deste “tsunami monetário” o País deverá eventualmente elevar os juros comprometendo ainda mais as contas públicas...
Qualquer pessoa sabe que a restrição orçamentária é INTERTEMPORAL. Mas será que a sociedade entende que nenhuma ideologia pode fugir dela?

Mirta disse...

Estimado Cristiano,
Vou pegar carona no seu Blog e adicionar o comentário que segue que podem complementar as suas relevantes colocações que, aliás, poucos economistas no comando parecem (perigosamente) desconhecer.
No Estadão de hoje (Economia B2, 4/Out/2012) “A contabilidade criativa e os repasses ao BNDES” descreve-se o alarmante mecanismo artificial pelo qual o governo federal consegue gerar contabilmente superávit primário mediante endividamento com os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, em torno de R$20 a R$25 bilhões. Ora, só com a operação matemática básica de subtração podemos auferir que se o custo da dívida pública supera o retorno líquido dos empréstimos do BNDES às empresas estatais, obviamente a sociedade brasileira deve arcar com esse custo.
Com o anuncio da equipe econômica de o País não conseguir atingir a meta de superávit primário este ano, ainda com essa pirotecnia contável e o pífio crescimento econômico (1,6%) me levam a pensar que se o cenário internacional não for o deste “tsunami monetário” o País deverá eventualmente elevar os juros comprometendo ainda mais as contas públicas...
Qualquer pessoa sabe que a restrição orçamentária é INTERTEMPORAL. Mas será que a sociedade entende que nenhuma ideologia pode fugir dela?

Luizabpr disse...

Olá Cristiano.

Concordo que o governo gasta muito e gasta mal.

No entanto, diminuir a meta de primário, em si, não é um problema dado que a dívida líquida está caindo, não? Me preocupa muito mais a contabilidade criativa do que a redução da meta neste momento.

Dr. Money disse...

Meu caro Luiz, a dívida líquida, assim como muitas outras estatísticas neste governo, é uma peça de ficção, criada justamente pela "contabilidade criativa". Esqueça a dívida líquida e veja a dívida bruta, que está subindo. Por isso o superávit primário é necessário.

Dr. Money disse...

A dívida líquida, assim como várias estatísticas deste governo, é uma peça de ficção, justamente por conta da "contabilidade criativa". Esqueça a dívida líquida e veja a dívida bruta, que está subindo. Por isso o superávit primário é necessário.