A sociedade porto-alegrense tem as suas particularidades. Tenho muito apreço pela maioria delas, e não passa um dia que eu não sinta saudades da minha terra. Mas algumas idiossincrasias, para não dizer idiotices, não são admiradas por este que vos escreve.
Ontem um grupo de manifestantes se organizou (via redes sociais) e protagonizou um ato de agressão ao boneco inflável do tatu-bola, mascote da Copa do Mundo de 2014, que estava no Largo Glênio Peres (ler AQUI).
Este episódio segue ao ocorrido no auditório Araújo Viana depois do show do Tom Zé. Os manifestantes decidiram queimar objetos (uma lata inflável de Coca-cola) dos patrocinadores do show no local e arredores do evento.
Fora os atos de vandalismo, que não configuram uma expressão pacífica da liberdade de expressão, o motivo da revolta é o que mais impressiona. Estes grupos estão revoltados (às vésperas das eleições) porque, segundo eles, a prefeitura está transformando áreas públicas em privadas, através do uso de concessões.
De fato, o auditório Araújo Viana agora conta com uma administradora que fez toda a reforma do local, e hoje o administra. É verdade também que a Copa do Mundo conta com patrocinadores privados. O que assusta é o fato de as pessoas não compreenderem que essa forma de administração é a melhor forma encontrada para atrair os eventos para a cidade.
As grades ao redor do teatro não foram colocadas para que o público não assistisse aos eventos, e sim, para que que vândalos não destruíssem as instalações e deteriorassem o patrimônio. A Copa é um evento organizado por uma instituição privada. Assim como qualquer jogo de futebol. Se há dinheiro público envolvido, é porque é do interesse público financiar o evento, e o lugar de se questionar isso é o Congresso.
Uma das muitas diferenças entre o público e o privado é que as entidades privadas tem maior zelo na manutenção do que é seu, pois os custos são incorridos pela própria entidade e não transferidos aos contribuintes. Muitas vezes, deixamos de ter acesso aos bens ou áreas públicas pela falta de cuidados de manutenção do local. Quem gosta de praias sujas ou praças com bancos quebrados? O público e o privado precisam andar juntos, sendo complementares, para a sociedade evoluir.
Mais chocante ainda é a contradição conceitual desses manifestantes. Eles se organizam via Facebook, uma empresa privada com fins (muito) lucrativos e que inclusive não possui grande zelo pelos acionistas minoritários. Mais do que isso, navegam horas no site sendo expostos a milhares de anúncios e não reclamam, achando que a rede social "é de graça".
Lá, na rede social (que é privada, OK?), eles gritam, colocam posts, entram em discussões intermináveis, xingam e inundam as timelines dos outros com seus pensamentos. Quando você dá um block em alguém ou bane de uma comunidade, eles ficam mais revoltadinhos ainda.
O que essas pessoas não entendem é que a vida real não é como a timeline do Facebook ou do Orkut. Na vida real a sociedade responde e não apenas dá block ou desfaz a "amizade". Na vida real as ações tem, ou deveriam ter, conseqüências. A sociedade vai reagir e a polícia tem o direito e o dever, transferido pela população, de preservar o patrimônio público e privado.
Queimar objetos infláveis não ajuda em nada na discussão sobre modelos de administração de áreas ou eventos com perfil público (como grandes shows e a Copa do Mundo). O lugar de se discutir isso é na Câmara Municipal ou através de manifestações pacíficas que, de preferência, garantam os direitos ao sossego e de ir e vir dos demais cidadãos.





6 comentários:
Excelente post Cristiano!
Não veja a hora da sociedade entender que o debate constroi mais que o enfrentamento, que público e privado fazem mais juntos do que separados e que violência e vandalismo não levam a nada.
Parabéns!
Excelente post Cristiano!
Não veja a hora da sociedade entender que o debate constroi mais que o enfrentamento, que público e privado fazem mais juntos do que separados e que violência e vandalismo não levam a nada.
Parabéns!
Excelente post Cristiano!
Não veja a hora da sociedade entender que o debate constroi mais que o enfrentamento, que público e privado fazem mais juntos do que separados e que violência e vandalismo não levam a nada.
Parabéns!
Isso só pode ser fruto dessa ideologização contra o privado, como se o Estado fosse um poço sem fundo de recursos, fosse muito eficiente e muito mais criativo etc.
Não o é e nunca o será.
Mas, fica a violência sem motivo.
Na realidade, o que aconteceu foi a derrubada de um boneco em meio ao espaço publico fazendo marketing da Coca-Cola sem pagar qualquer aluguel ao poder publico que se beneficia com a imagem da copa para seus fins eleitoreiros. Aqui no RGS e como no resto do Brasil a Mídia Corporativa defende os interesses do Poder Economico, não se preocupando com as dez pessoas hospitalizadas durante o incidente, mas simplesmente ficando indignada com a queda de um boneco de plástico. É a Era do Patrimonialismo do Plático Reciclável sobrepondo-se aos valores humanos. A prova mais cabal que os interesses Economicos do Capitalismo Selvagem estão acima dos valores humanos, basta ouvir ou ver a um jogo de futebol transmitido pela mídia , para ver uma verdadeira Apologia do Consumo de Álcool, atingindo menores de idades, mas Ministerio Publico, Governos, Justiça e outros figem que não enxergam tal crime que compromete o futuro desenvolvimento da juventude....
Eros,
me desculpe, mas não existe aluguel de área pública. O governo cedeu o espaço porque achou importante para a divulgação de um evento que vai atrair renda e turistas para a cidade.
E digo mais, sou a favor da venda de bebidas nos estádios. Em qualquer país civilizado é permitido tomar uma cervejinha durante eventos esportivos.
Agora, em uma sociedade que as pessoas depredam bonecos infláveis, fica difícil discutir venda de bebidas ou legalização das drogas mesmo.
Abs,
Cristiano
Postar um comentário