Os resultados do IDEB renovaram as discussões sobre o Ensino Médio, que foi o nível de ensino que apresentou pior desempenho. Do O Globo:
"Nos anos iniciais do ensino fundamental, o país atingiu a nota 5, um crescimento de 0,4 em relação a 2009, e já superou a meta prevista para 2013, de 4,9. O avanço nos anos finais do fundamental foi mais lento: subiu de 4 para 4,1, mas bateu a meta estabelecida, de 3,9. Já o Ensino Médio continua sendo o calcanhar de aquiles do sistema educacional. Com uma melhora de 0,1, atingiu o objetivo, de 3,7, mas continua com resultados piores do que os outros segmentos."
A partir deste resultado, o atual Min. da Educação, Aloísio Mercadante, propôs uma reformulação do Ensino Médio. Segundo o diagnóstico dele, o problema é que existem muitas disciplinas e a solução seria unir as disciplinas em grupos ou áreas, tal como na figura abaixo:
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| Clique para aumentar (FONTE: Folha de SP) |
A sugestão parece ter sido pensada de sopetão. Vejamos, ao reunir física, química e biologia em uma única disciplina, como garantir que o mesmo tempo será dedicado à cada tópico dentro da sala de aula? Mais do que isso, seria apenas um professor lecionando os três tópicos? Não me parece algo que foi pensado com muito detalhe. Mudar o nome das disciplinas e chamar de grupo, não me parece mudar muita coisa.
O exemplo usado é o seguinte "o aluno precisa saber que o laser foi uma tecnologia criada para a guerra, logo envolve história, matemática e física". Tá e daí? Será que o professor de física (se estiver interessado em despertar a curiosidade dos alunos e tiver recursos) não poderia mostrar vídeos no YouTube com exemplos de uso do laser, quais os seus tipos e suas propriedades? Será que o problema é mesmo a fragmentação dos cursos? Ou será que os alunos não conseguem ver a direta utilidade de conceitos pois estão diante de um currículo vasto e os professores não tem tempo para se aprofundar nos tópicos que os alunos possuem maior afinidade e interesse?
É verdade que o currículo do ensino médio possui tópicos que não estão muito ligados ao setor produtivo, como por exemplo, história da civilização egípicia ou literatura barroca. Também é verdade que faltam tópicos como economia, direito, estatística e direito, que são muito mais aplicadas (tal como lembrou Simon Schwartzman hoje cedo).
A pergunta é: como implementar estas mudanças? Eu creio que a principal medida deveria ser a inclusão de disciplinas eletivas nos cursos. Por exemplo, o menino fez três bimestres de história, e não aguenta mais ouvir falar em fenícios, assírios, etc. Será que não seria mais produtivo ele fazer uma disciplina de inglês avançado, que ele mesmo escolheu por achar interessante? Ou será que ele não gostaria de se especializar em álgebra linear, visando um curso universitário na área de engenharia?
Na medida que os alunos podem escolher se especializar, a motivação surgirá normalmente. Além disto, com menos material nas partes obrigatórias de algumas ciências, sobrariam mais horas para matemática e português. Enquanto os alunos não dominarem estas duas áreas, nenhuma outra área apresentará progresso.
A linguagem obviamente é fundamental para a comunicação falada e escrita na sociedade moderna. Já a matemática, por mais abstrata que possa parecer, é fundamenta para desenvolver o raciocínio lógico nos estágios iniciais do aprendizado. Isso sem levar em conta o aspecto prático. Conhecer os príncipios de geometria espacial é fundamental para um pedreiro ou motorista de ônibus.
O ideal é que o aluno chegasse no ensino médio com conhecimentos aprofundados de português e matemática já adquiridos no Fundamental. Dessa forma, o Ensino Médio tomaria uma direção mais voltada para o profissional ou para a especialização acadêmica. Ficando esta escolha com o próprio aluno, que buscaria as disciplinas de seu próprio interesse. Mais do que isso, na disciplina eletiva o professor de Física lecionaria somente para os alunos interessados em Física, o que instigaria o interesse do próprio professor.





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