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segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Efeito da Lei do Motorista


Já está em vigor a lei que regulamenta a profissão de motorista (Lei 12.619). Ela passou a valer a partir de 30 de Abril, mas ainda não foi totalmente implementada na prática pelas empresas.

A lei basicamente impõe diversas limitações ao tempo que o motorista pode ficar ao volante. Na prática, isso significa que nenhum motorista poderá dirigir muito mais do que 44 horas semanais.

Em um país em que a maior parte (quase a totalidade) do transporte de bens é rodoviáriao, vocês já podem imaginar o estrago. Os efeitos serão devastadores sobre o preço do frete. A verdade é que a capacidade de transporte do Brasil é número de caminhões x percurso percorrido / hora. E esse número vai cair muito, a não ser que seja feito um grande investimento em caminhões.


As empresas já estão instalando diversos sistemas para bloqueio de ignição dos caminhões caso o motorista esteja fora do seu horário programado e evitar um passivo trabalhista. Não vai ser fácil. Imagine um motorista que está à 1:00 de chegar em casa e ficar com a família, mas prcisa parar para cumprir um descanso obrigatório de 11 horas! E o custo dessa pernoite?

Com a mudança, ir de Chapecó até Curitiba pode levar 25 horas e não mais 19 horas. Tudo o mais constante, um tempo 32% maior. O mercado estima que essa mudança possa impactar de 25% a 40% no preço do frete no Brasil. Elevar o número de funcionários também pode ser um problema para o setor, já que falta mão de obra qualificada.

Eu tenho certeza que muitos são a favor da mudança, pois preserva os motoristas e seus direitos. Mas se tivesse ocorrido um planejamento melhor por parte do Governo, como investimentos em rodovias, subsídios aos caminhões, treinamento de motoristas, o custo poderia ser menor. Isso sem falar em meios de trasporte alternartivos (ferroviário, por exemplo).

Pra finalizar, não é claro o efeito sobre o número de acidentes. Menos tempo de viagem significa que mais caminhões serão necessários e motoristas menos experientes estarão ao volante. Se de um lado estarão mais descansados, por outro serão mais caminhões em circulação.

Enfim, a medida eleva o Custo Brasil.

3 comentários:

Chico disse...

Não se esqueça que os caminhoneiros fazem o tempo que fazem sobre o efeito de rebite (estimulante). Não acho que isto está precificado, além de gerar externalidades. Isso é uma health and safety regulation, acho correto. Custo Brasil é fazer transporte de carga com caminhão...

Chico disse...

Não se esqueça que os caminhoneiros fazem o tempo que fazem porque usam "rebite" (estimulante). Não acho que isto está precificado, além de gerar externalidades. A medida é uma health and safety regulation. Custo Brasil é transportar carga com caminhão...

Cristiano M. Costa disse...

Chico,
independente do objetivo da lei e conseqüências micoreconômicas (saúde do motorista, mortes nas estradas, etc.), o efeito macro é claro, é um choque de oferta.
Abs
Cristiano