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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Manipulação de Preços e Metodologia


Uma das perguntas feitas lá na entrevista ao Adolfo Sachsida foi a seguinte: O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade?

Uma forma de reduzir a inflação é alterar o tributo que incide sobre o produto. Desta forma, quando o pesquisador do IBGE visitar o estabelecimento ele observará um preço menor. Vamos ao mais novo exemplo (do site da Câmara dos Deputados):

A Câmara analisa proposta que reduz a zero as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e IPI sobre os produtos alimentares de consumo humano que compõem a cesta básica nacional. O Projeto de Lei 3154/12, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), também estabelece critérios para a composição dessa cesta.

O efeito de curto prazo, neste caso, seria de reduzir o preço dos alimentos selecionados. E sim, tendo efeitos sobre a inflação. Acontece que esse efeito é temporário, uma vez que o que importa para a inflação é a dinâmica. Ou seja, esse mês tem uma queda, mas é once-and-for-all, no mês seguinte a oferta e a demanda voltam a determinar a trajetória dos preços.

Eu não sei se o objetivo da equipe econômica é esse. Creio que não. Mas esse é o resultado de algumas políticas recentes, como por exemplo a redução do IPI.

Um outro detalhe importante nessa proposta é a idéia de atulizar a cesta básica, hoje calculada pelo DIEESE. A cesta do DIEESE é antiga (baseada num decreto lei de 1938), e não reflete a realidade do consumo. Por exemplo, tem 9kg de tomate ao mês para uma pessoa. A variedade de produtos consumida hoje é muito mais rica.

A FUCAPE tem há quase um ano a pesquisa Cesta Alimentar FUCAPE, que foi montada com base no padrão de consumo dos capixabas com base na POF mais recente. Tal como proposto pela Câmara. Esses dias ainda falei sobre ela na TV. É muito mais informativo e simples. Se a redução de impostos passar, vamos ser os primeiros a calcular o impacto.

Segue o link para o vídeo:


1 comentários:

Dawran Numida disse...

Não deu para ver o projeto do deputado.
Mas, é de esperar que ele tenha previsto contrapartidas para compensar as isenções, conforme reza o LRF, se a memória não falha.
Se a compensação for apenas o aumento do consumo pela queda da inflação, pode não ser uma boa coisa.