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terça-feira, 24 de julho de 2012

Crise, Migrações e Casamentos


Ontem iniciei o meu curso de Crescimento e Desenvolvimento Econômico para o sexto período da graduação. Comecei falando dos fatos estilizados de Kaldor e demais padrões de crescimento e desenvolvimento.

Entre eles, discuti rapidamente a questão da migração. Países que crescem mais rápido tendem a receber um fluxo maior de imigrantes, tanto legais quanto ilegais. Lembrei, por exemplo, que em geral as pessoas tentam migrar ilegalmente do México e Cuba para os EUA, e não o contrário.

Esses dias o Drunkeynesian compartilhou um link no Twitter para uma notícia inusitada. Um barco cheio de espanhois estaria migrando para a Angola. Em um movimento que reflete um pouco esse fênomeno econômico-demográfico.

Pois, em um mundo em crise, são abundandes os exemplos de fluxos migratórios até então improváveis. A reportagem da EXAME traz a seguinte informação (AQUI):


Sem emprego por lá, o Brasil – maior economia da América Latina – virou destino de muitos europeus que fogem da crise em busca de oportunidades. Para conseguir um trabalho formal e ter residência fixa por aqui, espanhóis, alemães, franceses e americanos estão até pagando para se casar com brasileiros, informa reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal espanhol El País.

Este é só mais um exemplo que reflete a deterioração da economia européia, com seu mercado de trabalho cheio de normas e restrições. Nestas economais os preços, em particular os salários, são pouco felxíveis para baixo e causam desemprego. Mas, esta parte institucional é só em outra aula.

Um outro efeito da crise foi a redução da taxa de natalidade e de casamentos na Espanha, fenômeno que já ocorreu recentemente nos EUA, durante a crise. Da BBC:

Seguindo tendência iniciada em 2004, o número de casamentos caiu ainda mais a partir da crise. No ano passado, foram realizados 163.085 casamentos, 30.937 a menos que em 2008, uma redução de quase 16%. Em um outro sinal de mudança, muitas mulheres adiaram os planos de maternidade e resolveram ser mães mais tarde. A idade média das mulheres em maternidade subiu de 30,8 anos em 2008 para 31,4 anos em 2011.

Essas questões demográfica são muito interessantes, especialmente para nós brasilerios, que muito em breve vamos passar por uma mudança demográfica importante, com efeitos sobre a previdência e os gastos com educação. Dois temas que prometem estar na pauta do Congresso no segundo semestre.


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