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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sobe-Desce da Bolsa: Dois Fatores


O índice IBOVESPA perdeu mais de 7 mil pontos, quase 20% do seu valor, entre 2 de março e 18 de maio de 2012. Hoje, 21 de maio, a bolsa subiu 3,81%. O que explica estes dois movimentos tão distintos?

A queda pode ser atribuíada a dois fatores. Um externo e outro interno. O fator externo é a deterioração dos cenários das economias européias. Em particular, a perspectiva de que a economia grega abandone o uso do Euro. Uma corrida bancária na semana passada deu os primeiros indícios de que essa trajetória possa ser irreversível. Os dados da economia chinesa e americana também não são animadores.

No setor interno, os dados econômicos mostram que a economia, apesar de todos os esforços da equipe econômica, não dá sinais de recuperação. Os indicadores mostram que o PIB do primeiro trimestre de 2012 está quase estagnado, apesar da formalização do emprego. As políticas adotadas para desvalorizar o Real e outras incertezas quanto as políticas do governo federal (alteração de impostos, etc.) afastaram o investidor estrangeiro da bolsa e do país, desvalorizando o câmbio em mais de 10%.

Mas o que explica a alta de hoje?

Foram outros dois fatores. O primeiro deles foi a declaração do premier chinês, Wen Jiabao, manifestando que o governo chinês irá continuar estimulando a economia. A economia chinesa não vem tão bem quanto vinha, e qualquer desaceleração na segunda maior economia do mundo pode ser desastrosa para o Brasil e para os mercados em geral. Manter o crescimento chinês é a prioridade por lá e isso animou os mercados.


O segundo fator foi a reunião do líderes europeus que buscou uma última alternativa para manter a Grécia no Euro. Algo improvável, na minha humilde opinião. Mesmo que possível, o custo seria altíssimo. Mas, essa possibilidade teve reflexo nos preços dos mercados.

Após o fechamento do mercado, o governo anunciou redução do IOF e IPI para o setor automobilístico e aumentou as linhas de crédito do BNDES. Todas elas valem até 31 de agosto. É difícil prever o efeito desse tipo de medida, principalmente em um cenário de endividamento e inadimplência elevada. A inflação não dá trégua e com um câmbio desvalorizado o Brasil pode estar armando uma sinuca para si mesmo.

É muito difícil prever uma tendência de curto prazo para os mercados. Mas, sem sinais reais de que a economia brasileira voltará a crescer sem inflação, dificilmente veremos um Ibovespa acima dos 70 mil pontos no curto prazo.

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