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segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Sol do Exterior


Talvez um dos economistas mais irreverentes da história do pensamento econômico tenha sido Frédéric Bastiat. Um de seus textos mais famosos se chama Candlemaker's Petition (Petição dos Produtores de Velas).

Bastiat criou uma petição (fictícia) para que os produtores de velas fossem protegidos da competição externa:
We are suffering from the ruinous competition of a rival who apparently works under conditions so far superior to our own for the production of light that he is flooding the domestic market with it at an incredibly low price; for the moment he appears, our sales cease, all the consumers turn to him, and a branch of French industry whose ramifications are innumerable is all at once reduced to complete stagnation. This rival, which is none other than the sun, is waging war on us so mercilessly we suspect he is being stirred up against us by perfidious Albion (excellent diplomacy nowadays!), particularly because he has for that haughty island a respect that he does not show for us.

Essa sátira de Bastiat ilustra bem a atual política econômica brasileira. Vemos os competidores externos, em geral caricaturados como produtos chineses, como o sol na sátira de Bastiat. Tentamos nos proteger das formas mais esdrúxulas possíveis, mas é como proteger a indústria de velas da competição do Sol.


No nosso caso porém, temos uma saída. Podemos fazer o nosso sol brilhar mais do que o sol do exterior. É possível competir com o sol. Mas temos que mudar um pouco a nossa economia e nossa forma de pensar economia.

Temos que reduzir a carga tributária sobre os produtos brasileiros e cuidar do lado da oferta (leia-se produtividade). Para uma boa discussão sobre o assunto recomendo a entrevista de Armínio Fraga ao Estado (AQUI).

Parece que o governo estuda fundir impostos e desonerar a folha salarial, o que ajudaria, se acompanhado de redução de despesas (AQUI).

Acho a iniciativa louvável, desde que saia do discurso e entre na prática. Em particular, sou um terrível opositor do discurso de que "o Brasil precisa de uma reforma tributária". O Brasil não tem tempo pra isso. Se formos ficar discutindo não vamos chegar a lugar algum. Até agora só se discutiu e não saímos do lugar. Temos que por a mão na massa e fazermos pequenas mudanças, aos poucos.

Podemos começar reduzindo a carga de um ou outro imposto, aos poucos, e daqui a pouco: Bain! Acabamos com ele. O IPI e o IOF são fortes candidatos. Juntar o PIS e o COFINS são uma boa. O imposto sindical nem deveria existir. Podemos começar tornando ele facultativo. Que tal?

3 comentários:

analisereal disse...

Bastiat foi também um grande debatedor.

Veja este debate dele com Proudhon:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-63512010000300005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Abs

Carlos Eduardo disse...

O governo privatiza, aumenta a eficiência arrecadatória e os impostos não diminuem, aumentam e perdemos competitividade. Criamos os pedágios antes de criarmos as estradas duplicadas (que muitas vezes nunca são criadas). A venda de carros é incentivada para aquecer a economia, gerar empregos e ganhar votos, mas a infra-estrutura só é aprovada quando o transito está totalmente saturado e ainda tem que esperar muito para ver a obra pronta, resultado: ficamos parados nos engarrafamentos perdendo nosso tempo (que é limitado). E nosso governo ainda tem um índice de aprovação altíssimo. Realmente, Bastiat teria muito para satirizar aqui no Brasil! O caso é grave.

Carlos Eduardo disse...

O governo privatiza, aumenta a eficiência arrecadatória e os impostos não diminuem, aumentam e perdemos competitividade. Criamos os pedágios antes de criarmos as estradas duplicadas (que muitas vezes nunca são criadas). A venda de carros é incentivada para aquecer a economia, gerar empregos e ganhar votos, mas a infra-estrutura só é aprovada quando o transito está totalmente saturado e ainda tem que esperar muito para ver a obra pronta, resultado: ficamos parados nos engarrafamentos perdendo nosso tempo (que é limitado). E nosso governo ainda tem um índice de aprovação altíssimo. Realmente, Bastiat teria muito para satirizar aqui no Brasil! O caso é grave.