Leiam abaixo o excelente texto escrito pelo professor Fernando Caio Galdi (FUCAPE):
A decisão do governo de forçar a queda da taxa de juros praticada no mercado brasileiro fazendo os bancos públicos cortarem vigorosamente o spread cobrado pode parecer boa à primeira vista. Contudo, é uma decisão arriscada e pode ter sérias consequências. Para entender o porquê, podemos fazer um paralelo entre o adequado funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN), e de um grande transatlântico. O ideal para uma viagem segura é que o mar não esteja revolto, a tripulação seja bem preparada e que o comandante tenha em mãos a carta náutica e siga a rota pré-determinada. Quando o comandante resolve sair da rota e faz uma manobra arriscada para navegar perto da costa de uma ilha e se exibir para uma de suas namoradas, ele coloca toda a segurança do navio em risco. Nessas condições, uma rocha no meio do caminho pode causar uma tragédia e o naufrágio da embarcação. A mesma coisa acontece com o SFN. Seu adequado funcionamento depende de segurança jurídica, cumprimento de contratos e equilíbrio entre os agentes. Quando o governo (comandante) resolve mudar de maneira radical seu funcionamento cortando pela metade as taxas de juro cobradas, aumenta o risco do sistema. Se os bancos privados não baixarem os juros, perderão bons clientes, pois nos públicos conseguirão crédito mais barato. Isto aumenta o risco dos bancos privados. Se eles baixarem os juros cobrados para competir com os bancos públicos terão prejuízo por conta do altíssimo custo da inadimplência e dos impostos no Brasil. De todas as maneiras o risco dos bancos privados quebrarem aumenta. Isso é um grande risco para o sistema. É o tchau do comandante para a moça bonita na ilha.
Texto públicado na matéria "Só maquiagem não nesolve", escrita pelo também sempre excelente Abdo Filho (A Gazeta, 12/4/2012). Link AQUI.





9 comentários:
O texto ficou bom. Cheque especial pela metade do preço pode resultar em "relaxamento" no momento de pagar etc. Mas as taxas normais no Brasil não são muito caras, mesmo com todo o risco?
Prejuízo é um pouco catastrófico, já que a conta de margem, omissões e erros é bastante significativa no spread.
O cenário atual é inoportuno para essas medidas dado o crescimento relevante da inadimplência para pessoa física.
Além do que o crédito não necessitou de interferência clara dos bancos públicos para crescer de 30% do PIB em 2007 para quase 50% hoje.
Medidas que favoreçam o crédito, tudo bem. Mas, forçar o crédito a determinadas taxas, não.
Por exemplo, como os bancos federais vão bancar suas estruturas fixas? As possíveis inadimplências e até insolvências?
As estruturas dos bancos federais podem ser até maiores que as dos bancos privados, as despesas fixas.
De que forma vai ampliar os empréstimos, reduzir as taxas e sustentar as despesas fixas?
Milagres não existem.
CRISTIANO,
TANTO TEMPO PARA POSTAR ALGO SOBRE A DECISAO DO GOVERNO DE LEGITIMAMENTE TENTAR FORÇAR O CONCENTRADISSIMO MERCADO BANCARIO A BAIXAR AS SUAS DE JUROS E VOCE ME VEM COM ESSA DE NAVIO?????? CADE A TEORIA? NAO PODE HAVER CONCORRENCIA NO SETOR BANCARIO? SE OS BANCOS PRIVADOS NAO BAIXAREM OS JUROS, ELES IRAO PERDER MERCADO, ENTAO....O QUE HÁ DE ERRADO NISSO???? RISCO DOS BANCOS QUEBRAREM, NAO ENTENDI...O GOVERNO ENTAO PODE QUEBRAR O SETOR BANCARIO POR CONTA DE CONCORRENCIA????? ISSO MESMO???
GOSTO DO SEU BLOG, MAS AS VEZES PARECE ENGRAÇADO O FATO PARECER, REPITO, PARECER DEIXAR DE LADO A TEORIA EM DETRIMENTO DE ALGUMA OPÇÃO POLITICA.
ABRAÇO!
Harrison,
leia com cuidado. O texto não é meu. É do Fernando Caio Galdi.
Abs,
Cristiano
Harrison,
acho que o Fernando nõa precisa de defesa, mas vou responder a sua pergunta. O setor público pode quebrar o setor privado através de concorrência?
A resposta é sim. Imagine que o governo tenha uma empresa de TVs. E ele venda as TVs abaixo do preço de custo. Todos os outros concorrentes perdem mercado pro governo e vão a falência. O governo também amarga um prejuízo, mas como pode emitir dívida, consegue sustentar a perda por um prazo maior. Fim da história.
Em comércio internacional essa prática se chama dumping.
Uma pergunta mais teórica pra você pensar. Porque um governo precisa de dois bancos e uma empresa de correios?
Abs,
Cristiano
CRISTIANO,
SEM DUVIDA, É FATO QUE O TEXTO NAO É SEU..FAÇO AQUI A MINHA CORREÇÃO...MAS QDO VC DIZ PARA SEUS LEITORES LEREM O EXCELENTE TEXTO, ACREDITO QUE VC COMPARTILHA DA MESMA IDEIA, NAO?
DE QUALQUER FORMA FICA NA ESPERA, QUEM SABE, DE AINDA VER UMA ANALISE SUA SOBRE O TEMA....
DE UM POUCO INSTRUIDO EM ECONOMIA, ABRAÇOS!
AH SIM, CRISTIANO.....EXEMPLO CONCRETO DE COMO UM GOVERNO CONSEGUE QUEBRAR ATRAVES DA CONCORRENCIA.....MAS LAMENTO QUE TENHA MENOSPREZADO A MINHA CAPACIDADE DE REFLEXAO (SIM, COM POUCA CAPACIDADE ANALITICA NA AREA DE ECONOMIA, FATO) MAS TU ACREDITA MESMO QUE O GOVERNO TEM ESTA PRETENSAO NO SETOR BANCARIO?
ABRAÇOS
Harrison,
não sei qual a intenção do governo.
Eles acham que os bancos privados vão baixar os juros e aumentar o crédito.
Mas eu não sei se isso vai acontecer.
Veremos nos próximos dias.
Abs
Cristiano
Postar um comentário