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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mantegada Semanal #26


Às vezes eu fico me perguntando se o Min. Guido Mantega vive de fato no mesmo Brasil que nós. Vejam esta declaração de ontem (AQUI):

"A economia brasileira está bastante sólida, estamos com inflação baixa, em torno de 4,5%, estamos com uma situação fiscal ótima, estamos com superávit, diminuindo a dívida pública, os consumidores estão com vontade de consumir, com mais salários, porém está havendo uma retenção de crédito por parte dos bancos"

Nao é bem por aí. O mercado prevê uma inflação de 5% para 2012 e 5,5% para 2013 (ver AQUI). A situação fiscal não é ótima. Não é arriscada, mas não é ótima. Em primeiro lugar o Governo não tem superávit. O governo tem um superávit primário (antes de incluir o gasto com juros). Ou seja, o governo precisa emitir dívida pra pagar os juros. Como conseqüência, a dívida pública não diminui, como diz o ministro, ela aumenta.

Se os consumidores tem mais renda e tem vontade de consumir, o que falta? Ah, o crédito. Mas, será que os consumidores não tomam crédito porque os bancos são malvados e não dão ou porque já possuem muitas dívidas e não querem fazer mais? Os dados do SERASA Experiam mostram o seguinte. O IDC, que mede a procura por crédito, foi 121.8 em março de 2012, comparado com 123.5 em março de 2011. Ou seja, caiu mais de 1%. É verdade que aumentou para os consumidores de menor renda, mas caiu para todos os consumidores com renda acima de 500 reais (ver dados AQUI). Já a inadimplência era 116.5 em março de 2011 e em março de 2012 atingiu 133.0, um aumento de mais de 14% (dados AQUI).

O céu não está tão azul comandante.

Vacas gordas ou magras?

2 comentários:

Gabriel Torres (PPGE-EA/UFRGS) disse...

Cristiano, seguindo o raciocínio do Mante(i)gão, o livro que eu comprei na Amazon por US$ 62,38 custa entre US$ 0,01 ou US$ 200.000, certo? Me ative aos números positivos, muito embora para tanto seja necessária a (fortíssima) suposição que até no Fantástico Mundo de Guido os vetores de preço não têm entradas nulas...

Dawran Numida disse...

Deixando de lado os dados que se contrapõem às falas ministeriais, surge a difícil pergunta de tentar entender por que ele e o governo dizem tais coisas.

Com certeza, permitem deduzir, que tenham aval da presidente. Caso contrário, de nada valeriam os elogios à capacidade técnica e apegos a detalhes da Chefe de Governo e de Estado. E dos assessores mais próximos dela.
Ou então, contariam com o apelo que possa ter a chorumela de que a maldade, a inveja é que motivariam comentários desfavoráveis à alardeada pujança da economia brasileira. Reconhecida internacionalmente, segundo o governo.
Porém, ainda há análises como essas, citadas lá no Drunkeynesian: http://www.foreignaffairs.com/articles/137393/ruchir-sharma/bearish-on-brazil.
Ou seja, a fala ministerial não está correta. É de supor que queira trazer algum otimismo.