Às vezes eu fico me perguntando se o Min. Guido Mantega vive de fato no mesmo Brasil que nós. Vejam esta declaração de ontem (AQUI):
"A economia brasileira está bastante sólida, estamos com inflação baixa, em torno de 4,5%, estamos com uma situação fiscal ótima, estamos com superávit, diminuindo a dívida pública, os consumidores estão com vontade de consumir, com mais salários, porém está havendo uma retenção de crédito por parte dos bancos"
Nao é bem por aí. O mercado prevê uma inflação de 5% para 2012 e 5,5% para 2013 (ver AQUI). A situação fiscal não é ótima. Não é arriscada, mas não é ótima. Em primeiro lugar o Governo não tem superávit. O governo tem um superávit primário (antes de incluir o gasto com juros). Ou seja, o governo precisa emitir dívida pra pagar os juros. Como conseqüência, a dívida pública não diminui, como diz o ministro, ela aumenta.
Se os consumidores tem mais renda e tem vontade de consumir, o que falta? Ah, o crédito. Mas, será que os consumidores não tomam crédito porque os bancos são malvados e não dão ou porque já possuem muitas dívidas e não querem fazer mais? Os dados do SERASA Experiam mostram o seguinte. O IDC, que mede a procura por crédito, foi 121.8 em março de 2012, comparado com 123.5 em março de 2011. Ou seja, caiu mais de 1%. É verdade que aumentou para os consumidores de menor renda, mas caiu para todos os consumidores com renda acima de 500 reais (ver dados AQUI). Já a inadimplência era 116.5 em março de 2011 e em março de 2012 atingiu 133.0, um aumento de mais de 14% (dados AQUI).
O céu não está tão azul comandante.
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| Vacas gordas ou magras? |





2 comentários:
Cristiano, seguindo o raciocínio do Mante(i)gão, o livro que eu comprei na Amazon por US$ 62,38 custa entre US$ 0,01 ou US$ 200.000, certo? Me ative aos números positivos, muito embora para tanto seja necessária a (fortíssima) suposição que até no Fantástico Mundo de Guido os vetores de preço não têm entradas nulas...
Deixando de lado os dados que se contrapõem às falas ministeriais, surge a difícil pergunta de tentar entender por que ele e o governo dizem tais coisas.
Com certeza, permitem deduzir, que tenham aval da presidente. Caso contrário, de nada valeriam os elogios à capacidade técnica e apegos a detalhes da Chefe de Governo e de Estado. E dos assessores mais próximos dela.
Ou então, contariam com o apelo que possa ter a chorumela de que a maldade, a inveja é que motivariam comentários desfavoráveis à alardeada pujança da economia brasileira. Reconhecida internacionalmente, segundo o governo.
Porém, ainda há análises como essas, citadas lá no Drunkeynesian: http://www.foreignaffairs.com/articles/137393/ruchir-sharma/bearish-on-brazil.
Ou seja, a fala ministerial não está correta. É de supor que queira trazer algum otimismo.
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