Hoje pela manhã ocorreu o leilão de três aeroportos brasileiros: Brasília, Viracopos e Guarulhos. Os três tiveram suas atividades transferidas para a iniciativa privada por um total de cerca de 24 bilhões de reais. (Detalhes AQUI)
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| Leiloeiro no viva-voz |
O leilão ocorreu em duas etapas. A primeira em um leilão de envelopes fechados em que os maiores lances passavam para uma segunda etapa. Na segunda parte, o leilão seguia em viva voz, tendo sido transmitido ao vivo pela televisão e internet. Um ponto interessante é que nemnhum comprador poderia arrematar mais de um aeroporto. Se de um lado isso diminui o potencial de arrecadação do leiloeiro, permite que a ANAC tenha mais operadores distintos no mercado, promovendo maior competição e beneficiando os consumidores (passageiros e empresas). Além disso, cada consórcio deveria ter um operador estrangeiro que já tivesse expertise no assunto (ver AQUI).
É muito difícil de se avaliar o resultado em si. O Merrill Lynch foi rápido e já soltou a sua análise (AQUI). Em tese o leilão foi algo muito bom para a economia brasileira. O setor privado assumiu uma tarefa para a qual possui muito mais competência que o setor público. Por outro lado, restam dúvidas quanto ao financiamento e operacionalidade desta nova fase. Três pontos são importantes nessa análise:
a) O BNDES financiará até 80% dos investimentos, desde que sejam em componentes/equipamentos nacionais (AQUI). Mais um passo na trajetória protecionista/nacionalista da gestão atual. O financiamento em si, não é necessariamente ruim. Mas, deixa menos transparente o modo como cada um dos potencias compradores quantificou/estimou custos de financiamentos dos investimentos.
b) O consórcio vencedor de Guarulhos é formado fundos de pensão de empresas públicas, um consórcio da Invepar (OAS e fundos de pensão Previ, Funcef e Petros) com a operadora ACSA – Airport Company South Africa, da África do Sul. Logo, sem saber muito bem como ficará a presença da INFRAERO e como será a influência dos fundos, fica difícil avaliar a velocidade e a qualidade em que as mudanças acontecerão.
c) Não se sabe ao certo, qual será a postura da ANAC. Ela precisará ser muito mais ativa na fiscalização e regulação. Se isso acontecer será bom para todos os aeroportos. Vai gerar uma competição tremenda. Cada vez que a Infraero disser para ANAC que não consegue atingir certa meta ou objetivo, a ANAC vai apontar as empresas privadas. Agora, a bola está com a ANAC.
Enfim, a minha leitura é que foi algo muito bom. Eu até já tinha sonhado com isso (ver AQUI). Mas não é algo cristalino, ainda. Só o tempo dirá se a minha leitura foi a correta...
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| Representantes da Invepar (Fonte: Agência Estado) |
PS: Conversei com várias pessoas sobre esse acontecimento antes de escrever. Deixo aqui meu agradecimento a todas elas e lembro que qualquer erro remanescente é de minha inteira autoria.
PS2: Reescrevi o item b) após comentário do Drunkeynesian, que também foi quem compartilhou o relatório do Merryll Lynch no Twitter. Valeu!






5 comentários:
Cristiano, pelo o que entendi o BNDES vai financiar "apenas" os investimentos que as concessionárias fizerem nos aeroportos, não a compra em sim. O resto acho que é isso, mesmo... muita ponta solta...
Eu fiquei um pouco curioso se nós podemos chamar de privatização o caso de guarulhos.
49% do controle fica com a infraero e 51% com a invepar e ACSA. No entanto, 90% do consórcio pertence a invepar e esta por sua vez pertence a petros, previ e funcef. Logo a união está no controle de 49% + 90% de 51% = 94.9%.
Ou seja, 94.9% do controle de guarulhos está na mão da união. Podemos chamar isto de privatização?
[]s
Eu fiquei um pouco curioso se nós podemos chamar de privatização o caso de guarulhos.
49% do controle fica com a infraero e 51% com a invepar e ACSA. No entanto, 90% do consórcio pertence a invepar e esta por sua vez pertence a petros, previ e funcef. Logo a união está no controle de 49% + 90% de 51% = 94.9%.
Ou seja, 94.9% do controle de guarulhos está na mão da união. Podemos chamar isto de privatização?
[]s
Mais um ponto de vista sobre a "privatização" de guarulhos:
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1219
[]s,
Surge a curiosidade sobre o retorno dos valores investidos.
Ao que parece, os ágios foram fortes. Como poderão recuperar o capital investido em tal monta?
Ao longo do tempo, as coisas podem ir ficando esclarecidas, porém, os valores inicialmente divulgados deixam dúvidas sobre a capacidade de geração de lucros e investimentos no negócio.
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