Dando seqüência à discussão "
por que não existem arranha-céus no Brasil?" gostaria de trazer dois pontos ao debate (com base nos emails que recebi sobre o assunto e comentários que foram deixados no outro
post).
Terminamos a discussão passada falando sobre a questão do PDU das cidades, que limita em muito a altura dos prédios nas cidades do Brasil. Há indícios, porém, de uma demanda por estruturas mais altas. O Fabrício D'Almeida me mandou uma
reportagem do Estadão sobre o tema. A reportagem é extensa e deixo o link
AQUI. Segue um trecho:
Embora distante de outras cidades do mundo, São Paulo não para de crescer - e para cima. Nos últimos 15 anos, os lançamentos na cidade ganharam quatro andares em média, segundo levantamento do Estado sobre dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Além disso, nos últimos cinco anos, 18,77% dos prédios lançados tinham ao menos 25 andares - de 1996 a 2001, eles correspondiam a 1,83% d0s novos empreendimentos.
A possibilidade de construção mais elevada só ocorre mediante autorização através do PDU ou dos certificados de potencial adicional de construção. Uma permissão para construir acima do previsto no PDU, mediante pagamento.
A pergunta que surge, e onde terminamos a discussão no post passado é: por que os PDUs não permitem construções mais altas?
A resposta mais óbvia é preferência. Os eleitores votam nos candidatos que optam por não alterar o PDU e preservam o status quo. A maioria das pessoas não quer ter arranha-céus na sua cidade, então vota-se um PDU onde esse tipo de prédio não pode ser construído.
Eu não imagino muitos motivos para tal, a não ser a sombra, a questão da paisagem, aumento da densidade (isso é ruim para alguns), etc.
Obviamente eu posso listar outros pontos positivos, como a redução do custo de transporte e poluição (imagine prédios enormes em SP onde as pessoas possam morar mais perto do trabalho, como em NY), a paisagem (olha ela aí de novo, só que positivamente), a valorização do terreno, etc. Se você pensar em termos de preservação ecológica é muito mais racional você fazer um edifício de 100 andares do que 100 de 1 andar. Ocupa menos espaço, você derruba menos áreas verdes. Você reduz custo de transporte, e a poluição gerada. Esse seria um argumento, por exemplo.
Pois então estamos no caso em que as pessoas que não gostam de arranha-céus votaram e ganharam. Se eu chegar aqui em Vitória e propor construir prédios de qualquer tamanho em qualquer bairro acho que a Associação dos Moradores do Jardim da Penha não ia ficar feliz.
A pergunta que resta é: existiria mercado para arranha-céus? Talvez eles não existam porque se você fizer o cálculo o investimento não é lucrativo. Ou seja, a restrição imposta pelo PDU não é ativa.
O que a reportagem do Estadão mostra é o contrário, existe demanda, os apartamentos acima do décimo andar são muito mais valorizados e potencialmente existiria demanda. Neste caso a restrição é ativa, e o PDU está limitando o potencial de desenvolvimento das cidades.
Deixo com vocês a pergunta. Vocês votariam pela aprovação de um PDU em que o limite de construção no seu bairro fosse de 80 andares?
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