sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Fast-track Capitalista para Inglês Ver
Diante da total incompetência da INFRAERO, o governo e o BNDES decidiram que o ideal é fazer o chamado "fast-track" na questão da modernização dos aeroportos. O termo basicamente significa que o as teorias do Governo (e de toda a trupe de economistas que o suporta) estão indo pra cucuia mais rápido.
A grande idéia do governo Lula era de que o Setor Público era muito bom em tudo. Então, facilmente cuidaria da Educação, Saúde, etc. Dentro desse etc. estaria a construção (sim, porque modernização significa reconstruir do zero a maioria deles) dos aeroportos do Brasil.
Acontece que isso não é verdade e nunca será. Bastaria ter privatizado os aeroportos 5 anos atrás e hoje teríamos aeroportos melhores e mais modernos. Sim, provavelmente com taxas de embarque mais salgadas, mas tudo bem, só quem anda de avião pagaria, assim como acontecem com os pedágios. Agora leiam isto (do Estadão):
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta quinta-feira, 28, que o governo vai adotar o "fast track" para a concessão da administração de aeroportos à iniciativa privada, uma espécie de via rápida para agilizar os investimentos para melhorar a infraestrutura aeroviária do País até a Copa de 2014.
"A ideia é acelerar os prazos de implementação, ser mais eficiente e fazer projetos que não nos façam perder tempo. É ter um procedimento mais eficiente e mais rápido", disse Meirelles (ex-presidente do BC). "Uma coisa é ter projetos com visão de longo prazo. Outra coisa é ser mais eficiente na implementação".
Quer dizer, foi necessário que o presidente da FIFA viesse ao Brasil para que os nossos "economistas-in-chief" descobrissem que o ideal é passar este tipo de atividade para o setor privado porque é mais eficiente!
Para isso o BNDES vai oferecer crédito com aquelas taxas de juros camaradas, de pai pra filho. As empresas vão assumir as obras e obviamente reformar e modernizar os aeroportos. Mas, como o tempo é curto e tudo tem que estar pronto pra receber os torcedores Ingleses, obviamente vai sair mais caro.
É um fast-track capitalista para inglês ver, porque no fundo no fundo, eles continuam achando que o ideal seria deixar tudo com eles.
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A Lição Russa
Eu posso escrever aqui todos os dias ou só de vez em quando. Mas o comportamento da equipe econômica atual com relação a inflação é sempre o mesmo: descaso.
O mercado está prevendo uma taxa de inflação acima da meta e o governo não toma nenhuma atitude concreta na política fiscal ou monetária. Aumentar juros? Ah, não pode, isso é feio!
Pois bem, na Rússia, país exemplo de muitas utopias do pessoal governista, não vai ter jeito. A inflação vai bater os dois dígitos. E a equipe de lá é parecida com a daqui, acha que 0,25% é suficiente pra trazer a inflação para a meta de 7%. Até a meta lá é pior (AQUI).
Quanto deve ser a inflação para que esse pessoal entenda que são as pessoas de renda mais baixa os que mais perdem com a inflação? E quando vão perceber que a cada 1% a mais de inflação aumenta a necessidade de financiamento público no ano seguinte, segundo aquela regra doida de aumento do salário mínimo?
Será que eles não percebem que os preços sobem para que o salário real volte ao seu nível de equilíbrio? Quanto tempo eles acham que vão enganar a população com esses aumentos de salários nominais?
A lição russa é simples. Vacilou, a inflação sai do seu controle e o custo de trazer ela de volta para patamares razoáveis (alta o suficiente apra permitir mudanças de preços relativos) é muito alto.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Em algum momento...
...eu vou falhar. Não sei como vai ser, se vai ser esquecendo uma data importante, fisicamente, academicamente, mentalmente, etc. Não sei. A falha é eminente.
Chegou a hora de rever prioridades.
O blog foi por muito tempo uma prioridade. Era a minha terapia mental. Hoje escrevo meu primeiro post em 8 dias. Isto não é uma boa notícia.
Prometo voltar a escrever.
Até breve!
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Energia Nuclear e Post-Human Mechanism Design
O texto abaixo é uma reflexão sobre o uso da energia nuclear e suas conseqüências de longo prazo. As palavras são de Francisco Costa (meu amigo, economista de primeira linha e doutorando na LSE).
Um problema só é um problema de fato uma vez que ele se realize. Por exemplo, o aquecimento global e todas as consequências provenientes deste. Acredito que haja um consenso entre cientistas, políticos etceteras que no mais tardar em algumas décadas teremos sérios problemas ambientais. Infelizmente, o centro da discussão hoje se restringe se já estamos vivenciando as consequências do aquecimento global ou se elas ainda estão por vir. No primeiro caso, teríamos que agir hoje. No segundo, ainda teríamos tempo e poderíamos seguir a vida normalmente.
Ao meu ver, guardada as devidas proporções, podemos fazer o mesmo contraponto com a energia nuclear, tida como uma fonte de energia relativamente barata e limpa. Seu grande ponto fraco é a questão da segurança, que requer atenção e cuidado excepcionais. Até o mês passado, com terremoto no Japão, havia uma impressão geral de que os procedimentos de segurança estavam suficientemente desenvolvidos e que o grande porém da energia nuclear deixaria de ser um obstáculo para seu uso em breve. O acidente de Fukushima reanimou a discussão sobre o quão robusto de fato são tais procedimentos.*
Pois bem, mas meu ponto ainda não é esse. Suponha que possamos construir usinas nucleares totalmente seguras e que este não seja mais um problema. Minha questão é: o que faremos com o lixo radioativo? O ótimo documentário Into Eternity sobre o Onkalo, um enorme depósito de lixo nuclear que está sendo construído na Finlândia, mostra que este problema é muito mais complexo do que imaginamos.
Onkalo é o primeiro deposito a ser construído para receber milhares de toneladas de lixo nuclear de maneira segura e sem causar maiores danos ambientais. Para tanto, não basta que o depósito seja resistente a qualquer tipo de terremoto – ele está sendo feito em meio as rochas a 500 metros abaixo da superfície – , ele também precisa ser resistente a qualquer tipo de Ser.
O lixo radioativo leva 100.000 anos para deixar de ser tóxico. Portanto, para o depósito ser seguro ele deve permanecer lacrado por 100.000 anos. Eu resumiria o problema da seguinte forma: a espécie humana existe há cerca de 50.000 anos e precisamos criar uma estrutura que seja inviolável nos próximos 100.000 anos. Porém, que tipo de Ser estará aqui em 100.000 anos (cem mil!)? Pode ser uma espécie mais evoluída ou até mesmo nós mesmos (dá tempo de ter um apocalipse e começar tudo de novo).
Um problema e tanto, não? Acho que economia nos ajuda a entender a dimensão deste problema. Desenho de mecanismos estuda formas de desenhar contratos/mecanismos que criem incentivos para que os envolvidos - seres humanos com preferencias bem definidas – ajam o mais próximo possível do ótimo social. Essa literatura nos mostra que em uma classe de situações razoavelmente grande o ótimo social simplesmente não é implementável. Repito, estes resultados valem para quando estamos lidando com seres humanos com preferencias bem definidas.
Agora, como desenhar incentivos para seres que não conhecemos? Será que temos a capacidade de desenhar um “mecanismo pós-humano”, como é alcançar o objetivo de Onkolo? Caso tal tarefa seja possível, então só precisamos resolver o problema da segurança que aí sim teremos uma fonte de energia limpa e economicamente viável.
Porém, se isto não for possível, temos um problema.
Francisco Costa
* A Alemanha está revendo seu projeto de construir novas usinas nucleares, o Japão pretende rever sua política energética e até o Brasil demonstrou interesse em contratar uma consultoria externa para reavaliar as usinas de Angra. Como argumentei anteriormente, ao observar um problema contemporâneo, as pessoas discutem e tomam as medidas necessárias. Mas isso é behavior e não é o assunto aqui.
Entenda melhor Onkalo:
www.intoeternitythemovie.com/
www.posiva.fi/en/research_development/onkalo/onkalo-animation/
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domingo, 17 de abril de 2011
Lista de Blogs Atualizada
De tempos em tempos eu tenho que atualizar a lista dos concorrentes alí na barra lateral. Estou adicionando dois blogs:
- Eco-no-mia e nem morde!!!
- Brasil, Economia e Governo
O primeiro é o blog da Bárbara Moraes, aluna de economia que decidiu criar o blog após comparecer ao I Encontro dos Blogueiros de Economia, lá na FEA-USP.
O segundo é "gerenciado por um grupo de profissionais especializados em assuntos econômicos e gestão pública, sem vinculação ou militância político-partidária em associação com o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial." Os três editores (Marcos Mendes, Fernando Meneguin e Paulo Springer de Freitas) possuem doutorado em economia, experiência didática e na análise de políticas públicas.
O blog tem um formato muito interessante de perguntas e respostas.
Confiram lá os dois blogs e bom final de domingo!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
FMI e Fluxo de Capitais
Estou em meio a uma pesquisa de campo muito grande que ainda vai durar umas semanas. Então pedi para alguns economistas amigos e leitores meus e especialistas em áreas fora da minha formação principal (micro aplicada) para escreverem alguns posts. O texto abaixo é de um leitor muito assíduo e uma das mentes brilhantes que estudam Finanças Internacionais. Ele preferiu não assinar o texto, mas eu assino em baixo o que ele escreve. Segue o texto:
O FMI publicou recentemente um artigo propondo um arcabouço básico a ser utilizado pelo Fundo e países membros no desenho de políticas para a administração de fluxos de capitais externos, especialmente em economias emergentes. A proposta resulta, em grande medida, da demanda por parte de autoridades destes países, os quais tem se defrontado com uma enxurrada de capitais externos desde meados de 2009. De acordo com as estimativas do FMI, nos últimos 12 meses, a entrada bruta de capitais nas economias emergentes supera 1 trilhão de dólares. Mais impressionante ainda, no mesmo período a entrada liquida de recursos supera 600 bilhões de dólares, próximo ao recorde histórico da serie. Produzir estudos com diretrizes para políticas macroeconômicas faz parte do trabalho usual do Fundo. O que surpreende, neste caso em particular, é o conteúdo do artigo.
Durante bastante tempo, o FMI se caracterizou por favorecer a liberalização de fluxos de capitais internacionais. A lógica por traz deste tipo de proposta era bastante simples. O retorno sobre o capital em economias avançadas seria relativamente baixo devido a sua grande acumulação, ao passo que a escassez de capital em países emergentes elevaria o retorno dos investimentos nestas regiões. Caso barreiras aos fluxos internacionais fossem eliminadas, os recursos migrariam dos países ricos para economias emergentes a fim de explorar os diferenciais de retorno. Este movimento seria benéfico tanto para investidores internacionais – os quais desfrutariam de melhores oportunidades para a alocação de seus portfólios - quanto para os mercados emergentes, os quais teriam maior acesso aos investimentos tão necessários para seu desenvolvimento.
A evidência histórica, no entanto, expôs uma realidade um tanto diferente. As crises financeiras da década de 90 – México, sudeste Asiático, Argentina, Brasil, etc. – devastaram diversas economias emergentes e evidenciaram os riscos resultantes da alta volatilidade dos fluxos de capitais estrangeiros. Várias foram as razões para a divergência entre lógica e fatos.
Em primeiro lugar, em muitos casos os mercados financeiros de países emergentes não eram suficientemente desenvolvidos para promover uma alocação adequada dos novos investimentos. Em segundo lugar, e associado ao primeiro ponto, a ma alocação de investimentos proliferou devido à corrupção crônica de diversos setores da sociedade destes países, incluindo políticos, banqueiros, empreiteiros, etc. Em terceiro lugar, o comprometimento de bancos centrais em manter taxas de cambio fixas durante este período criou um problema de perigo moral. Tomadores de recursos em países emergentes buscaram empréstimos internacionais a taxas de juros baixas, mas não adquiriram as devidas proteções contra flutuações cambiais. Implicitamente, havia a idéia de que i) governos e bancos centrais locais não poupariam esforços para manter as taxas de cambio ou ii) caso houvesse uma saída de capitais e decorrente desvalorização da moeda, os governos assumiriam uma grande parte do prejuízo, trocando dívida externa privado por dívida denominada em moeda local – como aconteceu com o Brasil durante a década de 70.
Baseado nestas experiências, o FMI mudou suas recomendações. No atual contexto de baixas taxas de juros e baixo crescimento nos países avançados combinados com alto crescimento em economias emergentes, o Fundo tem sugerido um coquetel de medidas macroeconômicas e prudências a serem adotados pelas autoridades locais.
O objetivo é reduzir o volume e a volatilidade dos fluxos internacionais de capitais para estas regiões, contendo assim o riscos de novas crises financeiras.
Contudo, existe grande debate a respeito da eficácia destas medidas, em particular medidas prudenciais. A evidência inicial sugere que elas não terão grande poder para barrar a enxurrada de recursos externos. Aparentemente, medidas prudenciais não são substitutas adequadas para políticas econômicas sólidas – consolidação fiscal, ajuste cambial e redução de juros domésticos – estas sim armas ponderosas para manejar os incentivos a entrada de investimentos nas economias locais.
Mas isto é tema para um próximo post...
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Aumento do Preço da Gasolina no País
Debate sobre o aumento do preço da gasolina no programa Espaço Capixaba, (TV Capixaba/Band) com Giovanni César (11/4/2011)
terça-feira, 12 de abril de 2011
A Falácia da Interiorização da Violência
O que vai escrito abaixo é um texto que escrevi por email para um grande amigo meu enquanto discutíamos a tese apresentada no capítulo 3.5 do trabalho Mapa da Violência 2011, elaborado por Julio Jacobo Waiselfisz para o Min. Da Justiça, que usa os dados de 2008. Segue o meu email:
O estudo que você se refere está disponível aqui:
http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2011/MapaViolencia2011.pdf
Abra ele e vá acompanhando as minhas referências.
Veja a tabela 3.2.1
O aumento dos homicídios entre 2003 e 2008 é de 400% em Salvador. Em Florianópolis foi de 250%. Em Porto Alegre foi de 63,4%. Nove capitais tiveram queda, é verdade. TODAS as outras tiveram aumento.
Não creio na tese do movimento da capital pro interior. Até porque nos estados que a taxa da capital caiu, como Rio e São Paulo, a taxa ESTADO inteiro também caiu (ver tabela 3.1.2). Isso é importantíssimo.
O autor tenta levantar essa tese da interiorização na seção 3.5 do estudo. Mas ele comete um erro. Ele não apresenta os dados sem SP e RJ, locais onde a criminalidade caiu mais na capital do que no interior. Estas Regiões Metropolitanas puxam todo o resultado, pois são muito grandes. Quer um exemplo?
Em POA, a taxa aumentou 63,4% (tabela 3.2.1). No RS como um todo, ela aumentou 42,1%.(tabela 3.1.2) Ou seja, aumentou mais na capital! As dinâmicas locais são diferentes. Não dá pra generalizar.
A verdade é que o número de homícidios cresceu 10% em 5 anos no Brasil. O que é de certa forma impressionante, já que os investimento aumentam e a tecnologia melhorou.
A taxa de homicídios no ES era de 56,4 para cada 100 mil em 2008. É um absurdo. É número de país em guerra. Serra (ES) é um exemplo. Sabe qual a taxa de homicídio em 2008: 109 para cada 100 mil!! Esta é sétima cidade com taxa mais alta do país. (ver tabela 3.4.1)
Eu analisei dados mensais do RS dos últimos 10 anos e observei 3 fenômenos:
1) Furtos e roubos caem quando a renda aumenta e o desemprego cai.
2) Furtos e roubos caem quando o gasto com segurança aumenta.
3) Homicidos seguem crescendo independende da economia ou do investimento público.
O fenômeno do homícidio tem razões não-econômicas. Roubo e furto sim.
Os homicídios tem a ver com o fato que certas pessoas não dão valor a vida e o Governo não prende essas pessoas. Ao contrário do que ocorre em países civilizados.
Note que a tática de "se você cometer crimes vai preso" pode resultar em duas situações:
1) muita gente, mesmo sabendo da lei, comete crime e vai presa (caso
dos EUA), mas a taxa de homicídios é baixa.
2) muita gente que, por temer a pena, não comete crime (caso da
Europa), e a taxa homicídios é baixa.
Em ambos os lugares as penas são altas e a probabilidade de ser pego é quase 100%. Em ambos os lugares a taxa de homicídios é abaixo de 10 para cada 100 mil habitantes.
Em 2008, em São Paulo, capital com menor taxa de homicídio do país, esta taxa era 14,8. Hoje dizem que está perto de 13.
Eu não sei qual é ou qual seria o melhor modelo. Mas, para mim e pra ti, que não matamos ninguém, com certeza o modelo em que a probabilidade de ser morto é menor é bem melhor.
Dá uma lida num post que eu escrevi algum tempo atrás:
http://www.cristianomcosta.com/2011/02/matando-nossos-jovens.html
O segundo quadro do post traz comparações internacionais de taxas de homicídios. Nos EUA a taxa é de 6 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano. No Texas, estado com pena de morte, foi de 5.4 em 2009. (ver aqui: http://www.disastercenter.com/crime/txcrime.htm) Note que esse 0.6 é uma baita diferença. A taxa é 10% do que no resto do país!
No Brasil é 26! Essa taxa é 52,9 entre jovens! Isso dá 8 vezes a taxa da Argentina!
O Brasil está na frente de ricos e pobres, países que crescem e que retrocedem.
Os homicídios no Brasil acontecem a taxas astronômicas. E isso não tem relação com pobreza, renda, nem nada disso.
Na minha opinião essa taxa tem uma unica explicação: temos uma população de homicidas a solta e um Estado que não garante o maior direito do cidadão. O direito a vida.
Fica aí o meu pensamento!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mordida no Bolso do Turista
O desenvolvimento econômico traz diversos benefícios à população. Em particular as pessoas consomem mais. Na lista dos novos itens demandados pelos brasileiros estão bens que antes não eram consumidos por muitos. Por exemplo, quando a renda aumenta, as pessoas passam a consumir mais carnes nobres, iogurtes, cortes de cabelo, produtos de higiene pessoal, etc. Nestes novos bens estão incluídos bens nacionais e importados. Quando o aumento de renda é acompanhado por uma apreciação do Real (dólar mais barato) então um item rapidamente ganha peso na cesta de consumo dos brasileiros: a viagem ao exterior.
Muitos brasileiros sonham com uma viagem para Disney, para Europa, para o Caribe, e tantos outros lugares interessantes. Este sonho em geral vira realidade quando o cenário econômico é parecido com o atual: aumento de renda e dólar barato. Este cenário em geral leva a um aumento da demanda por vôos internacionais e os brasileiros passam a gastar muito no exterior. O que é muito saudável do ponto de vista do indivíduo, que realiza o seu sonho!
Esta situação, porém, traz conseqüências econômicas importantes do ponto de vista macroeconômico. Segundo o Banco Central, no ano passado os brasileiros gastaram US$ 16,4 bilhões em bens e serviços no exterior, um valor recorde e que representa aproximadamente 0,7% do PIB de 2010. Este desequilíbrio chamou a atenção do governo. Do ponto de vista puramente macroeconômico, não há problemas em se ter um déficit nesta conta com o resto do mundo, já que isto pode ser compensado com exportações e investimentos estrangeiros diretos no país. Mas, o Governo aproveitou a oportunidade para aumentar suas receitas e tentar frear o consumo externo (eventualmente aumentando a demanda por serviços internos, como viagens para o Nordeste, por exemplo).
A medida de aumento de IOF (que incide sobre as compras em moeda estrangeira no cartão de crédito) de 2,38% para 6,38% tem como objetivo conter os gastos no exterior. O aumento é bem significativo, quatro pontos percentuais. O imposto mais do que dobrou. Se fizermos uma conta aproximada usando os dados de 2010 apresentados acima, este aumento leva as receitas com IOF deste tipo de serviço de cerca de 390 milhões de dólares para mais de 718 milhões de dólares, um aumento de receita de mais de meio bilhão de Reais. Isso se o valor das compras no exterior for o mesmo de 2010, mas a tendência é aumentar.
É uma verdadeira mordida no bolso do contribuinte brasileiro, que já não agüenta mais pagar tanto imposto.
PS: texto escrito para o Jornal da Praia do Canto.
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sábado, 9 de abril de 2011
Idéia de Girico
O preço da gasolina está aumentando e já bate os R$ 3,00 em muitos postos. Mais do que isso, o preço do álcool também está subindo, deixando até mesmo os proprietários de carros flex sem muita opção.
Então surge uma página de evento no Facebook propondo o boicote da gasolina da Petrobrás. Até aí, tudo bem, achei que era pra sacanear a monopolista. Mas, não. Eis a proposta:
Para os próximo meses ( junho/ julho / agosto de 2011...) não compre gasolina da principal fornecedora brasileira de derivados de petróleo, que é a PETROBRÁS (Postos BR).
Se ela tiver totalmente paralisada a venda de sua gasolina, estará inclinada e obrigada, por via de única opção que terá, a reduzir os preços de seus próprios produtos, para recuperar o seu mercado.
Se ela fizer isso, as outras companhias (Shell, Esso, Ipiranga, Texaco, etc...) terão que seguir o mesmo rumo, para não sucumbirem economicamente e perderem suas fatias de mercado.
Isso é absolutamente certo e já vimos várias vezes isso acontecer!
CHAMA-SE LEI DA OFERTA E DA PROCURA
Sensacional! Eu só queria saber de quem as pessoas vão comprar combustível enquanto a Petrobrás não baixar o preço. O pior é que no momento em que escrevo este post já são mais de 60 mil pessoas dizendo que é uma boa idéia.
Eu não sei se a parte mais engraçada é a "para os próximos meses..." ou a complicada dinâmica pela qual todas as distribuidoras vão perder "suas fatias de mercado". Ahhhh, mas é que eu esqueci de colar aqui uma parte:
É realmente simples de se fazer!!
Continue abastecendo e consumindo normalmente!! Basta escolher qualquer outro posto ao invés de um BR (Petrobrás).
Muito engraçado, não? Confere lá a página no Facebook: AQUI.
PS: Para os que não sabem o que é um girico (ou jerico, na escrita correta), está AQUI a resposta.
PS: Vou continuar acentuando as idéias que eu quiser, inclusive idéias de girico, enquanto a escrita antiga ainda estiver valendo (dezembro de 2012).
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Pés Pelas Mãos
O blog anda meio carente de posts. Estou com um projeto muito grande e que está consumindo muito do meu tempo. Mas hoje tirei alguns minutos para chamar a atenção de vocês sobre a seqüência de barbaridades econômicas dos últimos dias. Parece que o pessoal resolveu trocar os pés pelas mãos.
Vou deixar o link para algumas notícias que me chamaram a atenção e aguardo os comentários de vocês.
1) Aumento do IOF e seus efeitos (AQUI, AQUI e AQUI)
2) Controle de Capitais e seus efeitos (AQUI e AQUI)
E aí? O que vocês acharam das medidas desta semana?
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sábado, 2 de abril de 2011
Meia Tonelada
Do site da FUCAPE:
É com uma enorme satisfação que comunicamos a todos que foi arrecadada meia tonelada de alimentos com a campanha Calourada Solidária idealizada pelo CA John Nash. Os alimentos foram doados para a Casa da Esperança e Casa Vida, casas de apoio a crianças, adolescentes e adultos com HIV, situada em Maruípe.
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| Foto: FUCAPE Business School |
Parabéns aos organizadores da CAFU 2011!
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