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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O que É e o que Não É


O Ministro Mantega não sabe o que a política econômica é, nem o que não é (ele diz ao O Globo):

Tem gente falando que viramos ortodoxos, mas isso não é verdade. A política econômica não mudou, até porque foi bem sucedida e levou o país a um crescimento forte. Não é a política para derrubar a economia ou para ter o crescimento pífio, modesto que tivemos no passado - disse Mantega ao iniciar o detalhamento do corte recorde de R$ 50 bilhões no Orçamento da União de 2011.

Que tal?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Perfil dos Curtidores


O gráfico abaixo mostra o perfil do pessoal que "curte" a página do blog no Facebook. Os dados mostram uma maioria masculina de idade entre 18 e 44 anos.

Clique no gráfico para aumentar.

Você quer saber o que essas pessoas do gráfico acima estão discutindo e lendo lá na página do blog no Facebook? É só entrar lá e "Curtir"!

Visite a página do blog no Facebook e "Curta": http://www.facebook.com/blogdocmcosta

Gestão de Investimentos


O IAG da PUC-Rio está com um novo MBA, em Gestão de Investimentos, em parceria com a BM&F Bovespa. O curso é coordenado pelo Prof. Marcelo Verdini Maia, ou, Prof. Maia, como ele era conhecido nos nossos tempos de Wharton Business School, lá em UPenn. O curso certamente está nas mãos de um dos professores que mais entende de finanças no país.

Do site do curso:

O programa é direcionado aos profissionais de nível superior que atuam ou desejam atuar no mercado financeiro, e também àqueles de outras áreas que desejam compreender as técnicas e os processos do mercado financeiro.

Quer saber mais? Visite o site do programa clicando AQUI.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Matando Nossos Jovens


Recentemente foi lançado o trabalho Mapa da Violência 2011. O trabalho usa os dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), de 2008. O trabalho completo, que pode ser encontrado AQUI, traz um retrato dos homicídios, mortes no trânsito e suicídios no Brasil.

A conclusão é simples. Estamos matando os nossos jovens em proporções estarrecedoras. O quadro que mais chamou a minha atenção foi este abaixo:

Clique na imagem para ampliar.

Ou seja, estamos matando cerca de 20 mil jovens de 20 a 29 anos por ano no país. Este número é altíssimo. Nenhuma outra faixa etária apresenta números sequer parecidos, apesar de muito altos também. A taxa de homícidio (homicídios por 100 mil habitantes) entre jovens é algo em torno de 52,9 (ver tabela abaixo). No México, onde o problema do tráfico de drogas existe tal como no Brasil, esta taxa é de 8,4.

Clique na imagem para aumentar.

Estamos matando nossa juventude. Alguma providência precisa ser tomada.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Discriminação de Preços


Aproveitando o clima de setor aéreo que tomou conta do blog desde ontem, segue a mais nova resolução da ANAC (via Ancelmo Gois):

A Anac firmou acordo com as voadoras para garantir a seus dirigentes uma tarifa especial com desconto de 75% nas passagens aéreas.

Sensacional!

Alguém desconfia que existe algum tipo de conflito de interesses nessa medida?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Air France #Fail


Um dos posts mais acessados do meu blog não fala diretamente de economia. É o post Não Levaram, onde conto a minha experiência nada simpática na busca por meus direitos de consumidor diante de um abuso de uma empresa aérea. Naquela ocasião eu, pela minha persistência e também intransigência, consegui fazer valer os meus direitos. Mas nem todos, por mais certos e decididos a lutar por seus direitos conseguem.


O relato abaixo é de uma grande amiga minha que foi vítima da Air France. Segue abaixo:

Qual o significado da palavra “desolé”? É fácil criar um exemplo ilustrativo, principalmente quando, de fato, o exemplo não é só ilustrativo e ocorreu no Charles de Gaulle de Paris quando o atendente da Air France virou para mim e falou: “desolé”.

Estava embarcando para o Rio, eu e minha reserva na Air France, depois de passar um excelente Reveillon na Champs Elysée quando o atendente me impede de embarcar por conta que teoricamente eu não estava em Paris. Ora, como não, se eu estava louca para voltar para minha praia, satisfeita de tanto sentir frio e comer tartare de bouef (que eu amo).

O sistema da Air France não reconheceu que eu embarquei e simplesmente eu não poderia voltar. Eu estava no voo (que agora não tem mais acento gramatical) AF0443 do dia 26/12. Gente, esse não caiu, mas eu desapareci, de acordo com a Air France.

Também poderia ter cometido um ataque terrorista que depois eles não poderiam provar que era eu, afinal, eu não estava no voo. Perdi essa oportunidade... ah, a Air France pelos ares.

Para retornar a minha praia, mil vezes melhor que a Torre Eiffel, se é que se pode comparar, no dia 07/01, tive que pagar a passagem de novo. Pasmem-se de ida e volta. Eu podia voltar no dia 28/01, sabiam? Já estava pago mesmo.

Ou seja, paguei 4 vezes para ir a Paris. Ainda assim, não embarquei no mesmo dia com o bilhete que havia acabado de (re)comprar!! “Desolé” de novo e agora por overbooking (palavra universal que todos nós já ouvimos). Resultado: menos 1 dia de praia.

Reembolso? “Desolé, lá em Paris e “Sinto Muito”, aqui no Rio...eles me obrigaram a pagar por um bilhete não reembolsável, conclusão da Air France “carioca”.

Está compreendido o significado poético da palavra “desolé”? Estou louca para mandar um “desolé” para a Air France. Afinal que fala “desolé” por último, fala melhor...


Como podem perceber, o abuso e a falta de consideração com o consumidor aliados a falta de vontade de reconhecer a própria incompetência na prestação de serviços faz vítimas em todo o mundo e não escolhe sexo, cor, religião ou classe social.

Não tenho muito o que dizer deste caso: Air France #Fail

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Banco Capivari


O vídeo abaixo é sobre o Banco Capivari e o Banco do Bem. Esses bancos basicamente criam uma moeda, com lastro de 1 para 1. Os detalhes podem ser obtidos AQUI. Por exemplo, segundo a reportagem no link:

Toda moeda social emitida no Brasil é lastreada em reais e paritária com a moeda oficial. Isso significa que, para cada sabiá, tupi, palmas ou maracanã emitido, o banco social tem um real guardado em caixa. Isso evita infringir a lei – que restringe a emissão de dinheiro ao Banco Central (BC).

Vejam o vídeo abaixo. É um excelente material para uma aula de economia monetária.


O grande mistério é saber porque os vendedores dão 10% de desconto em Capivaris. Alguém se arrisca a dar um palpite? Outro detalhe:

Os bancos sociais não fazem apenas a emissão e o câmbio de moedas sociais. Segundo Joaquim, as instituições também emprestam de R$ 200 a R$ 10 mil aos membros da comunidade onde atua, com recursos captados no Banco do Brasil. Mas, de novo, a moeda social é mais vantajosa: no Banco Palmas, empréstimos em Palmas saem com juro zero. Já para tomar dinheiro em reais, o cliente paga entre 1,5% e 3,5% de juros ao mês.

Pode ser que a razão esteja relacionada aos custos. Por exemplo, os bancos aparentemente não tem segurança, nem site, etc. Esses tipos de confortos acabam elevando os custos dos bancos. Pode ser que esses bancos também não estejam buscando o lucro. O que não seria surpresa, já que é um "banco social". Enfim, achei muito interessante a reportagem.

E você, o que achou do Banco Capivari e do Banco do Bem?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Impacto do Salário Mínimo na Economia


Entrevista ao programa Espaço Capixaba, na TV Capixaba (Band).



Preços na América


O reaquecimento da economia americana e das economias emergentes está criando um fenômeno que já estava esquecido pelos americanos: a inflação.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 1,6%. Esse número parece baixo aos brasileiros, mas já começa a chamar a atenção dos americanos. O The Wall Street Journal preparou uma planilha interativa com as variações de preços de alguns produtos que compõe o índice de preços norte-americano. O link para a planilha está AQUI.

Eu ordenei os itens de acordo com a variação de preços acumulada nos últimos 12 meses. O resultado está abaixo:

Clique na figura para aumentar.

O que vocês vêem em comum?

Exatamente, o topo da lista é encabeçado por produtos alimentares e transporte. O aumento de preços destes grupos de produtos está diretamente ligado ao aumento dos preços das commodities internacionais (petróleo, milho, soja, trigo, etc.). Estes produtos estão aumentando muito de preço, como já mostrei aqui no post A Recuperação em Gráficos.

Note que os dois grupos que não são alimentação e transporte são Moradia e Educação/Comunicação. Mas daí você vai olhar o item e aparece, respectivamente, óleo para aquecimento e serviço de entrega. Ou seja, duas coisas ligadas ao preço dos combustíveis.

A situação não é simples. Tudo que o governo americano não quer neste momento é ter que aumentar os juros para combater a inflação...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Práticas Organizacionas


Caros leitores, deixo abaixo o link para a pesquisa do Prof. Bruno Félix, aqui da FUCAPE. A pesquisa busca compreender a percepção de pessoas a respeito de algumas práticas organizacionais comuns.

O único requisito para a participação é que a pessoa esteja trabalhando em alguma empresa no momento, pois diversas perguntas se referem à organização da qual o respondente é funcionário.

Não é necessário identificar-se.

Para participar basta clicar AQUI. Vai lá e deixe a sua contribuição para a ciência! É rapidinho!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Conselho Idiota


Diz a cultura popular que se conselho fosse bom não seria de graça. Pois o novo comercial da Caixa Econômica Federal traz a atriz Regina Casé (que tem grande apelo ao público de baixa renda) dando conselhos de economia.

Segundo ela, nessa época de pagamento de impostos e compra de material escolar o consumidor pode contar com os empréstimos da Caixa Econômica Federal. Até aí tudo bem, é uma propaganda de um produto que certamente encontra demanda.

O problema é que logo depois ela diz: "pega um pouquinho mais para curtir o Carnaval". É o tipo do conselho desnecessário. Por que um banco público deveria incentivar trabalhadores que mal conseguem pagar os seus impostos a tirar um empréstimo para "curtir o Carnaval"?


E notem que o nome do vídeo é "Comece o ano bem com a Caixa". Bem endividado, né? Só pode ser...

PS: Toda a vez que eu via esse comercial eu me indignava. Hoje lembrei de procurar no You Tube.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Resultado da Promoção de Aniversário


Hoje o blog comemora 3 anos de existência! 
Foram 1.178 posts. Os visitantes foram mais de 117.000!


Muito obrigado aos visitantes freqüentes, aos que linkam para este blog, aos fiéis leitores via RSS e email, ao pessoal que segue o blog no Twitter e no Facebook e aos que passam aqui só de vez em quando para deixar seus comentários.

O vencedor da Promoção de Aniversário do Blog foi José Luiz Correa Vieira, de Guarapari, no Espírito Santo. O José Luiz mandou a frase:

"Eu gosto do blog do Cristiano M.Costa porque entro curioso e saio criativo."

Valeu José Luiz! Nós vamos entrar em contato com você para lhe premiar com o curso de bolsa de valores na Corval Corretora! (Valor de mercado aproximado: R$250,00)

O prêmio terá validade de um ano e o você poderá escolher qualquer um dos cursos oferecidos pela Corval, de acordo com as datas disponíveis, em qualquer das cidades em que a Corretora realize este tipo de evento! São mais de 40 anos de experiência e conhecimento disponibilizados para você!

Foram muitas as frases criativas. Eu agradeço a participação de todos que mandaram suas frases. Foram dezenas de frases e não foi fácil escolher.

Não deixem de dar uma passadinha por aqui, porque mês que vem eu estou preparando uma outra surpresa para os leitores!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Promoção de Aniversário: 3 Anos do Blog!


No dia 18 de Fevereiro o Blog do Cristiano M. Costa estará de aniversário.
O blog completa três anos de existência, mas quem ganha o presente é você!

Eu vou sortear, em parceria com a Corval Corretora de Valores, um prêmio muito especial para os meus leitores aqui do blog.

Para participar desta promoção basta enviar um e-mail para blogdocmcosta@gmail.com com seu nome completo e cidade, completando a frase:

“Eu gosto do Blog do Cristiano M. Costa porque...”

O autor da frase mais criativa ganhará um curso de bolsa de valores na Corval Corretora! (Valor de mercado aproximado: R$250,00)

O prêmio terá validade de um ano e o vencedor poderá escolher qualquer um dos cursos oferecidos pela Corval, de acordo com as datas disponíveis, em qualquer das cidades em que a Corretora realize este tipo de evento! São mais de 40 anos de experiência e conhecimento disponibilizados para você!


Nos cursos da Corval, os alunos ganham o material didático, apostila, participam de um coquetel, e as horas ainda podem contar como atividades complementares em muitos cursos de graduação.

O que você está esperando? Mande logo o seu e-mail e participe!

Teoria dos Jogos: Duas Atividades



Esse semestre estou dando aulas de Teoria dos Jogos. Eu gosto de fazer algumas atividades com os meus alunos e vou compartilhar com vocês duas delas.

A primeira trabalha o conceito de Common Knowledge:

Primeira Atividade: Escolha um Número
- Eu vou escolher um número de 1 a 100 e escrever em um pedaço de papel.
- Vocês vão tentar adivinhar este número.
- Vocês tem 5 chances.
- Cada vez que vocês disserem um número eu vou dizer se está acima ou abaixo.
- Se vocês acertarem, na próxima aula eu trago uma caixa de bombons para ser dividida entre os que vieram na aula hoje.

Já a segunda atividade trabalha o conceito de Focal Point:

Segunda Atividade: A Lista de Kreps
- Vamos dividir a turma em 2 grupos: A e B.
- Abaixo está uma lista de 10 clubes de futebol:
- Atlético-MG, Rio Branco-ES, Bahia, Flamengo, Inter-RS, Figueirense, Sport,Vasco, Palmeiras, Grêmio.
- O grupo A vai sair da sala e escrever o nome de 5 clubes em um papel.
- O grupo B vai ficar na sala e escrever o nome de 5 clubes em um papel.
- Se nenhum clube repetir, a turma ganha uma caixa de bombons Especialidades da Nestlé!

Gostaram?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Prêmio Excelência Acadêmica 2011


O Prêmio Excelência Acadêmica é a maior premiação da área de negócios do país. Alunos de todo o país podem participar! Mande o seu trabalho. Mais informações direto no site:


Clique na imagem para visitar o site do evento.

A Recuperação em Gráficos


Um dos posts mais acessados aqui no blog é sobre a crise de 2007/8. No fim de 2008, eu peguei alguns gráficos e tentei explicar a severidade da crise. O post se chamava A Crise em Gráficos. Depois, já em outubro de 2009, eu fiz um post mais rápido que versava sobre O Fim da Crise em Gráficos.

Diante da retomada do crescimento americano, nada mais justo do que fazer um novo post analisando basicamente os mesmos gráficos e chamar de A Recuperação em Gráficos. Em todas as imagens abaixo, basta clicar para aumentar a figura.

Começamos pelo mercado imobiliário. Apesar da recuperação da economia, o setor imobiliário americano ainda tem dificuldades para sair da crise. Os dados atuais mostram uma estabilização dos preços dos imóveis em um patamar muito abaixo dos níveis pré-crise, 2006/2007. Ver o gráfico abaixo.



Note que desde de 2007 a valorização anual (trimestre sobre mesmo trimestre do ano anterior) é negativa, com exceção de um ou outro trimestre. Este setor ainda vai demorar um tempo para voltar aos patamares pré-crise, se é que o ajuste já não ocorreu e este seja o novo nível de equilíbrio (o que corroboraria a tese de bolha).

Um dos componentes que mede bem a retomada mundial é o mercado futuro de commodities. Vamos ao gráfico dos principais indíces de commodities, da Bloomberg:



O gráfico mostra a tendência futura dos preços das commodities. É fácil ver que a demanda está aquecida. Por diversos motivos, inclusive por alguns choques climáticos na oferta, os preços estão subindo. Por um lado isto é bom, pois mostra que a demanda mundial está aquecida, por outro pode gerar inflação e um conseqüente aumento dos juros, arrefecendo o crescimento de alguns países. Esse possivelmente será o nosso cenário aqui no Brasil.

Por falar em juros, vamos dar uma olhda nas taxas mundiais. A taxa LIBOR de 3 meses, que serve de referência para o mercado, continua em patamares muito baixos. Ver gráfico abaixo.


Com as taxas tão baixas mundialmente e muito próximas de zero nos EUA, o consumidor voltou as compras. Vejam o gráfico abaixo, que mostra a confiança do consumidor americano (atendendo ao meu amigo Pesavento que apontou que eu deveria mostrar esse gráfico lá na área de comentários do post A Crise em Gráficos).


O resultado é um mercado de trabalho que mostra tímidos sinais de melhor, já que este segmento da economia em geral mostra movimentos defasados. Ou seja, primeiro há um aumento de produção, depois do emprego. Veja a taxa de desemprego americana e o número de empregos gerados:

Clique na figura para aumentar.


Essa recuperação vem sendo acompanhada de um aumento de produtividade, renda e consumo de bens duráveis:

Clique na figura para aumentar.

A retomada está em andamento. As bolsas estão se recuperando e colocando dinheiro de volta nos empty nests dos americanos,  a indústria está usando mais da sua capacidade instalada e nos últimos 6 trimestres a economia americana tem crescido. Pouco, e certamente muito menos do que os milhões de americanos desempregados gostariam, mas é um crescimento de cerca de 3%.

No topo, o índice S&P 500. cique na imagem para aumentar o tamanho.

Diante do ocorrido, podemos dizer que a recuperação está em curso.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sobre Jogos de Azar no Brasil


No post A Las Vegas dos Sertões eu comentei o fato de que os jogos de azar só são legais no Brasil se forem da Caixa Econômica Federal. Ou seja, é um monopólio. Agora leiam a notícia do Lauro Jardim em seu Radar on-line:

"...a Record se movimenta para se aproximar dos clubes: numa parceria com a Caixa Capitalização (subsidiária da CEF), a emissora do bispo Edir Macedo vai lançar em março um título de capitalização chamado É Gol, uma espécie de “Telesena do futebol”, com sorteios semanais transmitidos pela TV. Dezessete grandes times já fecharam acordo para integrar a promoção. Pelo contrato, 30% do valor arrecadado irá para os clubes."


Enquanto isso a CEF injetará 10 bilhões de reais no Banco Panamericano (AQUI), de Sílvio Santos, dono da Tele Sena verdadeira. Que é o que mesmo? Exato, um jogo de azar disfarçado de título de capitalização, tal como será proposto pela Record.

Leiam abaixo a descrição no site da Tele Sena:

A Tele Sena é um título de capitalização de pagamento único, lançado em novembro de 1991 pela Liderança Capitalização S/A. O consumidor adquire este produto pagando R$ 6,00, e após um ano, pode resgatar 50% do valor pago mais juros e correção monetária.

Ou seja, o Banco Central permite que os bancos criem jogos de azar, desde que sejam chamados de títulos de capitalização. Como fazer isso? Simples, se o preço da aposta é de 3 reais, basta eu criar um título de "descapitalização", vender por 6 reais e devolvo os outros 3 no ano seguinte. Ah sim, eu pago um jurinho porque eu sou legal, né?

É mole ou quer mais?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Diminuido Search Costs


Uma das atividades mais constantes na vida de um americano que trabalha e precisa viajar é procurar passagens de avião na internet. Existem várias empresas para cada trecho (muito diferente daqui do Brasil, não é mesmo?) e vários horários e preços diferentes. Além disso, sempre vale a pena dar uma olhada no preço dos trens.

Daí surgiram os sites que buscam passagens na internet. Expedia, Orbitz, Priceline, etc. A idéia básica é montar um software que faça a busca em várias empresas simultaneamente.


Com o tempo, esses sites começaram a se tornar um grande business, já que uma boa parte das passagens é vendida deste modo. Uma empresa aérea que não fornece os seus preços, ou não tem convênio de reserva de assentos, certamente está perdendo uma fatia do mercado.

Agora, este mercado de busca também vai ficar mais competitivo. Diante de tantas taxas de embarque e bagagens diferentes, as buscas ficaram mais complexas. Ás vezes uma empresa tem um preço 50 dólares mais baixo, mas cobra por uma bagagem extra.

Quem você acha que vai entrar nesse mercado que está em constante mudança? Exato, o Google! A empresa quer investir forte nesse business de search de passagens aéreas. Mais do que isso, as próprias empresas querem ajudar a melhorar os sistemas, tento mais liberdade para alterar preços e também pedir "ratings" como acontece com os livros da Amazon, para expor sua qualidade.

Acho esse mercado interessantíssimo. Analisar a redução dos custos de procura é meio complicado, mas certamente o consumidor sai ganhando.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Las Vegas dos Sertões


No Brasil, as casas de jogos são ilegais. Bem, a não ser que sejam do governo. O Estado brasileiro tem o monopólio do jogo no Brasil, através da Caixa Econômica Federal.

Eu ligo a TV e o jornal mostra os apostadores sonhando com a grana da Mega Sena. Eu ligo rádio e sou avisado que a Timemania agora tem dois sorteios semanais. Não faltam opções de jogos divertidos criados pelo governo.


A indústria do jogo gera milhões. O mais engraçado, ou triste, é que ninguém, nem nenhuma instituição, defende a liberalização dos jogos no Brasil. Imagine um mercado onde cada empresa ofereceria um jogo diferente. Você poderia ter regras claras e os consumidores se sentiriam atraídos aos jogos de maior credibilidade, sem ter que se esconder da polícia atrás de prédios com comércio de fachada.

O jogo do bicho sairia da sua ilegalidade de séculos. Seria o Jogo do Brasileiro.

Mais do que isso. Poderíamos fazer um experimento. Poderíamos liberar o jogo só no Nordeste, no interior dos estados mais pobres. Construiríamos a Las Vegas do Sertão. Hotéis, cassinos, casas de shows, etc.

Mas não. O Estado quer tudo para ele. E não me venham com argumentos de que o jogo gera violência, porque o jogo ilegal gera ainda mais violência. Fora todos os empregos gerados e impostos que poderiam ser arrecadados.

Enfim, pensem nisso: A Las Vegas dos Sertões!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Uma Nova Proposta para o Salário Mínimo


Apesar dos esforços econômicos e dos avanços significativos obtidos com as políticas que conduziram à estabilidade de preços e à distribuição de renda, via programas sociais, nos últimos 16 anos, a desigualdade ainda persiste no Brasil. Nosso país ainda precisa avançar muito na composição de políticas econômicas e sociais que atendam ao objetivo de melhorar a vida dos brasileiros de forma perene.

Um tipo de desigualdade que continua presente em nossa sociedade está relacionada à determinação do salário mínimo. No Brasil, o valor do salário mínimo é determinado pelo Executivo. Na verdade, o valor é fixado no orçamento, pelo governo, quando pode, então, passar por alterações, no Congresso, e, por fim, novamente ser alterado pelo Executivo, caso discorde das mudanças promovidas pelo Legislativo.

O salário mínimo serve de base para qualquer contrato no mercado de trabalho. Nenhum trabalhador, independentemente da região, área rural ou urbana, poderá receber menos do que o mínimo estabelecido pelo governo. Ademais, este salário também serve de indexador para outros contratos de trabalho e para o nível básico das aposentadorias do INSS. Mais, o mínimo afeta a folha de pagamento de todos os estados e municípios brasileiros, de modo que os reajustes promovidos conduzem a custos fiscais elevados, a depender da decisão do governo federal e do Legislativo, evidentemente, uma vez que se pode dizer que é uma decisão conjunta. Isto é, discordâncias (como está havendo neste momento), entre Executivo e Legislativo, levam à necessidade de veto ao valor fixado no orçamento e à edição de uma MP para fixar o valor desejado pelo governo, conduzindo a uma negociação política a ser decidida pela resultante destas forças.

Um problema claro na determinação de um salário mínimo nacional é não levar em conta as diferentes realidades regionais, tanto de renda quanto de nível de preços. Por exemplo, uma prefeitura que tem poucas receitas locais pode ter dificuldades em pagar um salário mínimo muito alto, enquanto prefeituras com mais recursos são pouco afetadas pelo mínimo nacional. Este tipo de política, portanto, ajuda a manter os níveis de renda equiparados entre as prefeituras do país, mas cria problemas fiscais para as menores. Quando o salário mínimo federal aumenta, ele eleva os gastos dos estados ricos e pobres de forma desproporcional. Muitos estados e municípios ficam engessados, com uma folha inchada.

Um segundo problema está relacionado ao fato de que o salário mínimo nacional não leva em conta as desigualdades no nível de preços. Usando os dados da cesta básica do Dieese, podemos fazer comparações simples. A cesta básica, em São Paulo, custava R$ 265,15 em dezembro de 2010. Este valor era de R$ 175,88 em Aracaju. Uma diferença de 50,75%. Isto somente para alimentação. Ou seja, o poder de compra de um indivíduo que recebe o mesmo salário mínimo e que, por hipótese, consuma a grande maioria dos bens componentes da cesta básica, é muito maior em Aracaju do que em São Paulo.

Finalmente, devemos levar em conta os efeitos microeconômicos sobre a oferta e demanda por trabalho em cada região. Certamente, alguns trabalhadores de Aracaju estariam dispostos a trabalhar formalmente por um valor inferior ao mínimo. Mas, talvez, o salário mínimo não afete muito o equilíbrio entre oferta e demanda em São Paulo. Como resultado, o mercado de trabalho estaria equilibrado em São Paulo, mas haveria um excesso de oferta de trabalho em Aracaju. Evidentemente, seria razoável supor que também um piso faria todo sentido em Aracaju, mas muito provavelmente ele não seria, em um ambiente com regras regionais, e não nacionais, idêntico ao de São Paulo.

Uma política mais eficiente seria levar estas desigualdades regionais em consideração. A nossa proposta, então, seria a de criação de um salário mínimo regional, determinado pelos estados. Cada estado elaboraria sua própria política salarial, levando-se em conta as desigualdades de renda. Isto já acontece, parcialmente. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo, possuem mínimos regionais acima do piso nacional. Em São Paulo, existem, inclusive, diferentes faixas salariais de acordo com a profissão. O que não acontece é uma mudança no sentido contrário, ou seja, um salário regional abaixo do nacional.

Este tipo de política permitiria uma separação dos problemas gerados pelo salário mínimo nacional: elevados custos para os estados/municípios pobres, desigualdade do poder de compra e efeitos de oferta e demanda no mercado de trabalho.

Ao primeiro olhar, pode-se pensar que esta política exacerbaria as desigualdades regionais, já que provavelmente o mínimo de São Paulo seria (e de fato é) maior do que o de Aracaju, escolhendo duas cidades como exemplos práticos para que diferenças bastante evidentes possam ser colocadas em destaque nesta breve análise. Mas, as pessoas se esquecem das desigualdades de poder de compra. Este é o ponto fundamental. Um aluguel é muito maior em São Paulo do que em Aracaju, e o mesmo vale para a Cesta Básica, como vimos anteriormente. Sem mencionar que, efetivamente, municípios mais pobres, sob a nova regra regional, passariam a ter maior disponibilidade de receitas para gastar em outros programas, que não no pagamento de salários, muitas vezes sem sentido e totalmente alheio à realidade da média da população local. Em outras palavras, a população mais pobre poderia ser beneficia com programas de investimento em educação, transferência direta de renda e outros tantos que poderíamos gastar mais outros milhões de caracteres para descrever!

Esta política regional possibilitaria uma maior organização das finanças públicas de estados e municípios, que poderiam investir mais em serviços públicos e, ao mesmo tempo, permitiria um equilíbrio mais próximo do equilíbrio de mercado em cada um dos mercados de trabalho locais.

Cristiano M. Costa (http://www.cristianomcosta.com)
Felipe Salto (http://www.blogdosalto.blogspot.com)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os 12,000 do Dow Jones


Na quinta-feira o índice Dow Jones ultrapassou os 12,000 pontos. O gráfico abaixo (feito via NYT) mostra a importância histórica desta marca. A bolsa americana mostra uma recuperação. O Dow já está acima do nível anterior a Setembro de 2008, quando o Lehman Brothers quebrou.

Índice Dow Jone (clique na imagem para ampliar)

Nos últimos 12 meses a alta é de 20,77%. Mas ainda está abaixo dos 14,000 de Outubro de 2007.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Refri de Maconha


Na semana passada uma das manchetes da Folha trazia o anúncio do lançamento do refrigerante de maconha, o Cann Cola. O refri será vendido no estado do Colorado, onde o uso da maconha é permitido para fins medicinais.

Eu estive no Colorado no ano passado, e fui até a cidade de Boulder. Se você procurar na Wikipedia sobre Boulder você descobrirá que a cidade é a mais liberal do Colorado, que os habitantes gostam de chamar a cidade de People's Republic of Boulder, que foi a primeira a proibir o fumo em bares, que é uma das cidades com a população mais saudável dos EUA apesar de ter uma das maiores diversidades de comida do país, que possui uma das 2 universidades budistas dos EUA, e que possui várias "farmácias" para comprar maconha.

Boulder, Colorado - EUA.

O debate sobre a liberalização da maconha é polêmico. Ele não pode ser discutido separadamente de um outro tema, a produção da maconha. O consumo em larga escala certamente incentivaria a produção em larga escala. Talvez a qualidade aumentasse, talvez os traficantes perdessem todo o seu lucro, etc. Mas também muitos cérebros poderiam ser perdidos, o preço dos alimentos poderia subir, etc.

As conseqüências sociais e econômicas da liberalização da maconha em um país tão desigual quanto o Brasil ou os EUA são difíceis de prever. Talvez por isso essa discussão seja tão interessante.

Segundo a Folha:

O criador do "Canna Cola" é o empresário Clay Butler, que assegura que nunca fumou maconha e que elaborou a bebida por "acreditar que os adultos têm o direito de pensar, comer, fumar, ingerir ou vestir o que quiserem", disse em entrevista à publicação "Santa Cruz Sentinel".


Mas, nós economistas sabemos que não é bem assim. Que o direito de uma pessoa vai até onde termina o de outra. E foi por esse motivo que Boulder foi a primeira cidade a proibir o fumo em bares.

A questão da liberalização da maconha é um tema muito interessante para aulas de economia. A discussão envolve vários conceitos sociais e econômicos como: liberdade, externalidades, lucratividade, combate ao crime, preço dos alimentos, comércio internacional, fiscalização, receita de impostos, etc.

Fica aí a dica de tema para a sala de aula, ou para aquela sua roda de discussão que sempre acontece no seu barzinho depois dos jogos de futebol dos campeonatos regionais.

PS: Este tema foi sugerido pelo meu grande amigo Cadu, leitor assíduo deste blog.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Inside Job


Fiquei preso nos EUA por causa da nevasca que varreu a costa leste e o centro do país. Mas, consegui pegar um vôo pra Houston e chegar ao Rio de Janeiro.

No caminho assisti a um excelente filme. O nome é "Inside Job". O filme é um documentário sobre a crise financeira. Interessantíssimo. O filme explica a crise direitinho, desde os primórdios da desregulação bancária ao aumento da alavancagem, até o surgimento dos CDOs e CDSs. O filme retrata muito bem as conexões entres os policy makers e seus passados no mercado financeiro.

O filme coloca os entrevistados em situações difíceis, em que muitos deles ficam sem respostas. Eu recomendo para todos os estudantes de economia, da graduação ao doutorado. Desde os que vão estudar finanças até os que estudam teoria política.

Já perto do final, o filme põe em xeque a questão do conflito de interesses entre acadêmicos e o sistema financeiro. Muitos acadêmicos aparecem recebendo dinheiro para escrever artigos que dão subsídios a instrumentos financeiros complexos e decisões equivocadas.

O filme é muito bom. Escancara o baixo nível ético de muitos acadêmicos de renome. A academia precisa desse debate sobre ética. O Edward Glaeser tentou iniciar esse debate (AQUI), e também teve uma sessão sobre o assunto no encontro da AEA.

Segundo Ed Glaeser:

"The film “Inside Job” raised disturbing questions about whether economists who regularly wrote or opined on various policy debates failed to report relevant background information, such as board memberships or consulting arrangements. The accusations are serious, and it seems clear that the profession has been carelessly cavalier about conflicts of interest."

Segue o trailer do filme: