O estado brasileiro não cumpriu a meta fiscal de 2010. De acordo com o O Globo:
O resultado primário, que mede a diferença entre receitas e despesas do governo, excluindo as financeiras, ficou em 101,7 bilhões de reais, ou 2,78 por cento do PIB, no ano. O saldo foi melhor do que os 2,03 por cento do PIB apurado em 2009, quando a crise financeira reduziu as receitas tributárias, mas foi o segundo pior da série, iniciada em 2001.
Excelente. Saímos do pior resultado fiscal em 9 anos, para o segundo pior.
Mas, o mais interessante é o modo como o Tesouro Nacional teima em apresentar este resultado. Eu certamente prefiro o resultado nominal. Receita menos despesa e pronto. Certamente chegaremos ao tamanho do deficit real.
Mas, vamos dar uma chance e usar o conceito primário, que faz algum sentido se o objetivo é analisar a sustentabiliade da dívida pública. Então temos esse resultado do parágrafo acima.
Acontece que os nossos políticos e condutores da política econômica gostam de tapar o sol com a peneira, como se as pessoas que tomam decisões financeiras fossem estúpidas. O truque consiste em diminuir as despesas para aumentar o valor do superávit primário. E Voilà! Chegamos nos 3,1% que era a nossa meta!
Quanto foi preciso abater? Poxa, muito simples.
Apenas para efeitos de considerar cumprida a meta fiscal de 3,1 por cento em 2010, o governo abateve das contas 11,7 bilhões de reais em gastos do Programa de Aceleração do Crescimento -equivalentes a 0,32 por cento do PIB.
Excelente! Meta cumprida!
PS: Não faça isso com o seu orçamento doméstico.


















