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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Meta Fiscal Cumprida! #NOT


O estado brasileiro não cumpriu a meta fiscal de 2010. De acordo com o O Globo:

O resultado primário, que mede a diferença entre receitas e despesas do governo, excluindo as financeiras, ficou em 101,7 bilhões de reais, ou 2,78 por cento do PIB, no ano. O saldo foi melhor do que os 2,03 por cento do PIB apurado em 2009, quando a crise financeira reduziu as receitas tributárias, mas foi o segundo pior da série, iniciada em 2001.

Excelente. Saímos do pior resultado fiscal em 9 anos, para o segundo pior.


Mas, o mais interessante é o modo como o Tesouro Nacional teima em apresentar este resultado. Eu certamente prefiro o resultado nominal. Receita menos despesa e pronto. Certamente chegaremos ao tamanho do deficit real.

Mas, vamos dar uma chance e usar o conceito primário, que faz algum sentido se o objetivo é analisar a sustentabiliade da dívida pública. Então temos esse resultado do parágrafo acima.

Acontece que os nossos políticos e condutores da política econômica gostam de tapar o sol com a peneira, como se as pessoas que tomam decisões financeiras fossem estúpidas. O truque consiste em diminuir as despesas para aumentar o valor do superávit primário. E Voilà! Chegamos nos 3,1% que era a nossa meta!

Quanto foi preciso abater? Poxa, muito simples.

Apenas para efeitos de considerar cumprida a meta fiscal de 3,1 por cento em 2010, o governo abateve das contas 11,7 bilhões de reais em gastos do Programa de Aceleração do Crescimento -equivalentes a 0,32 por cento do PIB.

Excelente! Meta cumprida!

PS: Não faça isso com o seu orçamento doméstico.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trabalho e Frio


Os dias que passamos aqui na Philadelphia foram muito produtivos em termos de pesquisa. Mas, também encaramos muito frio e paisagens bonitas.

Bruno, Daniel e Cristiano.



Obviamente, não poderíamos voltar para Vitória sem antes passar para comer um churrasco na Fogo de Chão.

Bruno, Daniel, Luciana e Cristiano.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sem Voltar ao Passado


Sem disposição para fazer o ajuste fiscal, a equipe econômica decidiu que o melhor para o desenvolvimento do país é a adoção de (mais) políticas protecionistas. Segundo as notícias (AQUI, por exemplo) o governo está querendo aumentar ainda mais os impostos sobre produtos importados (além dos que já elevou recentemente, AQUI).

O governo quer que o brasileiro importe menos produtos considerados "supérfluos" ou "desnecessários". Neste sentido, o governo entende que uma boa medida para conter a valorização do Real é aumentar o imposto de importação que incide sobre bebidas, tabaco, móveis e perfumaria, por exemplo.

É um bom começo (sic). Depois basta taxar todos os outros 99% dos bens que compões a pauta de importações brasileiras. Na verdade, o governo pode fazer "melhor". Pode proibir totalmente a importação. Daí as ruas do Rio de Janeiro voltariam a ficar como esta foto abaixo, cheias de carros de origem totalmente nacional (Fuscas e Brasílias). Seria uma volta ao passado.


Eu não sei porque, mas este anúncio não me surpreende. A intenção é sempre a mesma, proteger a indústria nacional da competição externa. Diminuir impostos, reduzir custos de transporte, reformar as leis trabalhistas, ou ainda aumentar a produtividade dos trabalhadores e do capital das firmas brasileiras são alternativas distantes da cabeça dos economistas no governo.

Todas estas medidas requerem desgaste político, trabalho, e, principalmente, conhecimento.

Eles não conseguem entender que a importação é algo saudável, que força as firmas nacionais a se modernizarem e que propicia o acesso a bens de capital mais produtivos.

A equipe econômica tem que deixar de ser refém de setores industriais e usar os conhecimentos básicos de economia em favor do desenvolvimento de longo prazo.

Chega de medidas estúpidas para proteger este ou aquele setor. Chega de paliativos para intervir no câmbio. É hora de atacar a reforma fiscal e a redução de gastos públicos, esses sim supérfluos e desnecessários. Aumentar os impostos não pode ser sempre a única alternativa.

Não queremos uma volta ao passado!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Revelação Nacional: FUCAPE


Um escola que se destacou na avaliação do MEC e que não posso deixar de comentar aqui no blog foi a FUCAPE Business School.

A FUCAPE Business School ficou em décimo lugar no país inteiro. Somente 25 instituições obtiveram conceito máximo, nota 5. E no critério contínuo, a FUCAPE obteve um IGC de 431, ficando na frente de escolas de muito prestígio no país, como a EBAPE, IBMEC-RJ, UFRGS, UFRJ e o IME.

Eu entrevistei o Prof. Arilton Teixeira, Diretor Acadêmico da FUCAPE. Segue abaixo as respostas.

1) Como são estruturados o cursos da FUCAPE?

Primeiro, os cursos da Fucape tem um núcleo básico em comum (2 primeiros anos). O objetivo é fazer com que os alunos de administração, contábeis e economia sejam capazes de entender os 3 grandes segmentos da empresa a que fazem parte e que são responsáveis pelo planejamento e a tomada de decisão. A geração interna de informações (contábeis), a correlação destas informações com o mercado (economia) e a tomada de decisão (administração). É necessário integrar estas três áreas para que, independentemente do que você vier a fazer dentro da empresa, você saiba e entenda o funcionamento da instituição onde você trabalha. Além disto, você é capaz de entender as informações que chegam até você e como elas foram geradas.

2) Qual o perfil do aluno da FUCAPE?

O aluno da Fucape está preparado para analisar informações e tomar decisões. Para tanto ele tem uma forte formação teórica e de instrumental para análise de dados. Em síntese, ele é capaz de usar os conhecimentos teóricos para que, com as informações disponíveis, tome decisões dentro da empresa. O lado interessante disto é que a forte formação teórica também pode ser usada para dar seqüência a uma carreira acadêmica que sempre demanda bastante conhecimento teórico.

3) Quais as áreas (ADM, ECON, CONT) mais procuradas pelos alunos?

Administração é o curso mais demandado, depois vem economia e contábeis. Devemos enfatizar aqui que o fato de termos um básico de 2 anos, onde o aluno tem contato com várias disciplinas das diferentes áreas, também é saudável para facilitar os alunos a decidirem qual o curso eles querem seguir. Na prática, nossos alunos só tem que fazer escolha pela área (administração, contábeis e economia) a partir do 5 período, quando o básico acaba.

4) Qual o destino (bancos, setor privado, mestrado, etc.) que estes alunos tomam?

Nossos alunos tem diferentes destinos o que indica a flexibilidade e a qualidade do nosso treinamento, gerando alunos aptos a trabalhar em diferentes ambientes. Nossos principais destinos até o momento são no setor privado: os grandes bancos, grandes empresas, empresas familiares, etc. A busca pelo mestrado/doutorado também deve ser lembrada.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Acordo com o Dragão


Está rolando na imprensa um boato de que o BC teria feito um acordo com a Fazenda para que o ajuste da SELIC não passe de 1,5% em 2011 (AQUI). Seria o acordo com o Dragão da Inflação. Se hoje a previsão de inflação para 2011 já passa de 5,5%. Imagine se esse tipo de notícia não é desmentida rapidamente. Junte a isso um choque de oferta e pronto, o Dragão desperta.


Não existe saída. O ajuste fiscal é a única opção. Mas lá se vão 25 dias e nada da equipe econômica apresentar as medidas. Não haverá política monetária suficiente se a política fiscal não funcionar. A questão é saber quanto tempo vão demorar pra anunciar as medidas. Se é que vão anunciar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Excelência Nacional da EBEF


A Escola Brasileira de Economia e Finanças (EBEF) foi a primeira colocada no ranking de instituições recém divulgado pelo Ministério da Educação. O ranking leva em conta vários aspectos, incluindo o desempenho dos alunos. Note que o ranking é entre as instituições de várias áreas diferentes. Veja o ranking AQUI. A EBEF é a escola de graduação da FGV-Rio, também sede da EPGE. A EBEF superou instituições muito tradicionais como o IME, ITA, UFRJ, entre outras.

Eu tive a oportunidade de entrevistar o Prof. Afonso Arinos Neto, Coordenador do Curso de Bacharelado em Economia da EBEF. Segue a entrevista abaixo.

1) Como é estruturado o curso de Economia da EBEF?

O curso é comprometido com uma abordagem analítica da economia, construída na tradição moderna da metodologia científica que é adotada nos programas de pós-graduação de excelência do Brasil e do exterior. A matemática e a estatística são instrumentos essenciais para a aquisição desse conhecimento assim como a história e as outras ciências sociais são importantes na definição de questões e como contraponto metodológico. Por isso o curso inicia, nos primeiros dois anos, com disciplinas de fundamentação quantitativa e de introdução aos temas das ciências sociais, que acompanham o ensino dos princípios e modelos da análise microeconômica e macroeconômica. Nos dois anos finais há cursos obrigatórios sobre as áreas tradicionais da análise econômica (investimentos, finanças públicas, comércio internacional, desenvolvimento econômico, etc), que incorporam os conhecimentos atualizados mais úteis do ponto de vista aplicado. Há também muitas opções de cursos eletivos, divididos em três áreas de ênfase temática, Finanças, Política Econômica e Mercados e Contratos, que servem para orientar as preferências ou vocações profissionais dos alunos.

2) Qual o perfil do aluno que da EBEF?

Buscamos atrair alunos dispostos a fazer um esforço sério para desenvolver conhecimentos profundos sobre a economia e suas aplicações. O aprendizado da economia com base em metodologia analítica e quantitativa exige mais dedicação do que lições descritivas ou factuais de eventos ligados à vida econômica. O curso requer um esforço metódico de treinamento em análises quantitativas, equivalente ao exigido nas áreas de formação tecnológica. Por outro lado, o curso também requer o envolvimento em leituras críticas e no debate aprofundado de questões de áreas afins das ciências sociais, em que se pretende desenvolver as capacidades de exposição oral e escrita dos alunos. Queremos um profissional treinado a formular, estudar e resolver problemas novos, com base em princípios econômicos sólidos e familiaridade com os números. Nosso formando deve poder assimilar rapidamente a realidade econômica de uma nova função, e não poderá ser preterido por egressos de outras áreas tecnológicas, como engenharia, por exemplo, com base na aptidão técnica em funções típicas de um economista profissional.


3) Quais as áreas mais procuradas pelos alunos?

As áreas que podemos distinguir são as áreas de concentração temática em que dividimos as disciplinas optativas: Finanças, Política Econômica (mais voltadas para análise macroeconômica) e Mercados e Contratos (mais voltadas para análise microeconômica). Os alunos costumam dedicar-se a duas das áreas, sendo que a área de Finanças é a opção mais comum como uma delas.


4) Qual o destino (bancos, setor privado, mestrado, etc.) que estes alunos tomam?

De acordo com os dados de dezembro de 2010, as ocupações identificadas dos egressos se dividiam entre as frações de 58% de empregados no setor privado, incluindo setor financeiro, 8% de empregados no setor público e 34% envolvidos em estudos de pós-graduação nos níveis de mestrado ou doutorado.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Curta o Blog no Facebook


O blog agora tem uma nova interface de comunicação. É a página do blog no Facebook. Se você já é usuário do Facebook você poderá acompanhar os novos posts e comentários dos leitores direto na sua página do Facebook.

Para ter acesso basta "Curtir" ou "Like" a página do blog no Facebook.

Como fazer isto?

Basta procurar pela janelinha do Facebook ali na barra lateral do blog onde diz "Curta o Blog no Facebook" e clicar no botãozinho que diz "Like".

Ou ainda, você pode simplesmente clicar AQUI e depois se logar no Facebook.

Vai lá, põe o seu "polegar pra cima" e fique sabendo de tudo que rola aqui no blog!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Parada Musical Estratégica


Hoje o dia está sendo de bastante trabalho e pesquisa. Tudo ao som de um dos CDs ao vivo (e duplo!) mais legais que eu já comprei (sim eu ainda compro CDs): Jackson Five Live at Forum.



Sonzera live e remasterizada pela própria Motown! Bom demais! Grande compra.
Recomendado a todos que gostam de R&B e blues.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nova SELIC: 11,25%


Estou viajando, mas vi que o BC aumentou a SELIC para 11,25%. Acho que o BC poderia ter sido um pouco mais ousado, dado o aumento de preços das commodities e dos alimentos e diversas situações climáticas (secas no sul, chuvas no sudeste, etc.).

O mercado já precificava esse aumento de 0,5 e mesmo assim prevê inflação acima de 5%, ou seja, muito próximo do teto da meta.

Mas esta é só a opinião deste blogueiro...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Efeitos Microeconômicos do Bolsa Família


Do Ministério do Desenvolvimento Social:

O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza. O Bolsa Família atende mais de 12 milhões de famílias em todo território nacional. A depender da renda familiar por pessoa (limitada a R$ 140), do número e da idade dos filhos, o valor do benefício recebido pela família pode variar entre R$ 22 a R$ 200.

Da Lei:
A concessão dos benefícios dependerá do cumprimento, no que couber, de condicionalidades relativas ao exame pré-natal, ao acompanhamento nutricional, ao acompanhamento de saúde, à freqüência escolar de 85% (oitenta e cinco por cento) em estabelecimento de ensino regular, sem prejuízo de outras previstas em regulamento.

O programa é desenhado com o objetivo de transferir renda aos mais pobres e que possuam filhos em idade escolar. O princípio é simples, você transfere a renda para incentivar a pessoa a manter os filhos na escola e fazer acompanhamento de saúde.

Entretanto, para ser beneficiária do programa a família deve comprovar que a renda da família não ultrapassa R$ 140 por pessoa. Note que um pai de família que tem carteira assinada com 1 salário mínimo , esposa desempregada e 2 filhos com menos de 15 anos está em uma família com renda per capita igual a R$ 540/4 = R$ 135 e poderia receber o benefício. Esta família receberia do programa um benefício total de R$ 44 (ver tabela AQUI).


Sim, eu sei. Quarenta e quatro Reais é muito pouco. Mas pode ser o suficiente para distorcer os incentivos daquele pai de família. O ponto principal é que dependendo da situação de emprego e do valor do benefício, o pai pode ter incentivo a abandonar o emprego e viver de renda informal.

O efeito é similar ao efeito do Seguro Desemprego. Uma vez segurado, o trabalhador tem menos estímulos a ser assíduo no emprego, se esforçar, etc. O resultado surge porque o trabalhador olha para o custo de oportunidade do seu tempo.

Vamos fazer as contas. Se para ganhar um salário mínimo ele trabalha 40 horas semanais, ele pode fazer o seguinte. Ele fica desempregado, e a renda familiar passa a ser zero. Ele então muda de categoria no Bolsa Família e passa a receber R$ 112 por mês. Ele abre uma barraquinha de camelô e trabalha até conseguir R$ 433. Pronto, ele está R$ 1 mais rico, e os contribuintes R$ 68 (= R$ 112 - R$44) mais pobres. Isso, sem levar em conta que ele pode ganhar os R$ 433 sem trabalhar as 40 horas semanais exigidas na CLT.

Por mais racional e calculista que possa parecer a estratégia descrita acima, é bem assim que as pessoas se comportam. Com o mínimo de incentivo elas tendem a buscar uma situação de mínimo esforço e máxima remuneração. Ele olhará para o custo de oportunidade: quanto eu ganharia se estivesse no programa e fora do emprego?

É assim que funciona. O Estadão trouxe um estudo do IPEA sobre o assunto:

“A inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado formal, quando existe, é bastante precária. Menos de um ano depois da contratação, metade dos beneficiários é desligada, 30% perderão seus empregos em menos de seis meses. Fora do mercado de trabalho, menos de 25% são recontratados nos quatro anos seguintes”, resume estudo de Alexandre Leichsenring, doutor em estatística e consultor do Ministério do Desenvolvimento Social.

Esta é a evidência empírica do cálculo mencionado acima. Até o mais pobre dos brasileiros entende um dos conceitos econômicos mais básicos: o custo de oportunidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FUCAPE é Top 10!


É com grande satisfação que ontem recebemos aqui na FUCAPE o resultado do Índice Geral de Cursos, medida criada pelo MEC para avaliar a qualdiade geral (graduação e pós-graduação) das instituições de ensino superior no país.

Do site do INEP/MEC:

O Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) é um indicador de qualidade de instituições de educação superior, que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado). No que se refere à graduação, é utilizado o CPC (conceito preliminar de curso) e, no que se refere à pós-graduação, é utilizada a Nota Capes. O resultado final está em valores contínuos (que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5).


Clique para aumentar a figura.

A FUCAPE Business School ficou em décimo lugar no país inteiro! Somente 25 instituições obtiveram conceito máximo, nota 5. E no critério contínuo, a FUCAPE obteve um IGC de 431, ficando na frente de escolas de muito prestígio no país, como a EBAPE, IBMEC-RJ, UFRGS, UFRJ e o IME!

Note que este indicador é da instituição como um todo e no ES somos os primeiros!

Estamos muito contentes e eu gostaria de dar os meus parabéns a todos professores, alunos e funcionários que contribuiram para essa grande conquista no triênio 2007-2009! Parabéns!

PS: Os resultados estão disponíveis en Excel na página do INEP/MEC. Segue o link AQUI.

PS: Na mídia aparecemos já AQUI na Gazeta Online e AQUI no Último Segundo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sobre Tomadas, Lâmpadas e Liberdade



Do Canal Rural:

As lâmpadas incandescentes comuns serão retiradas do mercado paulatinamente até 2016. Portaria interministerial de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio regulamentando a retirada foi publicada no Diário Oficial da União. A finalidade é que elas sejam substituídas por versões mais econômicas.


Está em curso oficial o banimento das lâmpadas incandescentes do mercado brasileiro. Segundo a portaria, houve uma consulta na internet e audiências públicas sobre o assunto. Me desculpem, mas não fiquei sabendo. Mais ainda, o consumidor que tem acesso a internet é totalmente viesado.

Outro caso que não fui consultado foi o da mudança das tomadas, para as tomadas do tipo "Lula", com três pinos. Obviamente, os pinos são em formato e tamanho diferentes do padrâo americano para mostrarmos nossa soberania (sic). Resultado? Uma indústria de adaptadores.

O mais engraçado é que não há nenhuma reação da sociedade civil à esse tipo de comportamento do Governo. Não ouvimos nenhum intelectual renomado ou instituição que defende os direitos dos consumidores contra esse tipo de imposição.

Eu entendo que no caso da tomada existe a questão da segurança, e no caso da lâmpada incandescentes o consumo é muito alto. Mas, notem que nenhuma decisão olhou para o preço desses produtos. Em nenhum momento esse ponto é trazido ao debate, sob o argumento que no longo prazo o custo se justifica.

É óbvio que usar uma lâmpada CFL gera menor consumo e a conta de energia cai. Mas e aí? A pessoa tem que ter o direito de ela mesma fazer essa conta e tomar essa decisão! Não precisa que o Estado chegue pra ela e diga:

- Agora você vai usar calça jeans, porque dura mais!

Nenhum produto pode sofrer esse tipo de banimento. E os fabricante que tem capital instalado? E os revendedores? E, principalmente, os consumidores! Muitos gostam da luminozidade da lâmpada incandescente. Outros não tem grana para comprar a CFL, pois não tem a verba para uma lâmpada tão cara. O consumidor tem que ter o direito de escolher.

O direito de escolha é uma liberdade. Cada vez que abrimos mão do nosso direito de escolha, abrimos mão da nossa liberdade.

O governo americano impôs uma política semelhante. E advinhem? Lá existe oposição. Da Fortune:

Congressman Joe Barton (R-Texas) is steamed about government intrusion. "Washington is making too many decisions," he said recently. Rush Limbaugh is fuming too: "These ... SOBs are trying to take over every aspect of our lives," he raged.

Além da questão da liberdade tem todo o aspecto econômico. As pessoas não estão dispostas a gastar com lâmpadas CFL quando a sua conta bancária está apertada (ainda da Fortune):

The irony is that sales of CFLs have fallen 31% since 2007, due to the recession, the longer life of the new bulbs, and the decision of Wal-Mart (WMT), which controls about 41% of the market, to stop aggressively promoting them. (When contacted, a Wal-Mart spokesman said the company had "nothing to contribute to this story.") Maybe Barton should simply rely on the good old free market.

O governo não deveria intervir desta forma na vida do cidadão comum. Alguma chance que o velho e bom livre mercado possa resolver essa questão, levando-se em conta os efeitos positivos da redução de consumo de energia da lâmpadas CFL? Talvez não, dada a externalidade. Mas que tal o governo subsidiar a produção de lâmpadas CFL aqui no Brasil?

Bem, isso também vai acontecer (da Gazetaweb):

A indústria pretende passar a produzir as novas lâmpadas, que hoje são todas importadas. E acredita que, com mais oferta, o preço pode cair: “Os preços devem baixar por conta dos incentivos na hora da produção local”, diz o diretor-técnico da Abilux Isac Roizenblatt.

Ou seja, o mercado local mal consegue produzir aos preços caros, imagine ao preço inferior que incentive as pessoas a comprar CFL ao invés da incandescente.

Pra que uma lei banindo a lâmpada incandescente?
Resposta: Para obrigar as pessoas a fazerem o que o governo quer.

Pense nisso! O próximo passo será escolher a sua calça!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Falácia da Desindustrialização


O debate na mídia tem focado na chamada "Desindustrialização". O termo é usado por muitos para enfatizar a diminuição da participação da indústria no PIB. Vejam abaixo (da Exame)

“O país não pode se dar ao luxo de abrir mão de sua indústria na sua estratégia de desenvolvimento”, afirma o presidente da Fiesp Paulo Skaf. No fim dos anos 1980, a indústria de transformação representava 27% do PIB brasileiro. Hoje, baixou para 16%, calcula a Fiesp com base na nova metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia Estatísticas (IBGE), adotada a partir de 2007. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Eu não acho que esta seja uma boa medida de desindustrialização, porque você não deve olhar para o que é consumido. Você deve olhar para o que é produzido. Por quê? Porque quero saber se de fato a participação da Indústria (e não só a de transformação) está aumentando ou diminuindo entre os bens que o Brasil produz.

Peguei os dados das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE e calculei a participação de cada setor (agropecuária, indústria e serviços) no valor adicionado do Brasil. Veja o gráfico abaixo (clique na imagem para aumentar de tamanho).


Clique no gráfico para aumentar.

Os dados mostram que não existe tendência de diminuição da participação da indústria no Valor Adicionado. Ou seja, o debate não existe. É uma falácia criada pelos defensores do setor diante de um câmbio que não lhes é favorável.

A busca dos empresários deste setor é por um câmbio mais desvalorizado, que ajude a mascarar os custos enormes de mão-de-obra, infra-estrutura e tributários existentes no Brasil. Alterar o câmbio é a maneira mais fácil, mais conveniente. Não gera demandas políticas efetivas, como: redução de impostos e encargos trabalhistas, melhora da infra-estrutura, etc.

O empresário da indústria brasileira não quer competir com o coreano ou o chinês. Ele quer ser protegido do coreano e do chinês. Ele quer um câmbio manipulado. Para o lado dele, é claro. Quer também que os impostos sobre importação sejam altos, pra diminuir a competição. Vejam as datas que o presidente da FIESP usou em seu discurso: 1980 e 2010. Será que nada mudou em 30 anos? Será que em 1980 a indústria era de fato mais dinâmica, mais pujante, mais desenvolvida tecnologicamente? Será que o Brasil era um país melhor por causa disso?

A resposta é não. Essa bobagem da desindustrialização não é corroborada pelos dados. É a falácia da desindustrialização. E mesmo que existisse, isso seria um processo natural de desenvolvimento, em que países passam a consumir menos produtos industrializados e mais serviços (educação, saúde, etc.) e isso acaba se refletindo na produção e no valor adicionado.

O próximo passo, já que as medidas cambiais não vão surtir efeito, será a demanda por impostos de importação. A Míriam Leitão acaba de dar a notícia (AQUI).

É esperar para ver...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Objects in Mirror...


Quando eu vi a notícia de que o IPCA tinha fechado o ano em 5,91% a primeira frase que me veio à cabeça foi esta que está no retrovisor dos carros: "Objects in mirror are closer than they appear". Ou seja, a inflação de 2010 vai impactar o IPCA de 2011.


É este número que as centrais sindicais, aposentados, e outros grupos vão buscar em suas negociações. E estão certos. O grande problema da inflação alta é justamente essa retroalimentação do problema causada pela indexação.

Muitos acham que a indexação acabou porque ela não está presente nos contratos como antigamente, mas isso é um erro. As pessoas sabem o valor do dinheiro no tempo e levam esses números de períodos passados em conta na hora de reajustar o aluguel, contratos de trabalho, etc.

Veremos o que 2011 nos reserva...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sobre Economistas e Carecas


A minha vó viu essa foto na Zero Hora de terça-feira e guardou. Ontem (quarta) eu fui na casa dela e ela veio com a seguinte pérola:

Para ser um bom economista tem que ser careca? Tu tá quase lá, né?


Not funny grandma, not funny...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Diferente Vida no Brasil


A pergunta que eu tenho respondido com mais freqüência desde que cheguei ao Brasil no meio do ano é a seguinte: "Como está a sua readaptação ao Brasil?".

Eu costumo responder que está sendo boa, que eu sabia que algumas coisas eram piores, mas outras eram melhores, etc. No lado positivo eu cito a família, os amigos, etc. Em geral, como negativo eu cito a insegurança, os serviços, os programas de TV, etc, e, obviamente, o custo de certos produtos que eu consumo bastante.

Ontem um deles me chamou a atenção. A foto abaixo é de um desodorante chamado Ban, que eu costumava usar nos EUA em uma farmácia no Brasil. Não é nada demais, apenas é um dos mais populares, funciona, não mancha a roupa e sem perfume. Tudo que você espera de um desodorante. Preço: R$ 38,17. Sim, eu passei no leitor magnético para ver se não estava errado. É esse o preço.

Preço na farmácia brasileira


Já a foto abaixo é do mesmo desodorante (mesmo tamanho) na farmácia CVS, nos EUA. Preço em dólares: US$ 5,29. Ou ainda, em reais, R$ 9,00.

Preço na farmácia americana

Não irei criticar o preço da farmácia brasileira, pois assumo que o dono da farmácia conheça melhor do que eu a oferta e a demanda pelo Ban. Mas gostaria muito de saber qual o mark-up deste produto. Essa é somente uma das diferenças...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Regulação dos Aeroportos


Está em debate e deverá ser implementado o projeto de concessões dos aeroportos brasileiros. Basicamente, o governo, ou a Infraero, passaria o controle dos aeroportos ao setor privado durante um certo período de tempo, digamos 20 anos.

Do Globo
:

Uma das primeiras medidas da presidente Dilma Rousseff quando assumir o Planalto será aceitar a concessão privada de aeroportos. Dilma já bateu o martelo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a mudança, informa Ancelmo Gois na edição desta sexta-feira do jornal O Globo.

Jobim já apresentou decreto com modelo que prevê, entre outras coisas, um leque de opções de concessão, entre elas a por outorga, em que o valor pago seria destinado a um fundo para financiar os aeroportos deficitários e as malhas regionais de aviação sob administração do governo.


O mais interessante deste processo é que ele só se inicia agora, quando chegamos ao limite de nossa capacidade. Teve que ser provado na prática o que os livros-texto de economia já nos ensinam há muito tempo. Ou seja, o setor público não tem capacidade de prover todos os serviços que a população necessita com qualidade. Especialmente quando é muito fácil determinar o preço desse serviço, dar uma concessão e regular.

Mais ainda, o projeto é motivado pela Copa do Mundo e Olimpíadas, quando muitos estrangeiros virão ao país. Ou seja, temos que limpar a casa porque vamos receber visitas. Como temos que ser eficientes, é melhor deixar com quem entende disso, não é mesmo? É um desaforo com o povo brasileiro.

Aeroporto de Vitória, ES. (via Gazeta Online)

Antes tarde do que nunca. A melhor proposta que eu li foi lá em Maio de 2009, feita por dois economistas de reconhecida competência.

Entre os estudos, está a proposta de cisão da Infraero, que administra 67 aeroportos brasileiros, em subsidiárias que teriam seu capital aberto e, em uma etapa posterior, seriam privatizadas. O estudo sugere ainda que o governo faça antes disso uma reestruturação do marco regulatório do setor, consolidando regras que permitam uma competição efetiva, inclusive com a possibilidade de a iniciativa privada construir aeroportos.

De autoria dos pesquisadores Eduardo Fiúza, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e Heleno Pioner, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o trabalho traça uma extensa radiografia do setor aeroportuário brasileiro.


Mas não deve ser a medida tomada. Seria muito moderna e demoraria muito tempo. Temos que arrumar nossos aeroportos para as visitas. Tudo às pressas, a toque de caixa, cheio de MPs, etc. Bem, como as construtoras gostam...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Irrelevância da Balança Comercial


As notícias econômicas do dia versam sobre o resultado da balança comercial em 2010. Do Estadão:

A balança comercial de 2010 registrou um superávit de US$ 20,278 bilhões, com exportações de US$ 201,916 bilhões e importações de US$ US$ 181,638 bilhões. Tanto as exportações como as importações atingiram recorde histórico em 2010. Os recordes anteriores, tanto das vendas como das compras externas, eram referentes a 2008.

Os "advogados" da intervenção cambial já estão preparando os seus artigos para encherem as colunas dos jornais de amanhã. Desindustrialização, desmanche da indústria, etc, serão as expressões usadas.

Entretanto, o resultado da balança comercial é um dos menos importantes ao fazermos o balanço econômico de 2010. A balança não diz nada. Apenas que o Brasil exportou mais do que importou. A significância desse resultado, seja ele positivo ou negativo, é muito pequena, já que o Brasil é uma economia muito fechada (quando comparada as economias desenvolvidas: Alemanha, EUA, Japão, etc.) com grau de abertura próximo de 20% (AQUI)

Não se assuste se culparem o câmbio " valorizado". É sempre o vilão. É como se um bar vendesse pouco refrigerante e a resposta fosse o preço alto. Mas, esquecessem de olhar a venda de cerveja (conta capital). Sendo que nesse bar a cerveja e o refrigerante têm o mesmo preço.

O resultado da balança tem pouca importância. O que será importante em 2011 não será o câmbio, a balança, as contas externas, etc. O grande X da questão será a condução da política fiscal. Mas aguarde, vão focar nas coisas irrelevantes.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Força da Economia Americana


Os EUA estavam no pico do mundo em 2007 e no centro do furacão em 2008. Hoje, entre as economias industrializadas, o PIB americano é o que está mais próximo de retomar ao patamar pré-crise. O país está somente 0,6% abaixo do pico. As economias da Alemanha (-1,8%) e da França (-1,9%) vem em seguida.

A força da economia america está representada neste gráfico do NYT:

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Uma possível interpretação é de que o gráfico de baixo representa a força da economia do país como um todo (setor privado e público) e o gráfico de cima mostra a força do setor privado. Note que os dois mercados financeiros que estão mais próximos da recuperação são os da Alemanha e Inglaterra. Duas economias abertas e que incentivam a economia de mercado. Obviamente, seguidas pelos EUA. Na França, Itália e Japão os mercados de ações ainda seguem distantes de seus melhores dias.

O gráfico do NYT ainda mostra os problemas de Grécia, Irlanda e da Espanha. Países que combinaram a crise financeira com fortes crises fiscais. O tombo da Irlanda é gigante (-12,8%). Se comparado com  a distância dos EUA com o seu próprio pico (-0,6%) dá para se ter uma idéia da força da economia americana, apesar de todos os seus problemas fiscais.

A perspectiva é de que a economia americana volte a crescer outros 3% em 2011. Esse percentual será suficiente para mover o mundo. Esta é a força da economia americana.