Eu não gosto das músicas do Caetano Veloso. Não tenho nada contra ele, só acho as músicas meio sem graça. Mas respeito quem gosta. Ele teve a sua época e agora está em outra praia e tal. Mas, eu não compraria um CD do Caetano (em geral, essa é a minha medida de quanto eu gosto de um músico).
Pra ser sincero (como diz a música do Engenheiros), eu não gosto muito de artistas que usam a sua popularidade para fazer política ou promover outras causas. Eu respeito e até entendo, só não gosto. É o meu jeito. Acho que artista tem que fazer arte e ponto. Enquanto isso o médico cuida do paciente, o taxista dirige o taxi, etc. Ado, a-ado, cada um no seu quadrado! (como diz a música do Kibeloco).
Concordo que a pessoa tem liberdade de dizer o que quiser. Só não gosto dessa situação de saída proposital do quadrado. Eu também tenho liberdade de não gostar, correto?
O Caetano é o caso típico de quem sai do seu quadrado. Vira e mexe ele resolve soltar uma. A última foi sobre a meia-entrada. Segue um trecho do publicado no Estadão:
"Acho que se tem meia, tem que cobrar, mesmo que todos paguem, sou contra isso." O cantor espera que diminua o número de carteiras falsas de estudantes e não concorda com os produtores que elevam os preços para compensar o risco de ter quase que só vendas de meias-entradas. "Existem mil possibilidades, não sei..." E brincou: Eu só pago meia, porque sou idoso. Vou com meu filho de 11 anos e compro duas meias e não entro na fila."
A opinião é interessante. Ele concorda com o subsídio aos jovens e idosos (inclusive faz uso dele). Mas ele quer que as firmas que produzem os eventos tenham prejuízo. Acho que ele não entendeu a idéia do subsídio. A meia-entrada serve para subsidiar crianças, universitários e idosos e o custo é pago pelos consumidores "não-crianças", "não-universitários" e "não-idosos". Essa é a lógica. Se ele tivesse feito Micro I entenderia isso facilmente.
Poxa, se você não compreende um princípio econômico básico, por que fazer um comentário sobre economia? Imagine que agora eu vou começar a escrever aqui no blog sobre quão boa ou ruim são as harmonias ou arranjos de músicas sem entender nada do assunto? Ok, estaria usando minha liberdade de opinião e tal...mas qual a finalidade?
Na verdade o efeito seria nulo, já que eu não sou popular. Mas, o fato de artistas usarem a popularidade para ganhar espaço e falar de qualquer assunto (em especial economia) é uma coisa que realmente acho "xarope" - como diz o meu pai.
PS: Ok, exagerei com o Caetano. Tá tranquilo ele falar da meia-entrada. Só queria dizer que ele não entende nada de subsídio cruzado.
Post originalmente publicado em 26 de Novembro de 2008.





2 comentários:
Muito bem focado: "...[Caetano]teve a sua época...".
O difícil é saber se ele responde porque perguntam. E se quem pergunta acha que ele entende de tudo. Ou, se ele, de alguma forma, induz a que o vejam assim, como um oráculo.
Ou seja, de repente podem pedir que ele analise a exploração do pré-sal no Brasil, considerando a crise da Zona do Euro na Europa.
A única certeza é que se perguntarem, ele responderá.
Cristiano, mesmo que o Caetano não tivesse comentado este absurdo, eu já concordaria com vc. E acho que MUITA gente não entende o conceito de subsídio. Já ouvi coisas como "acho que as passagem de ônibus [urbano] deveriam ser gratuitas".
Gostaria muito de ver um texto seu sobre uma coisa que entendo ser subsídio inter geracional: o consumo de bens não renováveis (como petróleo). Isso não poderia, no limite, reduzir o crescimento econômico das futuras gerações?
Abs,
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