Ads 468x60px

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mensagem de Final de Ano


Caros amigos e leitores,

gostaria de agradecer a todos que acessaram e comentaram aqui no blog ao longo do ano. Foram 266 posts, o ano que eu menos postei nestes quase três anos de blog. Mesmo assim vocês visitaram o blog mais do que nunca.

DSC_0058

O blog inicia 2011 com cerca de 5 mil hits e quase 7 mil page views mensais. São cerca de 250 seguidores via RSS Feeds e outros 100 no Twitter. O blog levou o Prêmio Top Blog 2010 na base do voto e para manter a qualidade do blog prometo que vou me dedicar um pouco mais e quem sabe voltar ao ritmo de 2009.

Gostaria de deixar aqui o meus votos de um bom final de ano e muita saúde a todos os leitores do blog e amigos blogueiros. Tenho certeza que 2011 vai ser um grande ano para todos nós.

Abraço e Feliz 2011,
Cristiano

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Esporte, Renda e Tecnologia


O assunto aqui em Porto Alegre é o possível retorno de Ronaldinho Gaúcho. O assunto é polêmico mesmo entre os gremistas. Eu mesmo não tenho a convicção de que seria um bom investimento para o time dentro das 4 linhas. Mas, o eventual aumento da exposição do clube, da busca por investidores, do aumento do número de sócios, etc. Faz com que o investimento me pareça atrativo/lucrativo.


Se ele virá? Não se sabe ao certo. A transação depende de um rompimento de contrato que só termina em Junho e de uma liberação sem ressarcimento ao AC Milan. Me parece muito improvável. Mas, no mundo da bola...

Surgirá efeito dentro de campo? Também não sabemos. Mas, Adriano, Robinho, Ronaldo, jogadores de maior destaque no exterior, voltaram e deram títulos expressivos aos seus clubes dentro de campo.

O efeito econômico não pode ser desprezado, na medida que ele transborda as quatro linhas e altera as finanças do clube. Receitas com direitos de imagens, publicidade estática, bilheteria, quadro social, etc, poderão ser reivestidas no próprio futebol.

O clube estaria comprando uma fonte inesgotável de receitas. Esta semana mesmo saiu um artigo no NYT que se referia a um paper publicado na AER por Sherwin Rosen (U Chicago) na década de 80 sobre a "Economia das Estrelas" .

O artigo versa sobre como as mudanças no business do entretenimento, incluindo esportes, aumentaria dramaticamente os salários dos artistas, atletas, etc. Essa mudança ocorreu em vários esportes, aumentando receitas, salários, despesas e lucros. O mundo do entretenimento deixava o amadorismo das décadas de 50 a 70 e entrava no mundo do business.

Coincidentemente, ontem assisti a um documentário sobre a liga australiana de rúgbi que contava como o esporte e a própria liga mudara duranta a década de 80 quando as empresas de cigarro entraram forte no patrocínio. Para, depois, perder parte dessa receita com as mudanças sociais que eliminariam o cigarro de eventos esportivos.

Na discussão ficava claro o aumento dos salários dos "craques", fenômeno que aconteceu em todos os esportes de massa. O esporte virara business, e como tal deveria remunerar aqueles que geram mais valor. Dentro ou fora de campo.

O artigo da AER cita Alfred Marshall (Princípios de Economia):

The relative fall in the incomes to be
earned by moderate ability.. . is accentuated
by the rise in those that are
obtained by many men of extraordinary
ability. There never was a time
at which moderately good oil paintings
sold more cheaply than now, and . . . at
which first-rate paintings sold so dearly.

Segundo Marshall, o fenômeno tinha como causa o aumento da renda/riqueza e as mudanças tecnológicas que permitiram que o entretenimento alcançasse maiores  públicos e demandas. Ele estava certo. O mundo da bola também evoluiu. A próxima década promete telas em 3D, Arena no Humaitá e muito mais. E é também a renda e os contratos milhonários que fazem os "Neymares" surgirem. O capitalismo se baseia no America Dream/ American Nighmare (como dizia o Victor Rios-Rull). 

Que Marshall esteja certo. Que volte para casa o mais destacado filho da Dona Miguelina e que continue a inspirar outros meninos desse rincão.

Mas, se ele não vier agora não tem problema. Já mexeu com os brios dos torcedores e com os cofres do Tricolor.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Happy Holidays


Caros amigos, colegas e leitores,

gostaria de desejar um feliz final de ano a todos vocês!
Quero aproveitar também para agradecer a todos vocês
que mesmo sem saber/querer tornaram o meu 2010 um ano maravilhoso!

Abraço,
Cristiano

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ditaduras e Monopólios


Enquanto o povo vai comprando presentes com o décimo terceiro, o Governo vai articulando as suas barbaridades políticas (aumento de salário) e econômicas.

As duas mais recentes, e que chamaram a minha atenção, foram a ditadura das barracas e cadeiras vermelhas no Rio de Janeiro e a fusão da Bom Gosto com a LeitBom (que certamente contará com apoio do CADE e futuramente com o financiamento do BNDES). Primeiro a ditadura depois o monoólio. Vamos lá.

Segundo o presidente da Pró-Rio (via O Globo Online):

- Fizemos uma parceira com a marca Itaipava, que forneceu o kit com 30 guarda-sóis, 60 cadeiras, duas caixas de isotérmicos e a tenda para cada um dos 897 barraqueiros cadastrados da Zona Sul ao Recreio. Se fosse tirar do seu bolso, este material custaria R$ 9 mil para cada dono de barraca. A marca fez a doação na cor vermelha - disse Juarez, acrescentando que o barraqueiro não é obrigado aceitar a doação.

Só que o seu Juarez se esqueceu que os barraqueiros sempre existiram e já tinham as barracas e cadeiras. Agoram leiam essa parte:

Já a Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) informou que a cor vermelha das cadeiras e guarda-sóis foi estabelecida através de uma resolução publicada no dia 15 deste mês. A intenção da medida é reorganizar o comércio dos barraqueiros nas praias. Dessa maneira, segundo a Seop, fica mais fácil o trabalho da fiscalização.

Sensacional! Para facilitar (sic!) a fiscalização você impõe a mesma cor para todas as barracas e cadeira da orla. Grande idéia! Vai facilitar muito! Crachá nem pensar né? E deixa eu ver se eu entendi, vai poder vender Skol e outras marcas de dentro do isopor da Itaipava? Algum carioca aí na orla pra me responder?

E o caso da fusão? É daquelas notícias que ficam lá no cantinho do jornal. Segue da Folha:

A Bom Gosto e a LeitBom anunciaram nesta quarta-feira a fusão das duas empresas, dando origem à LBR, Lácteos Brasil, que ambas anunciam como a maior empresa nacional de laticínios. Segundo o comunicado, a companhia terá faturamento de anual de cerca de R$ 3 bilhões e captação anual de mais de 2 bilhões de litros de leite.

O novo conglomerado reunirá marcas como Parmalat, LeitBom, Paulista, Poços de Caldas, Glória, Boa Nata, Bom Gosto, Líder, Cedrense, DaMatta, São Gabriel, Sarita, Corlac e Ibituruna.

De acordo com as companhias, a fusão permitirá ainda que a LBR chegue ao mercado em condições de competir internacionalmente no setor.


É a velha idéia de constituir grandes empresas (monopolistas) nacionais para competir no mercado internacional. Alguém aí quer adivinhar qual vai ser a decisão do CADE neste novo negócio?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Incertezas Econômicas para 2011


O clima de final de festa pós-eleitoral não esconde as incertezas com relação às perspectivas econômicas para o Brasil em 2011. O país certamente continuará sua trajetória de crescimento acelerado, mas a grande dúvida está na condução da política fiscal.

A inflação já demonstra seus primeiros sinais de aceleração. Aqui no Centro de Estudos e Análises Econômicas da FUCAPE Business School (CEAE-FUCAPE) nós trabalhamos com um cenário de uma elevação da taxa de juros SELIC já no início de 2011.

Assumindo-se que o Banco Central siga este caminho, a maior fonte de incerteza estará na condução dos gastos públicos. De nada adiantará uma elevação da taxa de juros se o Governo (em todas as suas esferas) seguir gastando mais do que arrecada, elevando a participação do setor público na economia e aumentando seus gastos permanentes. Ainda não sabemos como será a condução da política fiscal sob a presidência de Dilma Rousseff. Entretanto, tudo indica que será uma continuidade da atual.

Uma política fiscal mais conservadora seria o recomendado diante das incertezas vindas da Europa e das políticas monetárias dos EUA e da China. O Real deverá permanecer forte em 2011, mas as crises das dívidas de países europeus podem levar ao aumento da aversão ao risco do investidor internacional. Neste tipo de cenário os investimentos estrangeiros no Brasil tendem a diminuir.

Estas incertezas externas aliadas a um movimento de elevação das taxas de juros deveriam ser acompanhadas de uma redução no ritmo de crescimento das despesas públicas, para que o setor privado tivesse mais espaço no mercado de crédito e para que a taxa básica não precisasse subir tanto. O mercado já trabalha com uma perspectiva de taxa de juros de cerca de 12,25% a.a. para janeiro de 2012, o que implica uma elevação de 1,50 p.p. na taxa Selic atual. Este número revela a perspectiva de um cenário econômico aquecido em 2011, mas também reflete a incerteza sobre a condução da política fiscal.

A poupança feita pelo governo para pagar os juros da dívida, o superávit primário, caiu fortemente em outubro e hoje corresponde a 2,99% do PIB, abaixo dos 3,5% estabelecidos como objetivo. A definição da política fiscal está no centro das atenções do mercado e da população no início de 2011. Uma redução dos gastos públicos poderia resultar em um 2011 muito tranqüilo (forte crescimento e baixa inflação) para os brasileiros. Resta saber o que a nova equipe econômica fará.

PS: Este texto foi escrito dia 1/12/10 e publicado no Guia da Praia do Canto em sua versão impressa.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Google NGram: Inflação e Desemprego


O Google lançou uma ferramenta que permite ao leitor buscar por palavras em milhares de livros ao longo do tempo. Vejam abaixo como fica um gráfico do uso das palavras inflação e desemprego entre 1850 e 2008.

Clique no gráfico para aumentar.

Eu achei muito legal. O que você achou?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Primeiro Lugar!


Caros leitores,

foi com muita alegria e felicidade que ontem recebi o Prêmio Top Blog 2010 na categoria Economia! O blog ficou em primeiro lugar no Júri Popular e em segundo no Júri Acadêmico (atrás do Radar Econômico). Gostaria de agradecer a todos que votaram e me ajudaram de uma forma ou de outra ao longo desses quase 3 anos de blog!




Valeu galera! E parabéns a todos os outros blogs que participaram!

PS: Quem levou a Scooter OK foi o Urublog. Parabéns ao pessoal do Mengão!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Entrega do Prêmio Top Blog 2010


Aêe Pessoal! É hoje a entrega do Prêmio Top Blog 2010. Graças a vocês estou concorrendo em duas categorias: melhor blog de Economia (Juri Acadêmico) e melhor blog de Economia (Juri Popular).

Vou twittar os acontecimentos (com fotos) do evento durante a premiação.
Para acompanhar é só conferir lá o Twitter oficial do blog:

A concorrência é forte! Mas vamos com tudo!
Mais uma vez obrigado pelos votos de todos vocês


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Preparatório ANPEC 2012


Eis que é publicada a maior coletânea de livros preparatórios para o exame da ANPEC. Fica aí a dica para os alunos que desejam fazer mestrado nas melhores escolas de economia no país. É a série Questões ANPEC. Os livros trazem a resolução detalhada de todas as questões desde 2002, incluindo o Exame ANPEC 2011. Clique na foto para entrar no site da Elsevier.



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Senhora Protecionismo


Quando falta assunto pra postar eu procuro por notícias da economia Argentina. Sempre tem uma maluquice interessante acontecendo por lá. Agora é essa (via Estadão):

A ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi, pediu às empresas importadoras de automóveis que implementem uma redução significativa das compras de veículos provenientes de fora da zona do Mercosul. A ministra - chamada ironicamente de "Senhora Protecionismo" - indicou que as empresas terão que reduzir em 20% as operações de importação de automóveis de fora do bloco do Cone Sul.

Vejam a intenção da ministra: "equilibrar a balança comercial com terceiros países e avançar na integração da cadeia automotiva na esfera regional, de modo a aprofundar o setor de autopeças argentino e brasileiro". Sensacional, heih? Será que a ministra vai ser chamada para a FIESP?

Débora Giorgi

O mais engraçado é que esses dias mesmo foi dada a seguinte notícia (via Agência Estado):

... o Brasil e mais dez países irão assinar na quarta-feira, em Foz do Iguaçu, um acordo para redução das tarifas de importação praticadas nas trocas de mercadorias entre si. Trata-se do protocolo final da Rodada São Paulo do Sistema Global de Preferências Comerciais entre Países em Desenvolvimento (SGPC), que prevê a redução em 20% das alíquotas de importação de 70% dos produtos negociados dentro do grupo composto pelos países do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, Índia, Indonésia, Malásia, Coreia do Sul, Egito, Marrocos e Cuba.

Brilhante, de um lado você reduz impostos em uma tentativa real de abrir o país, tornar a economia mais competitiva, etc. De outro você força os seus consumidores a comprar do país que você escolhe. Ou seja, mesmo se um carro for mais barato na Coréia, o ideal é comprar do Brasil. Cada maluquice que me aparece.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Economia Extrovertida


Vejam esta questão de História que eu achei neste site AQUI:

Sobre a maior mobilidade espacial dos habitantes de São Paulo, no século XVII, Sérgio Buarque de Holanda escreveu, em O EXTREMO OESTE: "Apartados das grandes linhas naturais de comunicação com o Reino e sem condições para desenvolver de imediato um tipo de economia extrovertida [para o exterior], que torne compensadora a introdução de africanos, [os paulistas] devem contentar-se com as possibilidades mais modestas que proporciona o nativo, o negro da terra, como sem malícia costumam dizer, e é para ir buscá-lo que correm o sertão." Comente e interprete este texto.

Interessante, não? Eu nunca havia encontrado este termo. Mas parece que ele é bem comum em aulas de história e geografia de ensino fundamental pelo Brasil. No meu dicionário de português Priberam diz o seguinte:

extrovertido
(particípio de extroverter)
adj. s. m.
1. Psicol. Que ou quem tem tendência de dirigir para o exterior a sua atenção e as suas emoções.
adj.
2. Que se extroverteu.

Já no Michaelis do UOL diz:

extrovertido
ex.tro.ver.ti.do
adj (part de extroverter) Psicol Que se expande para fora de si; sociável, comunicativo. sm Indivíduo cuja atenção e interesses são dirigidos total ou predominantemente para os valores fora do seu eu. Antôn: introvertido.

Interessante o uso de um adjetivo de psicologia em um termo econômico. Não seria mais fácil usar economia aberta? Vai saber...


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Faca na Goela


O Felipe Salto, forte concorrente meu na premiação Top Blog 2010, vai direto ao ponto e coloca a faca na goela do Governo. Ele aponta os malabarismos numéricos na avaliação do PAC.

O link para o post do Felipe está AQUI.


PISA 2009: Matemática


Nesta semana que passou saiu o resultado do PISA 2009. O PISA é uma avaliação internacional da educação. Os dados da prova de matemática mostram o desastre da educação no Brasil.

- Entre 66 países o Brasil ficou na posição 58.

- A média dos países da OCDE é 496, a nota dos estudantes brasileiros foi 386.

- O Brasil está 1/2 desvio-padrão atrás do Azerbaijão e da Bulgária.

- O Brasil está um desvio-padrão atrás de Portugal, Itália e EUA, que também estão abaixo da média.

- O Brasil está mais de 2 desvios-padrão atrás dos alunos de Shanghai, primeiros do ranking.

Os dados do PISA estão disponíveis AQUI.

A realidade é que enquanto os nossos alunos vão à escola com mais freqüência do que no passado, e também completam o ensino fundamental e médico com maior freqüência do que as gerações passadas, os alunos brasileiros são analfabetos funcionais em termos de conhecimentos de matemática.



É uma triste realidade.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Estado da Macroeconomia


PS: Este post foi originalmente escrito em 22 de Setembro de 2009.

O Professor Kocherlakota, de Minnesota, escreveu um artigo sobre o estado atual da Macroeconomia. Segue AQUI o link.

Os principais pontos são os seguintes:

1) Macroeconomistas não ignoram heterogeneidades;
2) Macroeconomistas não ignoram fricções;
3) Modelos macroeconômicos não ignoram possíveis limitações de racionalidade;
4) Modelos macroeconômicos incorporam o papel de políticas públicas;
5) Macroeconomistas usam calibração e econometria;
6) A separação água doce vs. água salgada não existe mais;
7) As pesquisas têm se concentrado mais nas conseqüências dos choques do que nas suas causas;
8) Modelos com mercados financeiros e bancos ainda estão em desenvolvimento;
9) Macroeconomia é mais matemática e menos conversa;
10) Os livros de Princípios Básicos de Macroeconomia não representam bem a área.

Achei todos os pontos muito interessantes. Para uma leitura completa do artigo clique AQUI.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quanto Vale... a Sua Vida?


PS: Esse post foi escrito originalmente em 4 de Dezembro de 2008.

Vou contar uma história que é conhecida entre os meus ex-colegas de EPGE. No primeiro dia de aula, entramos na sala e o professor começa a falar sobre princípios econômicos. Depois de uns vinte minutos ele aborda o tema "valor". Ele fala da relação entre valor e preço e descreve inúmeros exemplos. Lá pelas tantas, ele para de frente para uma aluna visitante. Era a Olga, que era russa e estava visitando mas falava português. O professor pergunta:

- Qual é o seu preço?

A Olga olha para os lados e todo mundo fica apreensivo (tinha gente ali que se ela dissesse menos de 200 reais já estava abrindo a carteira). O professor repete a pergunta:

- Qual o seu preço? Se eu quiser comprar você, quanto custa?

Todo mundo cai na gargalhada e a russa sem entender nada. O professor insiste:

- Minha filha, tudo tem um preço. Deixa eu perguntar de outra forma e para outra pessoa.

O professor olha para o aluno do lado e pergunta:

- Meu caro, se a Olga fosse sua esposa e tivesse caído em um buraco na calçada e morrido, quando você pediria de intenização para a prefeitura?

O aluno fica pensativo (creio que louco pra dizer uns 200 reais) e diz que deve ser algo relacionado a renda que a Olga teria ao longo da vida, mais um valor monetário correspondente a desutilidade de viver sem a esposa (e provavelmente ter que arrumar outra). Mas, certamente é algo muito difícil de ser calculado.

Foi desse modo que acabamos aprendendo uma boa lição sobre o valor da vida. A primeira é que a nossa vida tem valor, e pode ser expresso em valores monetários. A segunda é que é muito difícil calcular esse número.

Me lembrei dessa história ao ler uma matéria que o Shikida colocou o link no De Gostibus e saiu no Herald Tribune. O governo britânico nega medicamentos aos seus cidadãos quando o custo é muito alto, mesmo que isso possa custar a vida do cidadão. É uma análise complicadíssima do ponto de vista filosófico, moral, social e humano.

Deixo AQUI o link para o post do Shikida, e de lá você chega na reportagem. Vale a leitura!


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quanto Vale o Seu Fígado?


OBS: O post abaixo foi escrito originalmente em 31 de Julho de 2008.

Eu já escrevi aqui sobre Quanto Vale o Seu Dedo. Desta vez o assunto é o seu fígado. A operação "Fura-fila" da Polícia Federal desmontou uma quadrilha que vendia lugares na fila de transplante de fígados. Preço estimado? Duzentos mil reais.

O valor não é bem o preço do fígado. Mas, de um lugar na fila de transplantes. O que não deixa de ser uma boa aproximação. Pode-se dizer, por exemplo, que o valor de um fígado é bem maior que de um dedo, como imaginaríamos.

É isso aí amiguinhos. Quando não há um mercado formal, e existe uma demanda que permite retornos altos, cria-se o mercado paralelo, negro ou ilegal .

Leia mais sobre a operação Fura-fila clicando AQUI.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Encontro da SBE


Pessoal, o blog ficará em marcha lenta nesses próximos dias. Estou indo para o encontro da SBE. Programei alguns posts antigos (lá de 2008) pra serem reeditados.

Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!
Lá tem vatapá..




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ela Vem Chegando...


Saiu o relatório FOCUS no dia 3/12. Fui dar uma olhada e confirmar as minhas expecttivas. A tendência é de alta da inflação. Em um mês aumentou em 0,47 p.p. a expectativa de inflação para 2010.

O mesmo aumento é de 0,21 p.p. para a inflação total de 2011. A expctativa é de que a inflação seja de 5,78% em 2010 e 5,20% em 2011. Aguentar 11,12% de inflação em 24 meses é muita coisa pro povo brasileiro. Só nos resta sambar ao som de Wilson Simonal...




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Alexandre Tombini


Semana passada foi anunciado o nome de Alexandre Tombini para o BC. Eu estava meio ocupado e não tive tempo de escrever sobre a indicação. O nome dele não estava nas listas feitas pelos maiores veículos de comunicação, mas o pessoal que eu conversei no mercado disse que era esperado.

Eu conhecia o nome dele mas confesso que não tinha muita informação sobre a sua capacidade técnica, que, ao que tudo indica, parece ser muito boa. Então resolvi fazer um apanhado geral do que eu li e relatar aqui para vocês para tentar montar o perfil do novo Presidente do BC.

Alexandre Tombini é gaúcho e colorado (ninguém é perfeito) e estudou no mesmo colégio que eu estudei por alguns anos, o colégio São Pedro de Porto Alegre. Lá no São Pedro, o forte era o Futsal e o Judô. Parece que o Tombini se destacava no Futsal.


Ele fez graduação na UnB e depois saiu do país pra fazer doutorado na University of Illinois. De acordo com a Exame:

Está em cargos públicos desde 1991, sendo coordenador da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, assessor especial da Casa Civil e representante do Brasil no FMI, de julho de 2001 até maio de 2005.

Foi diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central e de Estudos Especiais, e desde abril de 2006, exerce a atual função. Organizou e implementou o Departamento de Pesquisas, que foi responsável pela criação do sistema de metas de inflação.


Segundo a InfoMoney:

Antes de ingressar no Banco Central, o economista já havia participado do governo de Fernando Henrique Cardoso, como assessor especial da Câmara de Comércio Exterior da Casa Civil entre 1995 e 1998.



Tombini é o atual Diretor de Normas e Organização do Sistema Fianceiro do Banco Central e já participou de muitas decisões do COPOM. Segundo os economistas mais influentes e que o conhecem ele é um economista de primeira linha.

A grande dúvida então não seria a sua capacidade técnica, mas sim a sua habilidade de presidir politicamente uma instituição que tem que estar batendo de frente com o resto do governo 24 horas por dia.

O governo eleito bate na tecla da autonomia e a indicação de Tombini foi mais um passo nesta direção. Como eu já havia dito neste post AQUI, falar de autonomia é uma coisa, garantir a autonomia é outra. Mas, esse, no meu entender, já foi um passo importante.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Assumindo Responsabilidades


O cartoon abaixo reflete muito bem a mudança na visão de responsabilidades da sociedade brasileira.


Queixam-se os mais velhos de que as escolas públicas eram melhores no passado. Sim, essa é uma possibilidade. De fato, a carreira de professor não é a mais bem remunerada e reconhecida pela sociedade.

Mas será que parte dessa queda da qualidade não está relacionada ao modo como o brasileiro está assumindo, ou não, as suas responsabilidades? Sabemos que a entrada na mulher no mercado de trabalho e o aumento das horas trabalhadas dos homens acaba por deixar muitas crianças por horas a fio sem a presença dos pais. Mais trabalho é muito bom pois aumenta a renda do casal.

Talvez, nessa busca por recursos financeiros os pais estejam trocando a atenção e a responsabilidade de ajudar os filhos na escola, de cobrar que ele faça a lição de casa, que estude e etc, por algumas horas aos cuidados da babá, dos amigos ou do videogame. Obviamente, se o filho vai mal na escola a culpa não será deles, pois se matam trabalhando e "dão de tudo"!

Será que a sociedade atual não está com a síndrome do "a culpa é dele"? Sim, acabei de inventar essa síndrome, você nunca ouviu falar nela.

Na minha opinião, a transferência de responsabilidades é um dos maiores problemas sociais no Brasil. O filho vai mal na escola? Ah, a culpa é do professor. O professor não é bom? Ah, a culpa é do governo que paga mal os professores. O governo administra mal os recursos? Ah, a culpa é dos políticos! Esses vigaristas. Perguntinha: Em quem você votou para Deputado Estadual na última eleção?

Se você não assumir as suas responsabilidades, ninguém vai assumir por você!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Melhor Porque é Nosso


Durante o governo de Olívio Dutra no RS (1999-2003) foi criado o seguinte slogan para o Banrisul: "Melhor porque é nosso". Como todos sabem o gaúcho é muito bairrista, e obviamente aquele slogan fazia sentido na cabeça de alguns. E ainda faz! Vejam esse artigo AQUI.




Obviamente, trata-se de um raciocínio absurdo. Ou seja, algo que fosse "nosso" sempre seria melhor que algo "dos outros". Vira e mexe alguém ainda brinca comigo lembrando desse slogan porque eu sempre mencionava ele nos meus tempos de EPGE. Quando faltava o argumento eu falava isso e todo mundo caia na gargalhada. Em geral, era o fim (bem humorado) da discussão.

Tal raciocínio agora chega ao Senado Federal com uma rapidez espantosa. Vejam esta notícia do Estadão:

Com tramitação relâmpago no Senado, de cerca de 24 horas, os senadores aprovaram ontem o projeto de conversão à Medida Provisória (MP) 495, que favorece empresas nacionais nas licitações públicas. O projeto encaminhado à sanção presidencial estabelece uma margem de preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais, mesmo que custem até 25% a mais do que seus concorrentes estrangeiros.

Sensacional, não? É a reedição do "melhor porque é nosso" e ainda pago 25% a mais de tão melhor que é!