O assunto aqui em Porto Alegre é o possível retorno de Ronaldinho Gaúcho. O assunto é polêmico mesmo entre os gremistas. Eu mesmo não tenho a convicção de que seria um bom investimento para o time dentro das 4 linhas. Mas, o eventual aumento da exposição do clube, da busca por investidores, do aumento do número de sócios, etc. Faz com que o investimento me pareça atrativo/lucrativo.
Se ele virá? Não se sabe ao certo. A transação depende de um rompimento de contrato que só termina em Junho e de uma liberação sem ressarcimento ao AC Milan. Me parece muito improvável. Mas, no mundo da bola...
Surgirá efeito dentro de campo? Também não sabemos. Mas, Adriano, Robinho, Ronaldo, jogadores de maior destaque no exterior, voltaram e deram títulos expressivos aos seus clubes dentro de campo.
O efeito econômico não pode ser desprezado, na medida que ele transborda as quatro linhas e altera as finanças do clube. Receitas com direitos de imagens, publicidade estática, bilheteria, quadro social, etc, poderão ser reivestidas no próprio futebol.
O clube estaria comprando uma fonte inesgotável de receitas. Esta semana mesmo saiu
um artigo no NYT que se referia a
um paper publicado na AER por Sherwin Rosen (U Chicago) na década de 80 sobre a "Economia das Estrelas" .
O artigo versa sobre como as mudanças no business do entretenimento, incluindo esportes, aumentaria dramaticamente os salários dos artistas, atletas, etc. Essa mudança ocorreu em vários esportes, aumentando receitas, salários, despesas e lucros. O mundo do entretenimento deixava o amadorismo das décadas de 50 a 70 e entrava no mundo do business.
Coincidentemente, ontem assisti a um documentário sobre a liga australiana de rúgbi que contava como o esporte e a própria liga mudara duranta a década de 80 quando as empresas de cigarro entraram forte no patrocínio. Para, depois, perder parte dessa receita com as mudanças sociais que eliminariam o cigarro de eventos esportivos.
Na discussão ficava claro o aumento dos salários dos "craques", fenômeno que aconteceu em todos os esportes de massa. O esporte virara business, e como tal deveria remunerar aqueles que geram mais valor. Dentro ou fora de campo.
O artigo da AER cita Alfred Marshall (Princípios de Economia):
The relative fall in the incomes to be
earned by moderate ability.. . is accentuated
by the rise in those that are
obtained by many men of extraordinary
ability. There never was a time
at which moderately good oil paintings
sold more cheaply than now, and . . . at
which first-rate paintings sold so dearly.
Segundo Marshall, o fenômeno tinha como causa o aumento da renda/riqueza e as mudanças tecnológicas que permitiram que o entretenimento alcançasse maiores públicos e demandas. Ele estava certo. O mundo da bola também evoluiu. A próxima década promete telas em 3D, Arena no Humaitá e muito mais. E é também a renda e os contratos milhonários que fazem os "Neymares" surgirem. O capitalismo se baseia no America Dream/ American Nighmare (como dizia o Victor Rios-Rull).
Que Marshall esteja certo. Que volte para casa o mais destacado filho da Dona Miguelina e que continue a inspirar outros meninos desse rincão.
Mas, se ele não vier agora não tem problema. Já mexeu com os brios dos torcedores e com os cofres do Tricolor.