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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dívida Própria


Enquanto o Governo Federal libera todas as formas de financiamentos imobiliários a euforia é grande. Feirões e mais feirões agitam a vida dos consultores imobiliários, construtoras e trabalhadores da construção civil. É o sonho da casa própria se tornando realidade.

Quer dizer, o sonho da dívida própria. A grande maioria dos financiamentos é de longo prazo, e isso é bom. É uma evolução propiciada pela estabilidade econômica e pelo ganho de renda do brasileiro. Mas a pergunta é a seguinte: a estabilidade econômica é realmente uma conquista alcançada no Brasil? O que acontecerá quando a inflação subir só um pouquinho? E se o BC tiver que levar o juros para algo em torno de 20% a.a.? O que acontecerá com os financiamentos indexados por índices de preços ou atrelados à Selic?

Vamos dar uma olhada no caso dos financiamentos reajustados pelo INCC. Do Portal G1:

"Quem comprou na planta, quem fez cálculos para finalmente ter a casa própria, quem foi convencido pelo corretor, todos esses brasileiros estão diante de uma nova realidade: os reajustes. Nos imóveis e no material de construção, a inflação, aos poucos, está de volta. Especialmente nessa área, tão sensível aos brasileiros.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, alguns materiais têm subido bem acima da inflação: “O item que mais subiu foi o tijolo. Tijolo é o material de construção mais utilizado, mais universal e subiu 13% nos últimos 12 meses”, especifica o coordenador de análises econômicas da FGV Salomão Quadros."


Interessante, não? Aumenta a demanda por imóveis e toda a cadeia de bens relacionados (incluindo fretes, materiais e mão-de-obra) sobem junto. É a boa e velha lei da demanda. Mas, a oferta não consegue acompanhar. E o INCC? O INCC vai no embalo dos insumos. Vejam o caso desse cidadão (ainda do G1):

"O INCC corrige as prestações do apartamento que Paulo comprou em São Bernardo do Campo, Região Metropolitana de São Paulo. Em 2007, ele pagava parcelas de R$ 1.560. Agora, a prestação foi para R$ 1.940.O que mais o preocupa é o saldo devedor, que passou de R$ 189 mil para R$ 224 mil."

É o sonho da casa própria ou o sonho da dívida própria?


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pedágios e Duendes


As estradas pedagiadas de SP foram tema de discussão na entrevista do candidato do PSDB, José Serra, no programa Roda Viva da semana passada. Eu fui ler sobre o assunto e de acordo com o Estadão:

"Desde o início da privatização das rodovias de São Paulo, em 1998, foram instalados 112 pedágios nas estradas paulistas - o equivalente a uma praça nova a cada 40 dias. O Estado já tem mais pedágios do que todo o resto do Brasil. São 160 pontos de cobrança em vias estaduais e federais no território paulista, ante 113 no restante do País, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.

...(as estradas) ocupam as dez primeiras posições entre as melhores do País, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes. E são aprovadas por 93,6% dos usuários, de acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp)."


Aparentemente, não há discussão quanto a qualidade das estradas. Elas são muito boas. A controvérsia do pedágio paulista está no seu preço, ele seria muito elevado.

O caso do pedágio é interessante. O pedágio é basicamente um sistema que cobra mais impostos daqueles cidadãos que consomem mais serviço público. Por exemplo, uma pessoa que trabalha na cidade e usa o ônibus não paga pedágio. O caminhão que transporta carga pelo interior de SP paga pedágio.

Em tese, esse sistema de tributação é mais eficiente do que o sistema da partilha de custos. Ou seja, quando todos pagamos um ICMS mais elevado para financiar as rodovias. Uma crítica que pode ser feita é a de que o contribuinte acaba pagando mais de qualquer forma, já que o custo do pedágio é transferido para os produtos (que são transportados dentro do caminhão, por exemplo).

Entretanto, esse argumento é falso. O custo do pedágio é muito menor do que o custo de se andar em uma rodovia de baixa qualidade, sem acostamento, e cheia de buracos. No fim das contas, é economicamente preferível pagar caro e andar por uma rodovia de boa qualidade do que não pagar nada e perder cargas, atrasar a entrega ou ter um eixo de roda quebrado.

Por fim, os críticos diriam que o sistema poderia ser de partilha e com estradas de qualidade se a máquina pública funcionasse melhor e não houvessem desvios de verbas. Eu lhes pergunto: vocês acreditam em duendes?


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Renminbi!


O governo chinês anunciou a flexibilização do renminbi (ou, yuan). A moeda chinesa estava desvalorizada artificialmente para aumentar as exportações chinesas durante a crise. A flexibilização certamente implicará em uma valorização da moeda chinesa, aumentando as importações e dando maior poder de compra aos consumidores chineses.

Os mercados agradecem. A leitura inicial é de que a demanda chinesa por produtos estrangeiros irá impulsionar o comércio internacional. Um dos setores internos chineses que será beneficiado é o aéreo. Como o preço do combustível de aviação é cotado em dólares, uma valorização do yuan tende a tornar o combustível mais barato, reduzindo o custo das passagens aéreas em yuan. Outros setores trabalham com margens de lucro muito baixas e alta escala de produção. Estes certamente terão problemas.


A demanda chinesa por produtos americanos, europeus e brasileiros crescerá. Ao mesmo tempo, os produtos chineses se tornarão mais caros para os consumidores destas regiões. A questão é saber como a mudança cambial afetará o nível de preços nestes países que importam muitos produtos chineses. Essa questão não será problema para os EUA, mas pode ser para o Brasil.

Ao mesmo tempo, a desvalorização torna o salário do trabalhador chinês mais caro relativamente ao americano. Isso pode gerar mais empregos nos EUA e acelerar o processo de recuperação da maior economia do mundo. E isto seria bom para o mundo todo. Renminbi!


domingo, 20 de junho de 2010

Lei Seca: Resultados no RJ


Cerca de dois anos após a Lei Seca e do E-Book que fizemos sobre o assunto (veja AQUI), os resultados do ano passado no RJ são impressionantes (do O Globo Online):

"Um balanço divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde, no Rio, mostra que o número de mortes em acidentes caiu 32% nos 12 meses após o cerco aos que bebem e dirigem, em comparação com os 12 meses anteriores. A redução no Rio foi de 2.169 para 1.475 óbitos, a maior entre os 26 estados e o Distrito Federal."


Confira a matéria na íntegra clicando AQUI.


sábado, 19 de junho de 2010

Banda Larga Sem Fio


Da Folha Online:

"O número de acessos em alta velocidade à internet por dispositivos sem fio no Brasil superou o volume de acessos fixos pela primeira vez no primeiro trimestre deste ano, aponta um levantamento divulgado nesta sexta-feira (18)."


Não adianta, o futuro da conexão banda larga é sem fio. Eu cantei essa pedra AQUI.

Leia a reportagem da Folha clicando AQUI.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

De Olho Nela


Da Folha Online:

"O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) afirmou que, a despeito da reversão de parte dos estímulos econômicos introduzidos durante a crise financeira de 2008 e 2009, permanecem elevados os riscos para a inflação."

A preocupação está diretamente ligada ao esgotamento capacidade instalada. Enquanto a demanda segue forte, a oferta se move mais lentamente. O BC está de olho nela...


terça-feira, 15 de junho de 2010

O Futebol e os Americanos


E os americanos estão virando fãs do futebol (o soccer) mesmo. A última notícia é esta AQUI:

Sunday we reported that ESPN’s viewing numbers for the first five games of the tournament were double the number from four years ago. And now there’s more good news as the TV ratings and updated audience numbers for Saturday and Sunday’s matches add more ammunition to the argument that the 2010 World Cup is taking America by storm — especially when you consider that the England v USA game drew more viewers than each night of the first four games of the NBA Finals.

Plus, the England against USA match on ABC alone drew more viewers than every game of the 2010 Stanley Cup Final. And that was after the June 9 broadcast of the Stanley Cup Final on NBC was the most-watched NHL game in the United States in 36 years with 8.28 million viewers.


Mais do que isso, em um dos maiores bares da Philadelphia, o anúncio era que iam fechar a rua para ver o jogo contra a Inglaterra e as atividades começariam as 6:30 da matina!

Mas por que os americanos relutavam tanto em gostar de soccer? A resposta é simples. É um jogo que a Lei dos Grandes Números não vale. No baseball, no basquete e no football, os jogadores rebatem, arremessam, passam e correm muitas vezes por jogo. Portanto, em geral, vence o melhor time. O football é o que tem mais chance de uma zebra acontecer. Mas ainda são poucas.


Já no nosso futebol, um jogador dá somente dois ou três chutes a gol. E um time pode se defender o jogo inteiro e fazer um gol de escanteio no final. A Lei dos Grandes Números não atua com tanta força no soccer. Os americanos não gostam disso, porque as estatísticas não dizem muito no futebol. Elas não são significativas. É o único esporte coletivo que o time pode "jogar bem" e perder.

E por que o entusiasmo repentido então? Bem, primeiro eles estão com um time bom já faz um tempo. Descobriram que a ausência de lei dos grandes números pode jogar ao lado deles, já que eles são sempre os underdogs. Além disso, o crescimento da população latina está sendo muito importante na divulgação do futebol na América. Acho que foi esse o fator fundamental.

É isso meu caro, o futebol contagiou os americanos. Foi só botar um pouco de sangue latino e ter uma chancezinha de ganhar que ele já aprenderam a gostar do esporte mais popular do mundo.

Agora, dá pra eliminar essa tal de vuvuzela?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Contrariando Princípios


Você quer saber como contrariar todos os princípios de economia que você aprendeu nas aulas de micro e macroeconomia? Então leia essa matéria do NYT (em inglês) sobre a Coréia do Norte.

Basta clicar AQUI.

sábado, 12 de junho de 2010

The Boys Are Back In Town





Guess who just got back today?
Them wild-eyed boys that had been away
Haven't changed, haven't much to say
But man, I still think them cats are crazy

They were asking if you were around
How you was, where you could be found
Told them you were living downtown
Driving all the old men crazy

The boys are back in town (8X)

You know that chick that used to dance a lot
Every night she'd be on the floor shaking what she'd got
Man when I tell you she was cool, she was red hot
I mean she was steaming

And that time over at Johnny's place
Well this chick got up and she slapped Johnny's face
Man we just fell about the place
If that chick don't want to know, forget her

The boys are back in town (8X)

Friday night they'll be dressed to kill
Down at Dino's bar and grill
The drink will flow and blood will spill
And if the boys want to fight, you'd better let them

The boys are back in town (8X)

Spread the word around
The boys are back in town

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Blog Parado


Estou basicamente sem acesso a Internet.

Volto na segunda-feira, blogando diretamente de Porto Alegre!


sábado, 5 de junho de 2010

A Banda Larga


O governo federal quer ressucitar a Telebrás. O objetivo é criar uma empresa para ofertar serviços de Internet via banda larga (mais veloz) em mercados que o setor privado não tem interesse.

Uma maior inclusão digital é uma demanda que certamente o Brasil terá que atender em um futuro próximo. Mas, não estou certo de que a banda larga via cabos de fibra ótica seja o melhor opção.

A revolução digital que está para acontecer nos EUA é via spectro de freqüência. Em poucos meses o sistema de transmissão 3G ficará ultrapassado. A nova tecnologia será 4G, cerca de 3 vezes mais rápida que a 3G.

Com esta tecnologia seria muito mais fácil incluir pessoas na rede via aparelhos sem fio: smartphones, tablets, e outros aparelhos que têm um custo menor do que o do computador pessoal. Hoje em dia, um telefone comum tem acesso à Internet por cerca de 20 dólares mensais aqui nos EUA.

Eu vejo a tentativa de implantar a banda larga como um passo desnecessário. O futuro é wireless. É como se um sujeito que vive em um barraco de papelão tivesse que construir uma casa de madeira, mas em um tempo que o cimento já estivesse disponível e fosse mais eficiente no longo prazo.

A grande vantagem de um país ser atrasado economicamente é justamente poder pular etapas no processo de desenvolvimento. Pular diretamente para um sistema de transmissão wireless seria uma opção mais inteligente e que pouparia recursos no longo prazo (muito possivelmente recursos públicos).


quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Mercado e o Acaso


O Mercado
Aqui nos EUA o mercado secudário (objetos usados) é gigante e tem alta liquidez. Acabo de vender todos os meus móveis por basicamente 40% do preço que eu paguei. Sofá, mesa de jantar, mesa de estudo, estante, etc. Foi um baita negócio, dado que usei a maioria dos móveis por 2 anos. Da outra vez, quando saí do studio para meu apartamento atual, eu tinha vendido tudo também.

O Acaso
Esse final de semana fui para NY fazer as últimas compras e tive a maior dificuldade para achar um PS3 (meu sonho de consumo que virou meu presente de aniversário para "myself mesmo"). Rodei pelo templo do consumo e não achei. Nem na loja da própria SONY o videogame estava à venda. Tudo "sold out". Eis que resolvo entrar em um pequeno mall pra curtir um ar condicionado e dou de cara com uma loja que vende videogames e jogos usados. Comprei o modelo recondicionado que vem na caixa da própria SONY. Foi nessa mesma rede de lojas que eu havia comprado meu PS2, só que aqui em Philly. Não sei como eu havia esquecido dessa loja. Pronto, achei meu presente e ainda levei o FIFA 2010. Nada como o mercado secundário! Com um pouquinho de ajuda do acaso, é claro.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Gigantes e Tubarões


A correria está grande por aqui. Então, resolvi dar uma passada só pra deixar duas dicas de leitura.

A primeira dica de leitura é uma reportagem especial da The Economist sobre os gigantes do setor bancário nos mercados emergentes. Um dos artigos da reportagem de 18 páginas aponta, por exemplo, que o o Brasil é o país com maior equilíbrio entre os bancos privados nacionais, privados internacionais e públicos, em termos de ativo total. Um outro artigo aponta a importância do Brasil para o Santander. Recomendo fortemente a leitura. Clique AQUI para acessar (e não esqueça de clicar "next" quando chegar no fim da página).

A segunda dica é um artigo Bloomberg Businessweek (baseada em um livro) sobre os empréstimos de curtíssimo prazo (alguns dias) feitos aqui nos EUA. Empresas adiantam grana aos trabalhadores (como é feito com o dinheiro do décimo terceiro e do imposto de renda no Brasil) mas com um deságio enorme, ou, com uma taxa de juros astronômica. O negócio se tornou um mercado gigante nos últimos anos. Muitos perguntam porque as pessoas pagam essas taxas de juros bem acima das taxas mercado. A resposta passa por desiformação, falta de acesso ao mercado formal (bancos e financeiras), etc. Esse mercado foi muito criticado por explorar a situação de fragilidade financeira das pessoas mais humildes. Por isso, os empresário desse setor foram apelidados de Sharks. Obviamente, eles fizeram fortunas "completando esse mercado". Leia o artigo clicando AQUI.