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domingo, 30 de maio de 2010

O Custo da Burocracia Brasileira


Já diz o ditado americano: "time is money". Ou seja, perder tempo é perder dinheiro no mundo dos negócios. Obviamente, o Brasil é um dos campeões em arrumar formas de perder dinheiro. Com burocracia, então, somos imbatíveis.

Do Estadão:

"Uma pilha de 17 toneladas de papel é consumida todo ano no maior porto da América Latina - Santos - só para liberar a entrada e saída de navios. Cada embarcação exige 112 formulários, preenchidos em diversas vias, com 935 informações entregues em 6 órgãos diferentes. Agora imagine o mesmo processo em todos os 37 portos públicos do País, que respondem por 97% do comércio exterior brasileiro. É papel que não acaba mais. Não bastasse a questão ambiental, a burocracia põe o Brasil na 61ª pior posição no ranking de tempo para liberação de navios nos portos, com 5,8 dias."

Na Alemanha, o tempo médio é de 0,7 dias. Cada dia parado no porto custa algo entre 50 mil e 100 mil dólares para a empresa de transportes. Bem, não preciso fazer as contas para saber que é um caminhão de dinheiro.

Estou de mudança de volta para o Brasil em alguns dias. Meus livros e outros cacarecos vão de navio. Adivinhe? Esta semana vou perder um bom de tempo tirando cópias de documentos e cumprindo outros requerimentos da nossa burocracia nacional.

Desejem-me boa sorte.


sábado, 29 de maio de 2010

Gráficos Engraçados


Recebi de um amigo o link para um post muito bom no blog Pretinho Básico. O post tem vários gráficos engraçados. Confira um deles:



Veja os outros gráficos direto no site do Pretinho.
Basta clicar AQUI.


sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Erro de Newton


A Míriam Leitão postou em seu blog o caso de um senhor chamado Newton, de 49 anos, engenheiro, fala inglês, tem 25 anos de experiência, pós-graduação em gestão estratégica, etc. Segundo o post, para o mercado de trabalho brasileiro ele é considerado "velho". Ele afirma estar procurando emprego há um ano sem sucesso e estuda a possibilidade de deixar o país porque aqui não há lugar para ele.

Essa questão é complicada. Primeiro, ao lermos o texto parece que o Newton é muito experiente, mas não sabemos porque ele está desempregado em primeiro lugar, o que seria uma informação importante. Segundo, mesmo com um mercado de trabalho forte, nem todos conseguem emprego. Além disso, um ano de procura não é tanto tempo assim. Vamos tentar compreender a acusação de preconceito por causa de sua idade.

É natural que empresas prefiram contratar pessoas mais jovens. No caso de engenharia, a rápida mudança que aconteceu a partir do desenvolvimento de softwares permite que jovens recém formados tenham maior conhecimento do que o "pessoal das antigas" que não domina essas tecnologias. Mas, imagine que o Newton tenha o mesmo conhecimento e vontade de um jovem recém-formado em um curso de mestrado. Qual a grande diferença? Em favor de Newton, a experiência. Em favor do recém-formado, o fato de ele aceitar ganhar menos para fazer o mesmo serviço, já que ele está em início de carreira. Vamos ver o que mais o Newton diz no seu email para a Míriam Leitão:

"As empresas querem um profissional sênior com salário de pleno. Um profissional pleno pagando remuneração de um trabalhador júnior. Te pagam por oito horas, mas querem que você trabalhe 12 horas diariamente."

Uhm, vamos ver se eu entendi. O Newton não consegue emprego com o salário e a carga horária que ele quer! Ele esqueceu que o salário de mercado é resultado da oferta e da demanda. Existe uma alta demanda por engenheiros no Brasil, mas mesmo assim existe uma oferta, e isso leva a um preço de equilíbrio que é, aparentemente, abaixo do que o Newton acha que merece.

O erro de Newton está em confundir o seu "salário de reserva" muito alto com um salário de mercado que ele considera muito baixo. Acho que o Newton estaria melhor se, ao invés de ter feito um curso de pós-graduação em gestão estratégica, tivesse feito um curso de introdução à Microeconomia.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Incapacidade Produtiva


Direto do site da revista Exame:

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu alterar, temporariamente, a lista do imposto de importação (II) de alguns produtos, beneficiando diretamente o setor de bebidas. A importação de papel utilizado para rótulo de cerveja terá alíquota reduzida de 14% para 2%, em função da incapacidade do setor de atender à expectativa de aumento da demanda. Também foi reduzido de 16% para 2% a tarifa de importação para latas de alumínio para bebidas, devido à projeção do setor de um crescimento de 15% da demanda no primeiro semestre.

E depois o pessoal diz que a oferta está conseguindo acompanhar a demanda...


terça-feira, 25 de maio de 2010

Novidades no Blog


Eu estou meio que de férias e resolvi gastar um pouco mais de tempo com o blog. A novidade é que agora o blog tem seu próprio domínio: http://www.cristianomcosta.com.

O endereço antigo continua valendo, assim como as configurações do seu leitor de RSS Feeds. Se você tem um link para o endereço antigo (do blogspot) no seu blog, favoritos ou site, não precisa mudar nada. O endereço antigo continuará funcionando e quem entrar lá será automaticamente redirecionado para o novo endereço.

Também criei um pequeno ícone que será visto sempre que você clicar no blog e abrir uma nova tab no seu navegador. Facilita para aqueles que usam várias tabs simultaneamente.

Eu dei uma atualizada nas cores e nas fontes na semana passada. A idéia era eliminar as figuras de fundo, o que tornava o blog lento na hora de abrir. O objetivo também era deixar o blog menos poluído em termos visuais.

Se vocês tiverem alguma sugestão é só deixar um comentário ou mandar um email!


Meio Que Por Eliminação


Armínio Fraga deu uma entrevista para o Estadão falando sobre a sua tragetória como economista. Ele conta várias histórias, incluindo o fato que na hora do vestibular escolheu economia "meio que por eliminação".

Armínio também recomenda estudor no exterior e admira o interesse dos jovens pelo trabalho em órgãos públicos.

Leia a entrevista completa AQUI.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Crise do Euro


Bye bye, crise financeira! Hello, crise fiscal!

A crise na Europa tem natureza diferente da crise americana. Basicamente, alguns países europeus estão em péssimas situações fiscais (altas dívidas, baixo potencial de arrecadação, alto gasto público, etc.). Além disto a queda do PIB fez a relação dívida/PIB (indicador de solvência) destes países crescer.

O grande drama da zona do Euro é que a região é composta por países com culturas diferentes, com governos diferentes, com economias diferentes, mas com uma mesma moeda. A idéia inicial é que uma mesmo moeda aumentaria as transações internas.

Mas para manter uma estabilidade monetária (baixa inflação) é necessária coordenação na área fiscal. Não adianta o governo alemão ser austero enquanto o governo grego se endivida loucamente. Em algum momento, os agentes econômicos vão entender que o governo alemão terá que pagar a conta grega. Esse momento chegou.

Como será que os cidadãos alemães estão se sentindo? Imagine que o Brasil tivesse que garantir ao mercado que caso o Paraguai não pague sua dívida o Brasil pagaria? Seria bem complicado, não é mesmo?

A questão do momento é saber qual a capacidade do governo grego de implementar um ajuste fiscal e qual o resultado. Além disto, a situação de países como Irlanda, Espanha, Portugal e Irlanda também está sendo monitorada. Esses países também têm altos déficits públicos e dívida/PIB.

A reação esperada é revolta, crise social, greves, etc. Ninguém gosta de pagar a conta pela falta de capacidade na gestão dos recursos públicos. Agora, imagine pagar a conta de outros países.

PS: Este é o post de número 1.000!


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Infra-estrutura Brasileira


Confiram o caderno especial do Financial Times sobre a infra-estrutura brasileira.
É um PDF enorme (uns 25 megas) mas muito bom. Basta clicar AQUI.

PS: Dica do Philipe Berman


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Incentivando Incentivos


A notícia é a seguinte (do InfoMoney):

Foi aprovado na terça-feira (18) pelos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos projeto que estabelece tratamento tributário, previdenciário e trabalhista diferenciado para prêmios por desempenho pessoal concedidos pelas empresas a seus funcionários.

Segundo informações da Agência Senado, o projeto abre a possibilidade de abatimento, na apuração do lucro real, desses prêmios por desempenho. Fica estabelecida também a tributação dessas parcelas exclusivamente na fonte, assim como ocorre com o décimo terceiro salário.

Dessa forma, o trabalhador pode ser beneficiado, já que o pagamento do prêmio não será somado aos outros rendimentos recebidos no mês. Com isso, evita-se a mudança de faixa na tabela de incidência do Imposto de Renda, o que levaria a um pagamento maior do IR.


A teoria de mecanismos de incentivos agradece.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Flexibilidade de Preços e Salários


Muitos pensaram que a a crise do ano passado era o fim do capitalismo, que a economia americana entraria em colapso, etc. O governo, entretanto, atuou rápido e mitigou os efeitos da crise de liquidez.

Entretanto, o que poucos percebem é a importância da economia de mercado para a sua própria manutenção. O fator mais importante para a retomada americana passou batido aos olhos dos analistas: a alta flexibilidade de preços e salários na economia.

Aqui, quando a demanda cai os preços diminuem com velocidade impressionante. Parece que todos os logistas sabem exatamente qual a elasticidade-preço da demanda. É tudo muito rápido. Em uma semana um artigo está à venda por US$ 100,00, na outra por US$ 70,00. Se não vendeu, na semana seguinte o preço cai para US$ 49,99. Sem hesitar, os logistas querem mais é vender.

O mesmo acontece no mercado de trabalho. Bateu uma crise? Põe o pessoal no olho da rua. Retomou um pouco? Contrata-se um funcionário temporário por metade do salário do anterior. Se o movimento aumentar, ele será efetivado. Nesse processo o salário nominal cai.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores têm uma noção mais precisa de como a economia está andando. Isto permite que eles ajustem sua produtividade de acordo com a necessidade. A televisão mostra as pessoas perdendo emprego? O funcionário faz hora-extra sem reclamar, se dedica mais, e a produtividade média aumenta.

Tudo isso é possível porque a legislação permite e os custos fiscais são muito menores do que no Brasil. Além disso, há maior concorrência nos EUA do que no Brasil. Diga-me um setor, e eu aposto que o número de ofertantes daquele produto é maior nos EUA do que no Brasil. Um exemplo rápido? Cerveja.

No topo de tudo isso estão políticas de importação e exportação muito mais brandas. Os impostos de importação brasileiros são muito mais altos que os americanos, diminuindo a concorrência. Além disso, por conta de burocracias, da violência e da qualidade dos serviços (privados e públicos), é mais caro importar mentes estrangeiras para o Brasil do que para os EUA.

Todos estes fatores combinados fomentam a dinâmica da economia americana: ajuste rápido de preços e salários. Essa flexibilidade é a mola propulsora do desenvolvimento americano e poucas pessoas percebem isto.

domingo, 16 de maio de 2010

O Pacote Fiscal


A discussão econômica da semana passada foi o pacote anunciado pelo Ministério da Fazenda. Na quinta-feira o Ministro Guido Mantega anunciou a redução de aproximandamente 10 bilhões de Reais no orçamento da União. Da Folha Online:

Segundo o ministro, o governo não deixará a economia brasileira se expandir a um ritmo de 7% este ano, bem acima da capacidade do setor produtivo nacional em fornecer mercadorias e serviços, o que levaria a um aumento da inflação.

O objetivo do pacote é conter a alta da inflação. Política monetária e fiscal têm que andar juntas para que os objetivos sejam alcançados mais facilmente. Já discutimos essa questão aqui no blog (AQUI). A questão é saber se o tamanho do ajuste proposto é suficiente para que o objetivo seja alcançado.

Nos anos anteriores, o tamanho da máquina governamental aumentou muito. Em particular, aumentaram as despesas com pessoal, previdência e custeio. Essas despesas são pouco flexíveis no curto prazo, deixando o Governo engessado (sem capacidade de diminuir despesas ou aumentar investimentos). Ao mesmo tempo, o governo diminuiu o superáviti primário e usou um instrumento contábil para mascarar isto, deixando as obras do PAC fora do cálculo. Do Blog da Míriam Leitão:

A Tendências Consultoria calcula que as despesas do governo cresceram em média 7,7% ao ano nos últimos 10 anos enquanto o PIB cresceu bem menos, 3,3%. Se esse aumento fosse concentrado nos investimentos, o gasto seria saudável. O problema é que ele se concentra em salários para funcionários públicos, reajustes no INSS e nas despesas correntes, que são gastos para o próprio funcionamento do governo. Para se ter uma ideia da diferença de valores, nos 12 meses terminados em março, o governo e o Banco Central gastaram R$ 597,1 bilhões. Desse total, R$ 154,4 bilhões foram para pagamento de pessoal; R$ 232,8 bilhões, para benefícios previdenciários; e apenas R$ 39 bilhões, para investimentos.


A conseqüência não poderia ser outra. Ao longo do tempo, e com a queda do PIB no ano passado, a dívida pública aumentou como proporção do PIB. Veja a figura abaixo (também do Blog da Míriam Leitão):


A conclusão é simples. O aumento é pequeno, apesar de a política ir na direção correta. As taxas de juros futuros caíram quando o pacote foi anunciado (do InfoMoney). O contrato mais negociado (de Janeiro de 2012)  fechou em queda de 12,30% para 12,24%.

O Felipe Salto, da Tendências Consultoria, fala para a VEJA:

O corte ideal para equilibrar as contas, segundo cálculos da Tendências, é uma redução de mais de 30 bilhões de reais. "No entanto, esses 10 bilhões são bem-vindos porque são uma ajuda para amenizar as pressões sobre demanda agregada", avalia o economista.

O grande problema é que se você olha o gráfico acima fica claro que o repasse do Tesouro para o BNDES é gigantesco. Ele salta de menos de 1% do PIB para mais de 4% do PIB em apenas dois anos. Ou seja, o governo está tomando dívida pagando SELIC (ou mais) e emprestando a taxas mais baixas no mercado interno, subsidiando os mais diversos projetos. Muitos desses projetos vão alimentar fortemente a inflação. Quando o BC aumenta a SELIC, aumenta o quanto o Tesouro paga, mas o BNDES não aumenta as suas taxas. E a dívida cresce ainda mais rápido.

Existe, portanto, um claro descompasso entre as áreas fiscal e monetária do Governo. O pacote fiscal é bem-vindo, mas pode ser tardio e ineficiente. O ideal seria uma política fiscal que fosse um pouco mais forward-looking, que pensasse na composição dos gastos com mais seriedade, e que diminuísse a dívida pública com relação ao PIB, para que não acabássemos passando pelas convulsões sociais que a Grécia e a Espanha estão passando.

A herança deixada pela atual gestão é uma dívida de 64% do PIB. Esta tarefa de reduzir despesas permanentes e tornar a máquina pública mais eficiente ficará para o próximo Governo...


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Xadrez Político


As eleições não começaram oficialmente e uma peça do xadrez eleitoral brasileiro pode mudar totalmemente o jogo. Essa peça chama-se PMDB. Em tese, o partido está alinhado com o governo e Michel Temer (PMDB-SP) seria o candidato à vice-presidente.

Acontece que os palanques regionais do PMDB não se identificam com os do PT em muitos estados, como por exemplo no Rio Grande do Sul.

A informação que se tem é que existe a possibilidade de uma candidatura própria do PMDB. Esse movimento mudaria completamente o jogo eleitoral.

A mudança tiraria tempo de TV do PT e roubaria votos tanto do PT quando do PSDB, desmontando palanques pelo país inteiro. O jogo mudaria completamente, seria um jogo de xadrez com 3 jogadores fortes (com todo respeito ao PV).




Em economia industrial, a entrada de um novo participante em um "mercado" é evitada por meio de ameaças de punições no futuro. Por exemplo, uma empresa pode aumentar a sua capacidade produtiva simplesmente para sinalizar que pode produzir mais (baixando preços e lucros) no futuro.

O jogo político é semelhante. Acontece, que as ameaças de punições futuras são menos críveis. A credibilidade da ameaça da empresa está lá, é uma enorme planta que pode ser colocada em funcionamento a qualquer momento. A ameaça política não possui esse lado físico.

Pense no caso do PMDB. Poderia o PT ameaçá-lo de retalhações futuras caso o PMDB rompa a aliança e entre no jogo? Não, já que em caso de vitória do PT, o partido precisaria do PMDB para ter maioria no Congresso.

Na verdade, a entrada do PMDB com candidato próprio daria ainda mais poder de barganha ao próprio PMDB. Caso ficasse em terceiro lugar, o PMDB poderia "oferecer" seu apoio no segundo turno ao partido que lhe garantisse mais oportunidades políticas (ministérios, etc).

O jogo político deste ano está só começando...


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Economia e Valores Morais


Eu estava lendo um artigo sobre valores morais na infância e dei de cara com a seguinte constatação:

In the journal Science a couple of months ago, the psychologist Joseph Henrich and several of his colleagues reported a cross-cultural study of 15 diverse populations and found that people’s propensities to behave kindly to strangers and to punish unfairness are strongest in large-scale communities with market economies, where such norms are essential to the smooth functioning of trade. Henrich and his colleagues concluded that much of the morality that humans possess is a consequence of the culture in which they are raised, not their innate capacities.

O artigo completo está no NYT. O link está AQUI.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Clark Medal 2010


Algumas semanas atrás saiu a vencedora da John Bates Clark Medal, prêmio dado ao economista com melhor pesquisa e com menos de 40 anos de idade. A vencedora foi a Esther Duflo, do MIT.

A AEA disponibilizou um PDF com o resumo de sua pesquisa, e está AQUI. Seus trabalhos são nas áeas de desenvovimento econômico, pobreza e os chamados Field Experiments. Segundo a AEA:

Through her research, mentoring of young scholars, and role in helping to direct the Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab at MIT, she has played a major role in setting a new agenda for the field of Development Economics, one that focuses on microeconomic issues and relies heavily on large-scale field experiments.


O Greg Mankiw deixou um link para uma palestra dela (abaixo). O vídeo tem opção de legenda (o que ajuda muito, já que ela tem um sotaque forte). A palestra é sobre a importância de se fazer experimentos econômicos para avaliar os custos, incentivos e benefícios de políticas sociais. Por exemplo, em um de seus experimentos ela mostra que com apenas 50 dólares é possível salvar a vida de uma criança africana através de programas sistemático de vacinação. Mais ainda, ela mostra que se você oferecer um kilo de lentilha, mais pessoas irão até o posto de saúde e esta política na verdade custa mais barato, apenas 27 dólares por imunização.



Parabéns a Esther Duflo!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Solidários na Dor


A comunidade financeira européia mostra uma grande solidariedade para com os gregos. O pacote anunciado ontem prevê a compra dos títulos da dívida grega por parte do Banco Central Europeu. Obviamente, os prêmios de risco dos títulos gregos caíram e os mercados mostram otimismo quanto aos efeitos da medida.

A socialização da dívida grega entre os outros países da europa ajuda, pois esses países tem déficits fiscais menores. A questão é saber se os países beneficiados (Grécia, Espanha, Portugal, etc.) irão fazer as reformas demandadas.

Essa reformas terão altos custos econômicos (desemprego, diminuição de salários reais, corte de regalias, etc). Emprestar dinheiro para um país endividado pode ser o mesmo que emprestar uma garrafa de cachaça à um bebum. O lado político do plano será fundamental no processo de fortalecimento da moeda.

O mais interessante do pacote é que parte do recurso estará disponível caso seja necessário, e a grande esperança é que ele não seja usado. É um efeito grande de sinalização. A idéia só terá sucesso se os países se comprometerem com a lição de casa, e o mercado acreditar.

domingo, 9 de maio de 2010

Pacote Europeu


Sim, o mercado já abriu na Ásia. Bolsas subindo mais de 1% na abertura, resultado do anúncio do pacote europeu. O NYT reporta valores de 957 bilhões de dólares:

Officials are hoping the size of the program - a total of $957 billion - will signal a "shock and awe" commitment that will be viewed in the same vein as the $700 billion package the United States government provided to help its own ailing financial institutions in 2008. 

A melhor previsão para a semana é um gráfico com curvas parecidas com as da foto abaixo.


Fasten your seatbelt!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Leilões de Transmissão


Ainda sobre economia do futebol, deixei minha contribuição ao jornalista Nando Gross, da Rádio Gaúcha, sobre o leilão de direitos de transmissão dos jogos do futebol. Ele gostou e publicou no Blog do Nando.

Segue AQUI o link.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Custo da Copa 2014


Vira e mexe o futebol é um dos temas aqui do blog. Hoje o tema é o custo dos estádios para a Copa 2014 (se é que é ela vai acontecer). O maior elefante branco proposto é a chamada Arena Cidade da Copa (o nome já é bem esquisito).

O conceito é o seguinte (da Wikipédia):
A Arena Cidade da Copa é um estádio de futebol nos moldes de arena multiuso, que será construído no município de São Lourenço da Mata na Região Metropolitana do Recife, estado de Pernambuco. A edificação terá capacidade estimada para 46.160 pessoas e 6.000 vagas de estacionamento com um valor estimado de R$ 500 milhões.

Se as minhas contas estão corretas e com os dados mais atualizados, esse projeto é o que tem maior custo por pessoa. R$ 500.000.000,00 / 46.000 = R$10.869.60. O PIB per capita da grandiosa São Lourenço da Mata é de R$ 3.261. Tudo estimado, ou seja, vai custar o dobro. Detalhes AQUI.

O boato que rola é que o Governo de Pernambuco vai "doar" o estádio para o grandioso Náutico Capibaribe. Segundo a minha pesquisa na Internet, já estudam até o nome da Arena no pós-copa: Arena Capibaribe. Em tese, o Náutico entraria com o seu maior patrimônio, o Estádio dos Aflitos.

A pergunta que eu faço é a seguinte. Se um clube não tem renda pra financiar um time, se o torcedor não tem grana pra pagar um ingresso, se o estádio vai ser relativamente afastado de Recife, para que investir esse valor absurdo? E o que fazer com esse estádio depois da Copa?

A resposta vem dos nossos amigos Lusitanos, que já passaram por essa situação:

Uma declaração do ex-ministro da economia de Portugal na última segunda-feira levantou uma grande discussão sobre o futuro dos estádios construídos para a Eurocopa de 2004 no país europeu.

"É muito complicado lidar com as dívidas de algo que não cria riqueza nem representa um bem público", afirmou Augusto Mateus, em entrevista à rede de notícias Bloomberg.

O economista se referia aos estádios de Braga, Coimbra, Leiria, Aveiro e Faro/Loulé. Todos eles tiveram suas construções bancadas, em grande parte, pelos municípios, que agora não têm condições de pagar pela manutenção dos estádios. Por ano, os municípios gastam em torno de 13 milhões de euros entre pagamento de dívidas adquiridas para a construção dos estádios e sua respectiva manutenção.

A situação mais delicada é do estádio de Aveiro, utilizado pelo time do Beira-Mar. O clube, que está na Segunda Divisão de Portugal, não leva mais do que três mil torcedores ao estádio. Em outubro passado, o conselho municipal já havia cogitado a hipótese de demolir a arena, que teve em 2009 apenas 5% de sua capacidade de 30 mil pessoas ocupada.

Pois bem, a Copa 2014 vem aí! Prepare o seu bolso!

PS: Eu já havia escrito sobre esse tema AQUI. Naquela ocasião citei até um paper. Confira o post clicando AQUI.

Vazamento de Óleo


O vazamento de petróleo na plataforma da British Petroleum pode ser o maior desastre ecológico já registrado nos EUA. Além disso, o desastre financeiro já é evidente. Nas últimas 3 semanas as ações da BP saíram de 60 dólares para 50 dólares.


Estima-se que o custo será superior a 12 bilhões de dólares para limpar o óleo que se espalha pela costa americana.

domingo, 2 de maio de 2010

Quem Não Canta É Amargo!


Eram esses os dizeres em uma mesa de bar após a conquista do título gaúcho:



PS: para quem não conhece a frase segue o link AQUI.

sábado, 1 de maio de 2010

Novo Botãozinho


Agora os posts aqui no Blog terão um botãozinho no final. Esse aplication vai contar o número de "tweets" que o post recebeu e você também poderá dar um "retweet" do post.

O objetivo é criar uma interação maior entre o Blog e a Página no Twitter. Além, de atrair mais leitores para o Blog, é claro.



Oferta, Demanda e a Mãe do Bioquímico


Tenho que deixar AQUI o link para o post do Duke of Hazard.

Divirtam-se clicando AQUI.