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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Política Fiscal x Monetária


O Adolfo Sachsida aponta a Farra do Gasto Público (incluindo a picaretagem de não incluir os gastos do PAC no cálculo do déficit fiscal) e o perdão dado aos estados que não cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Eu acho que ele tem um ponto muito claro e me junto a ele na crítica à política fiscal. O governo abriu a torneira, afinal é época de eleição. É assim, e será assim sempre que o ano for eleitoral.

Qual a surpresa então? Nenhuma. Não é surpresa para o Adolfo, nem pra mim, nem pra ninguém. Na verdade, o mercado já está precificando (via taxa de juros futura) esse aumento da dívida pública e o recente aumento da relação dívida/PIB.

Não adianta, a equipe econômica do próximo presidente vai ter fazer um ajuste fiscal no primeiro ano, pois vai encontrar um cenário de juros elevados, câmbio valorizado, déficit externo, baixa poupança pública e economia aquecida.

Qual seria a alternativa para um governo que estivesse menos preocupado em eleger o sucessor? Bastava aumentar fortemente a poupança do governo. Isso bastaria para evitar o aumento dos juros e a valorização cambial. Uma redução dos gastos ajustaria as contas externas e internas.

A política monetária não é a única política disponível em um sistema de metas de inflação.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Maxmin e Jogos Políticos


As alianças políticas para a eleição presidencial estão em sua fase de formação. Neste momento, todos os movimentos são estratégicos e o conceito de utilidade esperada é fundamental na decisão dos partidos.

A idéia básica é maximizar a possibilidade de colocar suas políticas em práticas. Isso se dá basicamente via acesso aos cargos diretos e indiretos (ministérios, secretarias, etc). É o chamado jogo do poder.

No jogo de xadrez da política brasileira entram muitos elementos. Alianças são construídas com base em elementos como cargos, vagas em chapas para o Senado, tempo no horário eleitoral, alianças regionais, etc. Mas todos estes elementos são apenas peças em um jogo cujo objetivo final é governar. E para tanto, devem ser levados em conta inclusive os cenários de derrota.

Um partido que está bem posicionado é o PP. Ele está sendo cortejado tanto pelo PT quanto pelo PSDB. O motivo é simples, o partido é grande o suficiente para atrair os partidos (e isso inclui alguns minutos preciosos na TV) e tem uma plataforma que está direcionada ao eleitor mediano. Por exemplo, no programa partidário do PP você vai ler as seguintes propostas:

- Defesa da livre iniciativa, com o fortalecimento da empresa privada e tratamento privilegiado às pequenas e micro empresas;

- Garantia do poder aquisitivo dos salários, liberdade sindical e de associação, seguro-desemprego, participação nos lucros das empresas;

Na minha opinião, e creio seja o que acontece no RS, o partido esteja filosoficamente mais próximo de uma social democracia do que do trabalhismo. Mas, quem dá bola pra filosofia? O objetivo muitas vezes se resume em chegar ao poder e depois implementar a filosofia.

Mas o jogo é complicado. E as estratégias têm que contemplar todos os cenários. Veja o que saiu agora a pouco no Radar On-line:
O cálculo dos defensores da aliança é simples: na chapa de Dilma Rousseff, o PP entraria como mero coadjuvante - com menos importância que PMDB, PSB, PR - enquanto na chapa tucana apresentaria o vice-presidente. Assim, em caso de vitória do tucano, a legenda vislumbra amplos espaços no governo.

Mas e em caso de vitória de Dilma? Bem, os defensores da chapa serrista acreditam que o PT seria obrigado a procurá-los para garantir maioria ampla no Congresso. Então, no pior cenário, a legenda garantiria espaços semelhantes aos oferecidos no governo Lula.

Esse tipo de estratégia é conhecido em economia como "maxmim". O objetivo da estratégia é maximizar o resultado do pior cenário possível. Qual seria o resultado em caso de apoio ao PT e vitória de Serra? Bem, o PP provavelmente não teria nenhuma participação primária, seria um coadjuvante. Qual o pior resultado em caso de apoio ao PSDB e vitória de Dilma? Provavelmente perderia esse Ministério e seria coadjuvante. Em ambos os casos, o pior cenário é o mesmo: seria coadjuvante. Qual a vantagem da chapa com o PSDB, tendo Dornelles de vice, em caso de vitória de Serra. Nesse cenário o partido passaria a ser uma das principais forças da campanha. Já no caso de apoio ao PT e vitória de Dilma, o partido continuaria sendo o terceiro ou quarto na ordem de importância.

Ou seja, o maxmim tende a levar o partido para o PSDB, já que o downside é o mesmo, mas o upside é maior na aliança com o PSDB. Mas, claro, o jogo não é tão simples assim. Há muitas divergências regionais. No RS o PP tende a fechar com o PSDB. Mas lá o PMDB e o PT nem estão na mesma barca. Já em Rondônia, Roraima e Acre a tendência é aliar com o PT.

Enfim, a eleição está muito longe. Mas é legal tentar usar conceitos de Teoria dos Jogos para antecipar movimentos partidários.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Infinita Highway


"Nós não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir!"



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Volto na Terça


Agenda apertada até segunda-feira. Volto na terça-feira com novidades.

Abraço!

PS: Nesse intervalo tem um GRE-NAL pra tirar o meu sono...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Futebol e Competição


Eu tive acesso a um estudo que uma consultoria fez sobre as receitas dos maiores clubes de futebol do Brasil. Vamos aos dados.

De 2003 até 2008 as receitas dos maiores clubes brasileiros aumentaram de 805 milhões para 1.729 milhões. Um aumento muito bom. Dois detalhes me chamaram a atenção.

O primeiro é o aumento em um dos tipos de receitas. As receitas de transferências de atletas continuam sendo a maior fonte de renda, seguidas de cotas de TV, quadro social, patrocínio e publicidade, e bilheteria. Todas elas aumentaram. O maior crescimento foi de patrocínios e publicidade, 128%.

Neste período o clube que mais aumentou suas receitas, em termos percentuais, foi o SC Internacional, 360%. É um aumento que passa necessariamente pelo profissionalismo da administração e pelos títulos que o clube conquistou nesse período, incluindo a Libertadores e o Mundial de Clubes. Quem vocês acham que foi o segundo clube? Exato, o Grêmio FBPA cresceu 301%. A receita de nenhum outro time cresceu nesta proporção. O terceiro colocado no estudo é o Botafogo, que cresceu 218%.

Essa é a natureza da competição econômica. O crescimento do SC Internacional aumentou a pressão por uma gestão mais profissional no estádio Olímpico, e o aumento do número de sócios colorados, levou ao aumento dos associados gremistas. O SC Internacional tem, de acordo com os números de sua diretoria, mais de 100 mil sócios em dia. No Grêmio FBPA, esse número teria passado de 60 mil, mas a mensalidade é maior.

O profissionalismo da gestão futebolística é uma via sem volta. Os clubes que não profissionalizarem (e por profissionalização leia-se gestão financeira, crescimento/manutenção do quadro social, licenciamento de produtos, marketing de qualidade, etc, enfim, aumento da qualidade nas mais diversas áreas da gestão administrativa do clube) suas gestões não conseguirão competir em um sistema de pontos corridos, como o atual, que exige planejamento e plantel qualificado e numeroso.

Os números vão a favor desse argumento. O clube de maior receita é o São Paulo FC. Que venceu 3 campeonatos recentemente. O segundo é o SC Internacional que foi vice campeão por dois anos (2005 e 2009), campeão da Libertadores e Mundial. O terceiro foge um pouco da regra, é a SE Palmeiras. Mas aí, vale um efeito de competição local, a parceria com a Traffic, e a ida para a Série B que acabou levando a uma reestruturação na gestão. O quarto é o CR Flamengo, atual campeão. O quinto colocado é o SC Corinthians, que venceu a Copa do Brasil. O sexto é o Grêmio FBPA, que foi empurrado a competir com o SC Internacional e acabou voltando da Série B e foi vice-campeão em 2008.

Enfim, o estudo é interessante e mostra que de fato não há espaço para clubes de menores receitas, como Vasco da Gama, Coritiba, Atlético MG. Esses clubes possuem torcidas enormes, mas não conseguiram transformar essa vantagem numérica em receitas.

Infelizmente não posso divulgar o estudo aqui. Mas fica aí a minha análise.

Repercussão do Leilão da Belo Monte


Ontem, no início da tarde, saiu o resultado do complicado leilão/licitação da usina Belo Monte. As críticas e as polêmicas na internet são diversas. Deixo aqui uma lista de links. Divirtam-se:

Lauro Jardim, VEJA (AQUI e AQUI)
Reinaldo Azevedo, VEJA (AQUI, AQUI e AQUI)
Folha Online (AQUI, AQUI e AQUI)
Estadão (AQUI e AQUI)
Míriam Leitão, O Globo Online (AQUI, AQUI e, principalmente, AQUI)
Valor Online (AQUI, AQUI e AQUI)
Business Week (AQUI)
MSNBC (AQUI)
FOXNews (AQUI)
Bloomberg (AQUI eAQUI)
NYT (um artigo mais antigo, AQUI)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Faca no Pescoço


Hoje é Dia do Índio. Não poderia ter sido mais interessante a data escolhida pelo Governo para a licitação/leilão da hidrelétrica Belo Monte. O projeto desta usina já existe há muitos anos. Eu achei esta página AQUI que traz uma bela cronologia do projeto (clique AQUI).

O projeto atual prevê a construção de uma usina com capacidade para 11 mil MW, 8 mil MW à menos do que no projeto de 1980. A razão é a ausência de barramentos, ou barragens, para armazenamento de água, o que geraria enormes áreas alagadas. O projeto atual, sem as barragens necessárias, traz um agravante. Por causa da sazonalidade das chuvas, em média, a usina vai operar gerando somente 4 mil MW de "energia firme", menos da metade. Em alguns meses, vai gerar o equivalente a 1 mil MW (AQUI e AQUI).

O projeto, então, torna-se financeiramente pouco atrativo. Isso, sem contar todos os riscos jurídicos envolvidos no projeto, fruto de ações ambientais e de origem indígenas.

Eu imaginaria que um projeto desta gandeza fosse dicutido abertamente com a sociedade e o Congresso. Porém não foi isso o que aconteceu. A Casa Civil teria pressionado o Ibama a liberar as licenças ambientais na marra, sem a devida análise. Quem denuncia é a Míriam Leitão, clique AQUI.

Essa pressa, que esconde (ou não) objetivos políticos ambiciosos, acabou por tirar a viabilidade financeira do projeto. Já que além de operar em baixa capacidade em muitos meses, a usina pode ter a sua construção atrasada por muitos anos devido à falta licenças ambientais e outros tipos de problemas geológicos. Aparentemente, não se sabe nem exatamente o tipo de solo que será encontrado pela retroescavadeiras (AQUI).

A questão tem três planos. O econômico, o político e o ambiental. Todos eles se misturam nesse projeto e nós já sabemos quem vai pagar a conta. Mesmo sem concorrentes do setor privado, o leilão vai sair de qualquer forma, com apenas dois participantes. Liderados por empresas privadas mas com as estatais e os fundos de pensão Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal) entrando depois do leilão (leia AQUI)!

O livro texto mais básico de economia nos ensina o resultado desta conjunção de fatores. O governo obterá ofertas muito altas, se de fato forem feitas ofertas. Mas, somente porque o braço financeiro do governo, o BNDES, entrará com financiamento de até 80% da obra, a juros camaradas (veja AQUI). Um subsídio enorme, pago com o dinheiro de vocês sabem quem.

Além de tudo isso existem duas questões. A primeira, é que parte dos benfícios da usina não serão colhidos pelos vencedores do leilão. Uma das grandes vantagens da usina é que, enquanto ela gera energia, as outras usinas do sistema poderão diminuir a produção e armazenar água. Isso torna o sistema mais eficiente, mas o benefício direto não vai pro bolso do investidor da Belo Monte, e sim para os donos das outras usinas. É um caso típico de externalidade positiva. Isso aumenta o benefício social do projeto, mas diminui o benefício privado, diminuido a potencial oferta no leilão.

A segunda questão é a indígena. Índios da região estão se articulando para barrar o leilão. Em 1989, uma índia chegou a encostar um facão na cara do então diretor da Eletronorte José Antônio Muniz Lopes (hoje presidente da Eletrobrás, veja o que é o destino). Veja a foto:


Naquela época o movimento foi liderado por Paulo Paikan, Raoni, e outros indígenas representativos de suas etnias e também por ambientalistas. O mesmo deve ocorrer hoje ou amanhã (leia AQUI), mas de uma forma menos violenta, imagino eu.

Enfim, a discussão é longa e eu gostaria de apontar somente a questão econômica. O projeto é enorme (fala-se em algo entre 20 e 30 bilhões de Reais, como se os 10 bilhões de diferença fosse pouco) e de alto risco. A incerteza financeira e legal torna o projeto ainda mais arricado, com pouco retorno garantido. A previsão é que as receitas não entrem no caixa nos próximos 10 anos. Enfim, é algo ambicioso e que vem sendo barrado desde 1975.

Vamos ver no que vai dar...

PS: Onde se lê MW, deve-se ler megawatts/hora.

domingo, 18 de abril de 2010

Prorrogação do IPI Reduzido


O editorial de sábado do Estado de São Paulo trouxe uma excelente análise sobre a prorrogação do IPI reduzido para materiais de contrução de junho para dezembro. A frase final é um resumo do trade-off da medida:
Em vez da redução de tributos sobre materiais de construção, o governo poderia destinar mais verbas à infraestrutura e, sobretudo, cuidar para que elas sejam aplicadas com eficiência e em prazo compatível com a pretendida diminuição do déficit habitacional.
Veja que o editorial vai na mesma linha do que o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse esses dias e eu chamei a atenção aqui no blog.

Chega de fomentar a demanda. É hora de fomentar a oferta, ou não fomentar nada!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Metodologia da Pesquisa Eleitoral


Eu não sei se vocês têm acompanhado o debate sobre as pesquisas eleitorais no Brasil. Mas, basicamente, etá havendo uma divergência metodológica nas pesquisas. De um lado, Ibope e Datafolha. De outro, Vox Populi e Sensus.

O José Roberto de Toledo, do Estadão, escreve sobre o assunto e faz um bom resumo do caso. A divergência está na ordem das perguntas. Os institutos Vox Populi e Sensus estão adicionando uma pergunta sobre a performance atual do Governo Federal ou sobre os cargos que os concorrentes exerceram no atual governo, antes da pergunta "Se a eleição fosse hoje e os candidatos fossem estes, em qual destes candidatos você votaria?".

A pergunta sobre a performance do governo claramente viesa o resultado. Por que? A resposta vem das ciências comportamentais. Muitas vezes, nessas pesquisas que o entrevistado responde cara a cara com o entrevistador, o pesquisado pode deixar a sua preferência pela consistência se sobrepor a sua preferência real. Como? O pesquisado não quer passar a imagem de que ele é incosistente em suas escolhas. Por exemplo, uma pessoa que acha o governo excelente, se constrangirá ao responder que votará na oposição, já que, pela "lógica" ela deveria achar que "não se me mexe em time que está ganhando", ou qualquer outra racionalidade (furada) do gênero. Em ciências comportamentais, esse tipo de comportamento é chamado de "preferência pela consistência". A minha opinião é que a pergunta viesa sim o resultado, e além disso, é totalmente desnecessária. Para saber sobre a avaliação do governo, basta fazer outra pesquisa, que pode inclusive ser mais detalhada.

Leia o artigo do Estadão clicando AQUI.

PS: Achei também essa reportagem muito boa na VEJA. Clique AQUI.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quadrangle

Seguem as fotos da área aqui atrás do prédio da economia. É uma área verde, cheia de bancos e árvores onde os alunos da graduação jogam um futeblzinho de vez em quando. Quem financiou? Vejam na última foto.




quarta-feira, 14 de abril de 2010

Investindo na Oferta


Segue abaixo a última parte da entrevista do presidente do BC, Henrique Meirelles, para a Zero Hora:
As medidas para reduzir os efeitos da crise serão retiradas?

Meirelles – Já estamos crescendo independentemente dos estímulos. A renda está crescendo, e o desemprego está baixo. São válidos para sair da crise. O papel do governo agora é investir em infraestrutura. Está na hora de acabar com os estímulos anticrise.

Ou seja, chegou a hora de parar de estimular a demanda e criar condições para que a oferta aumente, ou, para que os custos diminuam. Caso contrário sabemos o que irá acontecer: alta da taxa de inflação.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Duas Semanas Decisivas


As minhas próximas duas semanas vão ser de muito trabalho. Talvez a freqüência dos posts diminua nesse período. Mas não tenho escolha, tenho que focar e dar um gás na reta final.

sábado, 10 de abril de 2010

Peixe Morre Pela Boca


O presidente do BC, Henrique Meirelles, andou falando demais no final da sexta-feira. O resultado foi imediato. Do Brasil Econômico:
Os contratos futuros de juros tiveram a maior alta em um mês após o presidente do Banco Central Henrique Meirelles dizer que é ‘um engano" deixar a inflação subir para garantir crescimento econômico mais rápido.
Leia a matéria AQUI.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dois Mundos Muito Diferentes


A VEJA publicou um artigo que traz um bom resumo da situação inflacionária brasileira, inclusive com um pouco de história econômica. O artigo faz uma comparação dos períodos 1980-1994 e 1994-2010. Como diz o subtítulo da matéria, são dois mundos muito diferentes.

Leia o artigo clicando AQUI.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Futuro da Economia Verde


Paul Krugman apresenta ao público um artigo com 10 páginas sobre como reorganizar a economia mundial de modo que a emissão de poluentes seja reduzida e os efeitos econômicos sejam poucos. Esta é uma equação (possivelmente não-linear e com múltiplas soluções) difícil de ser resolvida. Mas, há esperança.

Confira o artigo no site do NYT clicando AQUI.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Seminários de Conjuntura


Quando eu estudava na graduação da UFRGS eram (e ainda devem ser realizados) os seminários de conjuntura econômica. Na época participavam os professores Marcelo Portugal, Fernando Ferrari Filho, Roberto Camps, Ronald Hillbrecht, Flávio Fligenspan, entre outros. Os debates eram sempre muito interessantes e com diversidade de pensamentos. Também pudera, naquela época o Brasil passou por várias crises, incluindo a desvalorização cambial de 1999. Essa foi a que mais me marcou. Me lembro como se fosse hoje o dia em que ouvi na rádio que o então governador de Minas Gerais havia decidido dar um calote, precipitando a fuga de capitais.

Naquela época os debates eram quentes, alguns prevendo a catástrofe (volta da inflação, etc.) e outros crentes que a mão invisível (com ajuda do BC) cuidaria dos preços. Dado o passado recente (o Plano Real tinha apenas 4 ou 5 anos) ambas teorias faziam certo sentido.

No lado mais pessimista e discrente, uma das figuras que sempre contava com minha mais dedicada atenção era o professor Flávio Fligenspan. Quando ele terminava de falar eu tinha certeza que ele estava certo e a inflação (ou uma recessão) estava logo ali. Na minha memória, o professor Fligenspan ficou com essa imagem de profeta do desastre econômico. Não porque ele fosse pessimista. Pelo contrário, sempre muito claro e com argumentos contundentes, eu sempre achava que suas análises eram robustas. Ele acertou muitas vezes, errou outras, como todos economistas. Mas a memória, talvez o meu inconsciente, guardou o lado mais pessimista.

A conjuntura econômica brasileira mudou muito de 1999 para cá. Lá se foram 11 anos e muitas mudanças. Esses debates mais polarizados já não existem. Ninguém mais discute a volta da hiperinflação, congelamentos de preço, câmbio fixo, etc. Deste modo, quando leio esta coluna do Jornal do Comércio, fico feliz. A manchete do artigo é a seguinte:
Fligenspan acredita que inflação pressionará aumento do juro
Ufrgs aponta dificuldades da economia do País em 2010
O motivo da minha felicidade é saber que mesmo em um momento de baixo desemprego, com a indústria crescendo, recordes de emprego com carteira assinada, bolsa nas nuves, etc, ainda temos espaço para críticas contundentes e análise de qualidade. Minha felicidade é saber que aprendi muito ao assistir os professores da UFRGS discutirem trimestralmente e ler os relatórios do NAPE, do qual muitos amigos meus participaram. Muitos deles hoje são doutores por universidades de grande prestígio e até professores aqui nos EUA. Minha felicidade é saber que ao ter sido exposto aos debates polarizados tive a oportunidade de aprender com os dois lados.

Mas a memória é perversa. Até hoje brinco com meus colegas de faculdade quando eles dizem algo mais pessimista. Digo "Pô, parece o Fligenspan", e todos se lembram com saudade daquelas tardes de debate.

Fica aqui a minha homenagem ao professor Fligenspan e aos demais professores que faziam parte dos seminários de conjuntura no final dos anos 90.

Valeu!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Proteção Americana: Ethanol


O governo americano dá subsídios aos compradores de ethanol extraído do milho. De fato, para cada galão de corn ethanol comprado e misturado à gasolina pela indústria de combustíveis, os compradores recebem $0.45 de subsídio. É o que os americando chamam de biofuel tax credit. Parte desse benefício é de fato passado aos preços recebidos pelos produtores de milho, de modo que todos na cadeia recebem uma fatia.

Acontece que os consumidores finais de combustível resolveram se unir para acabar com essa palhaçada. Entre estes grupos estão a Grocery Manufacturers of America, the American Meat Institute, the National Council of Chain Restaurants, etc. Isso sem contar com os ambientalistas.

O grande ponto é que o ethanol verde-amarelo extraído da cana-de-açúcar brasileira é mais barato e mais limpo. Ser mais limpo não importava tanto, mas quando passou a ficar muito mais barato o pessoal por aqui começou a reclamar.

O congresso terá que votar ainda esse ano a manutenção deste subsídio. Se o subsídio cair, um novo mercado se abre para o ethanol brasileiro. O ethanol brasileiro ainda enfrenta alíquotas de importação de $0.54 por galão. A briga interna americana pode ajudar os produtores brazucas. Mas, a briga promete ser dura...

Confira duas matéria sobre o assunto. A primeira é do Estadão e a segunda do St. Louis Today.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Egg Management Fee


A propaganda abaixo é do Ally Bank. Achei muito boa, divirtam-se!