O clima de final de festa pós-eleitoral não esconde as incertezas com relação às perspectivas econômicas para o Brasil em 2011. O país certamente continuará sua trajetória de crescimento acelerado, mas a grande dúvida está na condução da política fiscal.
A inflação já demonstra seus primeiros sinais de aceleração. Aqui no Centro de Estudos e Análises Econômicas da FUCAPE Business School (CEAE-FUCAPE) nós trabalhamos com um cenário de uma elevação da taxa de juros SELIC já no início de 2011.
Assumindo-se que o Banco Central siga este caminho, a maior fonte de incerteza estará na condução dos gastos públicos. De nada adiantará uma elevação da taxa de juros se o Governo (em todas as suas esferas) seguir gastando mais do que arrecada, elevando a participação do setor público na economia e aumentando seus gastos permanentes. Ainda não sabemos como será a condução da política fiscal sob a presidência de Dilma Rousseff. Entretanto, tudo indica que será uma continuidade da atual.
Uma política fiscal mais conservadora seria o recomendado diante das incertezas vindas da Europa e das políticas monetárias dos EUA e da China. O Real deverá permanecer forte em 2011, mas as crises das dívidas de países europeus podem levar ao aumento da aversão ao risco do investidor internacional. Neste tipo de cenário os investimentos estrangeiros no Brasil tendem a diminuir.
Estas incertezas externas aliadas a um movimento de elevação das taxas de juros deveriam ser acompanhadas de uma redução no ritmo de crescimento das despesas públicas, para que o setor privado tivesse mais espaço no mercado de crédito e para que a taxa básica não precisasse subir tanto. O mercado já trabalha com uma perspectiva de taxa de juros de cerca de 12,25% a.a. para janeiro de 2012, o que implica uma elevação de 1,50 p.p. na taxa Selic atual. Este número revela a perspectiva de um cenário econômico aquecido em 2011, mas também reflete a incerteza sobre a condução da política fiscal.
A poupança feita pelo governo para pagar os juros da dívida, o superávit primário, caiu fortemente em outubro e hoje corresponde a 2,99% do PIB, abaixo dos 3,5% estabelecidos como objetivo. A definição da política fiscal está no centro das atenções do mercado e da população no início de 2011. Uma redução dos gastos públicos poderia resultar em um 2011 muito tranqüilo (forte crescimento e baixa inflação) para os brasileiros. Resta saber o que a nova equipe econômica fará.
PS: Este texto foi escrito dia 1/12/10 e publicado no Guia da Praia do Canto em sua versão impressa.




1 comentários:
Os gastos públicos também me preocupam. Ontem no jornal da Globo, Lula falou que iria vetar o Orçamento do ano que vem, por achar inadmisível o corte no PAC.
Eu já acho inadmissível cortar gastos em educação e ciencia/tecnologia para aumentar as transferencias sociais.
Parece que o Governo está querendo retomar a retórica do "crescer o bolo para depois dividir".
Pra mim, é descomprommisso total ao desenvolvimento do pais.
Pode-se ver no resultado do PISA. Do que adianta ser a 8º economia do mundo se não há medidas que melhorem o indice de desenvolvimento?
Abraços!
Postar um comentário