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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Não Levaram


Passei alguns dias em Porto Alegre para o casamento de um grande amigo e agora estou de volta à Vitória. O blog ficou meio desamparado nestes dias que passaram mas prometo retomar com força total.

Na ida pra POA quase levei um golpe da nossa empresa aérea líder do duopólio. A história teve requintes de crueldade. Vamos lá.

Chego na fila e apresento meu documento de identidade e meu cartão fidelidade (como se em um mercado com duas empresas existisse fidelidade). O sujeito processa todo meu check-in envia a minha mala e me devolve documentos e tal. Quando eu estou quase saido do guichê vejo que o meu assento não é o que eu reservei. Obviamente, como um grande chato que sou, aponto o erro e dai vem a resposta.

-Não, é que tivemos um probleminha em Confins e então o seu vôo que era VIX-GIG-POA só com escalas vai ser VIX-GIG-CGH-POA trocando de avião duas vezes.
- E que horas eu vou chegar?
- Lá pelas 17:30.
- Mas eu comprei um vôo que chegava as 12:05?
- É mas mudou, porque tivemos o problema em Confins.

Eu quase voei no pescoço do cidadão. Quer dizer, o cara sabia desde o início que o meu vôo havia mudado e não me avisou. Nesse momento eu nem via mais a minha mala.

O final vocês não vão acreditar. Eu comecei a xingar muito o cara. Porque aqui é meio selva. Você anda na rua e não vê policiamento, não vê guardas de trânsito, então a tática de resolução de conflitos é bem primitiva. Armei um barraco bonito. O cara ameaçou rasgar meu bilhete de embarque. Arregou. Após xingar o cara e a supervisora dele por uns 10 minutos e virar a atração da rodoviária, digo aeroporto, convenci a empresa a me pagar um trecho até SP no avião da concorrência e de lá eu pegaria outro para chegar no horário.

Quando já estou quase fazendo o check-in na outra empresa, eu me dou conta que eu ia chegar em SP sem nenhuma confirmação do prometido. Volto no guichê da duopolista e armo outro barraco imenso, e e advinhe?

- Sr. agora o seu vôo original aparece aqui pra mim. Vamos fazer o check-in que ele está quase saindo.

Nesse momento a minha ficha caiu. Não havia problema em Confins. Eles haviam simplesmente me retirado do meu vôo, pois estavam fazendo alguma coisa com a perna GIG-POA. Eu só não sabia o que era. Mas, aceitei e fui no veu vôo orignal. Vejam como eu sou bonzinho.

Quando chegamos em GIG somente eu e minha esposa ficamos dentro do avião, todos os outros que embarcaram em VIX e aceitaram aquela palhaçada de chegar com 5 horas de atraso tiveram que sair do avião, pois ainda iam pra SP e etc.

Foi aí que caiu a minha ficha. Eles estavam abrindo espaço neste vôo para alguém. Só podia ser. E foi neste momento que entra no avião todo o time do Vitória-BA: Prof. Antônio Lopes, Neto Coruja, Júnior, Viáfara,...

Eu juro. Em meio a toda a incompetência (sim porque provavelmente o vôo dos caras do Vitória-BA deve ter dado um outro problema) os caras queriam me tirar do meu vôo pra dar lugar pro Neto Coruja. É muito descaso com o cliente. É uma falta de valor ético e moral absurda. Tentaram me trocar de vôo!

Não levaram.


8 comentários:

Anaximandros disse...

oi, certamente eu nao teria a mesma determinação e seria presa facil desses arranjos, entao, agradeço a tua coragem. A captura ,nesse caso, ocorre no mar na terra e no ar...vergonha! abraço, s.

Erik Figueiredo disse...

Concordo com o Sabino,
Eu ficaria p..., a veia do pescoço iria saltar, mas também seria presa fácil para a GOL/TAM. Parabéns pela coragem de lutar por teus direitos.

paulo araújo disse...

Cara, que absurdo! Sua atitude deveria ser exemplar.

Vê-se por essa ocorrência o tanto que ainda é atual o Raízes do Brasil do Sérgio Buarque. É o caso (cansativamente, mais um) do famoso "jeitinho" que os amigos do rei sempre ativam para driblar dificuldades, ferrando os "simples caseiro" da ocasião.

É, ainda, a versão micro da famigerada "gestão de recursos" que estamos vendo ser igualmente ativada no macro para inflar o superavit primário para enganar o país dos trouxas.

O Brasil só é uma República no papel. De fato, não passamos de um primitivo e violento Estado absolutista. No Brasil a cidadania e os direitos são "um quadro na parede". Sempre, de algum modo, somos colocados no nosso devido lugar e lembrados da nossa condição natural de vassalos de algum S.A.R. do momento. É uma cultura. Ou, o que é pior, uma ética que podemos certamente chamar de "franciscana" (um costume socialmente aceito e reproduzido ad nauseam) incrustada fortemente na sociedade brasileira e da qual não nos livraremos tão cedo.

Institucionalmente, somos tratados como os merdas que habitam "o país de todos" os merdas.

Anônimo disse...

Cristiano Costa, gremista copeiro! Não aceita! É isso aí cara! Parabéns pela determinação, assim com o Sabino eu seria presa fácil!
abs
A.

Tiago Ferreira disse...

Por incrível que pareça, não é a primeira vez que escuto essa estória, uma amiga que me visitava comprou uma passagem Vix-Rio pela tam, e Rio-Chile pela Gol (Ficava mais barato), mas um dia antes me ligaram dizendo que o Vôo havia cancelado, e que ela teria que pegar o vôo mais tarde e seria para outro Aeroporto no Rio (correndo o risco de perder o 2° para o Chile)e garantiram o transporte para o aeroporto original de Ônibus (que foi Mentira), foi um pavor tudo, que depois de muito trabalho ela conseguiu chegar em Santiago CL.
No outro dia por curiosidade chequei, e percebi que o vôo original não foi cancelado coisa alguma (Será que também tinha sido o time do Vitória de novo???)

Renato disse...

Já pensou em escrever essa estória pra algum jornal, ou pra ANAC?

Cristiano M. Costa disse...

Renato,
não pensei não. Até porque eu não tenho como provar o que eu descrevo. Mas o lance todo é chamar a atenção para o descaso desses caras com o direito de propriedade. Ou seja, a reserva que você faz quando compra o bilhete não vale nada.
A ANAC certamente sabe desse tipo de prática.
Mas não há de ser nada.
Neto Coruja não levou o meu lugar!
Abraço!

Cristiano M. Costa disse...

Obrigado ao Sabino e a todos os outros pelo apoio. Mas, devo lembrar que isso foi um caso isolado. Normalmente eu acabo caindo nessas também, mas naquele dia era uma situação especial. Eu não poderia chegar atrasado. Daí usei todo os xingamentos que eu sabia. Inclusive os aprendidos no filme "O homem que copiava".
Abraço,
Cristiano