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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Vergonha Alheia


Eu acordo e a primeira notícia "econômica" que me deparo no Estadão é a de que ontem, durante um evento na FGV, o professor José Oreiro (UnB) teria dito que o país está se desindustrializando porque agora a proporção da indústria no PIB está caindo.

Adivinhem quem resolveu contrapor o pensamento do professor? Nada mais nada menos que o Ministro da Fazenda Guido Mantega, que eu achava que era da mesma "tiurma". Segundo o Ministro, via Celso Ming:

"As curvas de produção da indústria são impressionantes nos setores de veículos, máquinas e equipamentos, materiais de construção, aparelhos domésticos, alimentos e por aí vão. Mais do que isso, o emprego está crescendo consistentemente, inclusive na indústria, e os investimentos estão aumentando, o que não parece compatível com essa reclamação renitente dos empresários."

Já na Folha de São Paulo a manchete era:

"Samsung deve iniciar montagem de painéis de LED no Brasil"

Quando o cara tem que aprender economia com o Mantega, dá até uma vergonha alheia...


6 comentários:

Anônimo disse...

Logo depois do segundo turno os técnicos do MDIC reconheceram em documento reservado (mas que vasou para o Valor Econômico) a ocorrência real de desindustrialização no país. Ou seja, segundo os técnicos do MDIC o Oreiro está certo e o Mantega errado ... e voce como fica nessa estória?

Cristiano M. Costa disse...

Caro Anônimo,
essa "estória" não muda. Imagine um país A onde a proporção da indústria no PIB é 40% e um outro páis B onde a % da indústria no PIB é 33%.

Você diria que o país B é menos industrializado que o A? Tem certeza?

A verdade é que se a % da indústria no PIB diminui conforme o país vai se desenvolvendo e a população envelhecendo. Educação, serviços de saúdes, etc. Tudo isso é Serviços.

Quando a proporção da indústria no PIB cai isso não significa que o país está se desindustrializando. Só significa que os setores agrícola e de serviços estão crescendo a taxas maiores que a indústria. E isso é natural em economias desenvolvidas!

A indústri hoje é maior do que a 1 ano atrás. Basta olhar o tamanho do PIB industrial.

Na verdade esse conceito de "desinduistrialização" não faz o menor sentido.

Abraço e bom final de ano!
Cristiano

Anônimo disse...

ah tá, então pelo seu racicínio se tivermos duas economias, Economia A com PIB per-capita de US$ 30.000,00 (PPP) e taxa de poupança de 15% do PIB e economia B com PIB per-capita de US$ 7.000,00 e taxa de poupança de 50%, não podemos afirmar que a economia B poupa mais que a economia A !!! Estranho o mundo neoclássico ... menos significa mais

Cristiano M. Costa disse...

Caro Anônimo,

você entendeu a crítica. Ou seja, olhar para números relativos nem sempre represenda a realidade da produtivade, do nível de desenvolvimento tecnológico ou do bem-estar de um país.

Em economias desenvolvidas as pessoas compram uma geladeira a cada 10 anos. Mas consomem tickets de cinema, passeios de barco, educação, saúde, etc, todos os anos. É natural que a % da indústria no PIB caia. Isso não é uma coisa ruim.

Por isso a crítica ao uso de medidas relativas. O termo "desindustrialização" faz parecer que estamos diminuindo o número de empresas deste setor. O que não é verdade.

Abraço,
Cristiano

Anônimo disse...

"Ou seja, olhar para números relativos nem sempre represenda a realidade da produtivade, do nível de desenvolvimento tecnológico ou do bem-estar de um país".

Enfraçado que na resposta ao meu comentário voce é super-cuidadoso e admite que o caso geral não é o que voce advoga (do contrário voce usaria o termo "quase sempre" ao invés de "nem sempre" ... essas expressões tem significados completamente diferentes) ... mas no seu post voce quer ridicularizar a pessoa que expoe uma idéia contrária a sua !!!! Admita que faltou honestidade intelectual ao seu comentário !!!

Feliz ano de 2011

Anônimo

Cristiano M. Costa disse...

Caro Anônimo,

eu só escrevi que olhar os números relativos não faz sentido nesse caso em particular. Por isso o "nem sempre". Em muitas outras circustâncias faz sentido sim olhar para o número relativo e não absoluto. Isso não é uma contradição lógica ou semântica como você interpretou.

Não estou discutindo idéias, estou discutindo o conceito de "desindustrialização".

Também não tive o intuito de ridicularizar ninguém, só quis expor de forma bem humorada o contraste entre os conceitos econômicos de economistas que, na minha humilde opinião, têm formações muito parecidas.

Abraço,
Cristiano