Um dos maiores aprendizados sobre o comportamento humano durante o período da Grande Recessão foi no campo dos relacionamentos. Os dados recentes mostram que diante de um ambiente de incertezas econômicas as pessoas tendem a reduzir os comportamentos de risco ou que levem a uma dívida ou passivo muito grande no futuro.
Por exemplo, as pessoas realocaram os seus ativos que sobreviveram à queda nas bolsas mundias de modo mais conservador, buscando menos risco. Ao mesmo tempo, postergaram o consumo de bens duráveis e imóveis.
Um outro aspecto importante está no campo do relacionamento. Segundo dados recentes, e divulgados de forma muito legal no blog Economix do NYT, os nascimentos de bebês, os casamentos e os divórcios diminuíram em 2009. Talvez, a variação não seja estatisticamente significativa, por isso devemos ficar atentos aos dados de 2010, quando saírem.
Mas uma interpretação direta é a de que as pessoas postergaram qualquer decisão que tivesse um custo maior, dada a incerteza quanto ao comportamento futuro do mercado de trabalho e a queda de renda/emprego. Durante a Crise de 29 os EUA enfrentaram quatro anos seguidos de queda no número de nascimentos por 1,000 habitantes (gráfico AQUI).
A minha impressão é que muitas pessoas preferiram adiar decisões de filhos e casamentos, já que este é um gasto relativamente planejável. Já no lado do divórcio, a idéia é que com a queda de renda/emprego "ficou mais fácil" dividir a conta de aluguel e de luz com quem você não ama tanto assim, do que arcar com o custo da papelada e das novas despesas. É triste, mas a teoria econômica explica.




2 comentários:
Caro
Certa vez, conversando com uma amiga bióloga sobre o fato das fêmeas não entrarem no cio quando as condições de sobrevivência eram extremamente reduzidas (no caso, acho que falávamos das fêmeas de animais selvagens na África), ela citou algum estudo ou hipótese para o mesmo ocorrer com humanos em épocas de enorme dificuldade de sobrevivência, como foi o caso do período da segunda guerra mundial e talvez da crise de 29. Ela atribuiu o fenômeno ao estresse, que influiria diretamente na capacidade reprodutiva dos indivíduos humanos. Se não me engano, alguma coisa relacionada aos hormônios.
Obviamente que entre humanos a decisão racional de não procriar sob condições extremamente adversas, ou imaginadas como tal, é mais determinante do que a biológica.
Excelente!
Abraço,
Cristiano
Postar um comentário