O Adolfo Sachsida aponta a Farra do Gasto Público (incluindo a picaretagem de não incluir os gastos do PAC no cálculo do déficit fiscal) e o perdão dado aos estados que não cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Eu acho que ele tem um ponto muito claro e me junto a ele na crítica à política fiscal. O governo abriu a torneira, afinal é época de eleição. É assim, e será assim sempre que o ano for eleitoral.
Qual a surpresa então? Nenhuma. Não é surpresa para o Adolfo, nem pra mim, nem pra ninguém. Na verdade, o mercado já está precificando (via taxa de juros futura) esse aumento da dívida pública e o recente aumento da relação dívida/PIB.
Não adianta, a equipe econômica do próximo presidente vai ter fazer um ajuste fiscal no primeiro ano, pois vai encontrar um cenário de juros elevados, câmbio valorizado, déficit externo, baixa poupança pública e economia aquecida.
Qual seria a alternativa para um governo que estivesse menos preocupado em eleger o sucessor? Bastava aumentar fortemente a poupança do governo. Isso bastaria para evitar o aumento dos juros e a valorização cambial. Uma redução dos gastos ajustaria as contas externas e internas.
A política monetária não é a única política disponível em um sistema de metas de inflação.




2 comentários:
Isso me traz a pergunta: será que o Brasil já tem uma democracia madura o suficiente para que os eleitores deixem de premiar (e passem a punir) candidatos que saem gastando no último ano de governo para eleger o sucessor/se reeleger? Eu gostaria de pensar que sim, me baseando no fato de que em muitas democracias maduras, isso ocorre (Brender e Drazen (2005)). Para ser honesto, porém, não acredito muito nisso para o Brasil
Que aritmética monetarista mais desagradável..
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