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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pesquisas de Opinião e Amostragem


O objetivo deste blog não é fazer política. Mas, vou fazer uso de uma pesquisa política para mostrar como os resultados de uma pesquisa podem ser, em pequenas doses, viesados por questões de amostragem.

Note que não quero dizer que a amostra é viesada intencionalmente, mas que, por algum critério estatístico, a amostra pode ser pouco representativa da população (universo).

Se você visita o site do TSE é possível saber exatamente as regiões das pessoas da amostra. Basta visitar www.tse.gov.br, depois clicar em Pesquisas Eleitorais e depois em Consulta aos Avisos de Registro de Pesquisa. Daí, basta clicar OK sem preencher nada. Um resumo das pesquisas aparece se você clicar em um ícone bem no lado direito de cada pesquisa.

A pesquisa em questão é a última CNT/Sensus, realizada de 25/01/2010 a 29/01/2010 para presidente da república, em que o crescimento de Dilma Russeff foi a manchete (AQUI).

Vamos dar uma olhada na amostra. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a pesquisa ouviu 9 pessoas em Natal (508 mil eleitores), onde o PT perdeu em 2008, e 13 em Sítio Novo (4 mil eleitores, 803 recebedores de bolsa-família), dica do Claudio Humberto. Em Porto Alegre, foram 15 pessoas entrevistadas. O tamanho da amostra é de 2.000 entrevistados.

Segundo a descrição da pesquisa:
2.000 Entrevistas, ponderadas pelas 05 Regiões e para 24 Estados, com o sorteio aleatório de 136 Municípios por representatividade de grupos populacionais. Probabilística sistemática com cotas para Sexo, Idade, Escolaridade e Renda no Setor Censitário.

Eu não quero contestar a pesquisa. Mas já ocorrem algumas contestações. Por exemplo, esse ponto foi levantado pelo deputado Juthay Magalhães Jr. (PSDB-BA):

Na mais recente pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus, Serra tem 33,2%, Dilma 27,8% e Ciro 11,9%. Quando se tira Ciro, o Serra cresce 7,5% - vai para 40,7%. E Dilma apenas 0,7% - vai para 28,5. Ou seja: Serra cresce 10 vezes mais do que Dilma. Acontece que isso é virtualmente impossível no histórico das pesquisas eleitorais dos últimos tempos. Nenhuma pesquisa jamais registrou fenômeno igual. Nas pesquisas divulgadas no início de dezembro, Serra obtém 31.8% na Sensus, 38% no Ibope e, no Datafolha, divulgado quinze dias depois dessas duas, 37%. E neste mesmo Datafolha de dezembro, quando Ciro sai, tanto Serra quanto Dilma crescem 3 pontos percentuais cada um.
Fonte: Blog do Noblat.

Enfim, desconfie de amostragens. Ou alguém aí já se esqueceu da última eleição para Governador do RS?

7 comentários:

Paulo disse...

O Blog do Coronel bateu bastante nessa tecla. Fez varios posts sobre isso, pra quem interessar só dar uma olhada la...

Cristiano M. Costa disse...

Excelente. Segue aqui o link para um destes posts:

http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/02/nao-houve-probabilidade.html

Abraco e valeu pela dica!

Cristiano M. Costa disse...

Está rolando uma mega discussão lá no blog Na Prática a teoria é outra. Segue o link:

http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=5209

Eu inclusive deixei um comentário, que vou reproduzir no próximo comment.

Cristiano M. Costa disse...

O ponto inicial é o seguinte, mesmo que tenha sido aleatório, qual a probabilidade desse evento ocorrer? Muito baixa certamente. Ou seja, no melhor dos casos, estamos analisando uma pesquisa que tem uma probabilidade muito baixa de representar o resultado final, mesmo cumprindo todas as regras estatísticas.

Por exemplo. Imagine que desejamos saber a demanda por shampoo masculino e sabemos que 50% dos homens tem cabelo e 50% são carecas, em uma população de 100 homens. Daí resolvemos sortear 10 homens aleatoriamente. Rodamos a urna e escolhemos 9 carecas e 1 cabeludasso. Qual a probabilidade de esse sortei ocorrer? Muito baixa. Qual o valo desta pesquisa? Também muito baixo, porque eh pouco representativo da populacao.

Aparentemente a pesquisa do Vox Populi sorteou cidades com um perfil de educação, renda etc (nem entro na questao de como foi a votacao na eleicao passada, ou como eh a distribuicao do bolsa familia) que não representa a populacao. Esta é a critica. Ou seja, ao rodar a urna, um evento de probabilidade baixa ocorreu.

A questao que mais me intrigou foi a distribuicao dos votos do Ciro entre Serra e Russeff, quando o primeiro sai da pesquisa. Este resultado também tem probabilidade muito baixa, dados os historicos de pesquisas anteriores.

Ou seja, o resultado claramente evidencia que a amostra eh no minimo fruto de um evento pouco provavel.

Enfim, a critica eh totalmente estatisca. Meu intuito nao era discutir politica.

Cristiano

Cristiano M. Costa disse...

Me desculpem, a pesquisa era CNT/Sensus e não Vox Populi.
Foi mal.
Abraço,
Cristiano

paulo araújo disse...

“A linguagem da prova é a de quem submete os materiais da pesquisa a uma aferição permanente: ‘provando e confirmando”, como rezava a famosa divisa da Accademia [científica florentina] del Cimento”. (Carlo Ginzburg, Relações de Força)

Caro

Bons o post e o comentário na caixa. Eu aprendo.

O problema com essas pesquisas é que ninguém faz auditoria científica e os dados são divulgados como se fossem conhecimento da realidade. Isso não chega a ser nem um “desvio positivista”. A questão de fundo aí são os interesses de indivíduos e grupos, a grana que rola, a satisfação do cliente.

É óbvio que Dilma está crescendo na intenção de voto. Não é preciso pesquisa para saber isso. Basta analisar os fatos, isto é, a descarada antecipação da campanha eleitoral. Seria mesmo negar a realidade não aceitar esse fato.

Os posts (os do Coturno e os seus) não entram no mérito do crescimento. Isto é, eles não conduzem para uma “compreensão FlaXFlu” do evento (pesquisa e resultados). Nada do que li é peremptório quanto ao crescimento, seja para negar, seja para afirmar.

Ora, se o que se deveria buscar com tais pesquisa é o conhecimento da realidade, a verdadeira posição dos candidatos a partir de amostragem probabilística, o que se pode concluir a partir da leitura dos posts é que as pesquisas e os seus resultados estão prejudicados, como indicam os elementos apresentados.

A se confirmar a hipótese, temos que concluir que tais pesquisas são inúteis para o conhecimento das oscilações nas posições dos candidatos, embora utilíssimas para o embate ideológico travado pela militância.

No meu entendimento, o que os posts se propõem, e realizam com sucesso, é apresentar em linguagem clara as inconsistências do modo de produção dessas pesquisas. Nos posts mostra-se e prova-se com argumentos lógicos e empíricos o quanto pode haver de falácia no propalado “caráter aleatório e neutro” no momento de definição do campo de pesquisa.

Foi essa a novidade trazida pelo Blog Coturno Noturno e também por você. Essa auditagem científica das pesquisas pode (deve) ser feita. Os dados estão disponíveis no TSE. Mas no momento de escrever a reportagem ou a coluna a auditagem é desconsiderada. E quando o caldo entorna não se vai ao exame dos fatos (às pesquisas), mas recorre-se ao “argumento de autoridade” dos “especialistas” e, claro, donos de agência de pesquisa.

Abs.

paulo araújo disse...

Faltou o "então" na frase:

Ora, se o que se deveria buscar com tais pesquisa é o conhecimento da realidade, a verdadeira posição dos candidatos a partir de amostragem probabilística, ENTÃO o que se pode concluir a partir da leitura dos posts é que as pesquisas e os seus resultados estão prejudicados, como indicam os elementos apresentados.

É a minha conclusão, a partir da leitura dos posts. Concluo que os dados das pesquisas são nada confiáveis.