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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ausência

Caros amigos e leitores,
o blog ficará sem novas atualizações por tempo indeterminado.
Estou em Porto Alegre devido a uma emergência familiar.
Qualquer coisa podem se comunicar pelo meu email ao lado.
Abraço,
Cristiano

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Prova do ENADE II


O Shikida não gostou mesmo da prova do ENADE. Segundo ele, a prova não é um bom indicador da qualidade das instituições, mas estas usam esta informação como propaganda e o governo usa os resultados para avaliar a eficiência de políticas públicas.

Olha, eu não imagino que esses resultados afetem a demanda por trabalhadores formados nessas instituições. O mercado sabe exatamente a qualidade média do aluno formado na escola X e na escola Y.

Agora, isso pode afetar a demanda por ensino. Neste caso, o aluno e seus pais, muitas vezes não tem a melhor informação sobre a qualidade da universidade e acabam indo na onda da propaganda. Mas, é muito fácil acabar com esse problema. Basta acabar com essa prova (que é a minha opinião pessoal). Deixemos o mercado, via preço e medidas de qualidade (corpo docente, alunos/sala, infra-estrutura, taxa de desemprego entre ex-alunos, etc.) competir e pronto, como acontece aqui nos EUA.

É aquela velha idéia de teoria de contratos. Dependendo do caso, o resultado é melhor se você impedir que os agentes enviem um sinal, especialmente se esse sinal for viesado.

Agora, o Governo usar o ENADE pra fazer política pública já é outra questão. É aquela história de usar um estimador viesado. Uso um estimador viesado, ou não uso estimador nenhum? É uma pergunta sem resposta correta.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Prova do Enade


A prova de Economia do ENADE causou polêmica. Muitos não gostaram e tal. Eu não sei se eu tenho uma opinião a respeito. Assim, pra que serve essa prova mesmo? Alguém fora do setor público olha esses dados? Enfim, a polêmica foi tão grande que fui dar uma olhada.

Na parte de economia você encontra todas aquelas questões que são comuns na graduação: função utilidade, modelo keynesiano simples, II PND, Revolução Industrial, etc. Não achei nada muito fora da realidade acadêmica brasileira, mas esta questão (número 39, discursiva) me chamou a atenção:

A preparação para os Jogos Olímpicos de 2016 terá impactos econômicos importantes, em virtude dos investimentos públicos e privados que serão realizados. De fato, pode-se argumentar que os efeitos econômicos serão bem maiores que os valores que serão inicialmente gastos. A partir do modelo keynesiano simples para uma economia fechada e com governo, o que ocorre com o produto de equilíbrio, quando os gastos públicos se elevam em R$ 1,00?

A resposta certa é que quando G aumenta, o produto aumenta em um valor maior que G. É a idéia do multiplicador. Bem, eu pensei em várias respostas alternativas. Seguem algumas:

1) Fala sério, se o governo aumentar só um pila nada acontece!

2) Como assim economia fechada? Tipo, os Jogos Olímpicos nem existem em uma economia fechada!

3) O produto de equilíbrio aumenta em...Ooops. Não existe equilíbrio! Isso é coisa de neoliberal!

4) Pô, posso falar da Equivalência Ricardiana?

5) Crowding-oooooooout! (em ritmo de Dança do Créu na terceira velocidade)

O mais engraçado é que no gabarito diz somente: Discursiva.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Rearranjo Internacional


Já escrevemos aqui sobre a tese do descolamento. A idéia é simples, na medida que as economias emergentes crescem sucessivamente a taxas maiores que as desenvolvidas, o peso relativo destas diminui. Isso possibilita que conseqüências econômicas sejam distintas durante períodos de crise. Em particular, as economias emergente se tornam menos sensíveis a choques vindos dos países desenvolvidos.

Essa tese é sempre acompanhada de muita desconfiança, especialmente devido as condições institucionais de países como China, Índia e Brasil. Mas, aos poucos, o mercado (muito antes dos economistas da academia) começa a acreditar na tese do descolamente.

Leia mais sobre o assunto nesse artiguinho da InfoMoney, clicando AQUI.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Liberdade e Normas Sociais


Espero que todos que leiam este post compreendam que eu não quero criar polêmica, apenas lembrar os meus leitores que a vida é um pouco mais complicada do que imaginamos.

Recentemente troquei email com o Cláudio Shikida sobre a questão das liberdades individuais. Debatíamos o caso da menina da Uniban, que foi para a aula com um vestido curto, foi agredida e agora está por todos os sites de notícias. Seguem alguns comentários meus, mas que eu não quis publicar imediatamente pois achei que ia ser muito polêmico. Mas, como o fato tomou notoriedade maior, deixo aqui o meu pitaco.

A questão da liberdade de expressão é complicada. A sociedade não é uma coleção de liberdades individuais, e sim uma liberdade limitada pela liberdade dos outros. É uma falsa liberdade. Ou melhor, uma liberdade que demanda um uso consciente.

Certas normas sociais passam acima do Estado. Certos comportamentos podem ser previstos em leis como excessivos, mas a sociedade (que não é como eu gostaria que fosse, nem como outras pessoas acham que deveria ser) responderá de formas diferentes.

Aqui nos EUA, por exemplo, pessoas estranham se você beija outra pessoa na boca em uma festa. Não é porque é permitido em lei que outras pessoas têm que gostar. Se um jovem sair beijando a namorada na boca, corre o risco de ouvir muitas ofensas ou até de ser colocado pra fora da festa. Dependendo do condado pode inclusive ser acusado de atentado ao pudor e condenado.

Outro exemplo. No prédio da FGV do Rio os homems não podem usar bermuda. Todos tem que usar calças longas. Me lembro como se fosse hoje, 40 graus e eu tendo que andar pra cima e pra baixo de calça. Daí veio a política de economizar energia e o ar condicionado era desligado às 5 da tarde. Quando dava 5:20 era um inferno. E eu lá, de calça. Obviamente, que todas as mulheres poderiam usar saia, e inclusive tops e mini-saias. Veja que interessante. Mas, era a norma da casa.

Acho que o caso da menina foi um excesso. Mas, o estado se fez presente, ela saiu escoltada e ela pode entrar na justiça por danos morais.

No momento que uma pessoa sai na rua usando roupas curtas ela está comprando um risco. Em determinadas normas sociais nada acontece, em outras ela seria confundida com uma prostituta. Depende da norma social, do local, da cultura, dos valores da sociedade local (inclusive morais). E, devemos sempre nos lembrar que existem os extremistas. É um risco, no mínimo.

Não vejo como o estado poderia interferir mais do que interfere. O estado dá certas liberdades que demandam cuidado em seu uso, simplesmente porque o estado nao pode estar em todos os lugares simultaneamente.

Acho que o meu ponto principal é que existem normas socias que não podem ser ignoradas, especialmente em instituições privadas. O que faz a sociedade andar em sua normalidade não é o Estado e sim um uso consciente da liberdade por parte das pessoas.

Agora a Uniban decidiu expulsar a aluna e depois voltou atrás. Não sei a alegação, mas imagino que seja algo como distúrbio da ordem e tal (parece que em algum momento ela levantou a saia - AQUI - mas nunca saberemos o que se passou de fato). Muitos, vão dizer: Pô, mas ela tem o direito de sair como quer e tem a liberdade dela. Bem, eu acho que não é bem assim. Em tese, o Estado garante certos direitos. Mas as instituições privadas tem também, as suas regras, como a regra da calça na FGV-Rio. Acima disso, existem as normas sociais, que são as regras implícitas de cada sociedade (como o caso do beijo na boca aqui nos EUA).

Enfim, meu ponto é o seguinte. Faça um uso consciente da sua liberdade! Esteja consiente que a sua liberdade de expressão muda conforme a sociedade. Cada sociedade tem a sua norma! Use a sua liberdade com sabedoria!

PS: Vejam bem, não estou defendendo a Uniban, muito menos os agressores ou a tentativa de expulsão da aluna. Só queria lembrar que existem normas sociais, e que ao transgredir certas normas você fica a merce da sociedade, agressores, das cameras digitais, da mídia e do Estado.

Desemprego nos EUA


A taxa de desemprego média dos últimos 12 meses é de 8.6% para o americano médio, e vem subindo. Essa taxa deixa a impressão que o problema é grande. Mas, se abrirmos os dados vamos ver que o problema é ainda maior. O desemrpego aqui é altamente estratificado. Dois exemplos:

- A taxa para homens, negros, entre 15 e 24 anos e sem ter terminado o segundo grau é de 48,5%.

- A taxa para mulheres, brancas, entre 25 e 30 anos e com graduação completa é de 3,6%.

Ou seja, existem dois mundos distintos nos EUA. O NYT fez um gráfico mostrando essas diferenças. Confira clicando AQUI.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vale de Lágrimas


Resolvi abrir espaço para que alguns dos meu leitores expressem suas opiniões aqui no blog. Espero que essa iniciativa seja vista como uma oportunidade de dicussão entre os leitores. Não importará o tema, desde que o conteúdo esteja relacionado aos problemas econômicos atuais. Para colaborar com este blog basta enviar um email (ver contato na barra lateral). O texto não poderá ser muito longo, no máximo quatro parágrafos, como é o padrão geral dos artigos mais extensos do blog. Segue abaixo o primeiro texto enviado por um grande amigo e assíduo leitor deste blog.

A pressão do governo federal sobre a atual direção da Vale deveria constar nos manuais da novíssima teoria da escolha pública. Estão lá, expostos como uma mina que brota riquezas da terra a olho nu, os mecanismos da busca de rendas, no caso, fortunas, o uso das empresas públicas por lobistas de partidos para atender uma visão de poder, quase sempre única, unilateral e de viés totalitário. Sabe-se pouco sobre os diálogos profanos que compõem a letra morta dos discursos de nosso presidente, agora, midiático.

A versão visível, oficial e de agrado geral é a de um líder lutando pela preservação do interesse nacional contra a vilania gananciosa de empresários impiedosos que ousam comprar navios da China, quando os interesses das empresas nacionais são negligenciados. Exploradores que são os empresários fazem lucro com a riqueza de nosso subsolo e não compram de nossas indústrias, e, pasmem, não investem no PAC (programa para apoiar a nossa candidata), não aplicam, portanto, no Brasil o que conseguem lucrar com nossas riquezas. Aliás isso constitui uma clara ruptura com o modelo chinês, onde, empresa, partido e poder constituem o mesmo DNA, não é de se estranhar que seja único o partido político a representar o povo, no novo dicionário de ciência política isso significa democracia direta e popular.

Um leitor mais sensível, contudo, seria capaz de soletrar o mantra que move a fala presidencial, mesmo dispondo de poucas informações e de uma imaginação criativa normal, é possível intuir que a ingerência de um presidente em uma empresa que possui capital aberto e que foi privatizada a luz do dia, obedece a uma lógica menos grandiloqüente. Um pequeno glossário ajudaria a ler o manual de instruções. Nesses casos, investir significa apoiar com dinheiro e muitos recursos os projetos de nossos bravos companheiros. Comprar de indústrias nacionais significa multiplicar a rede de apoio a nossos projetos de poder com recursos de toda ordem e de muitos setores. Afinal, favores presidências tem que ser compensados com favores a nossa gente, afinal a Vale, como o Brasil, é de todos nós, militantes do grupo da alvorada, de cruz alta e del partido no poder, ousar romper esse ciclo de favores é crime capital que só pode ser combatido com a troca da direção da vale e com outro palanque para inaugurar mais um estaleiro no sul.

Assim, com um enredo de teoria microeconômica pouco ortodoxa, poderia ser estimado o multiplicador da matriz de favores, esse sim Keynesiano, heterodoxo, popular e democrático. Um ardil que atende ao projeto desenvolvimentista de inspiração Furtadina. Amém!

Sabino da Silva Pôrto Jr. (Professor de Economia da UFRGS)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Crise em “W”?


Um cenário que tem sido considerado como pouco provável, por muitos analistas, é aquele que considera a possibilidade de novos desdobramentos da crise internacional, sobretudo nos países desenvolvidos, que tem sido popularmente conhecido como economia em “W”.

Eu particularmente estou entre aqueles que acreditam que haverá uma recaída na retomada do processo de crescimento da economia global, com a ressalva de que (se esta queda de fato se confirmar) não deverá ser tão acentuada como a que vimos recentemente e que seria seguida por uma recuperação gradual e lenta das economias como um todo, sendo que esta recuperação tende a ser relativamente menos vigorosa e mais lenta nas economias dos países desenvolvidos, destacadamente os EUA.

Dentre os fatores que elevam a possibilidade de ocorrência deste cenário, merece destaque que as taxas de desemprego nos EUA continuam crescendo, o que compromete o carro-chefe da economia norte-americana, que é o setor de consumo. Devemos ressaltar que algumas políticas de incentivo ao consumo nos EUA, como os programas de estímulo de troca de carro (que se encerrará em novembro) e de incentivo às hipotecas para os que ainda não tinham se beneficiado não foram suficientes como propulsores do crescimento econômico, mas apenas serviram para aquecer a economia, através de antecipação do consumo.

Devemos lembrar também que os juros reais bastante reduzidos nas economias dos países desenvolvidos (sendo, em grande parte, negativos) acompanhados de um enfraquecimento do dólar americano em relação às outras moedas têm servido de combustível extra para a montagem de operações envolvendo ativos de renda variável, o que se refletiu, mais rapidamente do que o esperado, em uma elevação das cotações das ações negociadas em bolsa, com destaque para as ações negociadas na BOVESPA que nos últimos meses atraiu volumes crescentes de investidores internacionais. Caso, de fato, se confirme um cenário de crise em “W”, este será acompanhado de uma queda das cotações das ações com elevação da volatilidade, sobretudo na BOVESPA.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa e escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras.

Baseball e Mercado


Da Bloomberg:
Since the S&P 500 began trading in 1928, it has averaged 3 percent returns for those two months following the Yankees’ 10 World Series defeats; 2.16 percent returns in the 24 years they won the title; and 0.9 percent returns when the Yankees didn’t make the World Series at all. The market does best when New York reaches the World Series -- and loses.

Como eu sempre digo, para todo o evento existe uma estatística.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Multa Sobre o FGTS

Do ClicRBS:
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira o projeto que fixa para 31 de julho de 2012 o fim da multa adicional de 10% incidente sobre o total do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) paga pelas empresas em caso de demissão sem justa causa. A multa é paga além dos 40% sobre o saldo do fundo, determinados pela lei instituída em 2001.

Essa medida (se aprovada no Congress) diminui um pouco o custo de demissão. Em tese é uma excelente medida. Haverá maior flexibilizaçõa e rotatividade no mercado de trabalho, aumentando a competição. É bom dizer, porém, que esses 10% pagos quando não há justa causa é apenas uma pequena parcela dos custos de demissão, que incluem inclusive os 40% sobre o saldo do fundo.

De qualquer maneira, espera-se que essa mudança diminua os custos de demissão para os funcionários mais antigos, já que é um valor proporcional ao saldo total da conta de FGTS. Se a pessoa é recém-contratada, o saldo é pequeno, assim como a multa.

Essa medida pode viabilizar a contratação novos funcionários, ao mesmo tempo que diminui os custos de demissão de funcionários mais antigos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Comprando Maxi López


No Blog do Wianey Carlet (um comentarista esportivo da Rádio Gaúcha) um leitor chamado Cláudio S. sugeriu o seguinte:
O Grêmio criaria "cotas de investimento para a aquisição de parte dos direitos econômicos do Maxi". Digamos que 50% dos direitos econômicos do jogador valem 1 milhão de euros e, em reais, representaria R$ 2,5 milhões. Seriam criadas, por exemplo, 1000 cotas de R$ 2,5 mil cada. Cada adquirente, ao comprar uma ou mais cotas, assinaria um termo junto ao Grêmio, que lhe garantiria a participação proporcional ao número de cotas investido, numa futura venda do Maxi.

Está aí um bom exemplo de teoria econômica aplicada. Se o clube tem aversão ao risco, ele pode vender cotas e cada investidor comprará pequenas partes. Note que os investidores menores podem também ser aversos ao risco. Uma questão idêntica caiu na lista de exercícios do MBA aqui de Wharton, no curso de Managerial Economics.

Na parte A) o aluno concluía que, dada a riqueza do clube, distribuição de probabilidades e a aversão ao risco, o clube preferiria não investir. Na parte B) ele poderia vender as cotas (e o risco). Se existissem 500 investidores com a mesma riqueza e aversão ao risco que o clube, então eles estariam dispostos a comprar 1/500 partes dos direitos federativos do jogador.

É a torcida gremista ensinando teoria econômica aos dirigentes.

Venezuela no Mercosul


Da BBC Brasil:
A Venezuela passou a ser o quinto país-membro do Mercosul, após assinatura de protocolo de adesão em uma reunião de cúpula especial na capital do país, Caracas, nesta terça-feira. Com isso, o bloco, criado em 1991, passará a ter 250 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1 trilhão - cerca de 75% do total da América do Sul.

Está aí uma medida que eu estou querendo ver o resultado. Com a assinatura, a Venezuela terá que eliminar todas as barreiras alfandegárias com os membros do bloco até 2014, isso seria um avanço, principalmente para os estados do Norte do Brasil.

O problema é que a Venezuela pasará a ter poder de veto sobre acordos comerciais do bloco com outros países e blocos, incluindo aí o NAFTA e a União Européia.

Será que vale a pena?