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sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween


Rapidinhas de Halloween:

1) O fim da crise está demorando a chegar (AQUI).

2) A volatilidade voltou com força na Bovespa (AQUI).

3) O CIT Group está a perigo (AQUI).

4) A contas públicas estão em miséria (AQUI).

5) China cresce como nunca antes na história deste país... (AQUI).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Uma Mente Brilhante


Já que o vídeo do Split or Steal foi tão popular, vou postar um outro vídeo que eu uso nas minhas aulas de introdução à teoria dos jogos. É um trecho do filme Uma Mente Brilhante, que narra a vida de John Nash. Em determinado momento (supostamente quando ele tem a brilhante idéia de modelar o que viria ser o equilíbrio de Nash), ele e seus 4 amigos observam um grupo com 1 loira e 4 morenas (em tese menos atraentes que a loira).

Ele conclui que um dos equilíbrios é o seguinte: eles (exluindo o Nash) não devem ir todos disputar a loira. Ao contrário, os 4 devem dançar com as 4 morenas. Assim, todos arrumam um par. O Nash não se inclui no raciocínio.

O argumento que faz essa alocação ser um equilíbrio é sutil. Em determinado momento ele diz que a loira não vai gostar de ser a segunda opção de ninguém. Ou seja, uma vez que eles tiverem dançado com as morenas, a loira não vai mais querer nenhum, bloqueando incentivos para uma possível realocação de pares após a primeira dança.

Nesse momento o Nash vai embora, deixando os 4 amigos com as 4 morenas e 1 loira. E o filme não mostra o que acontece depois. O que vocês acham?



PS: O volume do vídeo é meio baixo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Split or Steal?


O episódio abaixo é de um programa de TV inglês. O jogo funciona da seguinte forma: dois competidores tem que escolher se vão dividir (Split) ou roubar do outro (Steal) o prêmio de 100 mil libras. Se ambos escolherem Split, cada um fica com 50 mil. Se um escolher Steal e o outro Split, quem escolheu Steal fica com tudo e o outro vai pra casa sem nada. Se os dois escolherem Steal, ambos ficam com zero. Veja só que acontece neste vídeo:



Quem você acha que faltou na aula de Teoria dos Jogos?
O homem ou a mulher?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meritocracia


O Ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza, deu uma entrevista à Veja, sobre as reformas que está implantando como atual Secretário da Educação de São Paulo. Eis um trecho:
Em culturas mais individualistas e competitivas, como a anglo-saxã, as aferições do nível dos professores e do próprio ensino não são apenas bem-aceitas como têm ajudado a melhorar as escolas, na medida em que fornecem um diagnóstico dos problemas. Os professores brasileiros que agora resistem a passar pela avaliação certamente não estão atentos a isso. Sua maior preocupação é lutar por direitos iguais para todos - velha bandeira que ignora qualquer noção de meritocracia. Por isso, eles se posicionaram contra uma regra do projeto que limita o número de promoções por ano: não mais do que 20% dos profissionais poderão subir de nível. É um teto razoá-vel: evita um rombo no orçamento e, ao mesmo tempo, promove uma bem-vinda competição. Demandará mais empenho e estudo dos professores - o que não lhes fará mal.

Essa questão de contratos na área de educação é uma disputa antiga entre os professores que são bons, e não temem competir, e os incompetentes, que se escondem atrás da bandeira da isonomia salarial e direito a faltas. O primeiro grupo sai vencedor com esta proposta.

Leia a entrevista completa clicando AQUI.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Produção de Atletas


O Gustavo Chacra, do Estadão, faz um ponto interessante. Ele nota, que assim como em Nova York, a cidade de São Paulo está vendo seus clubes desaparecerem. Ele nota que o aumento da oferta de academias de ginástica estaria substituindo os antigos clubes. Seu argumento é que essa mudança prejudicaria a formação de atletas de nível olímpico.


É uma análise interessante e acho uma discussão muito boa. Na medida que as preferências (demandas) mudam, a oferta se adapta. A questão é entender alguns detalhes.

Nos EUA, grande parte dos esportes coletivos (basquete, futebol, vôlei, futebol americano, etc.) e individuais se dá no ambiente acadêmico (escola e depois nas universidades). Uma vez que se encerra a faculdade, é realmente difícil encontrar espaços para praticar alguns esportes. Há uma segmentação. Por exemplo, em NY existem muitas quadras públicas de basquetes. No Central Park existem quadras de baseball e soccer. E por aí vai. A figura de um clube com tudo é realmente rara. Entretanto, a universidade é o caminho para o profissionalismo, seja para uma grande liga como a NBA ou a NFL, ou para treinamentos individuais baseados em patrocínios privados (caso, por exemplo da patinação artística, ginástica, vela, etc.).

Não posso falar nada sobre como eram os clubes em São Paulo algumas década atrás. Mas em Porto Alegre os clubes seguem firmes e fortes, alguns exemplos são o Grêmio Náutico União, e a Sociedade Ginástica Porto Alegre. O primeiro teve início com o Remo e a Vela às margens do Rio Guaíba, e hoje produz ginastas como a Daiane do Santos. O segundo iniciou-se com foco na ginástica, e hoje tem o Judô como um dos principais esportes. A administração desses clubes com focos mais generalistas é realmente muito complicada e custosa.

Mas se notarmos bem, até mesmo os clubes de futebol de São Paulo e Rio de Janeiro passam por problemas de gestão e alocação de recursos. Um exemplo? Como podem os dois times de maior torcida (Flamengo e Corinthians) não terem um estádio privado? Mais ainda, como podem Internacional e Grêmio serem os dois clubes de futebol com o maior número de sócios no país? A resposta tem que passar pela qualidade da gestão. Obviamente, o talento supera muitos obstáculos. Mas uma melhor gestão dos clubes brasileiros é necessária. Principalmente, um profissionalismo maior.

Não vejo como a segmentação poderia ser um problema para a formação de atletas. Acho que os dois modelos (americano e brasileiro) têm potencial para formar atletas da mesma forma. A falta de atletas olímpicos de alto nível no Brasil está diretamente ligada à gestão das instituições esportivas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Política Monetária vs Política Fiscal


Confirmando a expectativa do mercado, o Copom decidiu, pela segunda vez consecutiva, manter a taxa Selic em 8,75% ao ano, interrompendo, definitivamente a tendência de redução da taxa Selic. Vale lembrar que entre janeiro e julho deste ano, houve uma seqüência de cinco cortes da taxa Selic, que foi reduzida em 5%. Fica claro que tão cedo haverá uma nova redução e o mercado já trabalha com a hipótese de que a partir de meados de 2010 o Copom voltará a promover elevações na taxa Selic, visando conter possíveis pressões sobre a inflação, que já apresenta sinais de recrudescimento, conforme aponta o último relatório de inflação (divulgado em fins de setembro).

O fator que realmente preocupa neste momento é a condução da política fiscal, sobretudo a perspectiva de elevação dos gastos do governo. O descompasso entre a política monetária e a política fiscal tem se tornado cada vez mais evidente, como observamos por estes dias com a decisão do Ministério da Fazenda em taxar os investimentos estrangeiros em renda fixa e na bolsa de valores com uma alíquota de 2%, medida esta que deverá ser inócua em relação ao seu principal objetivo, que é o de impedir a valorização do real frente ao dólar e ao euro.

A condução bem sucedida da política monetária, pelo BACEN, pode ficar comprometida caso sejam feitas novas intervenções que visem afetar a taxa de câmbio.

O melhor é deixar o câmbio flutuante, o que acabaria se refletindo em uma valorização do real, que teria impactos positivos sobre o crescimento do PIB, na medida em que haveria incentivos para aquisições de máquinas e equipamentos importados a custos menores, sem que este ritmo de crescimento seja acompanhado de pressões inflacionárias.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

No IOF dos Outros...


O governo pensou, pensou, pensou e decidiu intervir no dólar. A saída "mágica" veio por meio do IOF de 2% sobre a entrada do capital estrangeiro, que agora paga até quando empresta dinheiro para empresas brasileiras.

Em uma democracia, em que o legislativo permite que o executivo tenha tais poderes, eu não posso me queixar da escolha. Mas, posso dizer que a escolha foi infeliz. O motivo é muito simples: não vai ser um IOF de 2% que vai contar a queda do dólar. Se o objetivo era esse, vai dar com os burros n'água. O mercado, até ontem estava apostando em um dólar próximo de R$ 1,60 no final do ano (AQUI). E o argumento era simples, o Brasil vai crescer mais que os EUA e Europa nos próximos 18 meses e a inflação está sob controle (e o dólar baixo estava ajudando a manter esse controle, principalmente do IGP-M).

No curto prazo, o capital vai continuar entrando. Só as captações da TAM e da Odebrecht trarão um bom volume de investimentos. Além disso, a temporada de divulgação de resultados se inicia em algumas semanas e eles devem ser bons. Uma conseqüência não prevista pode ser um aumento do mercado de ADRs brasileiros aqui nos EUA. Aumentando o potencial de captação das grandes empresas no longo prazo.

O aumento de IOF vai gerar aumento do dólar na primeira semana, quando aumenta um pouco a incerteza, empresas importadoras antecipam a compra de dólares, etc. Mas, a tendência é a mesma. Só muda o intercepto, e muito pouco.

A grande contradição é que isso aumenta (um pouco) as receitas do governo. Melhorando as finanças públicas e diminuindo ainda mais o risco dos títulos brasileiros. Vejam só, investir no Brasil fica ainda mais atraente aos olhos dos investidores estrangeiros mais conservadores.

E quem perde? Bem, perde quem entrar a partir de hoje. Quem demorou pra subir no trem da bonanza brasileira. Perde também o governo, que lança mão de uma política de aumento de impostos e ineficaz em seu objetivo principal, provendo munição para a oposição. A questão é saber se a oposição possui armamento...

E é nesse momento que eu paro de escrever. Essa medida possui mais implicações políticas do que econômicas. E o blog não é sobre política.

International Business Review


Os alunos de Wharton criaram uma revista. O nome é International Business Review e busca falar sobre os acontecimentos econômicos internacionais. Eu achei o conteúdo muito interessante, especialmente os editoriais por região, como por exemplo o Latino Americano.

Fica AQUI o link.

Boa Leitura!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Desvalorização do Dólar


Desde os desdobramentos da crise financeira ocorrida a partir do segundo semestre de 2008 temos observado um enfraquecimento da moeda norte americana, que acentuou-se após o início de outubro de 2008. Conforme podemos observar no gráfico abaixo a moeda norte americana tem sofrido uma forte desvalorização diante do euro, de quase 20% considerando-se os últimos 12 meses.



De fins de novembro de 2008 até a última sexta-feira, o dólar desvalorizou-se em cerca de 12% em relação ao real, enquanto que a desvalorização do euro em relação ao real foi de cerca de 8%.

A tabela abaixo apresenta as cotações de fins de período desde 2008.

Data
R$/US$ R$/Euro
31/1/2008
1,760 2,624
29/2/2008
1,683 2,550
31/3/2008
1,749 2,755
30/4/2008
1,687 2,643
30/5/2008
1,629 2,539
30/6/2008
1,592 2,511
31/7/2008
1,567 2,442
29/8/2008
1,634 2,407
30/9/2008
1,914 2,753
31/10/2008
2,115 2,691
28/11/2008
2,333 2,971
31/12/2008
2,337 3,244
30/1/2009
2,316 2,964
27/2/2009
2,378 3,009
31/3/2009
2,315 3,077
30/4/2009
2,178 2,885
29/5/2009
1,973 2,832
30/6/2009
1,952 2,747
31/7/2009
1,873 2,648
31/8/2009
1,886 2,709
30/9/2009
1,778 2,605
16/10/2009
1,714 2,556

A força do real resulta de diversos fatores conjunturais e também é fruto de uma política de taxa de câmbio flutuante. A história é muito simples: como os desdobramentos da crise tiveram um menor impacto na nossa economia do que em relação às economias dos países da Comunidade Européia e, principalmente, em relação aos EUA, naturalmente atraímos capital estrangeiro, o que resultou numa escassez relativa de reais no mercado e daí a valorização de nossa moeda. O ingresso líquido de capitais na Bovespa tem mostrado que as boas condições de nossas empresas tem atraído investidores mundo afora. Não obstante, os juros reais pagos sobre os nossos títulos ainda estão elevados, o que também atrai investidores estrangeiros, ainda que em proporções menores.

Existe, no mercado, uma especulação de que o governo irá voltar a taxar os investimentos externos, o que afetaria diretamente o ingresso de investimentos externos, e que eventualmente poderia reverter o atual quadro de valorização do real em relação ao dólar e em relação ao euro. Não obstante isso, o BACEN já anunciou a sua disposição em continuar comprando dólares, reforçando as reservas internacionais e visando impedir uma valorização ainda maior do real, o que não se mostrou muito efetivo nos últimos meses.

Acredito, porém, que o cenário continuará favorável à entrada de recursos, e que não haverá até o final do ano uma retomada na taxação dos investimentos diretos, o que inevitavelmente se refletirá em uma continuidade da valorização do real frente ao dólar, que poderá encerrar o ano com uma cotação próxima de R$1,60.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

Questão Complicada

Essa é pra começar a semana com bom humor. Em uma prova de matemática a professora pede ao Peter que ele expanda o binômio de Newton. O resultado está abaixo.


domingo, 18 de outubro de 2009

Ação e Reação


Agora você tem mais recursos quando visitar o blog. Embaixo de cada post você vai encotrar links para compartilhar o artigo com os seus amigos via Email, Facebook, Stumble It!, Technorati, Digg ou del.icio.us. Além disso, você pode deixar o seu pitaco na área de "Ação e Reação", dizendo se Gostou, Não Gostou ou se não está nem aí para o post (Indiferente).

Divirtam-se e bom final de semana!

sábado, 17 de outubro de 2009

Casa de Ferreiro III (A Missão)


Parece que não tem jeito. Quando o assunto é gerir os recursos próprios o pessoal de Harvard acaba metendo os pés pelas mãos (como já haviam feito anteriormente e também NYU). Da Bloomberg:
Harvard University’s failed bet that interest rates would rise cost the world’s richest school at least $500 million in payments to escape derivatives that backfired.

The annual report provides new details on Harvard’s derivative-related losses. Many were entered into in 2004, said Harvard spokeswoman Christine Heenan. Lawrence Summers, director of President Barack Obama’s National Economic Council, was the university’s president at the time. White House spokesman Matthew Vogel declined to comment.

Por que diabos eles acharam que a taxa de juros iria subir?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ah, Férias!


Se você fosse escolher um país para trabalhar considerando somente a duração média das férias, que país você escolheria? Eis AQUI a resposta.

PS: Não sei porque eu não me surpreendi.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Valor Investe (Outubro, 2009)


A revista Valor Investe (revista mensal do jornal Valor Econômico) deste mês traz uma reportagem chama "Seleção de Conhecimento" (pp. 26-30), sobre a escolha de universidades para fazer o Ph.D. em economia no exterior. A matéria traz comentários de professores, ex-alunos e alunos brasileiros que estudaram ou estudam nas universidades americanas e na LSE. Vale a pena a leitura, mas o acesso é restrito aos assinantes do jornal. Recomendo a leitura, especialmente aos alunos no segundo ano de mestrado que pensam em fazer doutorado nos EUA.

Segue o link AQUI.

CAGED Setembro 2009


Os números do CAGED deste mês impressionam (AQUI). Somados aos de agosto, são mais de 494 mil novos empregos em dois meses. Essa passagem da informalidade para o setor formal é muito importante para o país em diversos aspectos. Em particular, a formalização do trabalho implica em garantias como FGTS e aposentadoria pública. O emprego formal traz também o seguro-desemprego e proporciona maior estabilidade na renda do trabalhador, permitindo um melhor planejamento financeiro e obtenção de crédito a taxas menores. Esses fatores combinados aumentam o consumo das famílias, arrecadam mais impostos para o governo ajustar as suas contas, elevam a produção industrial e permitem maiores importações de bens e serviços.

O resultado aponta também a consolidação das expectativas de crescimento para o setor industrial. Note que quando comparados aos meses anteriores, o número total de empregos ainda está menor (AQUI), mas o que importa nestes dados é a tendência. E a tendência é de crescimento nos próximos 18 meses.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nobel de Economia 2009


Ontem saiu o Prêmio Nobel de Economia. Premiaram o Williamson e uma mulher que eu nunca tinha ouvido falar, Elinor Ostrom. Como eu não conheço muito a área (e muito menos a vencedora) vou deixar aqui um link para o sumário de opiniões sobre a premiação (em português e em inglês).

Confira AQUI.

PS: Vejam bem, o fato de eu não conhecer não diz nada. Apenas que eu não domino a área e ando bem ocupado. Mas, confesso que fiquei surpreso. Pra mim, comparar Elinor Ostrom com Lucas, Becker, Coase, Debreu, etc, é como comparar o Obama com Madre Teresa, Woodrow Wilson, Nelson Mandela, ou Martin Luther King Jr.

sábado, 10 de outubro de 2009

Prevendo o Futuro (em Dólares)


Aqueles que, diante valorização da bolsa brasileira, estão tentando prever o futuro do Ibovespa em dólares devem atentar para o seguinte fato. O EWZ, que é um fundo de ações que investe em ações brasileiras e é comercializado aqui nos EUA ainda está distante do seu topo histórico (ver gráfico abaixo, basta clicar no gráfico que ele aumenta).


O pico histórico foi no fim de Maio de 2008, ainda antes do verão americano que foi quando a crise chegou e a inflação disparou aqui nos EUA. Naquele dia, a cota do fundo valia cerca de 100 dólares. Hoje, depois de ter despencado abaixo dos 40 dólares, a cota está acima de 60 dólares.

Dois pontos são importantes. Primeiro, certamente o pico de 100 dólares era algo motivado por expectativas que não se realizaram, e logo não parece ser um ponto de chegada (objetivo), pelo menos no curto prazo (3 meses). Mas, não vejo 80 dólares como algo improvável até o fim do ano. Segundo, a queda até 40 dólares teve forte influência da desvalorização do Real, que hoje se fortalece frente ao dólar e faz o fundo recuperar parte do seu valor. Note que esse fundo é em dólares, e portanto sujeito a variações cambiais. A desvalorização das cotas do fundo sofreu em parte com o undershooting cambial, e agora se recupera.

Se você está tentando prever o futuro da bolsa brasileira em dólares, analise com cuidado as cotas do EWZ. É um excelente indicador.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cash Flow at Risk Federal


Um dos métodos utilizados para fazer planejamentos estratégicos e econômicos em grandes é o Cash Flow at Risk (conhecido com CFaR). Basicamente, você simula diversos cenários para preços de ativos que estão ligados aos custos e receitas futuras, tentando prever o fluxo de caixa (cash flow) e o seu risco (desvio-padrão) nos meses seguintes.

Por exemplo, se a minha empresa usa petróleo como insumo, o preço do petróleo é uma fonte de risco no meu fluxo de caixa. Do mesmo modo, se eu vendo milho, o preço do milho e o custo de estocagem são fontes de risco na minha receita, e assim por diante. A idéia consiste em agregar a informação sobre todas as fontes de risco na busca pela margem de segurança ideal, já que manter muito dinheiro em caixa tem um alto custo de oportunidade.

Agora leiam isto (da Folha Online):
A Receita Federal recebeu do Ministério da Fazenda ordem para atrasar o pagamento das restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas - principalmente de trabalhadores da classe média - para compensar parte da queda de arrecadação de tributos neste ano.
Interessante, não é mesmo? O governo claramente não se progamou direito para uma eventual queda da receita e ao mesmo tempo aumentou gastos correntes. O governo não entendeu os fatores de risco, afinal era só uma marolinha. O mais bizarro, é que a taxa de juros está mais baixa do que nunca e certamente seria mais justo com a população se o governo tomasse dívida pagando Selic e restituisse os contribuintes. Afinal, o governo vai ter que pagar juros sobre as restituições. É não só uma falta de planejamento financeiro, como também uma sacanagem com o contribuinte.

Minha proposta ao Congresso é que o Governo Federal tivesse um prazo para devolver as restituições. Digamos 12 meses após a declaração ter sido entregue. O que vocês acham?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Tese do Descolamento


A julgar pelos dados de mercado (Do InfoMoney, AQUI) poderíamos acreditar que definitivamente o Ibovespa está se descolando dos índices de Wall Street (Dow Jones e S&P 500).

Uma análise mais cuidadosa, porém, nos leva a crer que uma combinação de fatores pode, na realidade, justificar as discrepâncias nos desempenhos nas duas bolsas, colocando em xeque a tese de descolamento. O P. C. Coimbra e eu escrevemos um post sobre o assunto. Cada um no seu quadrado:


P.C. Coimbra

O primeiro e mais importante fator que observamos até aqui (e que devemos continuar observando) é o fato de que a recuperação das economias se deu de forma mais lenta nos países desenvolvidos e mais rápida nos países emergentes, com destaque para os países asiáticos.

Outro fator, observado até o final do terceiro trimestre foram as amplas políticas de incentivo de consumo, tanto lá fora como aqui, o que contribuiu para um aquecimento das economias. Nos EUA os programas de estímulo de troca de carro (que se encerrará em novembro) e de incentivo às hipotecas para os que ainda não tinham se beneficiado deram um fôlego extra à economia, embora não conseguissem implusionar a economia para um forte recuperação, mas apenas antecipar parte do consumo. No Brasil os incentivos via reduções de impostos para a aquisição de carros e eletrodomésticos da chamada linha branca, também estão próximos do seu fim e também promoveram uma antecipação no consumo (as vendas de carro, por exemplo, foram recordes no mês de setembro).

Se levarmos em consideração que boa parte do consumo nos EUA já foi antecipado e somando-se à isso estamos verificando que as taxas de emprego por lá estão crescendo, então podemos esperar uma recuperação mais lenta, que cedo ou tarde se refletirá num ajuste das cotações em Wall Street. A volatilidade da bolsa brasileira deverá elevar-se nos próximos meses e um possível ajuste nos preços em Wall Street poderá repercutir sob a forma de uma realização mais forte no Ibovespa, num primeiro momento, mas é possível que logo a seguir a Bovespa volte a apresentar uma recuperação mais forte, e aí sim poderemos começar a pensar em defender a tese de descolamento.

Não podemos perder o foco das atenções com relação à questão da taxa de juros, que mundo afora encontra-se nos menores patamares históricos e que vem impulsionando os fluxos de capitais em direção à renda variável, o que em muito beneficiou a Bovespa. Na contramão, o Brasil esbarra em limites em sua taxa de juros, atualmente aos 8,75% a.a., devido sobretudo à possibilidade de perda de competitividade dos títulos frente à poupança, cuja rentabilidade é garantida por lei e até então tem se mostrado intocável, a despeito dos anuncios de mudanças - o que poderá atrair parte dos investidores diante de uma incerteza provocada por uma volatilidade na Bovespa, dado o seu destaque ante as demais alternativas de investimento de renda fixa.

Isso afetaria o financiamento da dívida pública e se repercutria de forma negativa na economia como um todo, o que poderia comprometer a tese do descolamento. Apenas para se ter uma idéia de que essa possibilidade não é de todo descartada, dados divulgados hoje mostram que a captação líquida de recursos na poupança nos três primeiros trimestres de 2009 foi de R$15,7 bilhões, enquanto que a captação líquida de recursos nos fundos de ações, no mesmo período, foi inferior a R$1 bilhão (R$ 916 milhões).


Cristiano M. Costa


Eu concordo com o PC quando ele afirma que a velocidade de recuperação será maior no Brasil. Acrescente um quadro de eleições e assuma que a transição na presidência do BC será tranquila e temos um cenário de forte crescimento econômico, leia-se PIB, em 2010 e 2011.

Uma análise fundamentalista suporta o descolamento para muitas empresas nacionais que vão se beneficiar com a elevação do preço de algumas commodities. Além disso, o volume de recursos que está entrando no Brasil, deve garantir um câmbio nos patamares atuais. Permitindo o descolamento em dólares (perspectiva do investidor estrangeiro). Em dólares, o descolamento é grande.

Em algum momento o descolamento acaba. Esse é o grande ponto. Ele pode acabar de duas formas: uma queda do Ibovespa / desvalorização do Real ou com um crescimento nas bolsas americanas maiores do que do mercado brasileiro.

A primeira alternativa necessitaria de uma notícia muito ruim sobre a economia brasileira ou internacional. As principais fontes seriam uma crise política, um transição complicada no BC, ou uma segunda queda das bolsas mundo afora. Cenários bem improváveis no meu ponto de vista.

Já a segunda alternativa só seria possível com a retomada do crescimento americano. Neste caso, ambos os mercados cresceriam, mas o retorno do capital para os EUA implicaria em um menor crescimento do Ibovespa e um valorização do dólar, eliminando o descolamento em dólares.

Não podemos descartar um movimento totalmente financeiro, de realização de lucros seguida de reentrada como o PC Coimbra sugeriu. Seria um movimento totalmente de estratégia de curto prazo, e não vejo fundamentos sólidos que levem nesta direção.

E você leitor? Acredita no descolamento do Ibovespa?

Gol de Ouro

Essa é da ABC Local aqui da Philadelphia:
Police want to find whoever has been stealing soccer goalposts from the Philadelphia Soccer Club. In all, coaches say eight goalposts have been stolen since the middle of August from several different fields. Players say thieves are trying to earn a few dollars at the expense of kids. They believe whoever is stealing the aluminum goalposts is sawing them up in the woods nearby and carting them off to sell for scrap. More than 30 teams play for the the Philadelphia Soccer Club, and the goals don't come cheap. Calasanto says it will cost around $15,000 to replace them all.

Epa, epa, epa! 15,000 dólares por 8 gols (goleiras, como dizemos lá no Sul)? Tá de sacanagem! O gol deve ser de ouro, né? Certamente tem um mega-super-faturamento ou um monopólio no setor de goalposts aqui na Philadelphia. Agora, imaginem nas Olipíadas 2016...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercado de Casamento


Um dos trechos do livro de Managerial Economics usado no MBA aqui de Wharton traz uma breve história sobre os leilões na antiguidade. Segundo o livro (tradução minha):
A primeira referência escrita sobre leilões relata o mercado anual de casamento na antiga Babilônia, descrito pelo historiador grego Heródoto. Anualmente era organizado um leilão para garantir que todas as mulheres conseguissem um marido. As mulheres mais bonitas eram leiloadas primeiro, e os vencedores (mais ricos) pagavam o preço para o organizador. Em seguida, eram leiloadas as menos bonitas. Daí, o comprador fazia uma oferta negativa, ou seja, ele dizia quanto que teria que receber. O dinheiro do fundo era então usado para pagar os vencedores do leilão das feias. O sistema garantia não só que todas mulheres sairiam casadas, mas também garantia uma renda adicional para os recém-casados (com feias*).

Está aí, o pessoal da Babilônia estava na vanguarda do serviço do Millionaires Club.

* Detalhe adicionado por mim.

Managerial Economics

Do Estadão:
Uma das marcas mais tradicionais de vinho no Brasil, a Almadén, foi vendida ontem pelo grupo francês de bebidas Pernod Ricard à vinícola gaúcha Miolo. O negócio, cujo valor não foi revelado, inclui ainda a fábrica em Santana do Livramento (RS) e o vinhedo da empresa, o maior da América Latina em área plantada. Com a compra, a Miolo vira a maior produtora nacional de vinhos finos, produzindo 12 milhões de litros por ano, e complementa seu portfólio com uma marca de alta penetração e preço baixo - a garrafa de Almadén custa entre R$ 8 e R$ 12, enquanto o rótulo mais barato do grupo gaúcho custa cerca de R$ 15.

Esse é um tipo de negócio que eu acho interessante. A Miolo entrará em um mercado teoricamente menos sofisticado, aumentando o seu mercado consumidor. Ao mesmo tempo, conseguirá ganhos de escala em várias dimensões, especialmentae na distribuição, comercialização e marketing. Uma aula de Managerial Economics.

Leia a reportagem do Estadão clicando AQUI.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

Efeito Olímpico


Dêem uma olhada no gráfico das ações do Hotel Othon (cujo site já conta com a bandeirinha do Rio 2016) no dia que anunciaram que o Rio de Janeiro seria a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.



PS: Dica do Paulo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Olimpíadas no Brasil


Sim, eu sei. Vocês estão todos esperando pra ler o que eu vou escrever sobre as Olimpíadas. Bom, eu acho o seguinte. Acho que o benefício total deve ser maior que o custo total, caso contrário os países não teriam interesse em sediar os jogos.

Sabemos como o custo é calculado. A questão é saber: como o benefício é calculado, quem se apropriará desse benefício, e quem arcará com o custo.

Certamente parte desse custo será distribuido entre a população via aumento das despesas federais. Parte será pago pelos habitantes do estado do Rio, via aumento das despesas estaduais. E, finalmente, uma parte pelos habitantes da cidade do Rio.

O benefício será distribuído entre políticos, empresas e trabalhadores que participarem dos eventos. Incluindo direitos de imagem, aumento do turismo, etc.

Aí você dirá:
- Pô Cristiano, é certo que vai ter desvio de verba, superfaturamento, que o Rio vai acabar construindo vários elefantes brancos (como o Engenhão), que muito político vai usar isso pra se promover, etc e tal.

E a minha resposta será:
- Sim, claro. Isso tudo está no custo.

Portanto, é tudo uma questão de quem fica com o benefício e quem fica com o custo. Se fosse algo bem administrado poderia gerar, além de ganhos de utilidade, lucros. Mas não será. Uma pena. Mas, fora isso não tenho muito o que dizer. A bolsa subiu. Talvez não seja tão ruim como as pessoas possam imaginar...

PS: Achei essa estimativa AQUI interessante.

PS2: O vídeo abaixo mostra um pouco de como o Rio ficará.



Bom final de semana!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Política Fiscal


O Congresso brasileiro permitiu a redução da meta de superávit primário para 2009. Alexandre Schwartsman faz uma excelenta análise da mudança na meta fiscal no seu último post (AQUI).

O governo federal permitiu um aumento das despesas de longo prazo, quando a estatégia ideal teria sido um aumento de investimento (despesas de curto prazo, com impactos no longo prazo). Esse tipo de política contrasta (em termos) com a adotada recentemente no RS, de déficit zero e aumento da capacidade de investimentos. Uma análise desse contraste foi feita pelo professor Sabino Pôrto Jr. (UFRGS) no nosso E-book sobre a crise (AQUI, página 25).

Na verdade, esse momento de taxa de juros baixas, é o período ideal para endividamento. Para construir uma nova ponte ou estrada, você não quer poupar por 30 anos e depois pagar à vista. Na maioria das vezes o ideal é se endividar. Mas para que essa seja a melhor estratégia é conveniente que as taxas de juros sejam baixas, o que ocorre nos dias de hoje.

Note que o investimento aumenta a dívida, mas o custo de manutenção (juros) é baixo. Além disso, há o aumento de produtividade que acompanha o aumento de capital (estradas melhores, etc). Já o aumento do pessoal tem efeito nas despesas correntes por um prazo longo, além dee aumentar os efeitos de qualquer reajuste ao funcionalismo público. O benefício é um aumento do consumo, via aumento do emprego. Mas este aumento também acontece com o aumento dos investimentos. A estrada precisará de pessoas durante a execução da obra, para fazer a manutenção, cobrar o pedágio, etc.

Enfim. É uma consideração que deve sempre ser feita quando a decisão é aumentar o gasto público. Bem, desde que a obra seja aprovada pelo TCU.

PS: Já havíamos falado sobre isso AQUI, mas achei por bem retomar o tópico.