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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hedge com Mercado Futuro de Dólar


Recentemente o Brasil recebeu o “grau de investimento” da Moody’s. Tal notícia, aliada a diversos indicadores favoráveis para a nossa economia, leva muitos analistas a acreditarem que o real continuará se valorizando em relação ao dólar.

Se os ativos de sua empresa estiverem indexados ao dólar e, por outro lado, os passivos estiverem atrelados a taxas pré-fixadas, em reais, então tal “descasamento” das posições patrimoniais seria vantajoso caso as expectativas fossem de desvalorização do real frente ao dólar, mas não o contrário! Com base nas cotações do mercado futuro de dólar, é possível calcular qual é o spread esperado entre as posições patrimoniais do ativo e do passivo.

O administrador de uma empresa em tal situação poderia assegurar o spread calculado, desde que para isso utilize duas estratégias que, combinadas, seriam equivalentes a troca dos indexadores, do ativo (de dólar para taxas pré-fixadas em reais) e do passivo (de taxas pré-fixadas em reais para dólar).

Na primeira estratégia, o que se busca é atuar no mercado futuro de dólares de modo a se obter ganhos que eventualmente compensem as perdas incorridas no ativo caso de fato ocorra uma valorização do real frente ao dólar. Neste caso, o administrador deveria vender contratos de dólares futuros, pois caso ocorra uma valorização do real frente ao dólar as perdas incorridas no ativo seriam compensadas por ganhos no mercado futuro. O número de contratos a serem vendidos deveria, neste caso, corresponder ao valor do ativo corrigido pela rentabilidade esperada (considerando-se a cotação no mercado futuro do dólar).

Na segunda estratégia também é utilizada a venda de contratos futuros de dólar, sendo que, neste caso, o número de contratos a serem vendidos deveria corresponder ao valor do passivo corrigido pela taxa pré-fixada em reais para o período.

Assim, se de fato ocorrer uma valorização do real frente ao dólar, então as eventuais perdas patrimoniais daí decorrentes seriam compensadas pelos ganhos das vendas de contratos futuros de dólar, de modo tal que o spread inicial entre as operações ativas e passivas seja mantido.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Concorrência no Cartão de Crédito


Da Folha Online:
O governo deve anunciar nesta quarta-feira as oito medidas que preparou, em negociação com as principais operadoras de cartões de crédito e a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), para estimular a concorrência no setor, hoje dominado pelo duopólio Redecard-Visanet. A informação é da reportagem publicada nesta terça pelo jornal "Valor Econômico".

De acordo com o texto, cinco dessas medidas serão implementadas imediatamente, por meio de resoluções do CMN (Conselho Monetário Nacional). Entre elas, está uma que termina com a exclusividade nas lojas, o que significa que os estabelecimentos poderão operar com todas as bandeiras de cartões sem acordo exclusivo com nenhuma empresa.

Está aí uma boa medida, ainda mais como resultado de um acordo. A questão da exclusividade é sempre complicada, mas tendo a pensar mais no consumidor nessa hora. Acho que o mesmo problema ocorre (ou ocorria, alguém sabe?) nos bares e restaurantes. O restaurante tem um freezer com o logotimo de uma cerveja, e daí não pode colocar/vender cervejas de outras marcas. Ou seja, a distribuidora fornece o freezer mas exige exclusividade. Eu pensaria que uma medida no mesmo sentido aumentaria a concorrêcia no setor e, consequentemente, a satisfação do consumidor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Plataforma Alemã


A chanceler alemã, Angela Merkel, foi reeleita. Sua plataforma inclui redução de impostos e flexibilização do mercado de trabalho. Da Bloomberg:
The result of yesterday’s election will “modestly enhance the long-run growth potential of the country,” Holger Schmieding, chief European economist at Bank of America-Merrill Lynch in London, said in a phone interview. “The government has a mandate, not for dramatic change, not for a Thatcherite revolution, but it is a mandate for some supply-side reforms.”
Está aí um experimento que eu estou curioso para ver os reultados.

sábado, 26 de setembro de 2009

Milagre Econômico


Do ClicRBS:
É um milagre econômico. Goleador do Brasileirão, junto com o flamenguista Adriano, o atacante Jonas, do Grêmio, vale hoje cerca de 15 vezes o que valia há dois anos, quando chegou ao Olímpico. Fosse ele um ativo na Bolsa de Valores, sua ação teria valorizado, nesse período, 1.440%.

Jonas foi trazido do Santos em setembro de 2007, dois dias antes do encerramento do período de inscrições para o Brasileirão. O Grêmio pagou R$ 1,2 milhão, parcelados, por 50% de seus direitos federativos. O restante pertence ao Santos (30%) e ao próprio jogador (20%). Hoje, segundo o empresário Jorge Machado, nenhum clube do Exterior conseguiria levá-lo por menos do que 7 milhões de euros, cerca de R$ 18,5 milhões.

Leia mais AQUI.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Vez dos Emergentes


Os países emergentes se recuperaram rapidamente da crise econômica. Em particular, Brasil e China foram muito pouco afetados pela crise que atingiu os EUA, Europa e Japão. Essa situação consolidou estes países como grandes mercados internos e que possuem boas políticas monetárias e fiscais competentes (esta última nem tão boa quanto gostaríamos, mas em terra de cego quem tem olho é rei) e isto merece reconhecimento.

O reconhecimento agora surge de duas formas. Foi anunciada ontem uma maior participação dos emergentes nos organismos internacionais (Banco Mundial e FMI). Da Bloomberg:
A shift toward emerging countries at the IMF and the World Bank “is the right thing to do and it’s going to happen,” U.S. Treasury Secretary Timothy Geithner told reporters in Pittsburgh today. “What we’re trying to do is have it happen in a way that’s going to be sensible for the institutions.”

Emerging markets are already set to have their share of the World Bank’s votes increased to 44 percent under a deal struck in February.

Uma segunda conseqüência foi a transformação do G-7 em G-20. Do NYT:
President Obama will announce Friday that the once elite club of rich industrial nations known as the Group of 7 will be permanently replaced as a global forum for economic policy by the much broader Group of 20 that includes China, Brazil, India and other fast-growing developing countries, administration officials said Thursday.

Isso seria certamente inimaginável em 1993. Quando o Real chegar a sua maior idade (18 anos) o Brasil estará em uma posição excelente em termos econômicos. É realmente a vez dos emergentes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Grande Recessão Americana

A blogosfera econômica nacional está demaaaaais (como diz o Pedro Ernesto Denardin). Desta vez o novo lançamento é um pequeno e-book sobre a crise econômica atual, a chamada Grande Recessão Americana.

Sabino da Silva Pôrto Jr., Paulo Roberto de Almeida, Juliano Torres, Cristiano M. Costa, Rodrigo Constantino e o nosso organizador Cláudio Shikida escrevem sobre a crise atual. Não deixe de ler!

Acesse o E-Book clicando AQUI.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Investment Grade


Quando empresas ou países recorrem ao mercado internacional, lançando títulos que oferecem juros aos investidores, tais empresas ou países passam a serem avaliados por agências que preparam “rating” de seus títulos para que os potenciais compradores os avaliem. Tais “ratings” refletem a percepção das agências quanto às capacidades que as empresas ou os países emissores de títulos no mercado internacional honrem seus compromissos financeiros, considerando a possibilidade da ocorrência de uma suspensão dos pagamentos (“default”).

Assim, a classificação de uma empresa ou país com o “grau de investimento” equivale a uma recomendação, por parte da agência de “rating”, para a compra dos títulos que são emitidos por estas empresas ou países. Quando se trata da avaliação de um país, são levados em conta a condução da política econômica (leia-se: a política monetária, as contas públicas e as contas externas) e outros fatores, tais como: as condições políticas, o marco regulatório e as condições da economia mundial.

As agências de classificação de risco mais importantes são a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch Ratings, cujos “ratings” globais seguem a escala abaixo:

(Tabela preparada pela Folha Online)

Em 30 de Abril de 2008, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevou o Brasil de BB+ (mais) para BBBB– (menos), o que equivale à classificação de “grau de investimento”. Em menos de um mês depois, em 29 de maio de 2008, a Fitch Ratings (cujo “rating” é semelhante ao da Standard’s & Poor’s”) também elevou o Brasil para grau de investimento.

Um país classificado como “grau de investimento” acaba atraindo investidores estrangeiros, especialmente grandes fundos de investimento, que possuem cláusulas de que não podem investir em países que não possuem “grau de investimento”. Uma maior oferta de recursos externos direcionados ao país, por sua vez, pressiona favoravelmente não somente a uma valorização da moeda nacional em relação ao dólar como também à uma queda dos juros pagos nos títulos ngociados no exterior, que acaba se refletindo em uma melhor percepção do chamado “risco-país”.

O risco-país é medido pelo JP Morgan Chase através do Emerging Markets Bonds Index Plus (EMBI+) - também conhecido como Índice de Títulos de Mercados Emergentes - que compara os juros implícitos nos preços dos títulos emitidos pelos países emergentes com os juros por títulos emitidos pelo governo norte-americano (que servem de parâmetro por serem considerados os mais seguros do mundo). Atualmente o risco-país está em 220 pontos, o que significa que os títulos emitidos pelo Brasil pagam, aproximadamente, 2,2% a.a. a mais do que os títulos equivalentes emitidos pelos EUA .

Quando a Standard & Poor’s elevou a avaliação do Brasil o Ibovespa subiu 6,33% atingindo a marca dos 68.000 pontos. Um impacto tão forte sobre a Bovespa não foi observado quando a Fitch Ratings também passou a classificar o Brasil com o “grau de investimento”. Isto ocorreu porque o anúncio da Standard & Poor’s surpreendeu o mercado, mas logo depois já se esperava um anúncio semelhante pela Fitch Ratings.

O anúncio da Moody’s também já era aguardado a um certo tempo. De fato, a crise internacional que foi desencadeada no segundo semestre do ano passado serviu como um fator extra para adiar a reavaliação da classificação do Brasil. Sabia-se, no entanto, que desde 6 de julho deste ano a Moody’s estava reavaliando a classificação do Brasil e já era esperado que a Moody’s acompanhasse as outras duas principais agências, o que serviu de combustível extra nas últimas semanas para a pressão compradora na Bovespa, elevando o preço das ações negociadas. Desse modo, o mercado novamente não foi pego de surpreza com anúncio, e não se observou um impacto tão forte sobre as ações negociadas na Bovespa como aquele verificado após o anuncio da Standard & Poor’s.

Mais uma vez, prevaleceu a máxima do mercado que diz que “a bolsa sobe no boato e realiza no fato”.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Elevação da Renda

Marcelo Neri (IBRE, FGV) destaca a importância do aumento da renda dos brasileiros, o aumento da chamada Classe C, e a queda da desigualdade nos últimos 10 anos. Ouça a entrevista (para o InfoMoney) clicando AQUI.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Aumento da Riqueza


Um dado recente traz uma boa notícia sobre a economia americana. De acordo com o FED, os americanos estavam 2 trilhões de dólares mais ricos ao final de Junho do que no final de Março, um aumento de 4%.

Grande parte do aumento da riqueza veio do aumento das bolsas de valores. Mas, pela primeira vez em muitos meses, o valor das casas aumentos.

O aumento da riqueza é fundamental em dois sentidos. Primeiro, ele aumenta a riqueza em si, o que gera um valor maior que pode ser consumido pelo indivíduo. Imagine uma pessoa que tem uma casa de 100 mil, vende e consome 1 mil por mês pelos próximos 100 meses da sua vida. Agora imagine que o valor da casa aumente para 150 mil. Essa pessoa pode viver o mesmo padrão por 150 meses, ao invés de 100.

Ao mesmo tempo, ter uma riqueza maior aumenta o valor total de crédito que uma pessoa pode tomar, usando a casa como garantia. Ou seja, a pessoa pode tomar mais crédito e consumir mais hoje do que consumiria em um cenário em que o valor era baixo.

A conseqüência imediata é um aumento de consumo, causado pelo efeito riqueza.

Leia mais sobre o assunto seguindo o link no blog The Curious Capitalist.

domingo, 20 de setembro de 2009

Ex-Bolsistas no Exterior


O caso dos bolsistas da CAPES e do CNPq que fazem doutorado no exterior e não retornam ao país tem atraído a atenção da imprensa regularmente.

Em tempos de bolsa-família, receber bolsa para fazer doutorado no exterior (em geral, de mais de 70 mil dólares, depois de incluir os custos das taxas e tuition pagos direto à universidade) e não retornar ao país (conforme manda o contrato) é algo que recebe todo o tipo de críticas dos demais brasileiros.

Segundo o O Globo Online, o TCU apurou uma dívida de 13,2 milhões de Reais. Mas, os valores internos da CAPES e CNPq apontam para algo em torno de 81,1 milhões de Reais. Fica evidenciado um dos motivos da evasão. Essa dívida é muito difícil de ser cobrada, por diversos motivos. Segundo a reportagem, as dívidas são cobradas pela via judicial, à revelia do TCU, o que dificulta todo o tramite do processo. Ainda segundo o artigo: "O próprio governo reconhece a quase impossibilidade de reaver os recursos."

Quero deixar claro que todos os casos de ex-bolsistas que eu conheço e que ficaram residindo no exterior estão pagando (ou já pagaram) as suas dívidas.

Leia a reportagem clicando AQUI.

sábado, 19 de setembro de 2009

EPGE no Twitter


Mas vejam só que legal. Achei a EPGE no Twitter.

Para acompanhar a escola via Twitter basta clicar AQUI.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

10 Rapidinhas



1) Estou mega ocupado. O blog ficou de lado essa semana mas volta com força total na segunda-feira.

2) Nós blogueiros estamos trabalhando em um novo e-book. Novidades em breve.

3) A bolsa segue firme, indicando uma recuperação ainda em 2009 aqui nos EUA. A conferir...

4) Todos os caras que fazem análise técnica quebraram a cara no Brasil nos últimos 3 meses.

5) A inflação sob controle no Brasil foi uma excelente notícia.

6) Mas os dados do CAGED foram ainda melhores.

7) Contrução Civil é a tendência. Assim como álcool-gel!

8) A vacina contra a gripe suína pode chegar antes da gripe aqui nos EUA.

9) O índice Merval (da Argentina) subiu 100% nos últimos 6 meses.

10) Excelente final de semana para todos!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Volta do Nacionalismo?


Pelos idos dos anos 60, o então Presidente Castello Branco dizia a respeito do monopólio sobre a extração do petróleo: "Se é eficiente não precisa do monopólio, se precisa, não o merece". Esta frase foi inúmeras vezes repetidas pelo meu co-orientador de monografia, senador Roberto Campos (que havia sido o ministro do Planejamento do governo de Castello Branco), que passou grande parte de sua vida combatendo o monopólio da Petrobrás, que costumava a referir-se como Petrossauro. Acredito que se meu saudoso orientador ainda estivesse vivo ele diria que a proposta do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva representa um retrocesso nas discussões, digno dos absurdos debates econômicos dos anos 50, quando foi estabelecido o monopólio da Petrobrás.

O atual marco legal, que foi estabelecido através da Lei nº 9.478 de 1997, extinguiu o monopólio da Petrobrás e criou o regime de concessão, através do qual a empresa assume os riscos decorrentes da exploração do petróleo e se apropria de toda a produção, pagando à União, aos estados e municípios compensações financeiras tais como os royalties, incorrendo também em um custo fixo quando inicia as suas atividades, que é conhecido como bônus de assinatura.

As discussões sobre o pré-sal deveriam ser direcionadas em relação à qualidade e à intensidade dos investimentos necessários à exploração e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos em águas super-profundas (na camada do pré-sal) e não em relação à questão da nacionalidade do investidor, que é a base na qual se apóia o modelo de partilha, ora proposto.

A proposta completa do governo está dividida em quatro Projetos de Lei (leia mais sobre a proposta do governo AQUI). O Projeto de Lei nº 5938 (AQUI), que é o primeiro deles, propõe modificações na Lei nº 9.478 estabelecendo que as áreas mais promissoras sejam exploradas sob o regime de partilha, segundo o qual o Estado continua sendo o dono do Petróleo produzido e as empresas que ganharem o direito a exploração nas áreas de pré-sal incorrerão em um custo fixo, que será definido no momento da licitação (que é um bônus de assinatura) e poderão, por sua conta e risco, explorar áreas definidas em busca de petróleo e gás. Se a exploração for mal sucedida, a empresa não terá nenhum ressarcimento. Mas, se houver petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos na área explorada então uma parte da produção será destinada a cobrir os seus custos. O saldo restante será, então, seria distribuído entre a União e a empresa em proporções definidas em contrato (lembrando que a empresa vencedora de cada licitação será a que oferecer o maior percentual de partilha com a União).

Diante de um evidente retrocesso, resta aguardar os brados ecoando os tempos de Getulio Vargas, no início dos anos 50: “O petróleo é nosso!”.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

Construção, Transformação!

Saíram os dados do CAGED de Agosto (do InfoMoney):
O número de desligamentos foi de quase 1,216 milhão no oitavo mês do ano, enquanto foram registradas pouco mais de 1,457 milhão de admissões, o que resulta no saldo positivo de 242.126 vagas.
Os setores que mais se destacaram foram a construção civil e a indústria de transformação. Estes dois setores geraram mais de 100 mil novos empregos formais. A tendência, segundo o próprio Ministério do Trabalho e Emprego é que 2010 bata todos os recordes de criação de empregos.

É realmente uma bela transformação! O setor de construção civil, impulsionado pelas políticas de financiamento público, irá crescer como nunca na história deste país. Além do financiamento público, a queda da taxa de juros e a consolidação do crédito de longo prazo têm papel importantíssimo no atual momento da economia. A manutenção desse cenário será o motor do crescimento em 2010.

Será um excelente ano eleitoral.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Poupança com IR

O governo federal anunciou uma alíquota de 22,5% sobre os rendimentos da poupança que possuem depósitos acima de cinqüenta mil reais. Diante dos novos dados de inflação o PC alertou que isso poderia acontecer. A medida estará sendo encaminhada ao Congresso nos próximos dias. Taxar a poupança foi a maneira que o governo encontrou para evitar a migração dos investimentos em Fundos de Renda Fixa para a poupança.

Leia mais sobre a incidência de IR sobre a poupança clicando AQUI.

O Custo da Saúde

Os americanos têm uma escolha a fazer. Manter o sistema de saúde atual, primordialmente privado, ou mudar as regras dos planos privados, do sistema público (Medicare e Medicaid) e adicionar um plano público. A atenção em geral está nas mudanças que virão para o setor privado, mas muitos dependem dos dois planos públicos: Medicare e Medicaid.

A grande motivação da nova proposta está na redução de custos e no modo como o dinheiro deve ser gasto pelo paciente, médico, hospital, etc. Segue um exemplo básico de utilização de fundos do sistema público:

Sob o sistema público atual o governo paga até 100,000 dólares por um transplante de rim, mas para de pagar pelas drogas contra a rejeição após 36 meses. Isso aumenta a probabilidade de ter o órgão rejeitado. Acontece que o custo de um tratamento de hemodiálise é maior do que o do medicamento cotra a rejeição. Logo, se a pessoa acaba rejeitando o novo rim, os custos aumentam drasticamente.

O caso de uma pessoa que passou por dois transplantes e teve de parar de tomar o remédio para a rejeição após 36 meses do primeiro transplante (e foi parar na capa do NYT) é uma típica distorção na alocação de recursos do sistema público americano.

Em busca de uma potencial redução de custos o governo corta verbas, e os custos acabam aumentando em um futuro próximo.

Essas distorções ocorrem em muitas áreas e obviamente foram criadas para eviar a sobreutilização de certos serviços. O debate sobre as mudanças do sistema de saúde americano está recém começando, mas eu confesso que tenho uma opinião simpática ao modelo brasileiro (leia-se, SUS + planos privados regulados) melhorado.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Caipirinha Paulista

Eu falando do preço do limão e agora essa (do InfoMoney):

Uma pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getulio Vargas) revelou que a caipirinha paulista foi a que mais encareceu em um ano, com alta nos preços de 43,55%.

De acordo com os dados, baseados no IPC ( Índice de Preços ao Consumidor), a alta é resultado do encarecimento de 72,28% no preço do limão, de 46,83% no do açúcar refinado e de 9,30% no da bebida destilada, ingredientes necessários para se fazer a bebida.
Proponho uma política de subisídios aos que bebem caipirinha! Que tal o Bolsa-Caipirinha?

Bom final de semana!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Seleção Política

Um problema que muitas vezes ocorre em pesquisas de rádio e televisão é a auto-seleção do entrevistado. Um exemplo clássico é o programa Polêmica, apresentado por Lauro Quadros na Rádio Gaúcha. A audiência do programa deriva basicamente de pessoas que simpatizam com a opinião do radialista e as pesquisas em geral têm resultados esperados. O público se auto-seleciona. Quem gosta do Lauro, em geral gosta das opiniões dele.

A auto-seleção do ouvinte/telespectador viesa todo o resultado da pesquisa. Vou deixar aqui um exemplo no campo da política norte-americana (via CNN):
Two out of three Americans who watched President Barack Obama's health care reform speech Wednesday night favor his health care plans — a 14-point gain among speech-watchers, according to a CNN/Opinion Research Corporation national poll of people who tuned into Obama's address Wednesday night to a joint session of Congress.

The audience for the speech appears to be more Democratic than the U.S. population as a whole. Because of this, the results may favor Obama simply because more Democrats than Republicans tune into the speech. The poll surveyed the opinions of people who watched Wednesday night's speech, and does not reflect the views of all Americans.

Um bom exemplo, não?

Pré-Sal vs. Poupança

No acumulado do ano, até o dia 02 de setembro de 2009, a caderneta de poupança registrou uma captação líquida de R$ 14,5 bilhões, enquanto que os fundos de curto prazo, referenciados DI e de renda fixa, juntos, acumulam no mesmo período uma captação líquida de R$ 9,9 bilhões.

Um ponto importante a ser observado é que estas informações refletem o comportamento do mercado até o dia em que foi anunciada a última decisão do Copom sobre a taxa de juros, que decidiu manter a taxa SELIC em 8,75% a.a., conforme esperavam a maioria dos analistas, de acordo com o boletim Focus, publicado semanalmente pelo BACEN. Devemos ressaltar que, de acordo com os mesmos analistas reportados, a expectativa é de que a taxa SELIC não se altere até o final do ano e que suba 0,5 ponto percentual até fins de 2010.

É interessante notar que até o presente momento nenhuma medida foi tomada pelo governo, no sentido de manter a atratividade dos fundos de investimento, como, por exemplo, reduzir a tributação sobre os fundos. Não podemos esquecer das dificuldades que o governo irá enfrentar quando desejar vender seus títulos públicos e também do fato de que a queda na captação líquida dos fundos de perfil mais conservador só não foi maior graças aos esforços das instituições que os administram, no sentido de reduzirem as taxas de administração.

Considerando que os trabalhos da Câmara dos Deputados estão interrompidos, por conta do regime de urgência constitucional, para a análise das propostas ligadas ao pré-sal (o que é previsto de ocorrer em 45 dias, mas que está sendo negociado para se estender por 60 dias), fica difícil acreditar que haverá tempo hábil para uma discussão ampla sobre as propostas de alterações na caderneta de poupança, que devem ser votadas até o final do ano, para poderem ser implementadas a partir do início de 2010.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos no InfoMoney às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Habilidades Cognitivas

Na psicologia é costume separar as habilidades humanas em cognitivas (inteligência) e não-cognitivas (emocionais ou sociais). As habilidades cognitivas estão ligadas a execução de tarefas que demandam raciocínio lógico, memória, formação de conceitos, resolução problemas com múltiplas etapas, etc. Portanto, está diretamente ligada ao ensino convencional, inteligência e raciocínio.

Já as habilidades não-cognitivas são aquelas usadas no meio social e estão ligadas à emoção diante de diferentes situações. Trabalho em equipe, motivação, disciplina, calma, persistência, paciência, etc.

Certas situações, porém, podem afetar o funcionamento da parte cognitiva, caso a pessoa não tenha habilidades não-cognitivas bem treinadas. Querem um exemplo?

Da coluna do Marcos Guterman no Estadão:
Um estudo publicado no Journal of Experimental and Social Psychology mostra que o desempenho cerebral dos homens piora quando eles conversam com mulheres atraentes. O teste mostrou, por outro lado, que a capacidade masculina de concentração melhora muito quando as mulheres não são tão atraentes.

Segundo os autores, o resultado se explica pelo fato de que os homens, quando conversam com mulheres bonitas, concentram demasiadamente seus “recursos cognitivos” na tentativa de impressioná-las, relegando ao segundo plano outras tarefas cerebrais. Para resumir: ficam bobos, o que pode atrapalhar o desempenho no trabalho ou na escola.
Interessante, não?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Geografia da Crise

O NYT publica um mapa interativo com as taxas de desemprego nos EUA por condado (cidades, na nossa definição). O mapa é muito legal e é atualizado cada vez que novos dados são divulgados.


Um dos mapas permite selecionar somente os condados que teoricamente tiveram uma bolha no seu mercado imobiliário. A taxa se desemprego nesses condados (9,3%) é maior do que a média (9,1%), evidenciando o efeito da redução da construção civil nesses locais.

Um outro mapa permite a visualização somente dos condados onde se localizam primordialmente indústrias (como a automobilística, por exemplo). Nesses condados o desemprego é ainda maior, 10,6%. Na área rural a taxa chega à 9,4%.

Mas então, onde a taxa de desemprego está abaixo da média? A resposta é simples: nos condados em áreas metropolitanas, onde não ocorreu aumento significatio no preço dos domicílios e onde o setor industrial não é predominante. A taxa de desemprego nesses condados é de 9,0%. Exemplo? Manhattan (NY) tem uma taxa de desemprego de 8,1%.

Confira você mesmo o gráfico do NYT clicando AQUI.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Zero Cruzeiro

Hoje fui levar a minha mãe pra passear no Philadelphia Museum of Art, um dos maiores dos EUA e do mundo. Me chamou atenção essa nota de zero Cruzeiros, criada pelo artista brasileiro Cildo Meireles (entre 1974 e 1978). Leia mais sobre ele AQUI no site da University of Essex.

Notem que a nota traz a imagem de um paciente de um hospital psiquiátrico e a assinatura do autor da obra.



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Disney + Marvel = $$$

A Disney comprou a Marvel. Para mim foi um dos maiores negócios da indústria de filmes, brinquedos, etc. Sem contar que é um baita exemplo para as aulas de microeconomia. Imaginem só os benefícios:

1) O canal da Disney poderá adicionar Homem-Aranha, X-Men, Hulk, Thor e outros à sua programação diária.

2) Os brinquedos nos parques da Disney poderão ser baseados nos super-heróis (menos na Flórida, onde a Marvel tinha um acordo com a Universal Studios).

3) Toda a distribuição de filmes e brinquedos estará consolidada. Inclusive a decisão das datas dos lançamentos filmes, fator importantíssimo na arrecadação.

4) A comercialização de brinquedos baseados nos personagens da Marvel em lojas e parques da Disney ganha em escala e alcance, principalmente para o público infantil masculino e infanto-juvenil. Isso é importante para a Disney, já que a linha que mais dá receitas é a das Princesas (Bela Adormecida, Cinderela, etc.) que é destinada às meninas.

5) No total são 5,000 novos personagens, incluindo alguns que já estão sendo explorados (Homem de Ferro, 4 Fantásticos, etc) e continuarão trazendo receitas no médio prazo. Um infinito de possibilidades.

São muitos os retornos de escala, em muitas dimensões (marketing, comercialização, etc.) e muitas complementariedades entre produtos.

Achei um negócio muito bom. E também uma aula de microeconomia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Certificados de Emissões Reduzidas


A recessão mundial vai se agravar, ou o pior da crise já passou? Como tirar proveito, nos mercados financeiros, de uma antecipação correta sobre os rumos da economia mundial?

Os contratos ECX CFI são derivativos negociados na European Climate Exchange (ECX) que visam a redução de dióxido de carbono (European Union Allowances, EUAs), sendo que cada contrato (ECX CFI) equivale a 1.000 tn CO2/EUAs e as cotações são na base de €0,01/tn CO2. Já os contratos ECX CFI CER tem o mesmo propósito, com a diferença de que estão associados a Certificados de Emissões Reduzidas (CERs) que consistem em unidades de créditos gerados por projetos de redução da emissão de gases poluentes que geram o efeito estufa para projetos que se inserem no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) gerados a partir do Protocolo de Kyoto (mais informações sobre o Protocolo de Kyoto AQUI). Cada contrato (ECX CFI CER) equivale a 1.000 tn CO2/CERs e as cotações são na base de €0,01/tn CO2. Em ambos os casos, se tratam de licenças de emissão de carbono em datas pré-determinadas no futuro, podendo também serem negociadas opções sobre estas.

A European Climate Exchange se destaca das demais bolsas, respondendo por cerca de 85% dos negócios, o que se explica, em grande parte, pelo fato de os EUA não terem aderido ao Protocolo de Kyoto.

Como um trader poderia tirar proveito nestes mercados? Suponha, por exemplo, que ele acredite que a economia mundial irá sair do ambiente recessivo antes do previsto, tomando-se por base numa certa data futura. Isto significa que os níveis de emissão de gases poluentes irão elevar-se em relação aos atuais previstos e assim, é possível se beneficiar desta antecipação da reversão de tendência (se a análise do trader estiver correta) através da compra de opções sobre contratos futuros (ECX CFI) na expectativa de que o mercado retome a expectativa de alta, até a data de vencimento do contrato, de tal modo que o preço negociado seja superior ao preço de exercício mais o prêmio pago. Se a expectativa do trader for contrária (i.e., a crise ainda não passou e, ao contrário, tende a agravar-se) então ele poderia se vender opções sobre contratos futuros (ECX CFI), com a expectativa de beneficiar-se com a queda das cotações nos contratos futuros.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras, escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney às terças-feiras e desde 13/08/09 escreve posts em seu próprio blog, Paulo C. Coimbra’s Blog.

Friedman vs. Marx

Eu achei esta história AQUI muito boa, e ao mesmo tempo muito triste.

Leia AQUI.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Preço do Limão

Quando eu cheguei aqui nos EUA um dos preços que mais me chamou a atenção foi o do limão (insumo necessário na preparação de caipirinhas). Se você vai em um supermercado aqui nos EUA o preço é cerca de 1.00 dólar cada. No Brasil, com 1.00 Real você compra um kilo de limão.

Dado que os EUA não é um país tropical, faz um sentido ser um pouco mais caro. Mas eu achava difícil explicar tamanha diferença. Pensei até em abrir uma empresa importadora de limão...eheheh.


Mas agora, algo mais intrigante acontece. Leiam isso (Da Zero Hora):
A taxa de inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor — Semanal (IPC-S) encerrou o mês de agosto em 0,20%, a menor marca desde a quarta semana de junho, quando havia ficado em 0,12%.

Entre os itens pesquisados, as maiores influências de alta sobre o IPC-S vieram do limão, do tomate e do mamão papaya, que subiram, respectivamente, 143,04%, 25,37% e 21,98%, respectivamente.

Achei muito estranho e deduzi que seria apenas uma sazonalidade. Daí eu fui pesquisar na internet e achei essa reportagem do UOL (de Fevereiro) mostrando que na verdade o preço havia despencado em Fevereiro, chegando a algo próximo de 50 centavos por kilo:



Daí entendi o aumento de mais de 100%. O fato é que mesmo com uma variação de 0.50 para 1.00, o preço ainda é muito abaixo dos encontrados aqui nos EUA.

Estado Como Sócio

Uma reportagem da InfoMoney traz uma excelente discussão. A pergunta deles é a seguinte: vale a pena ter o Estado como sócio?

A pergunta faz todo o sentido do ponto de vista de governança corporativa. Por exemplo, as decisões da sua empresa podem estar contaminadas por objetivos políticos, e isso pode afastar ou atrair investidores. Além disso, ter o governo como sócio pode acabar mudando as opções de financiamento das empresas.

Acho que o debade é interessantíssimo.

O debate pode ser conferido na íntegra clicando AQUI.