Ads 468x60px

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Time Constraint

Prova da ANPEC

Aviso aos mais esquecidos. As incrições para a prova da ANPEC 2010 terminam nesta segunda-feira (3 de Agosto).

Mais informações no site da ANPEC, mas já deixo o link para o Manual do Candidato.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alex, Mantega e Gols de Cabeça

O Alex escreveu um post em que ele mostra o absurdo aumento das despesas correntes nas contas do Governo Federal (AQUI). Ele calcula que:
Dificilmente poderia ser mais eloquente: o aumento da despesa corrente corresponde a quase 15 vezes o aumento dos investimentos (R$ 23,4 bilhões vs. R$ 1,6 bilhão, já ajustados pela inflação).

Ou seja, está claro que o que está fazendo o superávit primário ir para o beleléu não é uma despesa anti-cíclica, e sim uma despesa que vai permanecer lá por muitos e muitos anos.

Do outro lado, no notíciário convencional, eu assisto a luta do Ministro Mantega para tentar empurrar a idéia que os investimentos do PAC deveriam ser excluídos do cálculo do superávit primário. (AQUI)

Em primeiro lugar, acho esse lance de superávit primário uma grande bobagem. Mas, há aqueles que acham uma boa medida de de finanças públicas e não se importam de chamar um déficit de superávit. Mas tudo bem. Agora, tirar uma despesa da conta é sacanagem.

Eu, obviamente, acabo pensando em uma prova. Imagine que depois de fazer e receber a minha nota chego pro professor e digo: Ae fessor? Dá pra tirar essa questão que eu errei do cálculo da nota final? Aí eu fico acima da média!

Ou ainda, podemos pensar em um campeonato brasileiro em que ao final do campeonato todos os gols de cabeça contra o Corinthians são anulados. Obviamente que o resultado do Corinthians ia ser muito melhor.

O pior, é que os investimentos do PAC são irrisórios se comparados ao das despesas correntes, e ninguém mais fala sobre isso! Mesmo assim, eles são cerca de 0,66% do PIB (ver AQUI) se forem executados completamente. Enfim, é pouco comparado as depesas, mas é muito se comparado ao à meta do superávit (2,5%). É brincadeira, ou não é?

Enxurrada de Boas Notícias

Ontem e hoje pela manhã as notícias econômicas foram as melhores possíveis. Segue uma listinha que eu fiz dos sites que leio:

- Confiança do consumidor sobe na zona do euro (VEJA);

- FGV: uso da capacidade instalada vai a 79,8% em julho (VEJA);

- Venda de bens duráveis (excluindo aviões e carros) sobe nos EUA (Bloomberg);

- Confiança da indústria brasileira melhora e volta ao seu patamar de costume (VEJA);

- Preços dos imóveis aumentam após 3 anos nos EUA (CNN Money);

- Produção industrial no Japão marca expansão de 2,4% em junho e indica retomada (InfoMoney).

Parece que teremos um bom segundo semestre.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Poupança vs. Renda Fixa

Em sua última reunião, realizada na semana passada, o colegiado do COPOM decidiu dar seqüência à redução da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, que passou a ser de 8,75% a.a. (após um corte de 0,5 ponto percentual). Tal redução veio a encontro das expectativas do mercado (tomando-se por base as pesquisas Focus, que são divulgadas semanalmente pelo BACEN).

De acordo com a última pesquisa, a expectativa do mercado é que o ciclo de reduções na taxa Selic (iniciado em janeiro deste ano) venha a ser interrompido a partir da próxima reunião, a despeito do fato de que a expectativa para a inflação em 2009, de acordo com o IPCA, se situe muito próxima do centro da meta de inflação (4,5% a.a.), o que sugere que seria perfeitamente possível ocorrerem novos cortes da taxa Selic e ainda assim atingir a meta de inflação (que é de 4,5% a.a. +/- 2 pontos percentuais).

Um dos trade-offs evidentes está em tolerar-se uma possível elevação da taxa de inflação (ainda que dentro da meta) em troca de um estímulo extra para a atividade econômica. Ressalte-se que diversas outras medidas, além de redução na taxa básica de juros, estão sendo tomadas, sobretudo no âmbito fiscal. Avaliar os prós e contras das combinações de todas as medidas de estímulo à economia será uma das principais pautas das próximas reuniões do COPOM.

A três semanas atrás escrevemos um post no qual discutimos sobre o impacto positivo da redução na taxa Selic na captação líquida de recursos investidos na poupança. A captação líquida de recursos investidos na poupança (depósitos menos retiradas) até o dia 23/07 foi de R$4,3 bilhões, sendo que o saldo total de depósitos atingiu a marca de R$287,7 bilhões. Quando consideramos “igual período” no mês de junho (por “igual período”, leia-se: mesmo número de dias úteis) verificamos que houve uma captação líquida negativa de recursos investidos na poupança de R$ 269 milhões, quando o saldo total de depósitos registrou R$279,6 bilhões.

Considerando-se que o número de dias úteis em julho é maior do que em junho, e considerando-se que a informação da última redução da taxa Selic foi digerida ao longo da quinta-feira, 23/07, não seria surpresa se a captação líquida de recursos investidos na poupança fechar o mês de julho próxima (ou superior) a R$7 bilhões, o que seria como uma evidência forte de que a poupança está ganhando forças especialmente entre os novos investidores.

A questão da migração de recursos oriundos de alternativas de investimento com perfil de risco semelhante, sobretudo os fundos de investimento, passa por uma discussão mais ampla, em que devemos considerar a cobrança de alíquotas de impostos, que variam segundo as modalidades, e que estão assegurando parte da inércia dos investidores dos fundos. Podemos esperar alguma medida por parte do governo na mesma direção de reduções das alíquotas dos fundos de investimento que, combinadas com as reduções nas taxas de administração (de iniciativa dos administradores dos fundos), visem impedir uma migração de recursos destes fundos para a poupança (que, entendemos que poderia ocorrer com relação a recursos inferiores a R$50.000,00, enquanto não forem definidas, de fato, as novas regras da poupança para o exercício de 2010).

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras e escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras.


Natal em Julho

Quando a economia está mal, nada como um bom marketing para alegrar o consumidor. Essa eu tirei lá na Toysrus lá de NY:

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ensinando Economia: Monopoly

Aqui em casa eu e a Lú andamos jogando Monopoly (Banco Imobiliário). Arrumamos uma versão de Playstation 2 que é bem bacana. Você pode jogar até sozinho, adicionando o computador, chegando até 4 participantes.

Daí, eu achei essa reportagem AQUI. A reportagem é sobre jogos de tabuleiro que ensinam às crianças sobre os mecanismos de mercado e economia real. Entre eles é citado o Monopoly.

Acho uma boa dica, mas o Monopoly é muito certinho. Pelas regras convencionais, você só pode tomar empréstimo até o limite que tira um mortgage equivalente ao valor das suas propriedades. Ou seja, até onde você possui alguma coisa para dar como garantia. Por exemplo, se um terreno vale 110, o banco te empresta 100 no máximo, e fica com a propriedade do terreno. Para recuperar a propriedade, você tem que pagar os 110 de volta. Se o business cycle (o lançamento dos dados) é ruim várias vezes seguidas, você acaba falindo.

É relativamente interessante esse sistema financeiro do Monopoly. O sistema financeiro embutido no jogo dá lucro sempre. A taxa de mortage é 10%, e a propriedade é a garantia (e o preço da propriedade nunca varia). Ou seja, o banco sempre ganha.

É uma boa dica ensinar as crianças a jogarem Monopoply, desde que elas entendam que na economia real o preço dos imóveis varia com o tempo. Isso também deve ser ensinado para as crianças que serão banqueiras no futuro.

Cursos Online

Recebo alguns emails de pessoas pedindo dicas de cursos online. Então fica aqui para todos a dica que eu sempre dou. São os cursos da FGV Online.

Clique AQUI e confira.

O Iury deixou uma dica legal nos comentários. São os cursos do MIT. Tem também os de outras universidades aqui nos EUA. Eu já tinha feito um post sobre isso há um tempo. Segue o link AQUI.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Regulando a Night

Uma das coisas que me preocupava muito quando do meu tempo de solteiro era perder a consumação (comanda) nas festas (baladas, nights, etc). Era um risco enorme, imagina ter que pagar aquela multa absurda que vinha escrita no rodapé da consumação.

Virava e mexia algum conhecido perdia a comanda. Pior, tinha a comanda roubada por outro(a). Aí, eu sempre argumentava que era motivo de preocupação porque os seguranças eram sempre 3x o meu tamanho. Logo, eu nunca perdia a consumação. Era um mecanismo de incentivo perfeito. Pelo menos, comigo funcionava. Acontece, que do ponto de vista legal a história é outra. Do InfoMoney:

Entretanto, segundo o diretor-presidente do Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo), Geraldo Tardin, a prática é ilegal e o consumidor só deve pagar pelo que de fato consumiu.

"O fornecedor não pode repassar ao consumidor o controle. Essa atitude caracteriza prática abusiva. O fornecedor deve ter o controle do consumo por cartão magnético ou venda de fichas", alerta.

No caso da perda da comanda, o consumidor que for impedido de deixar o estabelecimento, caso não pague a multa, poderá ligar para a polícia e pedir seu comparecimento ao local. Além disso, ele deve registrar um boletim de ocorrência na delegacia.

Pô, muito boa a explicação. Queria ver esse cara perder a comanda lá no Thunder, em 1995, quando ninguém tinha celular pra chamar a polícia e o segurança levava o apelido de Mutombo (em menção ao Dikembe Mutombo, ex-jogador da NBA).

Enfim, fica aí a dica para as casa noturnas. Para andar certinho com a legislação e ganhar o apreço do consumidor façam isso. Adotem os cartões eletrônicos de papel, válidos somente para a determinada noite. Ou até mesmo permanente. Um cartão em que a pessoa adiciona créditos, tem o seu número de identidade e foto incluídos e ganha descontos e participa de promoções. Isso pode ser até um bom instrumento para barrar certos clientes brigões. Afinal, não é toda casa noturna que pode contar com um segurança como o Mutombo.

Inflação Disfarçada


A imagem acima é de uma caixa de biscoistos recém aberta.

Notaram a inflação no preço por biscoito?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Contratos Futebolísticos I

Eu vou escrever uma série de artigos sobre futebol e economia. Em geral, envolvendo contratos, investimentos, salários, etc. Desde já peço aos meus leitores que enviem sugestões e participem com comentários elegantes e desapaixonados.

O primeiro tópico é o contrato dos jogadores. O exemplo é o caso do Nilmar (Inter-RS). O jogador tem um contrato de aproximadamente mais 2 anos. O Inter-RS tem 78% dos direitos federativos e o restante é de um investidor (Delcir Sonda). Veja a situação do clube (do Blog do Wianey Carlet):

Nilmar não é dono de um centavo, sequer, do seu "passe". Só terá vantagens financeiras se a oferta salarial for fantástica. Parece não ter sido o caso.

Mas, imaginem. Nilmar ainda tem uns dois anos de contrato, pouco mais, pouco menos. Ele sabe que se cumprir o contrato até o final, ficará com todo o resultado financeiro de uma transação. Exemplo: imaginemos que, no final do seu contrato, o seu "passe" seja avaliado em 15 milhões de euros, que o Inter rejeita, hoje. Bem, este valor ficaria, todinho, com Nilmar. O Inter não veria a cor de um real. E o parceiro do clube, Sonda, teria um crédito junto ao Inter de, aproximadamente, três milhões de euros. O Inter, portanto, além de não receber qualquer valor na saída de Nilmar, ainda teria que pagar esta conta que passaria a ter com Sonda.

É uma situação interessante esta do futebol brasileiro atual. Os contratos, são de cerca de 3 anos. Mas o ponto principal é que a duração deles é negociável. O clube, então, tem que buscar um comprador logo nos primeiros 2 anos, já que depois, o jogador tem incentivos a não aceitar propostas e ficar dono do próprio direito federativo.

Isso, em teoria, aumenta a rotatividade dos jogadores no time, causando o mesmo efeito da rotatividade de funcionários em uma empresa: aumento dos custos de contratação e queda da produtividade. Fora o risco de lesão do jogador.

Existem muitas propostas de melhora desse mecanismo de contratos. A minha sugestão é uma padronização dos contratos. Por exemplo, nenhum contrato poderá ter período de menos que 6 anos para jogadores menores de 21 anos, 5 anos para jogadores entre 21 e 25 anos, 4 anos para os de idade entre 25 e 29 anos, e 3 anos para os jogadores acima de 29 anos (tirei esses intervalos da minha cabeça, só pra dar um exemplo).

Isso ajuda, na medida que o período do contrato deixa de ser algo negociável. O jogador não vai ficar indeciso entre um contrato de 2 anos, que ele ganha 300 mil, e multa de 20 milhões, ou um de 5 anos que ele ganha 150 mil, e multa de 50 milhões. Ele não vai ter a primeira opção.

Isso não resolveria poblema de clubes estrangeiros assediando os jogadores. Mas mitigaria vários problemas. Um jogador dificilmente iria querer ficar 5 anos atrelado a um time da Ucrânia se a multa recisória for muito alta.

No caso do Nilmar, ele teria assinado por 5 anos, e não 3 como eu acho que deve ter sido o contrato dele (alguém sabe?). Isso dá mais tempo para a torcida curtir o jogador e mais tempo para o clube achar um comprador. É claro, dá mais tranquilidade ao jogador, que passará a ver contratos com mais longos.

O caso do Nilmar, parece que a direção está em um dilema, mas vai ter que vender. É a decisão financeira mais racional. Quem perde é o torcedor, mas ele sabia da duração do contrato desde o início...

Obviamente, essa sugestão é totalmente anti-mão invisível. Mas a idéia é arrumar um jeito de subsidiar os clubes, dado os défcits de clubes europeus e brasileiros e o fato de o futebol ser uma atividade que os maiores beneficiados financeiramente são os empresários. Além disso, a sugestão traz mais tranquilidade ao jogador, e mantém os jogadores preferidos da torcida.

Uma outra vantagem é que os clubes teriam que ser mais cuidadosos na hora de decisdr as multas recisórias dos jogadores. Ninguém quer ficar com um perna-de-pau por 5 anos...

Note que a padronização afeta mais os jogadores bons, já que os pernas-de-pau vão continuar pererecando de um clube para outro com salários baixos e multas pequenas. Em suma, a medida protege que o jogador bom saia com mais facilidade.

Fica aí a sugestão: padronização da duração dos contratos pela idade. O que vocês acham? Eu mesmo não estou muito convencido...

Mais Sobre Emergentes

Abaixo eu falei sobre os motivos da volatilidade cambial no Brasil. Entretanto, não posso deixar de ressaltar os avanços ocorridos nos últimos anos, principalmente a manutenção de uma política monetária consistente.

Segue AQUI uma matéria sobre as perspectivas para a economia chinesa e brasileira nos próximos 2 anos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Real Volátil

Da VEJA:

"Um levantamento realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Depecon-Fiesp) mostra que o real foi a terceira moeda mais volátil do mundo entre setembro de 2008 e junho deste ano. Setembro foi o mês em que a crise mundial se aprofundou. Em um período mais longo, de 2003 a junho deste ano, a moeda brasileira pula para o primeiro lugar.

"O real é o campeão da volatilidade tanto na valorização quanto na desvalorização", diz o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca. "Essas oscilações trazem enorme insegurança. Os agentes não conseguem fazer um planejamento adequado." Na segunda-feira, a moeda americana caiu 1,24% e fechou cotada a 1,904 reais.

Na avaliação de Giannetti, esse vaivém ocorre por causa do "viés financeiro que prevalece na economia brasileira hoje". "Esse capital entra e sai do país com muita liberdade. A estabilidade cambial é tão ou mais importante do que a monetária e cabe ao Banco Central cuidar disso", afirmou. Para ele, o setor privado e o governo devem se debruçar sobre o tema em busca de uma solução que amenize essa volatilidade exagerada."


Opa! Economia viesada é um problema!
E esse negócio do capital entrar e sair também é um problema!
Que loucura!

Olha, a teoria econômica nos ensina uma coisa fundamental. O preço de um ativo em geral revela o seu valor e o equilíbrio entre oferta e demanda por este ativo. Se o Real flutua muito é porque ou a demanda, ou a oferta flutuam muito.

Em geral, no curto prazo, a fonte da volatilidade cambial está ligada a demanda por Reais para investimentos no Brasil, e por dólares para importação/exportação de bens e serviços. Os investimentos, por sua vez, podem ser de curto ou logo prazo. Podem também ser financeiros ou investimentos diretos.

A teoria e a prática econômica nos ensinaram que se você colocar uma barreira na entrada/saída você mudará o preço, e sim talvez ele flutue menos. Mas deixará de ser o preço verdadeiro.

Além de distorcer os preços como ocorre lá em Caracas, um câmbio administrado ou fixo impõe custos ao BC que fica sempre tentando controlar a volatilidade, ou o nível, e isto custa dinheiro. Ou no mínimo, custa a oportunidade de investir esse dinheiro em outro ativo.

Existe um único argumento para que uma banda cambial, ou um cambio com menos flutuações seja desejado (e já discutimos isso aqui), que é o da melhor previsibilidade do Dólar, e assim um planejamento melhor das receitas de exportação e custos de importação.

Esse argumento, porém, não leva em conta que existem diversos instrumentos financeiros que podem ser usados para diminuir essa volatilidade, como contratos de câmbio futuro, hedges, opções, etc.

O debate sobre o controle de entrada e saída de investimentos financeiros de curto prazo está sempre presente na academia brasileira. Mas eu creio que a volatilidade do câmbio seja apenas a conseqüência e não a causa de problemas na economia brasileira.

A verdade é que a economia brasileira é sim emergente. É, sim, um país em que os direitos de propriedade não são bem definidos. É, sim, uma economia arriscada de se investir do ponto de vista político. Enfim, é um mercado em que o investimento vai entrar só na boa, e sair ao menor sinal de crise. É um país com alto retorno, e obviamente alto risco.

O que fazer? Controlar a entrada e saída de divisas, ou tornar o Brasil um país mais seguro do ponto de vista de investimentos?

Compra a "Seco" de Calls

A compra a “seco” de opções de compra (calls) sobre ações que estão muito “fora do dinheiro” está entre as operações que mais conduzem às perdas dos traders no mercado de opções. A expressão “seca” refere-se à situação em que a call é adquirida sem quaisquer travas, que possam limitar as perdas, caso ocorra um movimento bastante desfavorável no preço das ações subjacentes. Por sua vez a expressão “fora do dinheiro” é uma referência às calls cujos preços de exercício são superiores ao preço da ação subjacente no momento em que são adquiridas.

Diversos fatores estão por trás do preço de uma call (prêmio): o preço da ação subjacente, o preço de exercício, o tempo que resta até o vencimento (quando a opção é expirada e a partir de então perde o seu valor), a volatilidade do preço das ações e a taxa de juros. Os modelos teóricos de apreçamento de calls (destacadamente o modelo Black-Scholes e o modelo Binomial, de Cox, Ross e Rubinstein) baseiam-se não apenas nestes fatores mas também em probabilidades e estatísticas que estão relacionadas ao preço da ação subjacente.

Quando se adquire uma call muito “fora do dinheiro”, paga-se um preço muito baixo, porém a contrapartida é que a probabilidade de que se alcance ganhos significativos é muito baixa. Por isto muitos comparam (com razão) calls muito “fora do dinheiro” a jogos de azar. De fato não é nada recomendável a compra de calls muito “fora do dinheiro”.

Existe, porém uma situação em que a compra a “seco” de uma call pode propiciar uma oportunidade mais vantajosa (sob vários aspectos) do que a compra das ações subjacentes e que por isso merece atenção. Refiro-me à compra a “seco” de calls muito “dentro do dinheiro”, que como a analogia sugere, tratam-se de calls cujos preços de exercício são muito inferiores ao preço da ação subjacente no momento em que são adquiridas. Foi exatamente sobre compra de calls muito “dentro do dinheiro” o assunto que abordei no meu primeiro artigo como colunista na InfoMoney. Confiram a matéria AQUI.


Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M. Costa todas as quartas-feiras e escreve mensalmente uma coluna sobre Derivativos na InfoMoney, às terças-feiras.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Fucape Social


A Fucape Business School está com um projeto muito legal, é o Fucape Social:

A Fucape está iniciando um grande projeto na área social para adolescentes do ensino médio de escolas públicas – o Fucape Social. Esse projeto prevê oportunizar capacitação extracurricular para alunos de escola pública, favorecendo melhor desempenho na prova de avaliação do ENEM. A partir dessa chance de melhor desempenho, acreditamos que será uma conseqüência natural o ensino gratuito e de qualidade através de bolsas de estudos nos cursos de graduação da FUCAPE.

O público alvo do Fucape Social são os alunos de 3º ano, que apresentam afinidade com a área de exatas, oriundos das Escolas Públicas dos municípios de Vila Velha, Serra e Vitória.

Eu, sendo um entusiasta da Educação (assim mesmo, com "E" maiúsculo), achei a iniciativa muito boa.

Parabéns ao pessoal da FUCAPE! Leia mais AQUI.

Indicadores Antecedentes

Ontem saíram os dados do Conference Board, uma instituição que entre outras coisas desenvolve o mais popular dos Indicadores Antecedentes da Economia. Estes índices apontam o futuro da economia, e em geral são bem confiáveis.

O índice é composto por diversas informações sobre o estado atual da economia e sobre como estão os planos de firmas e consumidores. Mais precisamente, o índice é uma composição de dados como: índice de confiança do consumidor, índice da bolsa de valores, número de demissões, número médio de horas trabalhadas, taxas de juros, número de licenças para construção civil, etc.

A idéia é que quando estes números vão bem há um aumento da renda e do consumo em um futuro próximo. Por exemplo, se o número médio de horas trabalhadas está aumentando, será necessário contratar pessoas num futuro próximo. Se a bolsa está subindo, é por que as pessoas esperam que os dividendos futuros estejam aumentando, ou seja, os lucros das empresas então aumetando no futuro. Se há mais licenças sendo pedidas para construção, significa que trabalhadores serão contratados, a demanda por cimento e cabos de aço vai aumentar, e por aí vai.

O indicador americano mostrou uma alta acima das expectativas dos analistas. Esperava-se uma alta de 0,5% no índice, mas ele subiu 0,7%. Esse movimento consistente de informações melhores que as expectativas traz não só muita informação, mas uma informação interessante: a economia americana tem um alto poder de recuperação econômica.

Parte deste poder está no rápido ajuste de preços de bens e serviços, para baixo. Outra parte está na execução do pacote econômico do governo federal. Ainda há muito para melhorar, especialmente no mercado de trabalho, mas os números indicam uma recuperação já em 2010. E o tempo está sendo bom com a crise, já estamos no final de Julho. Não sei, mas as vezes parece que cada ano passa mais rápido que o anterior...

PS: Leia mais sobre os Leading Indicators AQUI.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

NEPOM - Julho 2009

O Renato Byrro do NEPOM (que está em recesso acadêmico) deu o seu pitaco sobre os rumos da taxa SELIC. Quer saber pra onde ela vai? Então clique AQUI.

domingo, 19 de julho de 2009

Caracas!

Acabo de ler um artigo no NYT e vou ter que deixar o link para vocês aqui no blog. O artigo explica porque Caracas (Venezuela) é a cidade mais cara da América Latina. O texto fala do controle de preços, da política de câmbio fixo, do trabalho informal, da entrada de recursos pela venda do petróleo, das leis que vigoram no mercado imobiliário, etc.

Segundo o artigo, um pacote de arroz Uncle Ben's custa 80 dólares, uma garrafa de Johnnie Walker Black Label custa 98 dólares, etc. Enquanto isso, o litro da gasolina custa somente alguns centavos.

Enquanto a taxa de câmbio oficial é 2.15 bolívares por dólar americano, no mercado paralelo o dólar chega a ser negociado por até 6.65 bolívares. Para tentar combater esse mercado paralelo, o governo proibiu a publicação da taxa de câmbio do mercado paralelo nos jornais. Parece que não resolveu o problema. Eu achei, por exemplo, esse site AQUI em que a taxa é de 6,70 na venda.

Bom, para ler a reportagem completa clique AQUI. Leitura obrigatória para quem está fazendo Introdução à Economia, Micro I, Macro I ou Macro II!

Um bom domingo de Centenário do Gre-Nal! (Link AQUI)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ócio Criativo

Fiquei pensando por vários minutos, li várias notícias e blogs, fiz procuras no Google e nada. Nada de conseguir escrever um post que eu achava interessante.

Isso é recorrente, muitas vezes falta inspiração ao escritor, pesquisador, etc. Aí, o que eu aprendi é o seguinte. Não adianta ficar forçando a mente ou tentar transformar algo desinteressante em um post interessante usando humor ou coisas do gênero. A saída é o chamado ócio criativo.

Basicamente, o ócio criativo consiste em tirar um tempo de folga e esperar que a criatividade volte. Neste processo, já foi empiricamente comporvado, que se o indivíduo fizer uso de uma rede e tiver um barulho de ondas do mar ao fundo, debaixo de uma sobra, com ventos vindo no sentido Nordeste e bebendo uma Cuba Libre o efeito é potencializado. Melhor ainda se tudo isso for feito depois de uma partida de War, que você venceu porque o seu objetivo era destruir o exército vermelho. Enfim, vou tirar o final de semana de folga do blog.

Não se preocupem, posts melhores Verón!
(Desculpe Burian, mas não pude deixar de fazer o trocadilho).

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dados CAGED: Junho 2009

Saíram os dados do CAGED do mês de Junho. Segue o sumário, via InfoMoney:

Com a criação de 119.495 postos de trabalho, o emprego formal registrou em junho a quinta expansão seguida, ainda que o número de vagas tenha sido menor que o registrado em maio, quando 131.557 empregos foram gerados.

Segundo o Ministério, a redução no ritmo de crescimento do emprego no mês de junho, comparativamente aos resultados obtidos no mês maio e no semestre ocorre porque os picos de criação de postos de trabalho se manifestam nos meses de maio e abril.

"Entre todos os países do G-20, o Brasil é o único com saldo positivo de empregos. O poder de compra, alavancado com o bom crescimento do salário médio dos brasileiros ao longo dos últimos anos, é que está promovendo a continuação da produção, que movimenta a economia", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Uma excelente notícia para economia brasileira. O crescimento do emprego formal, mesmo que abaixo do crescimento de anos anteriores, é uma excelente notícia. Não pela taxa de crescimento, mas pela manutenção das taxas positivas por 5 meses seguidos.

Para maiores detalhes sobre os dados deste mês clique AQUI e AQUI.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Bob Esponja na NYSE

Olha só quem apareceu lá na Bolsa de NY pra comemorar os 10 anos de idade, na tarde desta quinta-feira:



O Mercado Futuro de Juros

A imprensa divulgou, ao final da tarde de ontem, 14/07/2009, um comentário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre a curva de juros: “Se olharmos o resultado das projeções de inflação, a curva (de juros) embute um prêmio de risco em relação à previsão do BC, que talvez não seja adequado. De qualquer maneira, o importante é o mercado fazer sua precificação normalmente e a realidade vai prevalecer.” (AQUI)

As expectativas do mercado, segundo o último boletim Focus (do dia 10/07/2009), projetam a taxa básica (mediana) em fins de período para 8,75% a.a. para 2009 e 9,25%a.a. para 2010. Tal expectativa está alinhada com as cotações nos mercados futuros de juros, que na BM&F-Bovespa são negociados como contratos futuros da taxa média de depósitos interfinanceiros de um dia, ou simplesmente DI 1, que serve de base para desenharmos a curva de juros futuros.

As cotações nos contratos de DI 1 são expressas em pontos, correspondentes a 100.000, descontado pela taxa de juros efetiva anual, com base em 252 dias úteis, até o vencimento do contrato e definida pela acumulação das taxas diárias de DI no período compreendido entre a data de negociação, inclusive, e o último dia de negociação do contrato, inclusive. A data de vencimento destes contratos se dá no primeiro dia útil do mês de vencimento, sendo que o último dia de negociação é o dia útil anterior à data de vencimento.

Podemos, então, construir a curva de juros futuros com base nas cotações de contratos futuros de juros (DI 1). Tomando-se por base as cotações de 14/07/2009, podemos destacar, na ponta curta da curva de juros, o contrato com vencimento em outubro, com um giro de R$10,7 bilhões e projetando uma taxa de 8,73%a.a., bem como o mais líquido de todos, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que reflete as expectativas de juros ao final de 2009, com um volume de R$16,2 bilhões e projetando uma taxa de 8,71% - o que já embute um ligeiro ajuste para baixo das expectativas do mercado, quando comparado ao boletim Focus. No tocante à ponta longa da curva de juros, podemos destacar os contratos com vencimentos em janeiro de 2011 e janeiro de 2012, que, respectivamente refletem as expectativas de juros para 2010 e 2011, com giros de R$18 bilhões (o mais líquido de todos os contratos negociados) e R$8,3 bilhões, projetando juros de 9,75% para 2010 (um pouco superior à projeção do boletim Focus) e de 10,95% para 2011.

Na medida em que as projeções do mercado para as taxas de inflação forem se aproximando das previsões do BC, as pontas mais longas da curva de juros tenderão a sofrerem maiores ajustes (quedas). Como disse Meirelles: “O importante é o mercado fazer sua precificação normalmente e a realidade vai prevalecer.”


Clique no Gráfico para ampliar.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M.Costa todas as quartas-feiras e escreverá mensalmente (a partir de julho) sobre Derivativos na InfoMoney , às terças-feiras (início em 21/07/2009).

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ed Glaeser no NYT

Uma das melhores colunas econômicas atuais é a do Edward Glaeser (de Harvard) no New York Times. Essa semana ele explica o processo de formação de preços no mercado imobiliário americano.

Basicamente, ele explica um paper dele e do Joe Gyourko (de Wharton, Upenn), que é o coordenador do departamento de Real Estate e para quem eu trabalhei por quase dois anos como assistente de pesquisa.

A idéia do paper é interessante, basicamente eles argumentam que existe um ciclo de curto prazo e um de médio prazo (5 anos), criando um processo de reversão a média no mercado de housing.

O Ed Glaeser usa os índices de construção civil (do Campbell-Shiller) e analisa os dados sob a ótica do paper. O artigo ficou muito bom e todos os links (para o paper, dados, etc) estão no artigo. Fica AQUI o link.

Leitura recomendadíssima.

Escambo Brasileiro

Diante da falta de liquidez a economia se vale de seus princípios básicos. Direto da Bloomberg:

BASF, the world’s biggest chemical company, is expanding the amount of cashless trades it does in Brazil, and Bayer’s agriculture unit is adding salespeople there trained specifically in barter. Syngenta uses barter for 35 percent of trades in Brazil, the No. 1 exporter of sugar and coffee, and No. 2 in soybeans. Bayer CropScience uses it for 10 percent.

Bom Futuro, Brazil’s second-biggest seed company, sells 40 percent of its soybean seeds in exchange for soybeans, said Francisco Jose Soares Neto, the company’s sales manager. It charges about 35 percent more on barter deals than on cash sales, reflecting the risks of price fluctuations.

É isso mesmo que você leu, as empresas estão trocando sementes e outros produtos por grãos, na ausência de moeda. Qual a grande sacada? A empresa vende a semente, e recebe os grãos, mas por um "preço" (ou preço relativo) menor que o de mercado, já que o agricultor tá apertado de grana mesmo e existe o risco de flutuação de preço do grão. Daí a empresa vai no mercado e vende os grãos, em maior escala, obtendo um preço maior. Achei muito boa a reportagem.

Leia na íntegra clicando AQUI.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

15 Anos do Plano Real

O Plano Real comemorou 15 anos este mês. Eu não escrevi nada sobre o assunto, mas vou deixar aqui a reportagem que eu achei mais interessante e que agora já está disponível para os leitores em geral.

O link é para a revista Veja do dia 8 de Julho, clique AQUI e leia a reportagem. Leitura obrigatória pra quem está fazendo Economia Brasileira na graduação e mestrado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Alex On Fire

Essa semana o Alexandre Schwartsman (do blog A Mão Visível) está on fire, como diz o pessoal aqui nos EUA. Ele escreveu dois posts muito bons.

O primeiro sobre gastos públicos, carga tributária e crescimento da carga tributária marginal. A minha conclusão é que a política fiscal brasileira faz muito pouco sentido econômico, o que na maioria das vezes faz muito sentido político. A leitura é obrigatória. Link AQUI.

O segundo post do Alex é sobre a exposição do setor industrial brasileiro às importações estrangeiras. Setores que exportam muito, segundo sua análise, cresceram à taxas maiores do que os setores mais voltados para a economia doméstica. A conclusão é que o maior responsável pelo crescimento econômico brasileiro no período pré-crise foi o crescimento das exportações, enquanto a queda da taxa de juros teve papel menos importante. O artigo é claro e traz um ponto de discussão muito interessante usando novos dados do IBGE. Recomendo fortemente a leitura e o link fica AQUI.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tudo Que Desce...

O Brasil e o México tiverem caminhos distintos nos últimos anos. O México era o queridinho das agências de risco, enquanto o Brasil era o patinho feio, mesmo tendo políticas e economias relativamente similares. A diferença era (e ainda é) a estreita relação comercial México-EUA. Veio a crise financeira e o Brasil se mostrou mais sólido, mais bem preparado e mais diversificado comercialmente.

Uma economia interna grande e diversificada, uma política macroeconômica consistente e clara, um sistema financeiro forte e bem regulado e um bom estoque de reservas. Foram estes os fatores determinantes para o sucesso brasileiro durante a crise financeira.

Agora, as agências de risco estão revendo as classificações de risco. E a diferença entre Brasil e México deve ficar menor. Direto do Estadão:

O diretor regional da Moody's para a América Latina, Mauro Leos, afirmou à Agência Estado que o País tem respondido bem à recessão. "A pronta reação do Brasil à crise mostrou que (a economia) está mais forte em termos relativos a outros países que possuem até ratings superiores."

Com isso, tem mostrado que os fundamentos econômicos são sólidos. "O Brasil passou pelo equivalente a um severo teste de estresse de grandes proporções ao longo dos últimos meses", disse.

Já na Bloomberg a notícia era esta:

Brazil’s ability to react faster to the global credit crisis than Mexico is prompting credit rating companies to reassess Latin America’s two largest economies, according to Goldman Sachs Group Inc.

Moody’s Investors Service put Brazil on review for a credit rating increase yesterday as Standard & Poor’s and Fitch Ratings reiterated concerns that Mexico may fail to pass tax legislation needed to stave off a rating cut after President Felipe Calderon’s party lost congressional seats in midterm elections. Brazil is rated below Mexico by all three companies.

É assim mesmo, enquanto a economia mexicana deverá apresentar uma queda de cerca de 3,7%, o Brasil deve descrescer apenas 1,3%, segundo o FMI. Mas tudo que desce acaba subindo, em economia. Acontece que quando o PIB cai menos, a maior chance é que no período seguinte a economia cresça mais rapidamente. É uma lógica pouco Newtoniana, mas é a lógica macroeconômica.

Música: Onde Está o Mercado?

O mercado da música sofreu uma mudança muito grande nos últimos 10 anos. O uso dos sites de compartilhamento de arquivos e a pirataria reduziram muito a receita das gravadoras e músicos com a venda de CD's.

Mesmo aqui nos EUA, onde o comércio de música em sites como Itunes e Amazon é muito grande, a receita gerada não chega aos números vistos nos anos 80. Uma prova disto é que mesmo com a economia crescendo por vários anos, e a população mundial crescendo a altas taxas, poucos discos passaram dos 20 milhões de cópias.

O disco mais vendido recentemente foi um disco do Usher, de 2004, que vendeu aproximadamente 20 milhões de cópias. Em 1999 o Backstreet Boys vendeu o dobro disso. No ano passado o disco que mais vendeu foi o do Coldplay, com 6.8 milhões de cópias.

Então, onde está o mercado? Bem, o que as turnês de Bruce Springsteen, Madonna, Spice Girls, U2, Beyoncé, Britney Spears, Coldplay, e a turnê planejada de Michael Jackson apontam é que a grana está mesmo é nos shows ao vivo.

Da Bloomberg (negritos são meus):

From Madonna to U2, artists earn tens of millions of dollars from performing live. With record sales plunging 30 percent in the past decade and illegal downloads accounting for almost all the music listened to online, live performance has become the industry’s most lucrative and fastest-growing segment. Fans are paying twice the price for tickets to top concerts from a decade ago, so artists who once performed at live shows to promote record sales are now churning out albums to boost tour attendance.

The live performance market raked in $21.6 billion in 2008, an increase of 54 percent in three years, according to the International Federation of the Phonographic Industry. Recorded music sales last year were $18.4 billion, the group said.

“The balance between record sales and live following has tilted the other way,” said concert promoter Harvey Goldsmith, who has worked with Jackson, The Who, U2, Bob Dylan and Luciano Pavarotti. “The reason big acts go on the road is either the bank manager calling or the wife or girlfriend.”

The biggest tour last year was Madonna, grossing $105.3 million, according to Pollstar. The Police had the biggest tour in 2007 with $133.2 million and 2006 was The Rolling Stones at $138.5 million.

Major record companies are scrambling to find ways to get a piece of the live action. They’re signing artists to so-called 360 deals, where they get a portion of an artist’s rights to recorded music, tours, merchandise and marketing.

É o mercado respondendo aos incentivos. O preço do disco foi pra algo muito próximo de zero. A receita despenca, mas o artista ainda tem que sobreviver. A saída é o show ao vivo. Mas aí quem baila é a gravadora. A saída é um contrato em que a gravadora leva um percentual sobre a receita dos shows e faz a divulgação nas rádios, etc. É um novo arranjo de contratos. É aí que está o mercado da música!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Ressurgimento da Caderneta de Poupança

Aqui no Brasil a caderneta de poupança é uma aplicação financeira cuja rentabilidade mínima é garantida por lei. A cada mês a poupança rende ao menos 0,5%. Recentemente temos observado um movimento de queda na taxa básica de juros da economia, a taxa SELIC, saindo de um patamar de 13,75% em fins de 2008 para 9,25% na última reunião do Copom, em 10/06.

O mercado como um todo espera para a próxima reunião do COPOM mais uma redução, entre 0,25 e 0,5 ponto percentual (na última reunião o COPOM surpreendeu ao reduzir a taxa Selic em 1 ponto percentual). Estas sucessivas reduções na taxa Selic afetam diretamente a rentabilidade dos fundos de renda fixa que tendem, gradualmente, a perderem espaço para a poupança, cuja rentabilidade já se apresenta mais atraente do que muitos destes fundos, que cobram taxas de administração bastante elevadas (atualmente, essas taxas estão em média no entorno de 2%).

Portanto, a caderneta de poupança ressurge como uma alternativa de investimento para aqueles que possuem um perfil mais conservador. A possibilidade de investidores migrarem da renda fixa para a poupança em resposta a reduções da taxa Selic já havia sido percebida desde o início do ano pelo governo, que em maio apresentou uma proposta de mudança na caderneta de poupança (mas que ainda não foi encaminhada para o Congresso), que tem como principal objetivo impedir uma forte saída de recursos da renda fixa de grandes investidores para a poupança.

A proposta do governo consiste em introduzir a possibilidade de recolhimento de IR para aplicações superiores a R$50.000,00 a partir de 2010 (de acordo com uma tabela progressiva).

Na mesma ocasião foi anunciado que se a taxa Selic caísse abaixo de 10,25%, então o governo poderia baixar uma medida provisória através da qual se criaria um mecanismo que permitiria a redução da alíquota do imposto de renda que incide sobre as aplicações financeiras de curto prazo (até 180 dias) para 15% (atualmente esta alíquota é de 22,5%).

Vale ressaltar que a saída de recursos da renda fixa não agrada nem ao governo (pois prejudica a rolagem de sua dívida), nem às instituições financeiras que podem captar recursos ligados à renda fixa (pois deixariam de arrecadar a taxa de administração, que não é cobrada no caso da poupança). Na prática, porém, somente as instituições financeiras estão se movimentando, ao reduzirem não somente as suas taxas de administração como também o valor mínimo para aplicação nos fundos de renda fixa.

Se, de fato, a próxima reunião do COPOM anunciar uma redução de 0,5 ponto percentual (conforme prevêem alguns analistas), é possível que o governo anuncie logo a seguir a redução da alíquota do imposto de renda que incide sobre aplicações financeiras para 15%.

Tal medida poderá surtir efeito a curto prazo, mas se as taxas de juros continuarem sua trajetória de queda não será possível conter a migração para a poupança e possivelmente o governo apresentará uma nova proposta buscando uma maior consistência com a realidade de juros mais baixos numa perspectiva de longo prazo, que deverá interferir no rendimento da poupança... o que não passará desapercebido, sobretudo se considerarmos as eleições em 2.010.

FONTE (Gráfico): Portal G1, com base em dados do BACEN.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M.Costa todas as quartas-feiras e escreverá mensalmente (a partir de julho) sobre Derivativos na InfoMoney , às terças-feiras (início em 21/07/2009).

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poupando Energia

O De Gustibus deu a dica (AQUI) sobre a nova proposta da ANEEL. A idéia é que a tarifa de energia seja variável ao longo do dia. A proposta tem como objetivo a redução do consumo de energia no horário de pico (fim da tarde, quando as pessoas chegam do trabalho e tomam banho).

Uma demanda muito alta durante um número pequeno de horas e baixa no resto do dia causa um desperdício adicional de energia. O objetivo da ANEEL é reduzir essa perda, incentivando, via preços, a mudança nos hábitos de higiene do consumidor.

Ao mesmo tempo, a medida vai gerar competição no setor de chuveiros elétricos e máquinas de lavar e secar, que são os grandes vilões do consumo de energia. Ou, pelo menos, um uso mais racional destes equipamentos ao longo do dia.

O Google já até desenvolveu uma ferramenta que permite ao usuário o acompanhamento de seus gastos. É o Google PowerMeter. É basicamente uma interface em que você cadastra o eletrodoméstico e o site determina o consumo de energia na medida que você for usando. Por enquanto está na fase de testes e cadastramento de empresas, mas a tecnologia estará ajudando o consumidor de energia em um futuro próximo.

Leia mais sobre a proposta da ANEEL clicando AQUI.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Onde Está a Crise?

Alguns setores/empresas da economia brasileira não enfrentam queda em seus negócios. Quer saber quais são estes setores? Clique AQUI.

sábado, 4 de julho de 2009

Risada Garantida

Sempre que eu quero rir um pouco, eu volto e leio este post aqui: Meio Intelectual, Meio de Esquerda. O artigo começa assim:
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.

Leiam o post clicando AQUI. Mas, prepare-se, você vai rolar de rir caso já tenha frequentado uma universidade federal.

PS: o autor é o Antonio Prata do Estadão, o mesmo do post do Camarão na Moranga, que eu tambem compartilhei aqui com vocês.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

David Ricardo e Mercados Emergentes

Os mercados emergentes já emergiram. Essa é a minha leitura dos recentes acontecimentos macroeconômicos. Países como Brasil, China, Índia, Rússia, e outros têm apresentado uma boa resposta macroeconômica à crise de crédito internacional.

As taxas de crescimento e de retorno do investimento estão acima da média americana e européia na maioria dos casos, e o maior exemplo é o Brasil.

A economia brasileira deve apresentar taxa de crescimento ligeiramente negativa este ano, mas isto é muito melhor do que a forte queda que deve acontecer na Europa e nos EUA. Do mesmo modo, a taxa de retorno sobre investimentos direto e financeiros no Brasil está acima da média americana.

Os dados do mercado financeiro refletem essa leitura. Segue uma notícia direto da Bloomberg:
Developing countries’ share of worldwide equity value climbed to a record as the fastest- growing economies lured investors amid the first global recession since World War II.

The 22 nations classified as “emerging” by index provider MSCI Inc. comprise 24 percent of world market capitalization, up from 18 percent at the start of this year, the highest proportion since Bloomberg began compiling the data in 2003.

O mercado financeiro, ao contrário do que muitos gostam de pensar, não é irracional. Não no longo prazo. Se os mercados emergentes vêm crescendo (pelo menos desde 2003) isso significa que pode ser um movimento de tendência.

E esse movimento faz todo sentido, na medida que as taxas de retorno sobre o capital são mais altas nesses países e a mão-de-obra é mais barata. Alguém já leu David Ricardo por aí?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Copo Meio Cheio

Na segunda-feira eu escrevi um post com teor otimista. Nada demais, apenas uma leitura dos dados de conjuntura americana que haviam saído na sexta passada. Aumento do consumo, da poupança e da renda. Concluí que era o gigante em movimento.

A impressão que ficou é que eu estava olhando para o copo meio cheio. Já no início dessa semana, saíram novos dados sobre confiança dos consumidores e emprego industrial. E eles continuam sendo negativos, e preocupando investidores. É o copo meio vazio.

A verdade é que o copo está pela metade.

Notícias vão afetar os mercados diariamente e isso vai trazer uma volatilidade maior, até que as notícias de um crescimento mais robusto apareçam. Cada um vai olhar para o copo e tirar suas conclusões. Até lá, notícias como a de hoje (Indústria Americana Decresce à Taxas Menores) serão boas notícias. Todos querem ver um copo meio cheio...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dica de Livros: Stata

Vira e mexe alguém me faz uma pergunta sobre comandos no Stata. Como faz isso? Como faz aquilo? O meu officemate é craque em Stata, e depois de três anos eu já aprendi bastante com ele. Dois livros muito bons para quem quer aprender mais de Stata são esses aqui:

1) An Introduction to Modern Econometrics Using Stata
(Christopher F. Baum)

2) Microeconometrics Using Stata
(A. Colin Cameron, Pravin K Trivedi)

O primeiro leva um nome de "introdutório" mas na verdade aborda também tópicos bem avançados e modernos. Já o segundo é mais denso e começa do início e vai até os modelos mais complexos de microeconometria.

Se você pensa em se especializar mais em microeconometria eu indicaria comprar o segundo. Mas se você está no primeiro ano de mestrado eu indicaria o primeiro, é um excelente complemento para livros como os do Greene, do Hayashi ou do Davidson & McKinnon.

Eu particularmente gosto mais do livro do Greene para um curso de mestrado, especialmente a edição mais recente. É bem aplicado, e com esse livro do Baum (1) como complemento e como base para listas de exercício é diversão pra um curso de 6 meses no mínimo.

Ficam aí as dicas! Abraço!

POP

Já que o assunto do momento é a morte do “Rei do Pop”, falemos então do POP (Proteção do Investimento com Participação) da BM&F-Bovespa, que é um derivativo que se propõe a atrair novos investidores para o mercado de ações, na medida em que limita as perdas no caso da queda do preço da ação em uma data alvo, mas que em contrapartida se apropria de parte dos ganhos no caso de uma elevação no preço da ação.

O POP envolve a compra de um determinado lote de uma ação, a compra de um lote do mesmo montante de opção de venda sobre a mesma ação e a venda de um percentual deste lote de opção de compra, sendo que as opções possuem o mesmo preço de exercício e ambas vencem na mesma data. Vale ressaltar que as opções de compra e as opções de venda negociadas no mercado brasileiro diferem quanto às possibilidades de seu exercício. As opções de compra podem ser exercidas a qualquer momento (são do tipo americanas) enquanto que as opções de venda só podem ser exercidas na data de vencimento (são do tipo européias), e por isso, caso deseje manter as suas características, o POP só pode ser exercido na data de vencimento, embora possa ser negociado a qualquer instante.

Para ilustrar o POP, consideremos os dados de fechamento do mercado, da última segunda-feira, 29 de junho de 2009. As cotações das ações da Vale (VALE5), das opções de compra da Vale (VALEH30) e as opções de venda da Vale (VALET30) - ambas com vencimento em 17 de agosto de 2009 e preço de exercício de R$30,00-, foram, respectivamente, R$30,30, R$2,29 e R$1,56. Desse modo, um POP sobre as ações da Vale, que oferece proteção ao seu comprador caso o preço da ação fique abaixo de R$30,00, com garantia de 70% dos ganhos e com vencimento em 17 de agosto de 2009, negociado como VALE70, poderia ser adquirido na ausência de arbitragens (e desconsiderando os custos de transação), por R$31,17.

Suponha que tenha sido adquirido um lote de 1.000 ações de VALE70 (que corresponde ao POP sobre a Vale descrito acima) por R$31.173,00. Se na data de vencimento do POP a ação VALE5 estiver cotada a R$25,00 então o investidor irá exercer a opção de venda e receberá [1.000 x R$30,00]=R$30.000,00. Se, por outro lado, a cotação da ação VALE5 estiver a R$35,00 então o titular das 300 opções de compra irá exercer o seu direito e, desse modo, o investidor receberá [300 x R$30,00]+[700 x R$35,00]=R$33.500,00 resultante do exercício de 300 opções de compra (pelo titular da mesma) e do valor de mercado das 700 ações remanescentes.

Paulo C. Coimbra (FUCAPE Business School) escreve no Blog do Cristiano M.Costa todas as quartas-feiras e escreverá mensalmente (a partir de julho) sobre Derivativos na InfoMoney , às terças-feiras (início em 21/07/2009).