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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Clark Medal 2009

Essa semana saiu o vencedor da John Bates Clark Medal, prêmio dado ao economista com melhor pesquisa e com menos de 40 anos de idade. O vencedor foi Emmanuel Saez, de Berkeley. Ele se torna o quinto economista com Clark Medal no departamento, que também conta com 4 prêmios Nobel (sendo que o McFadden tem os dois).

A AEA disponibilizou um PDF com o resumo de sua pesquisa, e está AQUI. Seus trabalhos são nas áeas de taxação ótima, distribuição de renda e riqueza e aposentadoria. Segundo a AEA:

Through a collection of interrelated papers, he has brought the theory of taxation closer to practical policy making, and has helped to lead a resurgence of academic interest in taxation.

Parabéns ao Professor Saez!

Reunião do COPOM

O COPOM decidiu por reduzir a taxa SELIC para 10,25%. Achei uma boa decisão. Eu não sou especialista em macroeconomia brasileira, nem faço estudos profundos sobre os modelos de polítia monetária do BC. Então, a minha opinião também não vale muito.

Gostaria, porém, de ressaltar alguns pontos que acho importantes: os níveis de inflação, utilização da capacidade instalada e exportações estão em queda; a economia americana dá sinais de que a crise ainda pode durar mais tempo; os efeitos da gripe suína podem afetar o crescimento dos outros latino americanos; mesmo com uma SELIC mais baixa, a taxa de juros real ainda é relativamente alta; os sinais de reaquecimento da economia brasileira são fracos, mas existem, demandando certa cautela.

Dados os pontos acima e dentro de uma análise meio, digamos, holística da economia brasileira eu diria que a situação demandava um corte e a questão era saber a magnitude. Uma redução forte, mas ao mesmo tempo sinalizando uma redução da velocidade da queda me pareceu uma medida muito boa.

PS: Eu sei que esse post ficou meio que de comentarista de final de jogo, mas não tive tempo de escrever o post antes do fim da reunião.

PS: Veja dois gráficos sobre a taxa de juros brasileira clicando AQUI.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sem Rótulo

O Duke of Hazard bate em uma tecla importante, aliás, em duas: AQUI e AQUI. Ele explica quando rotular uma determinada pessoa ou modelo como sendo de escola de pensamente "X" ou "Y" é importante. Eu sempre fui contra esse negócio de rotular pessoas e idéias, em geral este tipo de coisa acaba escondendo informação, criando preconcenitos e afastando pessoas de determinadas áreas. Mas às vezes é útil. Vale a leitura.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Racionalidade

No blog O Brasil Que Dá Certo eu achei um post que dizia o seguinte:

Comparado com 2008, 2009 terá 4 dias úteis a menos. Para empresas que só trabalham em dias úteis, isso é 1,3% a menos de produção...

...então não é o PIB que cairá em -1% em 2009; sãos os feriados que não caem este ano em sábados e domingos, para a sorte de muita gente.


Está aí um exemplo de conclusão de alguém que não acredita na racionalidade das pessoas. É óbvio que o PIB não cairá porque tem mais ou menos feriados. Não na mesma porporção. Por dois motivos muito simples.

Primeiro, as pessoas são racionais. Se o camarada ia comprar um computador na sexta-feira e é feriado, ele comprará na quinta-feira anterior ou na segunda-feira seguinte. Não é porque tem um feriado que a pessoa vai deixar de consumir a maioria dos bens. Grande parte do orçamento é gasto em moradia e alimentação. Nenhuma destas atividades é afetada pelo feriado. Ou você acha que o supermercado fica cheio na véspera de feriado por qual motivo?

Segundo, enquanto uns setores podem ver certa queda no consumo, outros com certeza vendem mais. Por exemplo, os restaurantes do shopping center ficarão vazios, mas os da beira da praia ficarão cheios. Talvez, você acabe consumindo algo que tem menor valor agregado, e isso sim afeta o PIB. Mas, se houver algum efeito, ele será de pequena magnitude.

Terceiro, as exportações e consumo do governo não são afetadas pelos feriados brasileiros.

Enfim, tentar explicar a queda do PIB via número de feriados é ir contra a racionalidade do consumidor. E, fazendo algumas contas é difícil imaginar que o PIB caia na mesma proporção que a queda nos dias úteis.

Taxa de Juros

O COPOM começa hoje a reunião para definir o novo patamar da taxa de juros básica, a SELIC. O pessoal do NEPOM já está dando os seus palpites. Confira clicando AQUI.

Bebida de Verão

Sim, a primavera chegou com cara de Verão aqui em Philly.
A saída? Iced Coffee!

Nada melhor para aumentar a produtividade no calorão "Filadelzience"...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Renascimento

E o pessoal lá da PUC-Rio reencontrou o Teorema Keynes-Oreiro. Foram-se mais de 11 anos desde de sua criação. É basicamente um renascimento.

Vale a pena conferir o post no Espectro Econômico.

Crise Brasileira: Pergunta

Enquanto o Chile dá lições de política fiscal, o Brasil vai no sentido contrário.

Quando precisava ter poupado, o Governo Federal aumentou os gastos. Quando foi preciso gastar para aquecer a economia, o Governo Federal aumentou os gastos. Obviamente, esta política é inconsistente no longo prazo.

Quais serão as conseqüências dessa política para o futuro da economia brasileira? Bem, a resposta não é muito difícil, o próximo governo terá que mudar a política. Em particular, reduzir o tamanho do funcionalismo público, subsídios e custo da máquina pública. Uma política de maior abertura comercial e incentivo à concorrência, aliadas a uma melhor regulação dos setores de energia e saúde serão fundamentais no médio e longo prazo.

E não sou somente eu quem pensa assim. Confira AQUI a opinião de outros economistas sobre o assunto.

domingo, 26 de abril de 2009

Crise Chilena: Resposta

Esses tempos escrevi um post sobre a economia chilena. Me intrigava o fato de a economia chilena estar melhor que as outras economias latino-americanas ao longo do pior período da crise econômica. No fim do post eu me perguntava o que havia de diferente na economia chilena.

Eis que surge Dani Rodrik com a resposta: boa política macroeconômica. Em particular a política fiscal implementada pelo ministro Andres Velasco.

Leia AQUI.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Passagens Aéreas

A ANAC está mudando o sistema de preços para vôos para o exterior. São duas as mudanças, a primeira éo fim do preço mínimo. Uma anomalia sem sentido que existia no setor aéreo brasileiro, proavelmente para proejer as empresas brasileiras.

A segunda é a abertura de novas rotas, como por exemplo os vôos Los Angeles-São Paulo, e Atlanta-Brasília (ambos operados pela Delta Airlines).

Os preços vão despencar. Para vocês terem uma idéia, leiam o que vai abaixo (do Terra):

A Anac propôs a liberação de forma gradual em um cronograma que levará um ano. Após três meses da liberação de até 20%, os descontos serão ampliados para 50%, em mais três meses, para 80% e, seis meses depois, não haverá mais preço mínimo.

Uma viagem para os Estados Unidos, por exemplo, que hoje custa US$ 708 (R$ 1.561) para ida e volta, daqui a seis meses custaria US$ 142 (R$ 313).

Esse "custo" que a notícia se refere é na verdade o preço mínimo. É isso aí, os preços vão mesmo cair. Um pouco de concorrência não faz mal à ninguém. Obviamente, alguns grupos organizados não pensam assim (AQUI).

Eu só queria saber qual vai ser o efeito do fim da Farra das Passagens (se é que ela vai mesmo acabar) na demanda por passagens aéreas.

PS: para a América Latina o preço mínimo já havia sido eliminado (AQUI).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Voltando aos Bancos Escolares

A crise econômica tem afetado tanto o mercado de trabalho que as pessoas estão repensando suas decisões sobre educação. Do MSNBC:

...education leaders say they’re seeing what may be one bright spot in the dismal downturn: more students opting to stay in — or return to — school.

“I’m hearing kids clinging to their education as the economy gets worse,” said Clyde Riley, principal at the Tipton Street Center alternative school, where Colon is one of 240 students in a district that serves some 13,500.

Isso é uma notícia boa. Na medida que os salários diminuem e as oportunidades desaparecem, as pessoas voltam aos bancos escolares para se qualificar e investir no salário futuro.

Nesse sentido, seria correto o governo subsidiar ainda mais o acesso a educação? Ou será que o mercado daria conta de proporcionar escolas e acesso ao crédito para todas pessoas que desejam voltar aos bancos escolares?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Superando Expectativas

Essa frase apareceu em uma das minhas conversas no MSN:

- O negocio é superar as expectativas. Logo, é mais facil abaixar as expectativas.

O nome do autor será preservado. Mas achei excelente!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Salário Mínimo e Desemprego

O desemprego está aumentando rapidamente aqui nos EUA. Daí, sempre vem aquela pergunta: quais os salários mínimos nos estados que estão apresentando maior desemprego?

Segue abaixo as taxas de desemprego por estado (do BLS) dos 5 estados com maior e menor desemprego, e ao lado o salário mínimo por hora em US$ (do DOL):

5 Estados com Maior Desemprego em Março:

NORTH CAROLINA, 10.8%, USD 6.55
CALIFORNIA, 11.2%, USD 8.00
SOUTH CAROLINA, 11.4%, Não tem salário mínimo
OREGON, 12.1%, USD 8.40
MICHIGAN, 12.6%, USD 7.40

5 Estados com Menor Desemprego em Março:

NORTH DAKOTA, 4.2%, USD 6.55
WYOMING, 4.5%, USD 5.15
NEBRASKA, 4.6%, USD 6.55
SOUTH DAKOTA, 4.9%, USD 6.55
IOWA, 5.2%, USD 7.25


O desemprego médio do primeiro grupo é 11.62% e o salário mínimo médio é 7.58 (tirando South Carolina que não tem mínimo). No segundo grupo a média de desemprego é 4.68% e o salário mínimo médio é 6.41.

Ou seja, enquanto o desemprego é mais que o dobro, a diferença no salário mínimo é de 18%. Ficam aí os dados para reflexão. Obviamente, o salário mínimo não é a causa do aumento do desemprego atual nem explica toda essa diferença nas taxas de desemprego.

Mas as diferenças regionais podem apontar uma dificuldade de ajustar os salários para baixo em tempos de crise. Na ausência de um mecanismos de redução de custos via preço/salário, o empregador acaba por demitir o funcionário, ao invés de reduzir o salário.

Pense nisso!

Múltiplos Chips

Os planos de telefonia celular no Brasil são pré-pagos ou por minuto. O problema do pré-pago é que a tarifa por minuto é muito cara e o problema do plano por minuto é que se você passa dos minuos mínimos a tarifa também passa a ser cara.

Como a variedade de pacotes de minutos também não é muito grande muitos consumidores acabaram criando uma estratégia interessante. Eles compram um único aparelho e usam chips diferentes. Do Estadão:

A advogada Juliana Maranhão da Silva, filha de Renata, têm três chips: dois da Vivo (um pré e um pós) e um da Oi. Para ligar para telefones fixos, por exemplo, só usa o da Oi. Ela usa o pré-pago da Vivo para telefonar para familiares e amigos que também são clientes da Vivo. "Quando tinha só o pós-pago, cheguei a gastar R$ 400 por mês", afirma Juliana. Hoje, ela gasta R$ 60 no pós e cerca de R$ 10 em cada pré-pago.

Ou seja, a consumidora viu uma oportunidade de economizar e fez uso dela. É uma estratégia interessante. Me pergunto se no longo prazo isso não vai acabar forçando as operadoras a ofertarem uma variedade maior de planos no intuito de fidelizar o cliente.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Devagar...

Eu sei, eu sei, o blog anda devagar. Mas é por um bom motivo. Outras atividades acadêmicas têm ocupado os meus dias. Logo voltarei ao ritmo de dois posts diários.

Abraço!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Deflação Anual

O mês de Março trouxe a primeira deflação anual americana desde 1955. Seria muito difícil imaginar um cenário desses em Julho do ano passado, quando os preços dos combustíveis e das commodities estavam subindo sem parar.

A crise financeira veio, e com ela a decisão de diminuir o consumo. O consumo representa cerca de 75% do PIB americano. Quando o consumo cai de maneira exógena, seja por um choque de expectativas quanto à renda futura ou de preferências, o resultado é uma queda de produto e uma queda de preços no curto prazo.

Para aqueles que estavam mais otimistas quando ao fim da crise (incluindo este que vos escreve) fica o aviso. Os preços estão em declínio, assim como o consumo e a produção industrial. O ponto de reversão pode ser o mês de Abril, mas fica difícil saber como os números virão sem uma análise mais profunda dos impactos dos pacotes econômicos.

É esperar para ver...

PS: Link para os dados da inflação americana AQUI.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Os Efeitos da Política de Cotas

Esse é um assunto delicado. Então, tentarei escrever detalhadamente. A política que me refiro é a de cotas raciais/cor da pele no ingresso via Vestibular. Essa política parte do princípio que existem raças/cores diferente. E que devido ao processo histórico (social e econômico) ao qual estas raças/cores foram expostas há necessidade de um subsídio, ou um reparo do ponto de vista de oportunidades econômicas e sociais. A educação, então, passa a ser uma questão fundamental, já que eleva o status social e a renda. Eu não vou debater se o princípio está correto ou não. Vamos assumir que esteja.

Eu vou pular o debate sobre a existência de raças, pois não creio que esse conceito seja adequado aos seres humanos, e vou usar o termo cor de pele.

O grande problema com uma política de cotas é justamente determinar se o indivíduo pertence ou não à determinado grupo caracterizado pela cor de pele. A cor da pele, por si só não é uma estatística suficiente (para usar um termo estatístico, mas que faz todo sentido neste argumento) para determinar se a pessoa passou ou não por um processo histórico que demande subsídio público.

Portanto, o grande problema do uso da cor da pele está no fato de ela não delimitar completamente o tamanho desse grupo que receberá o subsídio. Conhecedor das leis e dos incentivos, um aluno de terceiro semestre de Economia concluiria que as pessoas teriam incentivos a se auto-declararem da cor conveniente ao recebimento do subsídio. E acertaria.

Esse problem, porém, não é criado pela má índole da pessoa ou por ela estar se aproveitando da lei. Mas, sim, pela fragilidade da lei. Esse comportamento explica o aumento do número estatístico de negros e pardos nas pesquisas recentes.

A lei mudou a cor do brasileiro. Mas, aí está um ponto fundamental. O branco irá se declarar pardo, e o pardo negro, e até o japonês vai querer ser pardo, se ao fazer a declaração ele conseguir obter um grande privilégio. Caso contrário, ele escolherá a cor que lhe agrada mais ao responder a pesquisa. No passado, o pessoal da meiuca achava melhor se declarar branco, agora a coisa mudou.

Aí está a falha do argumento de que a cor é um determinante. Pois se eu posso mudar de cor, então o grupo privilegiado irá inchar e a política irá falhar.

Na verdade, a política não mudou a cor do brasileiro. A verdade é que a maioria dos brasileiros é dessa cor meio café com leite que é rara em outros países onde a segregação de cores permanece, apesar das conquistas sociais e econômicas. A verdade é que muita gente é dessa cor ali na meiuca, e que quando o pesquisador bate à sua porta você responde o que lhe parece mais adequado.

A verdade é que uma política que foca na cor da pele é inadequada para redistribuir renda, pois muitos pobres são exatamente camaleões, uma hora são brancos e outra são negros. De acordo com a conveniência.

A verdade é que no Brasil, quando a auto-declaração de cor não era afetada pela política de cotas, existia uma grande correlação entre a cor da pele e o nível de renda. Em geral, os negros recebiam menos. O que fez com que os políticos pensassem em usar a cor como determinante de acesso ao subsídio.

Essa correlação vai diminuir com a política. Não por causa da política em si, mas porque se todos forem pardos/negros, o efeito simplesmente desaparecerá estatisticamente. E vão concluir que foi efeito da política. E vão estar errados.

Mas não vão poder dizer que eu não avisei...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Novo Vestibular

A revista VEJA desta semana traz uma excelente análise do chamado Novo Vestibular, que vai usar as provas do ENEM para classificar os candidatos.

Eu já havia feito uma análise do tema. Fica AQUI o link para os que ainda não leram.

Clique AQUI e confira a matéria da VEJA.

Discriminação de Preços

Se alguém aí estava procurando um exemplo de discriminação de preços para ensinar aos alunos, aqui vai uma notícia que é uma bela aplicação. Do O Globo Online (de terça-feira passada):

"A Apple anunciará seu novo sistema de três faixas de preço - US$ 0,69, US$ 0,99 e US$ 1,29 - nesta terça-feira, de acordo com diversas pessoas familiarizadas com os seus planos. Desde sua inauguração, em 2003, todas as faixas vendidas pela iTunes custavam US$ 0,99."

Clique AQUI para ver a matéria completa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Balde Furado

Uma das melhores formas de apresentar o trade-off entre eqüidade e eficiência foi proposta por Arthur Okun no seu trabalho Equality and Efficiency: The Big Tradeoff.

A estória é mais ou menos assim. Existem duas piscinas, uma cheia de água e uma vazia. Você pode transferir água da piscina cheia para a vazia usando um balde. Mas, existe um problema. O balde tem diversos furos e você vai perder água no processo.

Foi assim que Okun explicou o funcionamento do governo em busca da eqüidade de renda. A piscina cheia são os indivíduos de maior renda, e a vazia representa os mais pobres. Ao transferir a renda dos mais ricos para os mais pobres, parte dos recursos são disperdiçados pelo governo e pelas diferentes escolhas resultantes das diferente alíquotas de impostos.


Essa "parábola" é muito bacana. Mas cuidado, não é por causa de um balde furado que você vai deixar de transferir água para a piscina vazia. A questão é saber quanta água deve ser transferida em cada verão...

PS: Enquanto eu procurava referências sobre o assunto achei este site AQUI. Fica aí a dica.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quem Tem Olho Chora

Acho que o Governo se perdeu na poeira. Sério, ninguém sabe mais o que fazer. O Governo Federal não aproveitou o bom momento da economia para poupar. Inflou os custos com pessoal e iniciou diversos projetos de longo prazo.

Agora, na época de vacas magras, o governo não tem orçamento para reaquecer a economia via política fiscal de aumento de gastos. A alternativa que sempre vem à cabeça do pessoal é reduzir impostos e deixar a grana no bolso do contribuinte. Mas se a propensão marginal a consumir realmente diminuiu, então esse efeito pode ser muito pequeno no curto prazo. Daí, começam as idéias sem pé nem cabeça.

O governo nõa sabe mais o que fazer. Já baixou o IPI sobre os automóveis pra reanimar a indústria automobilística, lançou um pacote habitacional, agora estuda reduzir impostos sobre geladeiras e fogões, aumentou sobre o cigarro, quer aumentar sobre a bebida, etc. É o samba do african-brazilian doido.

A última notícia é a de que o governo estuda reduzir contribuições trabalhistas para as empresas que prometerem não demitir. Eu nunca ouvi falar em tal política, mas claramente ela tem um problema, e este chama-se moral hazard. Mais do que isso, não creio que a legislação atual permita qualquer política desse tipo.

A empresa não iria recolher o FGTS por, sei lá, 5 meses e depois demite os funcionários. E aí? O governo iria cobrar por esse período? Ou fica por isso mesmo? Isto é possível do ponto de vista jurídico?

Se a adesão é opcional, qual o custo desta política? Qual a garantia que o empresário tem de que quando a crise acabar o governo não vai aumentar de novo a alíquota? Quem vai pagar a parte que não foi recolhida? Se for o governo, de onde virá a grnaa? Qual o custo de oportunidade dessa verba que não se sabe o valor? Complicado demais, no meu modo de ver. Os efeitos também são muito nebulosos.

E mais ainda. Por que essas políticas setoriais? Por que o governo não reduz IPI de todos os produtos? Por que certos setores de trabalhadores organizados são sempre os mais beneficiados? Bem, a gente sabe a resposta para esta última pergunta, mas eu só queria instigar o debate.

Isso tudo, é claro, vai ter pouco efeito político. A oposição também não propõe nada. É triste saber que o país possui tantas pessoas qualificadas em termos de conhecimento econômico, mas estes estão, em geral, longe dos centros de decisão.

Em terra de cego no governo, quem tem olho chora.

PS: Eu tentei achar uma foto do Guido Mantega fazendo cara de preocupado, mas não encontrei. Ele tá sempre tranquilo e sorridente nas fotos. Só achei as fotos da filha dele...

Prevendo o Futuro

O De Gustibus traz uma dica para todos os economistas interessados em prever o futuro da economia e as tendências macroeconômicas. Eu achei a dica excelente, mas para você descobrir do que eu estou falando será preciso clicar AQUI.

PS: A dica é muito boa. Ponto para os economistas criativos e de mente aberta!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Salário de Peso

Ainda a discussão sobre remuneração de CEOs. Achei a seguinte notícia agora pouco no Invertia:

...segundo levantamento realizado pela consultoria Equilar e divulgado pelo jornal The New York Times. A pesquisa feita em 198 empresas abertas com mais de US$ 6,3 bilhões de receita bruta colocou o co-CEO da Motorola, Sanjay K. Jha, no primeiro lugar do ranking. O executivo recebeu no último ano US$ 104,4 milhões entre salário fixo, bônus, ações e opções sobre ações em seu primeiro ano à frente da companhia de tecnologia em comunicações.

Daí peguei a minha HP e fiz uma conta rápida. Dividi o valor por 366, o número de dias em 2008. O valor é de 285,245.90 dólares por dia, incluindo domingos e feriados. Intrigado, eu dividi o valor por 24, para saber a remuneração horário do cidadão: 11,885.25 dólares por hora, incluindo o tempo que ele dá uma dormida. Fui além e resolvi dividir o valor por 60. Resultado, 198 dólares por minuto.

Ou seja, enquanto eu escrevi esse post o camarada já ganhou uns 1000 dólares. Me parece um salário bacana, não? Confesso que fiquei impressionado...

PS: Eu sei que o valor inclui os ganhos da eventual valorização das ações da empresa, mas mesmo assim...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ócio Produtivo

ESTE é o tipo de estudo que muitos funcionários devem estar interessados em mostrar para o chefe...

Ajuste de Preços

Aqui nos EUA o efeito mais claro do ajuste de preços é percebido na queda das taxas de juros no mercado imobiliário, as chamadas mortgage rates. As taxas fixas e variáveis têm decrescido consistentemente desde a pior fase da crise em setembro/outubro de 2008. O gráfico abaixo é do NYT:



As taxas já se encontram bem abaixo dos níveis de 1 ano atrás. Mas elas ainda estão acima dos níveis de 2003, quando o mercado imobiliário estava crescendo freneticamente. Os dados indicam que o número de vendas de imóveis já construídos está no território positivo novamente.

O ajuste de preços na economia americana ocorre mais rapidamente do que em outros países, pelo menos nos mercados em que a competição existe. É uma característica da economia americana. Eu não sei qual é o principal motivo, se é a existência de competição em diversos setores ou se é o consumidor que tem uma demanda mais elástica do que os consumidores de outros países. O que vocês acham?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ponto Para John Madden

Confira o novo podcast clicando no botãozinho abaixo.









PS: O nome do cara é na verdade pronunciado John "Mádem", mas eu digo John "Maiden" desde de 1994. Então resolvi preservar a pronúncia incorreta para relembrar meus tempos de adolescente e incomodar meu colega de office.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Custo de Manutenção

Certos produtos demandam altos custos de manutenção. O consumidor, muitas vezes, não percebe que o produto vai impactar de modo importante em suas finanças. Ele sabe que terá um custo, mas ele não conhece perfeitamente a função distribuição destes custos.

Isso acontece muito com quem compra o primeiro veículo. Pense na compra de um carro. A manutenção de um automóvel demanda a compra de combustível, lavagem, troca de óleo, seguro, reparos mecânicos, impostos, aluguel de estacionamentos, etc.

O custo de manutenção e sua função distribuição vão sendo conhecidos na medida que a pessoa começa a compreender melhor o funcionamento do produto. Um caso clássico é a cafeteira. Cada vez que eu compro uma cafeteira nova eu levo uma tempo para descobrir qual o número de colheres de café ideal, qual o melhor filtro, aprender a lavar a jarra sem quebrar, etc.

Mas em determinados casos o custo de manutencão do produto pode se tornar tão alto em relação a renda que é melhor abandonar o produto, diante de um choque de renda. É o caso de um barco, por exemplo. O NYT de hoje traz uma reportagem interessante sobre esse novo fenômeno aqui nos EUA. As pessoas estão simplesmente abandonando os barcos nos rios. Outros estão simplesmente afundando os barcos nos rios. Leia este trecho:

When Brian A. Lewis of Seattle tried to sell his boat, Jubilee, no one would pay his asking price of $28,500. Mr. Lewis told the police that maintaining the boat caused “extreme anxiety,” which led him to him drill a two-inch hole in Jubilee’s hull last March.

A solução parcial encontrada pelas cidades/condados está sendo proibir o abandono dos barcos, mas obviamente a fiscalização é complicada. A lição econômica que fica é: não adianta subsidiar a compra de bens que demandam altos custos de manutenção. Se o custo for alto demais o preço de revenda cai muito em momentos de crise. Você sabe de algum país que insiste em subsidiar a compra de veículos?

Leiam a reportagem completa clicando AQUI.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sazonalidade na Blogosfera

Aos meus colegas de blogosfera: Vocês também experimentaram essa sazonalidade? Acho que o ano realmente só começa depois do Carnaval...

Homem do Baú Ataca de Bonzão

Ainda dentro do mesmo tema do post anterior, saiu hoje na Folha Online que o Grupo Sílvio Santos estaria interessado em adquirir a rede de lojas Ponto Frio.

Veja só, a empresa do Sílvio tem como carro-chefe o Baú da Felicidade, que é basicamente título de capitalização, possuindo inclusive lojas e crediário. A grande sacada do Baú é que o título só pode ser usado nas lojas que aceitam o carnê.

Com a aquisição do Ponto Frio, não só o Baú da Felicidade (e suas subdivisões) expandiria sua rede de lojas como o Ponto Frio atrairia todos os clientes que antes só compravam nas lojas do Baú. Implicando em ganhos para ambos os negócios. Quem perde? Bem, os outros variejistas de móveis e eletrodomésticos: Lojas Americanas/Submarino, Casas Bahia, Magazines Luiza, Lojas Colombo, etc.

Isto sem falar nas economias de escala e ganho no poder de barganha na compra de produtos. Leia mais AQUI.