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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Consumidor Cabisbaixo

Saiu o resultado do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da DGD/IBRE e o consumidor anda cabisbaixo. Os brasileiros responderam dizendo que vão postegar o consumo de bens duráveis. Com ajuste sazonal, o índice caiu 1,4%. Veja que, no gráfico abaixo, a série está no seu menor nível (clique no gráfico para aumentar)


Fonte do Gráfico: ICC-FGV Fevereiro 2009.

Aloísio Campelo, coordenador da pesquisa, disse ao Estadão:

"Tanto os mais ricos quanto os mais pobres registraram queda na confiança"

É um ponto interessante. A queda de confiança é generalizada, o que significa que as pessoas estão entendendo o que acontece no mercado de crédito. A percepção com relação ao consumo é de cautela. Mesmo quem tem acesso ao crédito sabe que não é o momento de tomar empréstimos.

O consumidor, digo, o freguês tem sempre razão...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Redistribuição de Impostos

O site do Mankiw traz um gráfico com a distribuição de taxas de impostos federais pagos pelos americanos (clique AQUI). Claramente é progessiva, ou seja, aqueles que ganham mais pagam mais. É claro também, ao olhar o gráfico, que durante o governo W. Bush os impostos caíram para todos, inclusive para os de menor renda.

A política do governo Obama propõe redução de impostos para cerca de 95% dos americanos, e um aumento de impostos para os mais ricos. Algo que colocaria os 1% mais ricos de volta ao nível acima de 35% de impostos federais sobre a renda (o que aconteceu durante o governo Clinton).

É uma verdadeira redistribuição de impostos, já que os impostos pagos pelos mais pobres (lowest 20%) então nos menores níveis em décadas.

Vem aí um redistribição de impostos. Será que veremos também uma redistribuição de renda?

Nacionalização e Privatização

Quando o Governo do Estado do RS vendeu novas ações do Banrisul, o pessoal mais fanático chamou aquilo de privatização. Agora aqui, o governo federal passou a ter 36% do Citi e o pessoal está chamando de nacionalização.

Eu não entendo porque a dramaticidade, se no primeiro caso o Governo do RS ainda mantém o controle, e no segundo caso o Citi mantém o controle.

É puro sensacionalismo, ou pra vender jornal ou pra tentar distorcer os fatos. Mas o fato é que a propriedado do capital e o controle sobre a empresa são coisas distintas. Uma pessoa pode ter 30% do capital, e não ter o controle. Ainda mais no Brasil onde existem ações ON e PN. É fato, também que a propriedade mudou, e isso afeta preços.

Enfim, só queria externar minha leve indignação com este tópico.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Protecionismo: Açúcar

Acabo de ler no Estadão que o Obama quer eliminar subsídios agrícolas para grandes produtores. Legal, cool!

Entendo a idéia, mas não entendo porque ele não começa com algo mais interessante. Tipo, ele podeira acabar com a política de cotas na importação de acúcar. Seria bem legal, ao invés de proteger os latifundiários da Flórida ele ajudaria as nações pobres da América Central.

O mais interessante é que porque existem cotas, o açúcar é caro aqui. Daí a indústria resolveu migrar para o tal de corn cyrup, que é um açúcar que vem do milho. E que, obviamente, demanda milho e faz o preço do milho subir. Quem se dá mal, obviamente, é o consumidor. A política é cheia de externalidades negativas, incluindo problemas de preservação ecológica na Flórida.

A indústria do açúcar é beneficiada pela política de cotas desde 1934. Então, acho que já recebeu bastante ajuda, não é?

Você quer saber sobre a indústria do açúcar aqui nos EUA e as políticas adotadas? Leia esse artigo em inglês AQUI. Mas note que o artigo é de 1998 e, pouca coisa mudou desde então...

O site oficial do governo americano sobre a política está AQUI.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Perdeu Mermão!

Com a crise, a inadimplência aumentou no Brasil. Na medida que a pessoa perde o emprego, ou a sua renda diminui, a primeira grande idéia é não pagar o que se está devendo. Isso funcionava até algum tempo atras. Nada acontecia e o lema era "devo, não nego, pago quando puder".

Acontece que se você está financiando um bem durável ou um imóvel, a legislação prevê a retomada do bem por parte do financiador. Os bancos já possuem um estoque de cerca de 100 mil veículos, e o número de veículos retomados continua aumentando.

Fica aí o recado, a retomada de veículos e imóveis está cada vez mais fácil por parte dos financiadores. Os instrumentos judiciais para que um veículo ou imóvel sejam retomados foram criados e estão sendo usados.

Não durma no ponto, se não em algum momento você irá ouvir aquela famosa frase em "carioquês": Perdeu Mermão!

Fonte: Folha.

Fim da Folia

Muito bem, o Carnaval acabou. Um ano de expectativa e pronto, podemos começar a pensar na alegorias do ano que vem. Daqui a pouco sai o resultado do Desfile carioca e é o fim oficial da folia.

Enquanto isso a economia aqui nos EUA continua com seus altos e baixos. Mais baixos do que altos. Até ontem o clima era de desespero, com os números do setor imobiliário e de emprego caindo ladeira abaixo. Daí o Bernanke e o Obama foram para TV e deram uma injeção de ânimo no mercado.

Espere linhas verdes no seu monitor da Bloomberg hoje durante o dia. A não ser que alguma empresa grande apresente números horrorosos, o que vem sendo o padrão nos últimos meses. Daí, lá se vai a animação do pessoal. E "sell, sell, sell!" vai ser a nova marchinha da semana.

Ontem assisti o Obama dizendo que vai gastar bem o dinheiro do povo. Basicamente, os temas abordados foram: energia, saúde e educação. Espero que o mercado esteja mais animado do que eu.

Algum comprador por aí? Aqui o pessoal só quer vender. É, realmente, o fim da folia!

PS: Aqui no blog, retomo as minhas atividades. Quero ver se gasto algum tempo para mudar algumas coisas: layout, novas barras laterais, faço alguns podcasts, entrevistas, vídeos e tal. Além disso, estou com um plano de colocar enquetes, sorteios, e um ebook com o que rolou de mais popular aqui no blog. Aguardem!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval 2009

Muito bem, o Carnaval começou e eu também sou filho de Deus. Paro até a quarta-feira de cinzas, quando devo voltar comentando acontecimentos como este AQUI.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pergunta Básica

A Bloomberg traz uma reportagem sobre os ricassos que agora também estão sendo atingidos pela crise. Segue uma declaração de um desses camaradas:

Raymond Young bought his lakeside home in Miami four years ago for $2 million cash and in 2006 took out a $1.4 million jumbo mortgage to pay for a real estate venture in Texas. Now, with home prices in his area down 40 percent from their 2006 peak, according to the S&P/Case-Shiller Home Price Index, Young needs to refinance because the Texas investment isn’t paying off and his income has dried up. He can’t find a bank to help.

“They’re telling me the house is only worth $1.3 million,” said Young, 46. “I’m upside down. I’m stuck. I’m in bailout mode but they’re bailing out banks and they’re not bailing out homeowners.”

Peraí um pouco. O cara comprou uma casa de 2 milhões ao lado de um lago, daí tomou um empréstimo de 1.4 milhões, dando a casa como garantia. Até aí tudo bem., quer dizer mais ou menso. Daí, ele usa os 1.4 milhões em uma "real estate venture"? Uma pergunta simples: venture não tem significado similar à aventura, risco, etc? Pô, o cara se alavanca, toma um risco absurdo e agora quer um bailout. Pergunta básica: O que o camarada fez com a grana? Investe no mesmo setor: real estate.

Engraçado, não? Se é uma pessoa pobre que não consegue gerenciar bem suas finanças pessoais e acaba endividado, a gente até entende. A pode ser que a pessoa tenha tido pouca oportunidade de estudar, confunde juros compostos com juros simples e tal. Mas um cara que tem uma casa de 2 milhões de frente pra um lago pode pagar um economista pra ajudar ele alocar os recursos e saber que 2 milhões em uma casa é imobilizar muuuuita grana, e que se você vai se alavancar é bom não só contratar um economista, mas que o economista seja bom de serviço.

Tô perdendo a paciência com esse chororô...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dados CAGED: Janeiro 2009

Saíram os dados do CAGED (ver AQUI) do mês de Janeiro. Houve uma redução de 101 mil empregos com carteira assinada no país (vagas abertas - vagas fechadas). Esse número é melhor do que o de Dezembro, que foi cerca de -650 mil. Mas é um número que manda um sinal de alerta, já que Janeiro é um mês que em geral traz números positivos.

Em Janeiro de 2008 esse número foi 142 mil positivo e em 2007 outros 105 mil positivos. Para aqueles que buscam antecipar os movimentos da taxa de desemprego e da economia fica aí a dica. Dêem uma olhada nas planilhas no site do CAGED.

Eu montaria séries de tempo setoriais e analisaria o comportamento dessas séries como um bom componente antecessor da taxa de desemprego.

Fica o link AQUI.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Aniversário do Blog: Primeiro Ano

Hoje o blog comemorou um ano de existência. Foram 585 posts em 365 dias. Os visitantes somaram mais de 28,400 visitas e clicaram aqui pelo blog 40,600 vezes.

Muito obrigado aos visitantes freqüentes, aos que linkam para este blog, aos fiéis leitores via RSS, e aos que passam aqui só de vez em quando para deixar seus comentários.

Valeu gurizada!

PS: estou preparando umas novidades, mas serão implementadas aos poucos...

Mercado de Órgãos: Rins

Aqui nos EUA a doação de órgãos funciona assim. O doador tem o direito de decidir para quem será alocado o órgão. Isso, basicamente cria um mercado para doações, cujo preço é zero (se é realmente uma doação). Quem quiser pedir uma doação tem o direito de pedir e o doador o direito de escolher quem receberá o órgão.

O grande problema é encontrar um doador compatível. Pois bem, leia essa história AQUI.

Se Já Não É, Vai Ser

Se o Brasil ainda não está em recessão, logo estará. Esta é a leitura feita a partir dos dados da pesquisa da FGV/IFO. Segundo meu ex-chefe, Aloísio Campelo, os dados mostram um quadro recessivo na América Latina.

Do site da DGD-IBRE:

O Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina - elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a Fundação Getulio Vargas (FGV), do Brasil -, atingiu 2,9 pontos em janeiro de 2009, o menor nível da série histórica iniciada em janeiro de 1990.


O gráfico acima (clique para aumentar) mostra o resultado para o continente. Mas, o mesmo vale para o Brasil. Disse o Aloísio (para a Folha Online):

"Isso pode estar ligado ao fato de que os países da América Latina sentiram os efeitos da crise um pouco depois, já que vinham crescendo baseados principalmente na forte demanda do mercado por commodities. Há uma espécie de efeito retardado."

Leia o documento da DGD/IBRE clicando AQUI.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Protecionismo Argentino

Vem aí uma onda de protecionismo argentino (leia AQUI). Nada para se impressionar. Na América Latina é sempre assim. É protecionismo, populismo, ditadura, etc. Nunca muda nada, só muda o layout. Cada um com o seu adereço: laquê no cabelo, terno e gravata, roupa de índio, roupa de militar, botox, macacão de metalúrgico... e por aí vai.

O discurso é sempre o mesmo. Quando a economia vai bem eles são os grandes responsáveis. Quando a economia vai mal a culpa é dos EUA e, obviamente, protecionismo e calote são as primeiras idéias "brilhantes" dos líderes latinos. O pior é quando um do chamados "países em desenvolvimento" (assim mesmo, pra dar mais sensação de que está se movendo) acaba respondendo com incentivos fiscais ao outro que adota medidas protecionistas. É o chamado samba do crioulo doido.

Já que você também não compartilha da idéa de livre comércio, quando o seu vizinho fica "atacadinho" você vai lá e dá um incentivozinho fiscal com o dinheiro do contribuinte mesmo quando a arrecadação não está lá essas coisas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desce Mais Um Pouquinho

O relatório FOCUS aponta a revisão das expectativas quanto à inflação, juros e PIB em 2009. Já era-se em tempo, não? Acho que o pessoal ainda vai ter que rever esses números depois do Carnaval, mas atualmente eles são os seguintes (da Folha):

- Crescimento do PIB em 2009: 1,5%.
- IPCA em 2009: 4,69%.
- SELIC em Dezembro de 2009: 10,50%.

Parece que todas as grandes economias do mundo estão em recessão e a previsão ainda é de um 2009 positivo pro Brasil. Um verdadeiro espetáculo do crescimento. Em janeiro esse pessoal já teve que revisar as previsões (AQUI). Eu acho que no relatório de Abril esse número já será muito próximo de zero, se não for negativo. Mas não quero dar de Mão Diná, já avisei que a coisa ia ficar complicada lá em Dezembro (AQUI).

O ponto positivo é que a inflação realmente deixou de ser um problema. Enquanto isso o pessoal vai baixando mais as previsões...

Como diria o Cumpadi Washington: "Deeeeesce Ordináaaaaria!".

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Querida! Encolhi...

Querida! Encolhi a Economia! Acho que deve ter sido isso que os ministro da economia japonês pensou quando divulgou o resultado do último trimestre. A PIB japonês caiu simplesmente 12,7% (último trimestre de 2008 versus último trimestre de 2007). É o terceiro trimestre seguido de queda no PIB da segunda maior economia do mundo. Com relação ao trimestre anterior, a queda foi de 3,3%.

Pois aí está o exemplo de uma economia em que o estado é grande e há muito investimento em infra-estrutura. Já falamos sobre isso AQUI.

Leia mais AQUI (em português) e AQUI (da Bloomberg, em inglês).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Stimulus e Brain Drain

Já escrevi aqui sobre a idéia do limite de salários aos executivos do setor financeiro dos bancos que pegarem o dinheiro do contribuite americano emprestado.

Algumas pessoas do setor acreditam que isso vai causar o chamado Brain Drain. Ou seja, uma fuga de cérebros dos bancos que receberem o dinheiro para os que não tomarem empréstimo do governo (Leia AQUI).

Bem, existem duas possibilidades. Primeira, esses caras apesar de serem os experts da área foram pegos de surpresa e o banco deles faliu. Segunda, esses caras não eram tão inteligentes assim e o banco acabou falindo.

Em ambos os casos eu perguntaria: Por que um banco que não precisa do dinheiro do governo demitiria um funcionário/executivo que conseguiu manter o banco equilibrado até agora para contratar um que era executivo de um banco que está mal das pernas?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Novos IPA e INCC

Importante informação para os analistas econômicos:

A partir de março de 2009, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV) atualizará as ponderações do Índice de Preços por Atacado (IPA) e reduzirá de doze para sete o número de capitais pesquisadas para o cálculo do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). O INCC também receberá novas ponderações e terá atualizada sua cesta de itens componentes.

Leia todos os detalhes AQUI.

A Classe Média Brasileira

Um artigo da The Economist traz uma interessante leitura sobre a distribuição de renda no Brasil. Segue um trecho:

Considered as a group of consumers, a middle class created by the state is unlikely to behave any differently from a private-sector middle class. Its members will buy the same branded goods, save up for the same houses, sign up for the same credit cards and aspire to put their children into the same schools. But there are question marks over whether the public-sector sort has the same entrepreneurial drive, political impact or capacity to sustain high economic growth over time.

Brazil offers a case study in the differences between a middle class created by the state and one that owes more to the private sector. In 2008 Brazil became a middle-class country by its own reckoning. In April of that year Brazilians with household incomes ranging from 1,064 reais to 4,561 reais a year, which is the middle of the country’s income range, were found to make up nearly 52% of the population, up from 44% in 2002 and only one-third in 1993. Marcelo Neri of the Getulio Vargas Foundation, which carried out the research, says it shows Brazil has at last become a middle-class country after decades of effort.

Leia mais AQUI.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Efeito Dominó

Uma Imagem: Dow Jones

Uma imagem vale mais que mil palavras. Acho que esse ditado nunca foi tão verdadeiro no caso da crise econômica atual. Dêem uma olhada no gráfico abaixo (clique que aumenta).


Estes foram os últimos 5 anos do índice Dow Jones (EUA). Agora imaginem a felicidade do sujeito que entrou na bolsa em Setembro de 2007...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Crise e o Suvaco

Lá no Rio, o bloco de Carnaval Suvaco do Cristo brinca com a crise econômica, sobrou até pra Madonna e pro Vascão.

Escute o Samba (em MP3) clicando AQUI e abaixo segue a letra.

"O Espetáculo do Crescimento do Pregão"

Carnaval
Abram alas pra um desfile de alegria
Que afinal
Amanheceu a redenção do novo dia

Muita gente sobrevive às tragédias naturais
Mas a crise do mercado mata mais
O paraíso dos crentes já foi pro buraco
Eu me acabo no inferninho do Suvaco

Se o banco quebrar
Se o dólar subir
E a bolsa despencar
Eu não tô nem aí

Do chão eu não passo
Se vier eu traço
Me dá uma amasso
Que o meu pregão vai subir

A tua cotação
Tá em alta no mercado futuro
Sem especulação
Você é meu investimento seguro

Porque a bolsa caiu
O balão do padre caiu
Até a Madonna também caiu
Do português, além da acentuação,
Caiu a cruz de malta pra segunda divisão

Suvaqueei, Suvaqueou
Apliquei no teu fundo você não deu valor
Mas o bom investidor não tem medo de mudança
Eu vou socar meu capital noutra poupança

Fonte: O Globo Online.

PS: Muito bom...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Esperanduquê?

O Gabriel, O Pensador ("o homem que vocês amam odiar") tem uma música que chama Esperanduquê. A música versa sobre a falta de esperança na política, em particular, sobre a falta de esperança no povo brasileiro. O final é bem representativo:

Esperando deitado de bruços
Esse é o povo brasileiro
Bobolhando
Boboescutando
Boboescutando
É você
Boboesperando
Boboesperando...
Esperando...
Esperanduquê?

É basicamente assim que o mercado e o povo americano estão diante da crise. Todo mundo "boboesperando". Ninguém tem muita idéia de qual será o efeito do pacote do Obama. Uma coisa é certa, quem vai pagar essa dívida não vai gostar muito.

Na verdade, os efeitos podem ser praticamente nulos se os investimentos forem todos direcionados para infra-estrutura. A lição vem do caso Japonês (leia AQUI).

Ao contrário disso o ideal seria investir em algo que fosse beneficiar diretamente as pessoas que vão pagar essa dívida, ou seja, as crianças e jovens. Parece ser esse o teor do pacote. O grosso da verba será para:

# Doubling the production of alternative energy in the next three years

# Modernizing federal buildings and improving the energy efficiency of 2 million American homes

# Making investments to have the country's medical records computerized within five years

# Equipping schools with 21st-century classrooms

# Expanding broadband access

# Investing in science and new technologies

Parece que conseguiram pensar em algo mais inteligente do que os japoneses. Pode ser um efeito de que o povo o povo americano (ao contrário do brasileiro) não fica esperando deitado de bruços...

PS: estou otimista demais?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Economia Monetária

Vou seguir a dica de um leitor e fazer uma lista das escolas que eu creio que sejam mais indicadas para aqueles que desejam passar um ano (Doutorado Sandwich) nos EUA estudando o seguinte tópico: Economia Monetária.

Não vou fazer um ranking. A lista abaixo está em ordem alfabética, já com os links para os respectivos departamentos. Segue então a recomendação de dez escolas americanas:

Boston University
Columbia
Harvard
MIT
NYU
Princeton
UC Berkeley
Univ. of Chicago
Univ. of Minnesota
Upenn (ou Wharton, Depto. de Finanças)

Pronto, alguém se manifestou lembrando que esqueci Minnesota. Boa lembrança. Adicionei.

Então se alguém tiver alguma sugestão, ou quiser citar alguma que eu esqueci, os comentários estão abertos.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Preço da Água no Planeta Atlântida

Neste final de semana está rolando a décima quarta edição do Planeta Atlântida, no balneário de Atlântida no RS. É um dos maiores eventos musicais do país. Em 2000, a última vez que eu fui, estima-se que 100 mil pessoas passaram pela Sede Campestre da SABA.

Ontem eu assisti aos shows pela internet, na TVCOM. Muito legal relembrar o festival, ainda mais terminando com o show do Exaltasamba. Mas me lembrei de um fato econômico relevante que acontece no Planeta e em outros eventos desse tipo.

Uma coisa que sempre acontece é que o preço da comida e da bebida dentro desses eventos é bem salgado, obviamente por causa do poder de monopólio gerado pelas cercas ao redor e pelo fato de o ingresso dar direito a somente uma entrada.

Isso é natural. Mas uma coisa eu me lembro, quando você está lá na meiuca da galera e morrendo de sede passa um camarada com um isopor na cabeça vendendo água (detalhe na foto abaixo). O preço é mega alto, sei lá, acho que em 2000 era uns 10 reais por uma garrafa de água quente...


É teoria econômica na veia do moleque. Poder de monopólio + custo de transporte + custo de perder o lugar privilegiado + calor infernal = garrafa da água à 10 reais...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A Gente Vai Levando...

Sobre o IPCA

Nada com o que se preocupar. O IPCA subiu no mês que passou, mas nada fora do previsto. Vamos aos fatos (direto da Folha Online):

Os alimentos pesaram e a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) voltou a subir, depois de dois meses em queda, informou nesta sexta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em janeiro, o índice teve alta de 0,48%, acelerando frente aos 0,28% verificados em dezembro.

Até aí tudo normal, nessa época é normal um aumeto do preço dos alimentos, na medida que quebra de safras podem ocorrer por causa dos verões tropicais (muita chuva, muito sol, etc.). Seguimos:

Em igual período em 2008, a alta havia chegado a 0,54%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,84%, abaixo dos 5,90% referentes aos 12 meses imediatamente anteriores.

Ou seja, a inflação caiu se comparada ao mesmo período do ano passado, o que faz o acumulado nos 12 meses também recuar. O acumulado é relativamente mais importante, na medida que ele pode ser usado para fins de indexação e política de estímulo fiscal. Além disso, do ponto de vista da política monetária esse número não é muito importante, já que o foco é nos 12 meses seguintes.

A verdade é que a inflação está dentro do esperado, e ainda não sabemos qual o efeito predomina entre o efeito do câmbio e o da redução da demanda externa/interna. Mas ela dá uma pista, sobre quais setores podem estar sendo mais impactados por cada um destes efeitos.

Leia mais AQUI.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Not Cool

"Not Cool" quando o seu caminho para o trabalho está assim:

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Food Stamps

O Governo Americano tem um programa chamado Food Stamps. Se você possui uma baixa renda (ou nenhuma) o governo vai lá e lhe dá um mínimo de renda em forma de vale-refeição. Um em cada 10 americanos está nesse programa - de uma forma direta ou indireta. O total recebido varia de pessoa para pessoa, mas em um exemplo da CNN um sujeito recebia 176 dólares por mês. Isso dá menos de 2 dólares por refeição. Ou seja, dificilmente a refeição será muito saudável. O governo está tentando mudar o programa:

As of Oct. 1, 2008, Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP) is the new name for the federal Food Stamp Program. The new name reflects our focus on nutrition and putting healthy food within reach for low income households. Changes have been made to make the Program more accessible.

Queres saber mais sobre o "bolsa-família americano"? Leia AQUI.

Dando Nome às Vacas

O que vai escrito abaixo é um caso extremo de mal uso da estatística. Segue um texto da BBC:

Cattle that are named and treated with a "more personal touch" can increase milk yields by up to 500 pints a year. The study, by the university's School of Agriculture, Food and Rural Development, involved 516 farmers across the UK. Published in the journal Anthrozoos, the study found farmers who named their cows gained a higher yield than the 54% that did not give their cattle names. Dairy farmer Dennis Gibb, who co-owns Eachwick Red House Farm outside Newcastle with his brother Richard, said he believed treating every cow as an individual was "vitally important".



Basicamente, a conclusão da pesquisa é a seguinte: dar um nome às vacas aumenta a produtividade. Obviamente, que os criadores que colocam nomes nas vacas possuem práticas produtivas diferentes dos outros 54% que não chamam as vacas pelo seu nome. Ou seja, é um caso claro de variável omitida.

Alguém aí fez Econometria I nessa revista chamada Anthrozoos? Só pra checar, não que eu ache que a Mimosa não tem personalidade...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Dica de Blog: Humberto Laudares

Deixo aqui uma dica de blog bem legal para quem curte Política e Economia. É o blog do Humberto Laudares. Vale a pena dar uma conferida!

Segue o link AQUI e fica outro na barra lateral.

PS: Correria e muita neve por aqui...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Carta do IBRE

O Vítor Wilher analisa a Carta do IBRE e os efeitos da desvalorização cambial sobre o IPCA. Ponto para o Vítor, ponto para o IBRE/FGV, e vá lá, um pontinho para myself, que já havia batido nessa tecla. Veja por exemplo esse post AQUI de 8 de Dezembro de 2008.

Luz no Fim do Túnel

Eu não sei, eu posso estar enganado mas acho que existe uma luz no fim do túnel. Semana passada saíram os dados de vendas de casa aqui no EUA. Obviamente, o número de casas novas vendidas diminuiu. Mas, olhando os dados, o número de casa já contruídas vendidas aumentou. Ou seja, o mercado imobiliário está se movimentando. Pelo menos as casas "usadas" que estão sendo postas à venda estão começando a ser vendidas. Seria o efeito de uma melhora no mercado de crédito?

O número de casas existentes vendidas em dezembro aumentou 6,5% em comparação à novembro. Apesar da queda de 3,5% em relação à dezembro de 2007. Os dados estão AQUI.

PS: Os dados não estão ajustados para efeitos sazonais.