Nós já falamos aqui sobre o mercado clandestino de fígados no Brasil. No post do ano passado, o valor estimado de um fígado no Brasil era de duzentos mil Reais.
Agora o debate é aqui nos EUA. O co-fundador da Apple, Steve Jobs, esteve mal e precisava de um transplante de fígado. Rapidinho ele arrumou um. Mas em cada ano, apenas um terço dos que precisam transplantes conseguem um doador aqui nos EUA. E a questão trouxe o debate sobre o mercado de fígado, já que, aparentemente, se você tem grana você consegue furar a fila.

O mercado de fígado funcionaria de forma muito simples, quem quiser vender o seu, vende. E quem quiser comprar um fígado novo compra e paga, ou a seguradora de saúde paga.
Na teoria, funciona muito bem. Mas a discussão obviamente vai além da questão econômica, na medida que em um mercado desses, o fígado teria um preço positivo. E como fariam as pessoas que não podem pagar, ou não tem seguro? Bem, aí o SUS pagaria o transplante e o fígado, imagino eu. E a questão do arrependimente, baixa educação e baixa renda da população? Em geral, pessoas menos educadas (que nem sabem pra que serve um fígado) e de baixa renda tenderiam a vender o fígado pra fazer um puxadinho ou pagar a faculdade do filho. Mas depois se arrependeriam quando tivessem problemas de saúde, ou se a cirurgia acabasse se complicando.
Por outro lado, muitas pessoas morrem nas filas, esperando um doador. É uma questão super interessante, e parece que o debate sobre o assunto é muito importante para a compreensão das conseqüências de uma política de livre mercado, com particiação do SUS e seguradoras.
A minha opnião é que fosse feito um experimento, com um órgão que tenha pouca demanda, ou que a fila seja pequena. Eu não faço a menor idéia de qual seja, mas algo um pouco mais simples. Acho que córnea seria uma boa, afinal todos temos dois olhos.
O que vocês acham?
Agora o debate é aqui nos EUA. O co-fundador da Apple, Steve Jobs, esteve mal e precisava de um transplante de fígado. Rapidinho ele arrumou um. Mas em cada ano, apenas um terço dos que precisam transplantes conseguem um doador aqui nos EUA. E a questão trouxe o debate sobre o mercado de fígado, já que, aparentemente, se você tem grana você consegue furar a fila.

O mercado de fígado funcionaria de forma muito simples, quem quiser vender o seu, vende. E quem quiser comprar um fígado novo compra e paga, ou a seguradora de saúde paga.
Na teoria, funciona muito bem. Mas a discussão obviamente vai além da questão econômica, na medida que em um mercado desses, o fígado teria um preço positivo. E como fariam as pessoas que não podem pagar, ou não tem seguro? Bem, aí o SUS pagaria o transplante e o fígado, imagino eu. E a questão do arrependimente, baixa educação e baixa renda da população? Em geral, pessoas menos educadas (que nem sabem pra que serve um fígado) e de baixa renda tenderiam a vender o fígado pra fazer um puxadinho ou pagar a faculdade do filho. Mas depois se arrependeriam quando tivessem problemas de saúde, ou se a cirurgia acabasse se complicando.
Por outro lado, muitas pessoas morrem nas filas, esperando um doador. É uma questão super interessante, e parece que o debate sobre o assunto é muito importante para a compreensão das conseqüências de uma política de livre mercado, com particiação do SUS e seguradoras.
A minha opnião é que fosse feito um experimento, com um órgão que tenha pouca demanda, ou que a fila seja pequena. Eu não faço a menor idéia de qual seja, mas algo um pouco mais simples. Acho que córnea seria uma boa, afinal todos temos dois olhos.
O que vocês acham?




4 comentários:
A vantagem do fígado em um mercado assim é que ele se autorregenera rapidamente, como, por exemplo, a medula e o sangue. Lógico que haveria o risco de complicações médicas, mas ele é dos órgãos mais propensos às negociações comerciais.
Não sei como é a legislação quanto à venda de órgãos aí nos EUA, mas sei que alguns locais permitem a venda de sangue, vejo similaridades.
Cá no Brasil, a venda de órgãos, mesmo sangue, é proibida, o que leva ao mercado negra.
Opa! Em partes! Cheguei no seu blog pelo comentário do cara que comentou aí acima... escrevi um post (http://www.baluzao.com/2009/07/de-rins-transplantes-capacetes-e-motos.html) que tem um link para outro artigo sobre comercialização de órgãos. Vc lista os ptos fracos de um possível mercado sem citar que gente comprando e vendendo reduziria a fila dos pobres. O arrependimento de compra existe em qq outra mercadoria, mas não deixa de ser mais justo ter a liberdade de escolha.
O rim é um órgão ideal para essse tipo de experimento visto que córnea implica na perda da visão.
Abrax
Oi Danilo,
esse é um bom ponto. Mas você pressupõe que algumas pessoas continuarão a doar, mesmo depois de o mercado ter sido estabelecido.
Imagine que não, que agora as pessoas só doem mediante pagamento, então o governo teria que pagar para os pobres. E o efeito sobre essa fila seria ambíguo.
O arrependimento existe como qq mercadoria, é claro. Vc está certo.
Concordo que a córnea é pior que o fígado.
Abraço e volte sempre!
Cristiano
Não necessariamente... no mundo existe de tudo, menos quem rasgue dinheiro em espécie. Tem gente que doa por doar, a filantropia vive disso. Uma possibilidade é vc limitar a venda ainda em vida não permitindo que vc negocie o fígado da sua sogra ou o coração daquele tio chato que vivia sozinho embolsando o lucro. A pessoa qdo morrer poderia indicar o direcionamento do dinheiro da venda qdo da morte. Isso não abraçaria todos, sendo assim vc teria gente morrendo e doando órgãos para pessoas pobres da fila única que não têm como arcar com a compra de um órgão. O maior benefício de legalizar a venda é vc reduzir tanto a disponibilidade de órgãos, qto dar ao pobre a possibilidade vender aquilo que lhe pertence gerando dinheiro e tb reduzir a fila por tirar os ricos dela. O pto é, depender de novela e propaganda governamental pra aumentar a doação de órgão se mostra ineficiente, como tudo, depende de um estímulo que seja pelo menos indiretamente econômico.
Abrax
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