Vou me atrever a dizer que a inflação não será o problema brasileiro em 2009. Pelo que tudo indica, a inflação medida pelo IPCA ficará muito próxima do centro da meta: 4,5%. Pelo IGP-M, a taxa será algo em torno de 1,8%, talvez menos com o novo nível do dólar. Esses números não são somente meus, mas da média do pessoal do mercado (AQUI).
Mas não se esqueçam que o teto da meta é 6,5%. Ou seja, o BC ainda tem uma certa banda para acomodar choques de demanda, que devem aparecer no último trimestre se tudo correr bem. Isso implica que a inflação está sob controle.
Um problema que afeta a economia brasileira, na minha opinião, é esse amor pela indexação. Essa é uma das piores heranças do período inflacionário. Todas as classes trabalhadoras, empresários, etc, usam a inflação passada como base de cálculo para futuros contratos. Todos pedem uma equiparação, uma recomposição, etc. Acho que as pessoas não entendem que salários e preços podem sim diminuir, em termos reais. E isso é normal em economias dinâmicas.
Talvez esteja aí a explicação para o conservadorismo do BC. Ou melhor, talvez esteja aí a falta de compreensão da política de juros por parte de alguns setores, especialmente da indústria. Em tese, o BC poderia continuar com um nível de juros mais baixo. Mas como a indexação carrega parte da inflação passada, a política tem que ser um pouco mais conservadora. Uma pena.
Particularmente, nunca vi nenhum contrato indexado à taxa de inflação aqui nos EUA. Todos contratos são renegociados ao seu final, especialmente os de aluguéis. Com raras exceções.
Eu aceitei o desconto que me deram e estou ficando no meu apartamento. Um vizinho nosso queria um desconto maior, barganhou e perdeu. Agora está atrás de apartamento e até deve arranjar algo mais barato mesmo. Mas, o custo de mudança não deve ter entrado na conta. Eu odeio me mudar.
Enfim, o ponto é que uma economia menos indexada faria bem ao Brasil. Não sei como seria posssível implementar isso, se é cultural ou é algo passível de legislação (como o caso da proibição dos contratos em moeda estrangeira). Mas, se eu fosse do BC eu estudaria o assunto.
Mas não se esqueçam que o teto da meta é 6,5%. Ou seja, o BC ainda tem uma certa banda para acomodar choques de demanda, que devem aparecer no último trimestre se tudo correr bem. Isso implica que a inflação está sob controle.
Um problema que afeta a economia brasileira, na minha opinião, é esse amor pela indexação. Essa é uma das piores heranças do período inflacionário. Todas as classes trabalhadoras, empresários, etc, usam a inflação passada como base de cálculo para futuros contratos. Todos pedem uma equiparação, uma recomposição, etc. Acho que as pessoas não entendem que salários e preços podem sim diminuir, em termos reais. E isso é normal em economias dinâmicas.
Talvez esteja aí a explicação para o conservadorismo do BC. Ou melhor, talvez esteja aí a falta de compreensão da política de juros por parte de alguns setores, especialmente da indústria. Em tese, o BC poderia continuar com um nível de juros mais baixo. Mas como a indexação carrega parte da inflação passada, a política tem que ser um pouco mais conservadora. Uma pena.
Particularmente, nunca vi nenhum contrato indexado à taxa de inflação aqui nos EUA. Todos contratos são renegociados ao seu final, especialmente os de aluguéis. Com raras exceções.
Eu aceitei o desconto que me deram e estou ficando no meu apartamento. Um vizinho nosso queria um desconto maior, barganhou e perdeu. Agora está atrás de apartamento e até deve arranjar algo mais barato mesmo. Mas, o custo de mudança não deve ter entrado na conta. Eu odeio me mudar.
Enfim, o ponto é que uma economia menos indexada faria bem ao Brasil. Não sei como seria posssível implementar isso, se é cultural ou é algo passível de legislação (como o caso da proibição dos contratos em moeda estrangeira). Mas, se eu fosse do BC eu estudaria o assunto.




4 comentários:
Nao sei qual serah o efeito liquido do fim da indexacao. Se por um lado vc nao tem indexacao nos contratos americanos, em qualquer contrato os individuos estao estimando a taxa real de retorno dada uma previsao de inflacao. Considerando que a incerteza eh maior, vc provavelmente inclui tambem um premio de risco por parte dos individuos expostos a perdas por inflacao. No final, os precos acabam subindo de antemao... Sem falar no problema de prever como as pessoas vao fazer tais previsoes de inflacao futura (e qual o impacto da inflacao passada na expectativa futura de inflacao... vamos ver agora com o Obama a lambanca que a galera vai fazer quando a inflacao comecar a subir pra amortizar toda essa divida publica)...
Bem, soh resolvi fazer aqui o papel de advogado do diabo, pois ateh o saldoso milton friedman nao achava a ideia das piores...
Grande Abraco,
Roberto
P.S.: Dah uma checada no spelling (acho que eh compreensao ao inves de compreencao, mas portugues depois de anos por aqui vai indo pro brejo mesmo, heheheh)
Valeu, arrumei lá.
Sim, o ponto está correto. Mas o grande lance é que com o fim da indexação, a expectativa de inflação do relatório Focus, por exemplo, vai ter papel mais importante. E assim, o efeito do juros na expectativa será mais importante do que o efeito do juros passados na inflação passada. Eu acho que isso aumenta o power da política de juros...
Falou
`Todas as classes trabalhadoras, empresários, etc, usam a inflação passada como base de cálculo para futuros contratos. Todos pede uma equiparação, uma recomposição, etc. Acho que as pessoas não entendem que salários e preços podem sim diminuir, em termos reais.`
1) as pessoas nao entendem
ou
2) as pessoas agem conforme seu melhor interesse e o resultado disso e a indexacao.
pra mim ta parecendo que vc ta olhando a conclusao (americanos indexam menos que brasileiros) e fazendo disso uma hipotese (brasileiros entendem menos do processo de evolucao do precos)
abraco
Não,
são duas coisas em uma. O fato da tradição de inflação alta ter criado mecanismos culturais que protegem quanto a inflação alta cria a ilusão que esse mesmo mecanismo(indexação) deve também ser usado quando a inflação é baixa e queda de preços nominais são mais frequentes. Daí, a falta de compreensao.
Falou
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