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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sobre Preferências Musicais

O Lauro Jardim, da Veja, escreveu sobre o ranking das 10 músicas mais tocadas nos rádios brasileiros em 2008. Segue a lista:

1) Boa Sorte, Vanessa da Matta e Ben Harper
2) No One, Alicia Keys
3) Coisas Que Eu Sei, Danni Carlos
4) Same Mistake, James Blunt
5) Sem Ar, D'Black
6) Don't Stop The Music, Rihanna
7) Kiss Kiss, Chris Brown e T. Pain
8) With You, Christopher Brown
9) Tem Que Ser Você, Victor e Léo
10) Coração Bandido, Leonardo

Segundo ele:

"Fora a primeira e a décima colocadas, todas as outras oito tocaram em novelas - sete delas, em novelas da Globo e uma da Band. Nada minimamente audível se salva da lista das dez mais..."

Em primeiro lugar é sabido que as pessoas não tem preferências completas, ou seja, marketing é fundamental decisão de consumo de qualquer produto. Qualquer aluno de segundo semestre de graduação em administração de empresas sabe isto. É natural que produtos com grande exposição visual e auditiva à grande massa da população sejam mais consumidos. E nada penetra nos lares brasileiros de forma mais direta do que a novela e os jogos de futebol. É algo natural.

Em segundo lugar quem é ele pra dizer se as músicas são audíveis ou não? Gosto não se discute, e se você quiser fazer uma discussão sobre o que tem mais valor para um agente representativo, esse agente deve ser a média. Ou seja, nas preferências do agente representativo brasileiro Vanessa da Matta e Ben Harper é melhor do que Leonardo. Se ele não gosta é problema dele. Um economista sensato admitiria que não gosta mas entenderia que para o brasileiro médio escutar Boa Sorte é preferível à escutar Coração Bandido e ponto final.

É óbvio que o o agente representativo não conhece várias músicas que eu e você conhecemos. Mas isso só implica que temos conjutos de informação diferentes. Ou melhor, eu e você não somos representativos!

Enfim, eu acho que a Vanessa da Matta canta muito bem. Inclusive já encomendei o DVD que ela está lançando. Uma outra dica que recebi, e sem ver novelas, é o novo CD da Nanna Caymmi. Só depois de ter encomendado é que me falaram que uma das músicas estava em uma das novelas. Enfim, gosto não se discute (já dizia uma velha que gostava de lamber o nariz da outra)!

10 comentários:

Iury disse...

De gustibus non est disputandum, já diria o Claudio Shikida. Ou melhor, o Gary Becker e o Stigler.

Abraço

Chico disse...

A questão não é somente que preferências são completas ou não, música aprecia-se (ou acostuma-se) muito por repetição, no caso marketing e botar-a-musica-para-tocar-em-tudo-que-é-canto. Agora, se o povo engole (quase) qualquer coisa, por que não atochar música de qualidade? Você pode pagar jabá para a Danni Carlos ou para Roberta Sá, D'Black ou Djavan... porque empurrar o medíocre?

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

Chico,
na tua definição já está a tua preferencia. Já que no final tu afirma que o que está sendo divulgado é só o medíocre.
Por exemplo, e eu conheço a Roberta Sá, mas não sei quem é Danni Carlos. E eu não vejo novela.
Isso não quer dizer que um saja pior que a outra, mas que eu não tenho como comparar.

É tmabém verdade que a repetição influencia. Quando eu treinava lá na Tijuca o pessoal escolhia o samba-enredo em Dezembro e ninguém gostava. Em Fevereiro, todo mundo achava excelente. Isso é um problema com esse setor, pq tem a questão da repetição e também dos fãs, que compram tudo de um determinado artista, e distorcem as estatisticas de venda.

Falou

Chico disse...

Não estou falando de preferencia, estou falando de qualidade, coisa bem feita. Danni Carlos é um ótimo exemplo. Essa é a primeira música nova que ela lança (e eu até acho bonitinha), mas até então ela fazia sucesso (e vendia disco) fazendo cover de sucessos do poprock (Fred Mercury, Oasis, Madonna, The Calling etc). Novamente, se o lance é empurrar música pra galera, porque empurrar o "piratão nacional" e não o bem feito? A qualidade da música feita por Fred Mercury, Oasis, Madonna, The Calling é melhor que a da Danni Carlos. Isso me lembra um beuty contest game.

Leonardo Monasterio disse...

Duas coisas:

- Olhem soh o top ten da bilboard 1966:
Billboard Top 100 for 1966
Rank
Song Artist
1 The Ballad of the Green Berets SSG Barry Sadler
2 Cherish The Association
3 (You're My) Soul and Inspiration The Righteous Brothers
4 Reach Out I'll Be there The Four tops
5 96 Tears ? and the Mysterians
6 Last Train to Clarksville The Monkees
7 Monday Monday The Mamas and the Papas
8 You Can't Hurry Love The Supremes
9 Poor Side of town Johnny Rivers
10 California Dreamin' The Mamas and the Papas

Uma porcaria, especialmente se comparado com o que foi lancado a epoca.
Hit parade eh um horror. Sempre.

- Sobre qualidade, nao dah para ter um criterio mesmo.O que eh "O barquinho cai, a tardinha cai"?!?!?! Isso nem em axe vc encontra e todo mujndo acha sofisticado. Eu acho Sex Pistols bom paca, mesmo sabendo que eles nao sabiam tocar. Eh "mal feito" e eh otimo. Sei lah de onde vem meus gostos, mas sei que nao eh uma questao de qualidade. (Se fosse qualidade, eu soh ouviria Glen Gould tocando Bach).

abracos,

Leonardo Monasterio disse...

AH, sobre a repeticao: Lembro que nao serve soh para novela ou samba-enredo. A primeira vez que ouvi Velvet&Nico achei um horror. Hoje eh um dos meus discos prediletos. Ver "Habits, Traditions e Addictions" do Becker.

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

Pô, sacanagem Leo. Reach Out I'll Be There do The Four tops é show de bola, uma das músicas quemarcou a black music dos anos 60. E California Dreamin' também é classica do movimento hipie.

Mas eu também concordo que qualidade não quer dizer nada. E que na real toda essa nossa discussão já traz imbutida as nossa preferências. Ter qualidade ou não, vai da preferência também.

Enfim...são estes posts assim que geram mais polêmica hehehe

Leonardo Monasterio disse...

A musica do four tops, eu nao conheco...
Jah sObre o Mamas and the pappas tenho um soh comentario. Nunca um sanduiche de atum foi tao bom para a humanidade.

victor disse...

Eu acredito que as mais tocadas são uma boa representação da média das preferências dos ouvintes. Existem algumas estações, se uma estação começa a tocar músicas que as pessoas não querem ouvir, as pessoas irão mudar de estação, pelo menos tendem a isso. Logo as estações deveriam tentar selecionar as musicas que mais teriam ouvintes. Logo se uma pessoa não concorda com a lista das mais tocadas, simplesmente as prefências dela não são parecidas com a média das preferências das outras pessoas.

Carlos Eduardo disse...

Concordo que qualquer discussao sobre qualidade de uma lista já imbutem nossas preferencias. Para mim Reach out I´ll be there nao parece grandes coisas, mas parece bem feita. Já Poor side of the town do Johnny Rivers faz parte das minhas preferencias. Por que? Sei lá, acho que as preferencias sao formadas ao longo da vida.
Os sons externos começam a ser ouvidos pelos bebés a partir da 16.ª semana. A audição é o primeiro sentido a despertar. A partir da 20.ª semana começa a reagir aos sons e na 25.ª já reconhece as diferenças entre eles.
Depois disso vem os amigos, as namoradas, as viagens, a TV, a identificaçao com atitudes de determinados artistas e também o marketing das gravadoras que captam o que uma determinada cultura/povo ira gostar e promovem para ganhar dinheiro. É uma industria como qualquer outra.
Me parece que o que conta é conjunto de informacao do individuo representativo para escolher o que ouvir. Quanto menor o conjunto de informacao dos consumidores sobre qualidade musical maior será a capacidade de influencia do marketing.
Enfim, nao importa como se formou o gosto, mas realmente nao se discute porque cada um recebeu influencias diferentes.
O negócio é usar a liberdade de trocar de estaçao ou mesmo de desligar o rádio. E torcer para que o vizinho seja um "magal" que tenha o hábito de ficar escutando em alto volume uma música que nao seja da nossa preferencia durante o domingo inteiro.