De acordo com Marcio Pochmann (presidente do IPEA), no Estadão:
"A rotatividade da mão de obra no trabalho é historicamente alta no Brasil, porque nossas empresas não enfrentam restrições para demitir e contratar", diz Pochmann. (link AQUI)
Interessante. Em uma frase ele fala duas coisas que eu imagino que estejam erradas. Por favor, aqueles que entendem um pouco mais de mercado de trabalho brasileiro me corrijam, mas eu estou muito convencido que posso dizer que:
1) o mercado de trabalho brasileiro tem mais restrições na contratação e, principalmente, demissão de funcionários do que outros países;
2) o motivo pelo qual a rotatividade da mão-de-obra brasileira é alta (se é que é tão alta assim) seria a maior volatilidade do emprego na economia brasileira, quando comparadas as de economias com um mercado de trabalho igualmente inflexível, e uma menor qualidade da força de trabalho.
Para reforçar o ponto 1) deixo um link para um post antigo aqui no blog, em que o Roberto Pinheiro (Ph.D. aqui por Penn) explica o problema do custo de demissão. Segue o link AQUI. Nós tínhamos colocado um link para uma tabela que mostrava que os custos de demissão são muito altos, e que se a custo de demissão fosse somente uma proporção do salário o mercado seria mais flexível. Invelizmente o link sumiu. Mas achei uma análise em um outro blog (Blog do Francisco Castro, citando o Hélio Zylberstajn - FEA/SP) que ilustra a idéia:
Se mudarmos o enfoque para a média mensal, então teremos uma medida do custo médio da demissão. Se a empresa demitir um funcionário com seis meses de empresa, terá um custo correspondente a 21% do salário a cada mês trabalhado. Se o empregado tiver um ano de empresa o custo será de 13% do salário a cada mês. Se o empregado tiver cinco anos, o custo mensal para a empresa será de 6% do salário e se tiver dez anos, o custo passará para 5%.
O ponto 2) é puramente de característica da economia brasileira. Uma vez que existe uma grande volatilidade na economia (maior que nos EUA, por exemplo) é normal que demissões e contratações ocorram com mais freqüência.
É sabido também que em setores que demandam trabalhadores com baixa qualificação técnica/educacional a rotatividade é maior. Essa é mais uma diferença entre a economia brasileira e a americana, por exemplo.
Recomendo esse artigo AQUI, da Veronica Orellano (FEA-USP) em que ela estuda a Região Metropolitana de São Paulo. Ela corrobora essa idéia e ainda fala sobre o custo de demissão. Fica um trecho do abstract:
...observou-se que, nas firmas em que o aumento do nível médio de educação formal dos empregados foi relativamente maior, houve queda relativamente mais pronunciada da rotatividade. Isso sugere que houve uma queda relativamente maior da rotatividade nos setores da economia em que houve maior avanço tecnológico, o que também é previsto pela teoria econômica.
Ficam aí as evdências. O que vocês acham?
"A rotatividade da mão de obra no trabalho é historicamente alta no Brasil, porque nossas empresas não enfrentam restrições para demitir e contratar", diz Pochmann. (link AQUI)
Interessante. Em uma frase ele fala duas coisas que eu imagino que estejam erradas. Por favor, aqueles que entendem um pouco mais de mercado de trabalho brasileiro me corrijam, mas eu estou muito convencido que posso dizer que:
1) o mercado de trabalho brasileiro tem mais restrições na contratação e, principalmente, demissão de funcionários do que outros países;
2) o motivo pelo qual a rotatividade da mão-de-obra brasileira é alta (se é que é tão alta assim) seria a maior volatilidade do emprego na economia brasileira, quando comparadas as de economias com um mercado de trabalho igualmente inflexível, e uma menor qualidade da força de trabalho.
Para reforçar o ponto 1) deixo um link para um post antigo aqui no blog, em que o Roberto Pinheiro (Ph.D. aqui por Penn) explica o problema do custo de demissão. Segue o link AQUI. Nós tínhamos colocado um link para uma tabela que mostrava que os custos de demissão são muito altos, e que se a custo de demissão fosse somente uma proporção do salário o mercado seria mais flexível. Invelizmente o link sumiu. Mas achei uma análise em um outro blog (Blog do Francisco Castro, citando o Hélio Zylberstajn - FEA/SP) que ilustra a idéia:
Se mudarmos o enfoque para a média mensal, então teremos uma medida do custo médio da demissão. Se a empresa demitir um funcionário com seis meses de empresa, terá um custo correspondente a 21% do salário a cada mês trabalhado. Se o empregado tiver um ano de empresa o custo será de 13% do salário a cada mês. Se o empregado tiver cinco anos, o custo mensal para a empresa será de 6% do salário e se tiver dez anos, o custo passará para 5%.
O ponto 2) é puramente de característica da economia brasileira. Uma vez que existe uma grande volatilidade na economia (maior que nos EUA, por exemplo) é normal que demissões e contratações ocorram com mais freqüência.
É sabido também que em setores que demandam trabalhadores com baixa qualificação técnica/educacional a rotatividade é maior. Essa é mais uma diferença entre a economia brasileira e a americana, por exemplo.
Recomendo esse artigo AQUI, da Veronica Orellano (FEA-USP) em que ela estuda a Região Metropolitana de São Paulo. Ela corrobora essa idéia e ainda fala sobre o custo de demissão. Fica um trecho do abstract:
...observou-se que, nas firmas em que o aumento do nível médio de educação formal dos empregados foi relativamente maior, houve queda relativamente mais pronunciada da rotatividade. Isso sugere que houve uma queda relativamente maior da rotatividade nos setores da economia em que houve maior avanço tecnológico, o que também é previsto pela teoria econômica.
Ficam aí as evdências. O que vocês acham?




11 comentários:
Eu, pessoalmente, acho que o Pochmann é doido, não foi ele que afirmou, algum tempo atrás, que a jornada semanal de trabalho deveria ser de 3 dias no Brasil?
Em um país em que há "justa causa" para demissões, dizer que não existem restrições para demitir é uma piada.
Recapitulando recomendações pochmannianas:
1) Aumentar a carga tributária para 60% ou 70% do PIB.
2)"não há motivo, do ponto de vista técnico, para alguém trabalhar mais de 4 horas por dia, 3 dias por semana".
3)"O Estado brasileiro é raquítico!".
4) Essa do post do Cristiano: A rotatividade é alta porque as empresas não encontram restrições para demitir e contratar.
Como diria o Alex Schwartsman, o Pochmann só pode ser um autista econômico. As recomendações pochmannianas só podem fazer sentido na dimensão Z.
Abraços, Zamba
Talvez ele tenha mirado no que viu e acertado no que nao viu.
Concordo inteiramente contigo no que diz respeito ao setor formal. No entanto, me parece que o Brasil tem um setor informal muito grande como proporcao ao setor formal. No setor informal, imagino que os custos de contratacao e demissao sejam bastante baixos e a rotatividade seja bem elevada.
Evidentemente, nao acho que o Pochman se referia a isso. Nao o imagino consultando qualquer dado estatistico antes de fazer suas declaracoes. Alem disso, justamente por ser informal, e' dificil arrumar estatisticas confiaveis sobre o setor informal, o que torna essa questao mais especulativa.
E esse infeliz é presidente do IPEA! Na boa...
Mercado de trabalho (formal) brasileiro é totalmente amarrado. O informal o custo é quase zero e isso aumenta volatilidade sim, mas agora por que será que temos um mercado informal tão grande?
Daniel, um cara que fala que a jornada semanal deveria de ser de 3 dias (eu havia visto essa pérola dele também) não sabe o que é mercado informal. Aliás, um "economista" brasileiro que fala isso ou nunca viu um camelo na vida ou não tem escrúpulo nenhum... nem burrice explica!
Quanto ao que você falou no (2), existe evidência de que a maior volatilidade é nos empregos de menor qualificação memos nos EUA e Europa, isso não é uma especificidade brasileira. Christopher Pissarides (um professor daqui) tem bastante coisa sobre isso.
Abc!
Chico,
vc está correto. Eu quis dizer que a volatilidade do PIB é também maior, eu imaginaria que com isso voce muda de um estado de admitido para demitido com mais frquencia.
Isso, mesmo se a proporcao de qualificados/desqualificados fosse a mesma.
Abraço,
Cristiano
Tanto é caro fazer demissão no Brasil que um dos principais critérios de corte é o saldo do fgts que o empregado tem...já que paga multa qdo bota o cara pra fora.
Olá Cristiano.
De acordo com João Saboia (http://www.corecon-rj.org.br/pdf/aje_jul2001.pdf) no artigo da pág. 5 que fala sobre o mercado de trabalho brasileiro, a equação da Lei de Okun para o Brasil mostra que a taxa normal de crescimento para que não tenhamos variação no desemprego deveria ser de aprox. 3,5%.
Já elasticidade emprego/produto ou o coeficiente da Lei seria de quase 0,5. Esta taxa é bem maior que a dos EUA (0,39), Alemanha (0,32) e Japão (0,12). Lembrando que o coeficiente da Lei depende de como as empresas ajustam o emprego as flutuações na produção, que dependem de fatores como a organização interna das empresas e restrições legais e sociais das admissões e demissões.
Isso comprovaria a afirmação de Marcio Pochmann.
Abraços!
Caro Rosso,
não entendi o que os 0,5 significam. Ou melhor, se for o que eu realmente entendi, não consegui entender a relação com a taxa de rotatividade.
Abraço,
Cristiano
Realmente, não deixei claro.
Os 0,5 significam que com um crescimento de 1% do PIB a mais que a taxa normal (no caso aprox. 3,5) o desemprego diminuirá em 0,5%.
Crescimento do PIB de 3,5%, taxa de desemprego constante;
Crescimento do PIB de 2,5%, taxa de desemprego aumenta 0,5%.
Esse coeficiente (os 0,5) depende de como as empresas ajustam o emprego em resposta as flutuações em sua produção, ou seja , da facilidade em demitir e contratar trabalhadores.
No Japão, existe uma grande estabilidade no emprego, por isso o coeficiente é tão baixo (0,12), demonstrando a dificuldade em demitir e contratar pessoal.
No Brasil as leis trabalhistas são mais flexíveis e não presam pela estabilidade no emprego, o que leva a uma taxa de rotatividade elevada, em comparação com outros países.
Ficou mais claro?
Abraços!
Oi Rosso,
obrigado pelo comentário. Eu vou confessar que a a elasticidade emprego/produto é, para mim, um conceito bastante nebuloso. Por vários motivos, entre eles:
1) não é constante no tempo;
2) depende da relação capital/trabalho da economia, ou seja, da função de prdução;
3) depende da variância da taxa de juros. O emprego responde de forma diferente dependendo do preço do capital e suas flutuações;
4) depende da volatilidade da economia (PIB); em uma economia mais volátil, ele será maior, caso do brasil.
5) depende da distribuição do tipo de produto (servico, industria, agricultura), na agricultura e servico a rotatividade é maior por natureza;
6) se é, realemente uma elasticidade, depende do nível de produto per capita e do nível emprego, que é muito diferente em todos esse países;
7) sim, depende também das leis trabalhistas, que no caso do brasil são mais caras para o empregador, na hora de demitir, do que nos EUA (não sei lhe dizer sobre Japão e Alemanha, talvez sejam mais restritivas do que no Brasil, e o desemprego lá também é maior que no Brasil)
Entre outros "detalhes" muito importantes. Para entender isso você precisa de um modelo de macro dinâmica com possibilidade de desemprego no mercado de trabalho (search. Não é muito complicado, eu tive isso no primeiro ano. Só mudando a volatilidade do produto já afeta essa taxa de rotatividade.
Abraço e obrigado pelo comentário,
Cristiano
O que este pirado tá fazendo no IPEA?!
Postar um comentário