Ads 468x60px

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pesquisa vs. Ensino II

A dicussão iniciada no post abaixo recebeu a contribuição do Cláudio Shikida (De Gustibus). Ele atenta para a sua evidência empírica:

"Uma idéia que tem me ocorrido cada vez mais ao longo destes quase 20 anos de sala de aula (isto significa que a amostra é grande, não necessariamente que eu seja um mestre do saber) é que quase tudo é sinalização. Diploma, para 100% dos alunos, é só um papel que deve significar um x% de aumento de salário segundo a carreira de alguma empresa na qual trabalha. Ou então é um sinal que, supostamente, imputa-lhe alguma competência…até a hora do processo produtivo em si."

Esse ponto (depois dos três pontinhos que indicam certa desconfiança na parte inicial da frase) é importante. O camarada compra o sinal, excelente. Mas ele poderia estar comprando o sinal e produtividade.

Se de fato, uma aula boa aumenta o conhecimento/capital humano/produtividade então por que não podemos pensar em um mecanismo de remuneração que dependa da avaliação dos professores em sala de aula? Seria uma forma de cobrar mais dos alunos e aumentar a renda dos professores.

E seria um equilíbrio separador. Dois tipos de oferta. Em um você paga X e compra só o sinal. No outro você paga X+Y e compra o sinal e o conhecimento. Esse Y vai direto pro bolso do professor.

Esse mecanismo pode não só separar os alunos, como também os professores. Daí, seria um problema. Assim, a remuneração do professor deveria ser uma combinação do Y do ensino com um outro Y que viria da qualidade da publicação.

PS: o post também repercutiu lá no Moral Hazard.

6 comentários:

Anônimo disse...

No capítulo 01 do livro Freakonomics, Steven Levit abordou uma questão um pouco semelhante a esse II post. Conhece?

Marcos-DF

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

Conheço o livro. Mas não li.
Abraço,
Cristiano

Cibele Bastos disse...

Interessante viu... pq o mecanismo d avaliação dos profs existe na maioria das universidades. So n sabemos se aquele papalzinho da pesquisa em sala serve para algo (se tratando d universidade publica então.. - é sou meio recalcada =p).

Família Flores disse...

Mestre Chokyto:

Sabes da profunda admiração que ha muito anos nutro pela sua pessoa, mas escreveste uma rotunda besteira neste tópico que te sugiro até que apague ele para não deixar vestígios (eu não printei), senão vejamos.

1 - Se um professor ja recebe para dar aula e ainda recebesse um bônus para dar aula boa, é a revogação da lei de mercado, vez que as escola, universidades, programas de pós-graduação, cursinhos pré-vestibulares, etc., estão cheios de currículos de pessoas que querem dar aulas e que, eu pelo menos imagino, contratam os melhores que podem como forma de atrair clientes.

Aqui em Porto Alegre tem um curso preparatório para exame da OAB que só contrata os melhores professores (se os alunos reclaman não contratam mais o professor). Resultado, é mais cara, mas ta sempre lotado (chega a faltar vagas) e tem os melhores índices de aprovação, sendo que todos professores que dão aula lá ganham o mesmo valor por hora aula.

2 - Alunos da graduação avaliando o professor é infactível (para efeitos de bônus), senão vejamos:

Quando era dirigente do DCE fizemos um projeto de avaliar os professores de algumas faculdades (economia entre elas) e pude notar que quanto mais boa praça e pouco exigente o professor melhor a sua avaliação, ou seja, o professor que fazia 3 provas, mais trabalho, que mandava ler 5 livros, que fazia chamada duas vezes (início e fim da aula) eram avaliados negativamente, ou seja, o vagabundo ganharia bônus.


Abraço

André

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

André,

1) me refiro a professores que não são horistas e sim professores de Dedicação Exclusiva, que também fazem pesquisa. Um professor DE de uma universidade federal por exemplo, tem que estar trabalhando 40 horas, sendo que dá 2 disciplinas proo semestre, e o resto fica para pesquisa. A sugestão é premiar os que dão melhores aulas. Isso já ocorre em diversos lugares e é uma aplicação da teoria de incentivos, melhorando a eficência quando há justamente uma falha de mercado (qualidade/esforço não observável).

2) Avaliação dos alunos funciona sim, desde que dois professores distintos dêem exatamente a mesma matéria e a prova seja a mesma para todos. Aqui onde eu estudo tem uma cadeira que tem 9 professores diferentes. As 9 cadeiras tem as mesmas 5 listas de exercícios e 2 provas, e as provas ocorrem simultaneamente e são idênticas. Ou seja, o aluno que tem aula com o professor ruim deixou de ter uma aula boa.

Obviamente se as exigências forem diferentes as avaliações serão diferentes.

Abraço,
Cristiano

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

Oi Cibele,

realmente o papelzinho existe. E creio que não é usado muito realmente. Infelizmente. Eu recebi os meus papeizinhos essa semana e fiquei bem contente com os resultados, mas sempre podemos melhorar.

Abração,
Cristiano