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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Constante de Lecochambreut

A Constante de Lecochambreut é muito usada em provas de economia. Sua aplicação mais comum é durante provas de mestrado e doutorado. Um exemplo de seu uso é o seguinte: o aluno, provavelmente após tomar a derivada de um expressão complicada, chega à uma equação que parece ter solução impossível.

Entretanto, ele sabe que o problema tem solução, e tem uma boa intuição sobre (ou até sabe exatamente) a resposta final. É aí que entra a Constante de Lecochambreut. Sabendo que cometeu um erro em um passo anterior, o aluno, ao passar de uma linha para a outra, faz uso da constante para que a expressão final apareça.

Um exemplo comum é o aluno trocar X por (1-X), ou então y por 2y. São mudanças simples, que basicamente tem o efeito de uma constante. E daí o nome...é basicamente uma acochambrada*.

Ontem, eu passei o dia corrigindo as provas de uma cadeira que sou monitor. Em dado momento um aluno inova e faz uso da Constante Imaginária de Lecochambreut. A constante imaginária é usada quando você encontra um valor negativo dentro de uma raiz. Isso é um problema complicado, e requer uso de um conjunto de números pouco conhecido dos alunos. Entretanto, o aluno sabia que o problema não poderia requerer esse tipo de conhecimento, porque era uma cadeira de introdução à microeconomia. O que ele fez? Colocou o sinal de negativo pra fora da raiz e seguiu fazendo as contas. Obviamente, chegou ao resultado errado, já que o erro dele estava na linha anterior. Mas foi uma bela aplicação da Constante Imaginária de Leconchambreut.

* acochambrar (v.) : Fazer algo não padrão, provisório, emprovisado; "picaretear", enjambrar, "dar um jeitinho". A variação ortográfica acoxambrar é tida por muitos como sendo a ortografia original, guardando sua relação com a expressão "fazer nas coxas". Mas o uso do ch tornou-se mais comum na medida faz com que a palavra pareça ter origem francesa, e daí fica muito mais chique. Exemplo:
- Uhm, este cano precisa ser trocado.
- E se a gente colocasse Durepox?
- Não, não dá pra acochambrar!

PS: Eu não me lembro quem me falou pela primeira vez da Constante de Lecochambreut. Certamente eu fiz uso dela durante o mestrado e doutorado, sem mesmo saber o seu nome. Eu não sei, mas acho que foi o Klênio Barbosa (doutorando em Toulouse) ou o Roberto Pinheiro (Ph.D. de Penn) que me contaram. Mas, acho que eles contaram já uma história de outra pessoa, e talvez a referência mais antiga tenha sido feita pelo Humberto Moreira (professor da EPGE), que foi orientador de nós 3. Quem souber mais detalhes por favor deixe um comentário...

2 comentários:

Angelo M. Fasolo disse...

Eu me lembro do Jorge Araújo fazendo referências à Constante nas aulas do mestrado na Ufrgs.

Abraços!

Roberto disse...

O primeiro a fazer referencia a constante foi o grande Alexandre Sartoris, hoje professor da UNESP, que na epoca que eu e o Klenio estavamos prestando a prova da ANPEC, era professor de estatistica no curso preparatorio. Ele (sartoris) disse que as constantes de LeCochambret e NasCo eram muito usadas nos cursos de experimentos de fisica (ele fez fisica na graduacao antes de fazer graduacao, mestrado e doutorado em Economia).

Taih a referencia,

Abs,

Roberto