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sábado, 30 de maio de 2009

Ainda Sobre o Dólar

Eu sempre fui entusiasta do câmbio flexível. Não por filosofia, ou idéias clássicas de livre comércio. Mas, por entender que quanto mais flexíveis forem os preços, mais rapidamente variações exógneas ao ambiente econômico doméstico (como um guerra no oriente médio, por exemplo) são absorvidas/respondidas pela economia local.

Uma melhora no cenário externo, como a atual, traz uma valorização do Real com relação ao dólar. Isso traz grandes possibilidades para crescimento econômico. Sim, talvez o setor que exporta mais para os EUA saia um pouco prejudicado. Mas é uma grande oportunidade para o Brasil importar bens de capital, bens de consumo duráveis, atrair investimento estrangeiro, conter a inflação ao mesmo tempo que mantém os juros baixos, e reduzir a dívida externa pública e privada.

A conjunção de notícias econômicas positivas, aliadas a sólida posição macroeconômica brasileira, propicia até mesmo isso, uma redução drástica da dívida externa, aumentando ainda mais as oportunidades de investimento externo e privado-interno na economia brasileira.

Vejam o que acabo de ler na Folha Online, por exemplo:

Estudo da consultoria Economática mostra que o dólar cotado a R$ 1,97 por um período constante permitiria a 133 empresas com ações em Bolsa uma redução de R$ 33,254 bilhões no endividamento em moeda estrangeira na comparação com o total do final do primeiro trimestre. Desde o final de março até ontem, o dólar caiu quase 15%.

O montante chega a ser superior ao lucro de R$ 27,673 bilhões que essas mesmas companhias tiveram no primeiro trimestre de 2009, se forem desconsideradas as despesas financeiras --juros e dólar-- e o pagamento de impostos.

É um resultado surpreendente. A redução cambial mostra que as empresas abertas brasileiras estão cada vez mais endividadas em dólares, e um Real valorizado traria muitos ganhos para estas empresas. Acontece que isso gera um círculo virtuoso.

A dívida diminuiu, as empresas tem maiores lucros, as ações sobem, os indivíduos e empresas ficam mais ricos, consumidores gastam mais e as empresas tem mais recursos para investir, o investidor estrangeiro entra no país para se beneficiar desse ciclo, e o Real segue se valorizando, até que em algum momento os juros terão de subir e a economia volta ao seu ciclo real de negócios.

Mas eu vejo a situação atual como ímpar. Estou muito otimista com o Natal 2009?

2 comentários:

VW disse...

Com relação a cadeia de causalidade que você colocou no final (dívida diminui, empresas têm maiores lucros, ações sobem, indivíduos/empresas ficam mais ricos, consumidores gastam mais...)

Acho pouco factível que exista um "efeito riqueza" no Brasil quando falamos em valorização de um ativo (ação) que tem baixa penetração entre pessoas físicas...

O que vc acha?

abç
VW

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

É um ponto interessante. Mas a maioria das pessoas que investe (tem poupança positiva)tem dinheiros em fundos que de um modo ou de outro estão ligado aos títulos do governo ou ao mercado de ações. Ambos estão em alta no momento (ações e títulos).

Mas creio que você tem razão, o efeito maior vem dos invetimentos feitos pelas empresas e aumento do emprego.

Em teoria o efeito riqueza talvez seja maior do que na realidade...

Abraço,
Cristiano