Ads 468x60px

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ernest Hemingway

Eu sempre gostei do Ernest Hemingway. O Velho e o Mar, Adeus às Armas, Por Quem os Sinos Dobram e O Sol Também Se Levanta são clássicos da literatura americana e mundial. O Gerald Thomas citou uma frase do autor que tem tudo a ver com a situação atual:

The first panacea for a mismanaged nation is inflation of the currency; the second is war. Both bring a temporary prosperity; both bring a permanent ruin. But both are the refuge of political and economic opportunists.

Muito boa. Vai para o arquivo.

domingo, 28 de setembro de 2008

Discussion Draft: Bailout

Já está disponível na internet o draft do plano que irá salvar o sistema financeiro americano. Segue aqui o primeiro parágrafo:

To provide authority for the Federal Government to purchase and insure certain types of troubled assets for the purposes of providing stability to and preventing disruption in the economy and financial system and protecting taxpayers, and for other purposes.

Quer ler o projeto na íntegra? Leia o documento com 110 páginas clicando AQUI.

O Novo Eric Hobsbawm

Estou aqui assistindo os jogos da NFL e eis que então um "filósofo" brasileiro dá uma de Eric Hobsbawn e declara:

"Acabou a era dos economistas, de os economistas mandarem na economia. E agora está entrando a era de a engenharia voltar a ter papel importante neste País"

Quer saber quem afirmou isto? Clique AQUI.

sábado, 27 de setembro de 2008

Quem Ganha com a Crise?

Você quer mesmo saber quais são os grupos beneficiados pela crise financeira atual? Vou dar uma resposta incompleta. São dois grupos. O primeiro é formado pelos advogados especializados em causas financeiras. A demanda por esses profissionais va crescer muito nos próximos meses com todos esses processos de falências, fusões e aquisições.

E o segundo grupo? Essa eu vou deixar só o link.

Para saber a resposta clique AQUI.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Aracruz e Sadia

A Aracruz parece que segue os passos da Sadia. Direto da Bloomberg:

Aracruz Celulose SA American depositary receipts (ARA US) fell the most since at least May 1992, plunging 20 percent to $37.06. The world's biggest eucalyptus-pulp maker said it's assessing the size of losses caused by derivatives investments and a strengthening dollar. Chief Financial Officer Isaac Zagury resigned.

Mais um que perdeu o emprego. Isso me remete ao debate sobre Picaretagem em Finanças que eu prometi entrar e estou devendo...

Teoria Econômica da Fórmula 1

Segue uma analise sobre os efeitos das corridas de F1 nas receitas dos países (da Veja):

LONDRES (Reuters) - Os governos pagaram cerca de 275 milhões de dólares para receber corridas da Fórmula 1 no ano passado, mas os benefícios à economia local ultrapassaram este valor, de acordo com um relatório sobre a viabilidade financeira dos Grandes Prêmios.

Feita pela ING (patrocinadora da Renault) e pela empresa Formula Money, a pesquisa calculou que o investimento de 13 corridas com ajuda governamental, feitas em 2007, teve um retorno médio de 553 por cento.


Tá aí uma taxa de retorno que eu gostei! Leia mais AQUI.

O Dólar e o Peito de Peru

A Sadia foi a primeira empresa brasileira a entrar pelo cano com as turbulências externas. Parece que a empresa exagerou na dose na hora de fazer operações financeiras e tomou um tufo. As ações despencavam 30% no final da manhã.

Segundo a Folha Online:

A empresa revelou ontem que apurou perdas de R$ 760 milhões com a crise internacional. Em comunicado ao mercado, a Sadia justifica o prejuízo devido à "severidade da crise internacional e da alta volatilidade da cotação da moeda norte-americana". Analistas estimam que a companhia, uma das maiores do setor alimentício brasileiro, deve apurar um prejuízo líquido de R$ 224 milhões neste ano, ante um ganho de R$ 689 milhões em 2007.

Em outro comunicado publicado também ontem, a empresa anuncia que destituiu Adriano Lima Ferreira do cargo de diretor de finanças da companhia e que Wilson Teixeira Júnior acumule interinamente a função.

É, a cabeça de alguém tinha que rolar depois de uma lambança dessas. É realmente impressionante como essas empresas, que teoricamente deveriam estar preocupadas em aumentar a produtividade, entraram de vez no setor financeiro. Várias grandes empresas brasileiras fazem investimentos usando instrumentos complexos. Não deve ter sido somente uma ou outra operação de hedge a causa desse prejuízo gigante. Claramente trata-se de uma empresa do setor de alimentos operando em outro setor - financeiro.

Leia mais AQUI.

Para Baixo e Avante

As coisas aqui vão ladeira abaixo. Acordo com o Bush na televisão dizendo que o pacote vai sair. O objetivo era tentar acalmar o mercado depois das desastrosas reuniões de ontem. Os republicanos mais conservadores deixaram a reunião e não houve acordo. Parece que a Carta do Cochrane andou pelo Congresso.

Enquanto isso, o Paul Krugman afirma que os EUA é a República das Banana com Armas Nucleares.

Não bastasse a lambança política de ontem, a notícia da manhã foi a venda do Washington Mutual Inc. para o JPMorgan Chase & Co. Fundado em 1889, o WaMu passa a ser o maior banco a quebrar na história dos EUA - 300 bilhões de dólares em ativos.

A compra foi uma boa, na medida que o FDIC não vai precisar colocar grana em cima. A transação pode ser o pulo do gato para o JPMorgan também. Segundo o Yahoo News:

Because of WaMu's souring mortgages and other risky debt, JPMorgan plans to write down WaMu's loan portfolio by about $31 billion — a figure that could change if the government goes through with its bailout plan and JPMorgan decides to take advantage of it.

Ou seja, se o bailout for generoso o JPMorgan vai ter comprado ativos na baixa e vai vender na alta. Um baita negócio. O JPMorgan já havia comprado o Bear Sterns. O JPMorgan passa a ser o segundo maior banco americano, atrás apenas do Bank of America.

Leia mais AQUI.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

As Opções do Tesouro Americano

Troquei emails com o Edson, autor do Blog do Edson, sobre a crise americana e as alternativas possíveis. Eis que recebo uma excelente síntese das opções do Tesouro Americano e de quebra uma explicação para a crise:

Bem, você tem duas alternativas:

1) Realizar a intervenção e gastar alguns bilhões de dólares do contribuinte estadunidense, salvar as instituições que puderem ser salvas (o Lehman Brothers, por exemplo, não foi possível salvar), saneá-las e vendê-las no futuro novamente. Essa alternativa possui pelo menos um VPL estimável.

2) Deixar quebrar todo mundo (inclusive a AIG, que era a maior pagadora de proteção do CDS) e ver no que vai dar. "Ver no que vai dar" literalmente, haja visto que o VPL desta segunda alternativa é completamente imprevisível.

Enfim, eu optaria pela primeira alternativa. Obviamente, devem ser levadas em conta, dentro do possível (e da urgência que a situação requer) contrapartidas razoáveis a serem adotadas pelas instituições que serão saneadas (o Proer brasileiro exigiu coisas desse tipo, por exemplo). E não podemos esquecer também do aspecto institucional: a regulação do sistema financeiro americano não é mudada desde a crise de 1929.

O que temos atualmente (e que criou os incentivos ruins em questão) chega a ser patético: 7 agências regulatórias autônomas (cujas atribuições se sobrepõem), regras estaduais e um FED sem os poderes regulatórios que deveria possuir. Hedge Funds e Bancos de Investimento são os maiores exemplos, eles agiam sem as regras adequadas com relação a transparência e exigência de capital. Vocês viram algum banco comercial ficar numa situação como a que os Bancos de Investimento (e outros fundos que se entupiram de Subprimes e CDS) ficaram? Eu não me lembro de nenhum (com exceção do UBS suíço, que é um banco de investimento no Brasil mas um banco múltiplo na Suiça).

Finalizando a minha digressão, o excesso de liquidez me parece menor como explicação para a crise; a falta de regulação (adequada) me parece mais importante.


Abraço,

Edson

LACEA / LAMES - Updated

A lista de pesquisadores estrangeiros que irão participar do LACEA/LAMES não para de crescer. Confira quem estará presente e palestrando no encontro deste ano clicando AQUI.

Não esqueça que o prazo de submissão termina dia 30 de Setembro. Mais detalhes direto no site. Basta clicar AQUI.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

McCain e o lobista do Freddie Mac

Essa é da Newsweek:

Since 2006, the federally sponsored mortgage giant Freddie Mac has paid at least $345,000 to the lobbying and consulting firm of John McCain's campaign manager Rick Davis, according to two sources familiar with the arrangement.

Republican presidential candidate has blamed "the lobbyists, politicians and bureaucrats" for the mortgage crisis that recently prompted the Bush administration to take over both Freddie Mac and its companion, Fannie Mae, and put them under federal conservatorship.

...Davis's lobbying firm, Davis Manafort, based in Washington, D.C., continued to receive $15,000 a month from Freddie Mac until last month...

Isso ainda vai dar muito o que falar. Mas os resultados da crise financeira já atrapalham os números de McCain. Obama abriu 9 pontos de vantagem. leia mais AQUI.

A Realidade sobre a Crise

Quando todos pensavam que a falta de regulação e expansão do crédito sem garantias eram a real causa da crise financeira americana, eis que surge uma investigação do FBI. Eu nunca escrevi nada aqui, porque é óbvio que seria no mínimo imprudente. Mas que existia um cheiro de falcatrua no ar, isso existia.

É impossível quebrar um banco centenário como o Lehman Brothers só contratando funcionários ruins e tentando maximizar lucro. Algo estava muito errado.



A CNN e a ABC já divulgam as investigações do FBI. O buraco pode ser ainda mais fundo:

In congressional testimony last week, FBI Director Robert Mueller confirmed that the bureau is investigating 24 financial institutions, "large corporations, where the allegations would be that there were misstatement of assets," he said.



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sambueza e o Povão

Eu assisti um pedaço de Flamengo e Ipatinga enquanto esperava meu vôo em Guarulhos. No meio do segundo tempo um jogador do Flamengo que se chama Sambueza (certo que a mãe dele queria ter colocado o nome de Framboesa) recebe a bola na entrada da área - só ele e o goleiro - e isola lá na superior do Maracanã.

O cidadão no banco do lado exclama o seguinte:
- P....!!! O cara ganha salário pra jogar bola e faz essa m....!!!

Essa não é a primeira vez que eu vejo alguém reclamar dos altos salários dos jogadores. Na verdade, o tal do Sambueza nem deve ganhar muito. Mas o sentimento é o de que chutar uma bola não pode ser uma tarefa muito complicada quando você passa algumas horas por dia treinando. Assisitr a decadente fase do futebol no Brasil é um duro golpe na qualidade do lazer do povão. Será que o crescimento do PIB diminuiu a oferta de jogadores de futebol?

O pior é abrir o jornal e ter que ler isso AQUI.

O Atilho

Nos meus dias no Brasil presenciei situações inusitadas. A primeira delas foi a máquina de sacar dinheiro que só tinha notas de 5 reais. Ao me deparar com aquela "fortuna" saindo pelo caixa eletrônico eu logo lembrei do meu avô. O criado-mudo dele era cheio de atilhos, aquelas borrachinhas de amarrar dinheiro. Seria legal ter um atilho naquele momento.

Claramente, o atilho é um acessório em desuso. 14 anos de inflação baixa eliminaram o atilho do mercado. Achei interessante. É engraçado imaginar que um adolescente de hoje não sabe o que é um atilhos.

Durante toda a minha infância e adolescência o atilho estave por perto. Sua principal função era servir de estilingue. Na volta do recreio sempre rolava uma guerra de pedacinhos de papel disparados por estilingues de atilhos. Boas lembranças do tempo da inflação...

PS: A partir de hoje retomo os múltiplos posts diários.

sábado, 20 de setembro de 2008

Fantasy Football - Semana 3

Eu tinha ficado de postar os resultados do meu joguinho de futebol americano. Pois bem, como eu expliquei antes, no início do campeonato você escolhe os jogadores e fica com eles o resto da temporada. Depois, na medida que o tempo passa, você pode negociá-los,ou substituí-los por outros que ninguém escolheu.

Pois bem, na hora do sorteio para ver quem escolhia primeiro os jogadores eu fiquei em último. Tudo bem, azar faz parte do jogo. Daí na primeira semana um dos Wide Receivers titulares do meu time virtual se quebra e está fora do resto da temporada. Os meus dois Running Backs reservas também se quebraram e ficam mais 3 semanas de molho. O Tight End que eu escolhi no draft eu já sabia que estava quebrado, mas sua recuperação está demorando mais que o previsto.

Mesmo com tudo isso, eu venci as duas primeiras partidas, e após duas rodadas sou o segundo no campeonato. O segredo? Minha tabelinha de Excel que eu fiz antes do campeonato começar. Usei as performances passsadas e ainda peguei uns jogadores que eu gosto. Meu time titular atual é o seguinte:

QB Tony Romo (Dallas Cowboys)
WR Greg Jennings (Green Bay Packers)
WR Laveranues Coles (New York Jets)
WR Isaac Bruce (San Francisco 49ers)
RB Willie Parker (Pittsburg Steelers)
RB Edgerrin James (Arizona Cardinals)
TE Anthony Fasano (Miami Dolphins)
K Mason Crosby (Green Bay Packers)
DEF Dallas Cowboys

Vamos ver, tudo indica que a Semana 3 será complicada. O que isso tem a ver com economia? Aprenda a usar o valor das informações passadas e o uso de tabelinhas do Excel e você saberá.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Crise Financeira

Eu entro de férias e as coisas esquentam. Já está rolando um debate na blogosfera sobre a crise financeira atual.

A crise é menos simples de se entender do que se imagina. Ela deixou de ser uma crise do sistema imobiliário e passou a ser uma crise do sistema financeiro. A crise existe porque, com o fim dos pagamentos dos empréstimos em dia, os bancos deixaram de receber recursos, e deixaram de pagar as instituições financeiras que recompraram essas dívidas. Essas instituições eram, em sua maioria, bancos de investimento nos EUA e no mundo.

É aí que a crise fica feia. Vejo muita gente comparar a crise atual com a de 1929. Mas o fato é que a crise de 1929 começou com a quebra da bolsa, mas só se tornou duradoura porque muitos bancos no sistema financeiro quebraram, reduzindo o crédito e a oferta de moeda. É isto que o Fed está tentando evitar.

Para quem não se lembra de Macro I, a oferta de moeda é a base monetária vezes o multiplicador bancário. O múltiplicador, por sua vez, depende de quantos ativos os consumidores/firmas mantém em forma de papel moeda e de quantas reservas os bancos mantém em seus cofres. Na medida que os bancos vão quebrando, esse multiplicador diminui.

A grande sacada do atual sisteman financeiro e toda a sua capacidade de securitização bancária é justamente a existência de mecanismos de preservação do multiplicador bancário. Salvar um ou dois bancos pode parecer populismo ou algo do gênero, mas na verdade o custo é muito menor do que deixar o sistema entrar em um círculo de quebras.

Parte da salvação é convencer os consumidores que não há necessidade de correr para o banco, pois, se isso ocorrer a quebra é certa. Não só em um economia em crise, como em qualquer economia saudável. Já que a proporção de reservas bancárias (os chamados compulsórios) é menor que 100%.

PS: Voltarei das férias em poucos dias. Daí entro no debate do Selva Brasilis sobres picaretagem no uso de finanças no mercado financeiro.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bear Stearns vs. Lehman Brothers

O governo americano ajudou a salvar o Bear Sterns seis meses atrás. Este final de semana o Fed preferiou não ajudar os potenciais compradores do Lehman Brothers. A realidade é que o Lehman era pequeno, em termos de investimentos em derivativos, quando comparado ao que o Bear Sterns tinha.

Segundo a CNN, o Bear Sterns tinha 9 trilhões de dólares em derivativos. Enquanto isso, o Lehman Brothers tinha um décimo deste valor.

A frase que marca a reportagem da CNN sobre o assunto é a seguinte:

"Lehman was only incompetent enough to blow up and destroy themselves, where as Bear's degree of incompetence was enough to threaten the entire financial system"

Uma boa frase para explicar os acontecimentos recentes do sistema financeiro americano. Leia mais clicando AQUI.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pagando os Estudos

A notícia da hora é a seguinte (da Folha Online):

Uma norte-americana de 22 anos está leiloando publicamente a virgindade para pagar seus estudos. A estudante de San Diego, Califórnia, que usa o pseudônimo de Natalie Dylan, diz não ter enfrentado dilemas morais com sua decisão - e também não ofereceu provas sobre a virgindade.

A opinião da moça, segundo a reportagem, é a seguinte:

"Vivemos numa sociedade capitalista. Por que eu não posso ganhar com a minha virgindade?"

É uma boa pergunta. Na verdade, eu acho que ela pode. Afinal, muita gente ganha a vida desse modo ("leiloando" partes íntimas) em sociedades capitalistas e não-capitalistas.

Teoria da Relatividade

Vou colocar aqui a leitura dos indicadores econômicos divulgados nos EUA nas últimas semanas:

- desemprego é o maior em 5 anos;
- produção de manufaturados em queda pelo terceiro mês;
- confiança do consumidor aumenta pelo terceiro mês;
- indicadores antecedentes em queda;
- produção industrial tem pequena alta;
- inflação em 5.6% ao ano;
- comércio em queda com o fim do tax rebate.

Tudo levaria a crer que os investidores evitariam o dólar e a economia americana. Mas tudo na vida é muito relativo. Na Ásia, Europa, e América Latina as coisas também não vão muito bem. O resultado? Bem, o resultado é que na hora que o bicho pega todo mundo corre para o que é mais seguro. Por isso a alta do dólar.

Leia mais AQUI.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Férias

Sim, arrumei um tempinho pra postar. Só pra avisar que retorno em breve a rotina de posts. Por enquanto não tive muito acesso a internet. Mas já vi que o Paulson deu uma força para o sistema financeiro americado.

Polêmica também. Na cultura americana o "salvamento" de empresas pelo governo não é bem vista pelos cidadãos comuns. Mas chamar o Paulson de socialista, quando ele está apenas reduzindo o risco de falência do sistema bancário como um todo, é sacanagem.

Leia mais AQUI.
PS: volto em alguns dias.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Jobim e a Privatização do Galeão

Deixo aqui uma declaração do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a provável privatização dos aeroportos Galeão e Viracopos (do Estadão):

O ministro afirmou também que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está encarregado de definir o modelo da concessão à iniciativa privada. Jobim justificou a escolha do Galeão e de Viracopos. No primeiro caso, disse que pesou o fato de o Rio de Janeiro ser candidato à sede das Olimpíadas de 2016. "O Rio pode ter uma nota melhor no quesito aeroporto", afirmou o ministro. Já em relação à Viracopos, ele citou a urgência de ampliação da capacidade do aeroporto para desafogar os aeroportos de Cumbica e Congonhas, em São Paulo.

Quer dizer, a privatização vai melhorar a nota do Brasil para a candidatura. Mas, por que vai melhorar? Eu entendi que a privatização trará melhorias. O aeroporto terá melhor qualidade, será mais eficiente na alocação de vôos, etc. Neste caso eu pergunto: se era para melhorar, por que não foi privatizado antes? Por que precisamos ter uma candidatura para uma Olimpíada para termos melhores aeroportos neste país?

Desemprego nos EUA

Por aqui a economia vai ladeira abaixo. Apesar da revisão da taxa de crescimento do PIB, o desemprego só faz aumentar. A taxa de desemprego nos EUA chegou a 6.1% em Agosto. Já foram 605,000 empregos destruídos desde janeiro.

A taxa de desemprego só conta as pessoas que procuraram empregos e não encontraram. Ela não contam aqueles que desistiram ou aqueles que estão procurando empregos de 8 horas, mas só encontram de 4 horas por dia. Quando esses grupos são adicionados, o desemprego passa a ser de 10.7% - o maior desde 1994.

As conseqüências hoje serão uma bolsa em queda e baixa dos preços do petróleo (já que um menor crescimento implica uma menor demanda). Os efeitos do furacão que atingiu a Luisiana e Texas ainda não foram contabilizados. Mais dois estão à caminho e atingirão a Flórida.

As coisas estão realmente feias por aqui...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Multiplicador Social

Eu já conhecia o multiplicador monetário e multiplicador keynesiano. Agora o Ed Glaeser e o David Cutler apresentam o multiplicador social. A idéia é que pessoas que convivem no mesmo grupo tendem a ser influenciadas por seus pares. Eles usam a idéia para explicar o declínio do tabagismo em certos grupos sociais. Segundo os autores:

"...we find that individuals whose spouses smoke are 40 percent more likely to smoke themselves. We also find evidence for the existence of a social multiplier in that the impact of smoking bans and individual income becomes stronger at higher levels of aggregation. This social multiplier could explain the large time series drop in smoking among some demographic groups."

Essa idéia pode ser muito importante na adoção de políticas sociais como a redução do tabagismo, criminalidade, etc. Confira o artigo na íntegra clicando AQUI.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Entrevista com Armínio Fraga

Armínio Fraga concedeu uma entrevista para a Magazine (do O Globo) sobre o mercado de trabalho para os atuais e futuros economistas. Alguns destaques:

Como está o mercado de trabalho para os economistas?
(Tamires Gomes)

ARMÍNIO FRAGA: O mercado vem melhorando em geral, com a estabilidade e o crescimento dos últimos 15 anos. As posições para economistas mais especializados seguem essa tendência, mas nunca serão tão abundantes quanto aquelas mais gerais do mundo dos negócios, que também contratam economistas. Em geral, os economistas encontram mais oportunidades em empresas maiores.

Quais são as áreas mais promissoras para quem quer fazer Economia?
(Lana Pires)

FRAGA: No mercado de trabalho, aquelas mais próximas das empresas, como finanças e estratégia. Mas não tenha medo de seguir outros caminhos. O mais importante é procurar uma atividade que seja do seu interesse. Em particular, além de desafios na iniciativa privada, recomendo também se ligar ao governo e ao terceiro setor. São menos rentáveis, mas podem ser extremamente gratificantes.


Qual a proporção de matérias humanas em comparação com as exatas no curso de Economia? Tenho afinidade com as humanas. Posso me decepcionar? (Mariana Velloso)

FRAGA: A proporção (de humanas) é baixa, mas importante. O curso de Economia exige um esforço de aprendizado em métodos quantitativos, prepare-se para isso.

O ensino de Economia no Brasil é dividido entre poucas universidades que buscam ensinar o mais próximo possível da "fronteira" da economia, enquanto muitas ensinam os clássicos. Existe um projeto pedagógico melhor? (Iago Caruso)

FRAGA: Os clássicos são importantes, mas sugiro não fugir da fronteira, sob pena de reduzir as opções de trabalho. O Rio oferece uma boa gama de opções, vale a pena se informar antes de escolher.

Qual a importância da matemática no estudo da Economia? É preciso mesmo grande habilidade nela ou isso é um estereótipo? A carreira também envolve sociologia e história? (Andrezza Lima)

FRAGA: Como eu disse antes, os métodos quantitativos têm um papel importante na Economia, e a matemática é necessária. Para quem não pretende seguir carreira de pesquisa, a matemática é limitada, mas, nas melhores universidades, aproxima-se dos padrões dos primeiros anos do curso de Engenharia. De qualquer forma, penso que uma boa formação nas humanas é essencial, pois, não apenas forma bons economistas, mas pessoas melhores.

Leia a entrevista completa clicando AQUI.

Imposto de Peso

O governo do estado do Alabama resolveu criar um imposto de peso. Os 37,527 funcionários públicos do estado terão que comprar uma balança e ficar de olho no peso. Ou emagrecem, ou terão descontos em seus salários. O estado busca resolver dois de seus maiores problemas: obesidade e o alto preço dos planos de saúde.

A partir de 2010 o governo passará a descontar 25 dólares por mês dos salários dos funcionários que não se reportarem à enfermaria para medir a pressão arterial, diabetes, e o índice de massa corporal (o IMC).


O desconto já ganhou até apelido: "Fat Tax". Leia mais AQUI.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Difícil Mesmo é a Vida

Retirei estes dois parágrafos abaixo de uma reportagem da Folha Online sobre o ENEM que foi realizado neste final de semana:

De acordo com o professor Edmilson Motta, coordenador do cursinho do Etapa, a prova deste ano está mais difícil se comparada com a aplicada em 2007. "A quantidade de gráficos está maior e há muitos textos. Isso acaba tornando a prova muito cansativa", disse.

Para a coordenadora de geografia do Objetivo, Vera Lucia da Costa Antunes, os textos e tabelas exigiram do aluno mais concentração do que conhecimento. "O aluno teve que ler os textos e refletir para concluir. Isso exige tempo, concentração e atenção", afirmou.

Eu logo imaginei que a prova deveria ter tido umas 500 questões e durado 10 horas. Pois, a prova demorou 5 horas. Eram 63 questões de múltipla escolha e uma redação. Você reserva 30 minutos para fazer a redação e ainda lhe sobram 270 minutos. São mais de 4 minutos por questão de múltipla escolha.

Olha, eu não sei o que acontece nesse país. Em 1996, ao terminar o meu ensino médio com material do Objetivo, fiz o Vestibular. Eram 5 dias de provas, 35 questões de cada matéria e uma redação. Isso somente em uma das instituições. No ano seguinte, os próprios organizadores reduziram o número de queestões para 30 por matéria. Eu nem sei como isso é feito hoje em dia lá na UFRGS, mas imagino que 63 questões de múltipla escolha não seja a melhor maneira de selecionar futuros médicos, engenheiros, etc. Você estuda três anos, aprende no mínimo 8 matérias diferente e os organizadores fazem 63 perguntas? São menos de 8 questões por matéria.

Eu não consigo entender o motivo dessa tendência de diminuição do número de questões em exames de final de ensino médio. Eu até compreendo que, por motivos de custo e qualidade da correção, o ideal seja fazer perguntas de múltipla escolha. Mas a redução progressiva do número de questões eu não consigo entender, ou concordar.

Como dizia a propaganda do cursinho: "Difícil mesmo é a vida, Vestibular a gente dá um jeito".

Teoria Econômica da Empregada Doméstica

As empregadas domésticas passarão a ter direito a FGTS, a hora extra, a adicional noturno, jornada de trabalho de oito horas por dia e salário-família. A partir do ano que vem em diante, elas passarão a usufruir dessas garantias se for mudada a Constituição. A proposta deverá ir para o Congresso até o fim do ano.

Qual será o efeito desta mudança? O primeiro é o reconhecimento do trabalho doméstico como sendo um trabalho como qualquer outro.

O segundo é o aumento do custo para o empregador. Estima-se que o custo passe a ser o dobro do atual, diminuindo a demanda por trabalho doméstico. Além disso, o custo de demissão passa a ser altíssimo, como já discutimos AQUI.

Outro problema nesse sentido é a questão da jornada de trabalho. Agora, para ter a carteira assinada, as empregadas terão que trabalhar 8 horas por dia, ou 44 horas semanais. Algo que na maioria dos casos não ocorre. As próprias empregadas domésticas acabam trabalhando alguns dias na casa de uma pessoa e outros na casa de uma segunda pessoa, de modo que elas preencham suas semanas. Ou seja, talvez a demanda por um serviço full-time seja de fato muito baixa. Se isso for verdade, a demanda pelo trabalho doméstico irá diminuir ainda mais.

Um ponto importante é que a maioria das empregadas já ganha algo por volta de um salário-mínimo. O que muda mesmo são os direitos trabalhistas, e com eles os custos para empregador. O aumento dos direitos causará um aumento da oferta. Trabalhadoras que não ofertavam trabalho passarão a procurar um trabalho de doméstica, já que o salário real (salário+benefícios) aumentará consideravelmente.


O efeito é aquele conhecido do curso de Macro I. Você inicia em um mercado de trabalho em equilíbrio e coloca um salário-mínimo acima do salário de equilíbrio. Nesse ponto, a oferta é maior que a demanda e o desemprego é maior. Obviamente, a legislação deve ser igual para todos. Se todos os outros recebem benefícios, as empregadas domésticas também devem receber. O efeito econômico, porém, será o ilustrado acima.