Armínio Fraga concedeu uma entrevista para a
Magazine (do O Globo) sobre o mercado de trabalho para os atuais e futuros economistas. Alguns destaques:
Como está o mercado de trabalho para os economistas?
(Tamires Gomes)
ARMÍNIO FRAGA: O mercado vem melhorando em geral, com a estabilidade e o crescimento dos últimos 15 anos. As posições para economistas mais especializados seguem essa tendência, mas nunca serão tão abundantes quanto aquelas mais gerais do mundo dos negócios, que também contratam economistas. Em geral, os economistas encontram mais oportunidades em empresas maiores.
Quais são as áreas mais promissoras para quem quer fazer Economia?
(Lana Pires)
FRAGA: No mercado de trabalho, aquelas mais próximas das empresas, como finanças e estratégia. Mas não tenha medo de seguir outros caminhos. O mais importante é procurar uma atividade que seja do seu interesse. Em particular, além de desafios na iniciativa privada, recomendo também se ligar ao governo e ao terceiro setor. São menos rentáveis, mas podem ser extremamente gratificantes.

Qual a proporção de matérias humanas em comparação com as exatas no curso de Economia? Tenho afinidade com as humanas. Posso me decepcionar? (Mariana Velloso)
FRAGA: A proporção (de humanas) é baixa, mas importante. O curso de Economia exige um esforço de aprendizado em métodos quantitativos, prepare-se para isso.
O ensino de Economia no Brasil é dividido entre poucas universidades que buscam ensinar o mais próximo possível da "fronteira" da economia, enquanto muitas ensinam os clássicos. Existe um projeto pedagógico melhor? (Iago Caruso)
FRAGA: Os clássicos são importantes, mas sugiro não fugir da fronteira, sob pena de reduzir as opções de trabalho. O Rio oferece uma boa gama de opções, vale a pena se informar antes de escolher.
Qual a importância da matemática no estudo da Economia? É preciso mesmo grande habilidade nela ou isso é um estereótipo? A carreira também envolve sociologia e história? (Andrezza Lima)
FRAGA: Como eu disse antes, os métodos quantitativos têm um papel importante na Economia, e a matemática é necessária. Para quem não pretende seguir carreira de pesquisa, a matemática é limitada, mas, nas melhores universidades, aproxima-se dos padrões dos primeiros anos do curso de Engenharia. De qualquer forma, penso que uma boa formação nas humanas é essencial, pois, não apenas forma bons economistas, mas pessoas melhores.
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