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domingo, 31 de agosto de 2008

Dia do Trabalho

Segunda-feira é feriado aqui nos EUA. É o Dia do Trabalho. Basicamente, é o feriadão que marca o fim do verão.

De acordo com o site do Departamento de Trabalho:

Labor Day, the first Monday in September, is a creation of the labor movement and is dedicated to the social and economic achievements of American workers. It constitutes a yearly national tribute to the contributions workers have made to the strength, prosperity, and well-being of our country.

Queres saber mais sobre o Labor Day? Basta clicar AQUI.

sábado, 30 de agosto de 2008

Hilário Eleitoral Gratuito

Estou aqui em Philly ainda. Aqui só se fala do Obama e da vice do McCain. Mas é óbvio que as eleições para prefeitos e vereadores no Brasil são muito mais interessantes. O Laurini também concorda comigo, o Hilário Eleitoral Gratuito deveria durar o ano todo.

Por todo o Brasil é sempre aquele horário divertido em que os candidatos mais doidos do país tentam arrumar uma mamata.

Ainda bem que semana que vem me mando pra Porto Alegre pra ver os candidatos. Enquanto isso o Miguel Mossoró é candidato lá em Natal. Dêem uma olhada na pinta do cidadão. Além disso, o vídeo dele inicia com um take de 5 segundos do famoso eski-bunda de Natal. E ele conclui: "Natal tá sem Otôridadi!" Confira clicando AQUI. Muito bom, valeu Erik.

PS: O que esse post tem a ver com economia? Nada!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cerveja e Incentivos

O que você faria se perdesse a prova final de 113 alunos? E se o curso que você leciona fosse um dos mais difíceis do curso de Administração de Empresas? E se além disto, você estivesse na Alemanha, terra cheia de regras e burocratas?

Boas perguntas, não? O episódio aconteceu de fato. E o desenrolar da confusão foi este AQUI.

Bom final de semana!

Arena ou Estádio?

Em um período de renovação de estádios para a Copa do Mundo de 2014, uma pergunda econômica deveria ser feita. Qual a diferença, do ponto de vista econômico, existe entre uma Arena (está usado somente para futebol) ou um Estádio (usado para múltiplos eventos)?

A arena seria um estádio menor usado somente para futebol, como é o caso da Vila Belmiro e da Kyocera Arena (do CAP). Já o estádio multi-funcional (com pista de atletismo, capacidade para abrigar shows, chegada do Papai Noel, e etc) seria o caso do Morumbi ou do Beira-Rio. Os dois modelos têm suas vantagens e desvantagens.

Dei uma procurada nos artigos recentes e eoncotrei isto:

Large sports stadia construction follows two different general concepts: (1) Mono-functional arenas which are specially suited for one sport exclusively and which are characterised by the absence of an athletic track. (2) Multifunctional sports stadia which can be used for different sporting or cultural events. Officials of clubs often argue that the atmosphere in an arena is significantly better than that of a multipurpose facility and that spectators prefer such an atmosphere. Estimated panel regressions with fixed effects show a significant positive effect of a mono-functional soccer stadium on spectator demand. Controlling for other demand determinants in the German professional soccer league, Bundesliga, an isolated effect of around 4,800 additional spectators a game can be found. This translates into a substantial increase of about 18.7% against the mean value of 25,602 spectators per Bundesliga game.

Ficou interessado? Leia o artigo clicando AQUI.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Última Aula

Hoje é a última aula do meu curso de Princípios Macroeconômicos. Estou procurando matérias em jornais (eletrônicos) para tentar mostrar aos meus alunos tudo que eles aprenderam.

Falarei sobre esta matéria AQUI, esta AQUI, esta outra AQUI e também sobre esta AQUI.

A idéia é tentar mostrar que o que eles aprenderam é importante. Acho que será divertido...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Michael Schumacher

Estou usando a estratégia do Schumacher. Antes de parar nos boxes estou dando um gás nas coisas que tenho que fazer e entregar. Eu sei, o blog vem caindo um pouco de qualidade, variedade e quantidade.

A idéia é deixar alguns posts preparados durante a semana que vem, para aproveitar bem as duas semanas de férias. Antes disso trabalho duro finalizando minhas pendências...

Desvendando a Inflação

Do Invertia:

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) - utilizado em reajuste de aluguéis - registrou em agosto a primeira deflação mensal desde 2006, refletindo o forte recuo dos preços dos alimentos no início da segunda metade do ano. O índice registrou queda de 0,32%, depois de ter subido 1,76% em julho, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.

Para entender este movimento é preciso notar o seguinte. No atacado, itens como soja e milho em grãos reverteram os movimentos de alta e caíram 13,32% e 11,46%, respectivamente. No lado do consumidor, a principal contribuição veio do grupo Alimentação, onde produtos como hortaliças e legumes tiveram uma queda de 6,51% nos preços. Mas um índice que compões 10% do IGP-M, o INCC, não caiu muito. O INCC apresentou variação positiva de 1,27%, após alta de 1,42% em julho.

O que isso significa. No lado dos alimentos, significa que o aumento de preços foi de certo modo temporário. Na medida que as economias asiáticas reduziram a taxa de crescimento, assim como os EUA e Europa, os preços cederam. Ajudada por algumas variações internas, é verdade.

No lado da demanda interna, significa que ainda há pressão. Principalmente no setor de construção civil. É sabido que o mês de Julho é mês de aumento salarial para os trabalhadores deste setor, então já era esperada uma alta no mês passado. Por isso, o item Mão-de-Obra saiu de 1,27% para 0,25% de aumento. Entretanto, o item Materiais teve crescimento de 2,51%, perante o 1,65% do levantamento anterior.

Ou seja, o mercado de construção civil está aquecido, principalmente a demanda por Materiais. Essa demanda aquecida tem duas consequências. Além de pressionar a inflação e aumentar o nível de emprego (já que é um setor que usa muita mão-de-obra em sua produção), a alta vai atingir os tomadores de financiamentos, dado que muitos financiamentos de habitação são indexados pelo INCC. Esse movimento pode ascender um sinal amarelo no mercado de crédito imobiliário. É esperar para ver...

Leia mais AQUI e AQUI.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

LACEA e LAMES 2008

O Encontro do LACEA/LAMES será no IMPA, entre os dias 20 e 22 de Novembro de 2008. O prazo de submissão de artigos foi extendido para o dia 30 de Setembro e o site já está disponível: http://lacealames2008.fgv.br

Segue uma "pequena" lista com os palestrantes confirmados:

Fernando Alvarez (U Chicago), Paul Antras (Harvard U), Mark Armstrong (UCL), Orazio Attanasio (UCL), Jean Marie Baland (FUNDP), Richard Blundell (UCL), Ernesto Dal Bó (UC Berkeley), François Bourguignon (PSE), Guillermo Calvo (Columbia U), Pierre-Andre Chiappori (Columbia U), Harold L. Cole (UPenn), Pierre Dubois (U. Toulouse), Lena Edlund (Columbia U), Raquel Fernandez (NYU), John Geanakoplos (Yale U), Paul Gertler (UC Berkeley), Maitreesh Ghatak (LSE), Mikhail Golosov (MIT), Gita Gopinath (Harvard U), Ricardo Hausmann (Harvard U), Elhanan Helpman (Harvard U), Alberto Holly (U Lausanne), Nir Jaimovitch (Stanford U), Nobu Kiyotaki (Princeton U), Felix Kubler (Zurich U), Edward P. Lazear (Stanford U), Dean Lueck (U Arizona), Mark Machina (UCSD), Giovanni Maggi (Princeton U), George Mailath (UPenn), Eric Maskin (Institute for Advanced Study), Preston McAfee (California Institute of Technology), David Martimort (U Toulouse), Costas Meghir (UCL), Roger Myerson (U Chicago), Ariel Pakes (Harvard U), Rohini Pande (Harvard U), Edward Prescott (Arizona State U and FED Minneapolis), Matthew Rabin (UC Berkeley), Jean-Charles Rochet (U Toulouse), Andrés Rodriguez-Clare (Penn State U), David Salant (Columbia U), Yuliy Sannikov (UC Berkeley), José Scheinkman (Princeton U), Karl Schmedders (Northwestern U), Ilya Segal (Stanford U), Chris Sims (Princeton U), Michael Spence (U Oxford), David Strömberg (IIES), Thierry Verdier (PSE), Xavier Vives (Institut d’Anàlisi Econòmica), Quang Vuong (Penn State U) e Frank Wolak (Stanford U).

PS: Confiei nas afiliações que recebi na lista por email.

Fantasy Football

Estou naquele período pré-férias. Em poucos dias entro de férias por duas semanas e antes disso tem o Labor Day. A diversão do meu segundo semestre é o Fantasy Football. A idéia é a mesma do Cartola (do Globo Online) e do Eu F.C. (do ClicRBS) mas com futebol americano. Você escolhe jogadores e vai ganhando pontos ao longo da temporada. Obviamente, você pode rever a estratégia, negociando jogadores, a cada rodada.


Ano passado fiquei em terceiro na temporada regular (entre 14 times). Recebi o dinheiro que apostei de volta, mas caí no primeiro round dos playoffs.

Vamos ver esse ano. Amanhã à noite é o meu draft - o dia em que você escolhe os jogadores. A ordem de escolha é por sorteio, e como tem 14 equipes, o bom é ficar mais no meio, creio eu. Daí você consegue arrumar um plantel mais equilibrado em cada posição, mas certamente sem estrelas.

Já montei uma tabelinha em Excel e tenho lido revistas e tal. Vocês não fazem idéia da indústria que existe por trás disso. Existe até consultoria para fantasy football. Pagando 60 dólares você recebe avisos no celular e dicas para o draft. A garantia de vitória é de 85%.

Pois bem, na quinta-feira vou deixar aqui a minha lista de jogadores. No final da temporada eu deixo o resultado.

Acho que todo o economista gosta de jogos de estratégia. Vai ser divertido. É uma boa distração para encarar os finais-de-semana de inverno...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Polity IV

Muitos economistas acreditam que as instituições influenciam o desenvolvimento/crescimento dos países. Uma das instituições mais estudadas é a forma de governo (democracia, autoritarismo,...). Uma base de dados que é usada com bastante freqüência em estudos econômicos é a Polity IV.

Ela disponibiliza uma medida de democracia/estabilidade para vários países. Como pode ser visto no gráfico acima, a democracia tem ganhado espaço após a queda da União Soviética e do Muro de Berlim.

Fica aí a dica. Acesse o Polity IV clicando AQUI.

Putin e o Almoço Grátis

Daí, com a baderna lá na Georgia, a Rússia resolve dar uma de durona e anuncia que pode cancelar alguns dos acordos comerciais que preparavam o país para a sua entrada na OMC. Qualquer aluno de primeiro semestre de economia lê três parágrafos no livro do David Ricardo e aprende que o comércio internacional melhora a economia de um país, mas pode levar a uma diferente distribuição de renda entre os setores produtivos (agricultura vs. indústria, por exemplo).

Vejam só, então, o que diz o governo russo:

O premiê reiterou objeções prévias da Rússia para entrar na OMC, afirmando que o processo de adesão está sendo um fardo para a agricultura do país. "O que acontece é que não vemos ou sentimos quaisquer benefícios em nos tornarmos membros da OMC, e se há algum benefício, não é de graça", afirmou Putin. "Precisamos esclarecer as coisas com nossos parceiros comerciais. Precisamos pensar mais seriamente sobre proteger nossos produtores", acrescentou.

Daí eu larguei de mão né? O camarada não entendeu muito bem um dos princípios básicos da economia internacional, mas pelo menos entendeu um princípio econômico básico: "There is no such thing as a free lunch"!

É impressionante. Os caras vão dar um tiro no pé. Quer dizer, já não me impressiono tanto assim...

Leia mais AQUI.

sábado, 23 de agosto de 2008

SDE e Barreiras à Entrada

Direto da Folha (via Veja):

Após 14 meses de análise de "provas" e indícios, a Secretaria de Direito Econômico abriu processos administrativos contra Vivo, Claro, Oi e TIM, que, juntas, têm 80,6% do mercado de celulares, pela suposta prática de um "cartel soft" e condutas lesivas à ordem econômica. A infração às leis de concorrência seria a cobrança de VU-M (Valor de Remuneração do Uso de Rede Móvel) pelas teles, cerca de R$ 0,40 o minuto.

Sempre que uma chamada é direcionada a um celular, é cobrado esse preço da operadora responsável pelo telefone de origem. Ou seja, se um usuário liga de um Claro a um Oi, a Claro paga a VU-M para a Oi. O mesmo vale quando a chamada tem origem num telefone fixo. A VU-M representa 50% do faturamento das operadoras de telefonia móvel, ou cerca de R$ 11,23 bilhões só em 2007.

Em suas análises, a SDE verificou que o valor cobrado pelas teles para o uso de suas redes representa o principal fator de concorrência no mercado.

No Brasil, o problema encontrado pela SDE é que as quatro maiores operadoras de celular cobram valores altos pelo uso da rede e oferecem baixas tarifas ao público. No curto prazo, o consumidor ganha com uma conta barata, mas, no longo prazo, a saída de concorrentes menores prejudicados pelo alto custo do uso da rede reduz a concorrência.

Esse é um típico caso de barreira à entrada, via alto custo fixo. Para uma nova empresa entrar nesse mercado ela tem que instalar uma grande rede, antes de mais nada, para poder receber uma receita via VU-M. Por outro lado, a VU-M é uma forma de pagar os custos com a instalação da rede. Uma situação complicada para a ANATEL, SDE, SEAE e CADE.

Livros de Economia

Quando eu fiz a graduação eu comprei poucos livros. Mas acho que comprei os mais importantes. Para microeconomia eu usei o livro do Pindyck & Rubinfeld e também o livro do Hal Varian. Em macroeconomia, eu usei o livro do Mankiw e o livro do Sachs & Larrain.

Acho que esses quatro livros eram os mais importantes na época (final dos anos 90). O Greg Mankiw agora também tem um livro de microeconomia. É um livro mais básico, usado em cursos de microeconomia para não-economistas. O livro é top de vendas aqui nos EUA, junto com o seu outro livro de macro na versão também simplificada (que é o livro que uso no meu curso lá em Drexel).

Dê uma olhada no ranking da Amazon para livros de economia. Clique AQUI (atualizado de hora em hora).

PS: Ok, chega de rankings...

America's Best Colleges 2009

Saiu o ranking da U.S. News com a lista das melhores universidades dos EUA. É um ranking que avalia a universidade de acordo com vários critérios, incluindo: notas dos alunos, quantos alunos eram Top 10 na sua escola de origem, percentual de professores que são full-time, tamanho das turmas, etc.

Como eu falei antes AQUI, existe uma alta correlação entre a qualidade da universidade e a qualidade do departamento de economia (veja esse ranking AQUI).

Confira o America's Best Colleges 2009 clicando AQUI.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Dicas de Blogs e Sites

Estou devendo algumas dicas de blogs e sites. Segue uma listinha de alguns que tenho visitado:

- Resenhas, blog de uma estudante de economia de Fortal, CE.
- Ph Ácido, um blog que se propõe a ser do contra.
- Abulafia: Política, Economia, Religião e Cotidiano.
- International Education Statistics, um blog sobre educação.
- Nation Master, dados sobre países.
- Economics, outro blog de economia...

Bom final de semana!!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Chope Sem Álcool

Direto do Globo Online:

RIO - Depois da Lei Seca, que entrou em vigor no dia 20 de junho, as vendas de cerveja sem álcool estouraram e as fabricantes correram para lançar o chope também sem álcool. E quem saiu na frente foi a Femsa Cerveja Brasil, responsáveis, entre outras, pela marca Sol e Kaiser. A empresa lança na próxima sexta-feira o chope Sol sem álcool nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Essa é uma das características que eu mais gosto na ciência econômica. Ela faz todo o sentido. Quando existe demanda por um produto e o custo de produção é relativamente baixo o mercado trata de produzir o bem. Excelente!

A questão da Lei Seca é um grande exemplo de como mudanças nas leis afetam preços, preços relativos, demanda, oferta, equilíbrio ... uma grande oportunidade para professores de microeconomia darem exemplos do mundo real.

PS: Fiquei na dúvida, o correto é chopp ou chope? Vou ficar com a forma mais "aportuguesada".

Iniciação Científica

Alguns dados sobre bolsa de Iniciação Científica do CNPq:

- 79% dos ex-bolsistas de Iniciação Científica se titulam no mestrado até 29 anos.

- Cerca de 25% dos ex-bolsistas entram no mestrado com bolsa do CNPq.

- Em 2008 o total de bolsistas de iniciação científica (PIBIC, IC, PIBIT) é de 21 mil. Além disso, são mais de 8 mil estudantes envolvidos na Iniciação Científica Júnior.

Dados interessantes para quem pretende ficar na academia e está iniciando a graduação.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Matemática da Licença Maternidade

A nova discussão é ampliação da licença maternidade de 3 para 6 mêses. Esqueçamos momentaneamente as recomendações da OMS, efeitos do aleitamento materno sobre o bebê, etc, que obviamente são importantes.

Essa mudança implica o aumento do diferencial de salários entre homens e mulheres. Queres ver? Matemática simples, e portanto não necessariamente a melhor forma de se calcular, mas vamos lá:

Suponha inicialmente que um homem trabalhe dos 20 aos 50 anos - 30 anos - recebendo o salário de 1.000 reais por mês - constante no tempo e a inflação é zero.

Agora vamos ver qual deverá ser o salário da mulher. Espera-se que uma jovem de 20 anos, tenha em média 2 filhos ao longo de sua vida. Logo, 1/30 do benefício que a empresa paga não se transforma em lucros. A receita média de uma mulher que tem a produtividade igual a de um homem é portanto 29/30 a receita esperada de um homem - já que ela fica 1 ano sem trabalhar. Logo, a empresa se antecipa à essa perda e oferece um salário menor, no caso o salário seria 966.66 reais - 3.3% menor que o do homem.

Esse é um cálculo simples, mas que demonstra o efeito econômico da extensão do período de aleitamento materno sobre o diferencial de salários entre homens e mulheres.

Restrição Orçamentária Intertemporal

A restrição de crédito aqui nos EUA está cada dia maior. A vez agora é dos cartões de crédito. Como eu explico aos meus alunos de ECON202: cartão de crédito não é moeda, é empréstimo de curto prazo. E é assim que os bancos tratam este tipo de transação. Direto da Money CNN:

Credit card debt, like mortgage debt, gets bundled, securitized, and sold off by banks. Citigroup (C, Fortune 500), one of America's largest credit card lenders, just reported that it lost $176 million in the second quarter through securitizing such debt. That happens when the buyers of those securities observe rising delinquency rates and rising interest rates, and decide the debt is worth less than Citi thought. More generally, the amount of credit card debt that is securitized nationwide has plunged by more than half in the past five months because it's getting riskier. That means credit card issuers will be charging customers higher interest rates, and since the banks can't offload as much of the debt as before, they'll have less money to lend to cardholders.

É meu caro, a restrição orçamentária intertemporal vai dar uma mudada. Trazer renda futura para o presente custará mais caro daqui para adiante nos EUA. Leia mais AQUI.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Números da Lei Seca

Direto do Globo Online:

Um levantamento da secretaria estadual de Saúde, divulgado nesta terça-feira, aponta uma redução de 9 mil no número de vítimas de acidentes de trânsito na Grande São Paulo. De acordo com a secretaria, o número de atendimentos em 30 hospitais estaduais da região foi 49,2% menor nos dois primeiros meses de vigência da lei, na comparação com o período imediatamente anterior à entrada em vigor da medida, que proíbe os motoristas de dirigir após beber. Com isso, cerca de 9 mil pessoas deixaram de ser atendidas por causa de acidentes nos últimos dois meses.

Quer saber a o que a teoria econômica diz sobre o assunto? Leia o e-book sobre a Lei Seca clicando AQUI, é "de grátis" e eu agarântiuuuu!

Crédito Educativo: ProUni e FIES

Direto da Folha Online:

Dados tabulados pelo pesquisador Simon Schwartzman, do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), com base no Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), aponta que houve um aumento de 49% na proporção de universitários com renda familiar mensal de até três salários mínimos - de 10,1% para 15,1% - entre os anos de 2004 a 2006.

Segundo a reportagem, isto é reflexo de três fatores: o ProUni, aumento de vagas e expansão da classe média.

O ProUni é o programa federal de bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. É um crédito educativo que o aluno nunca paga. Quem paga a educação do aluno é o contribuinte. Isso aumenta a demanda, obviamente. E com isso vem o aumento do preço, e em seguida a maior oferta (aumento de vagas).

O crédito educativo - financiamento em que o aluno paga o empréstimo somente depois que se forma - é uma política mais inteligente. Já, que o aluno toma parte do risco. No caso do ProUni, existe um incentivo ao abandono, já que o custo é zero.

O crédito educativo cria não só os incentivos à conclusão, como também a um melhor desempenho, já que os alunos acumulam uma dívida e se esforçarão para arrumar um bom emprego que pague o suficiente para pagar a dívida. Além disso, cria uma competição por melhor qualidade no ensino. Faculdades que colocam melhor seus alunos no mercado de trabalho teriam maior demanda. Esse modelo existe no Brasil, apesar de pouco conhecido/divulgado.

O governo (via CAIXA) tem o FIES (Programa de Financiamento Estudantil), criado em 1999, no fim do governo FHC. Este programa foi deixado de lado por um tempo. Voltou a crescer a partir de 2005, quando os alunos com bolsas parciais do ProUni passaram a poder usar o sistema. Na verdade, eles tem prioridade no financiamento.

O FIES me parece um modelo mais interessante. Pelo menos do ponto de vista econômico.

Leia mais AQUI e AQUI.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O Choro de Jade

O Brasil voltou sem medalhas na ginástica olímpica. No feminino chegamos perto, mas as chinesas, russas, americanas, romenas insistiam em não errar. Talvez por que estavam com melhor preparação física, melhores recursos para treinamento, etc.

Mas, talvez porque recebam mais recursos das emrpesas privadas e dos governos de seus países. Acho que se uma atleta vai para uma competição, ela deve receber o mínimo de apoio financeiro do governo, já que está fazendo uma grande propaganda do país. Ou simplesmente como prêmio pela qualificação olímpica, o que despertaria nas crianças mais jovens a paixão pelo esporte e resultaria em todas as externalidades positivas que a prática de atividades físicas proporciona.


Você acha que a Jade Barbosa decepcionou? Bem, quem sabe ela estava pensando que precisava muito vencer para arrumar patrocínio e ajudar a família financeiramente. Acabou se desconcentrando. Acho normal, e acho que ela foi muito bem. Estava entre as melhores. Ah, você acha que não? Então leia isso AQUI e depois deixe o seu comentário. Eu também choraria...

Financiando o Timão

O seu time não tem estádio? Joga no estádio da prefeitura? Uhm, interessante. Este é um bom debate econômico. A pergunta seria esta: Será que para as prefeituras é lucrativo ter um estádio? Será que o seu imposto é bem investido ao dar subsídios para a contrução de estádios públicos? Fique atento, vem aí a Copa de 2014 e com certeza governantes vão propor a criação de estádios.


Os dados do site da CBF mostram o seguinte para o atual campeonato brasileiro (ao fim do primeiro turno). Os cinco estádios com maior média de público são, nessa ordem, Olímpico, Maracanã, Beira-Rio, Couto Pereira e Ilha do Retiro. Somente o Maracanã é público.

Já em arrecadação média a ordem é: Olímpico, Palestra Itália, Maracanã, Couto Pereira e Kyocera Arena. Novamente, o único estádio público é o Maracanã. Claramente, a torcida do Flamengo puxa a média do estádio - usado também pelo Fluminense, e algumas vezes por Vasco e Botafogo - para cima. Esses dados também não contam os jogos no Pacaembú, que são na Série B.

Nota-se, portanto, que a propriedade do estádio é um importante fator gerador de renda para o clube. Seria também uma boa fonte de recursos para prefeituras?

É óbvio que somente a arrecadação não é um bom indicador, mas dá uma idéia de volume de recursos transacionados. E o objetivo para a prefeitura são os impostos arrecadados. Claramente um estádio gira muitos recursos.

A evidência empírica, porém, aponta contra os subsídos à times e estádios. Pelo menos é o que diz esse artigo AQUI:

An analysis of taxable sales in Florida cities demonstrates that none of the 6 new franchises or 8 new stadiums and arenas in the state since 1980 have resulted in a statistically significant increase in taxable sales in the host metropolitan area.

Interessante, não?

Leia o artigo clicando AQUI.

domingo, 17 de agosto de 2008

Dia do Economista

O Dia do Economista passou batido. Foi dia 13 de Agosto. Segundo os conselhos de economia brasileiros, eu não sou economista. Sou apenas um mestre em economia, não economista. De qualquer modo, deixo meus parabéns aqueles que estudam economia, são formados em economia, e também para aqueles que pagam rigorosamente seus conselhos regionais.

Na verdade, acho uma bobagem esse negócio de monopólio dos economistas sobre as profissões de economia. Acho que é valido para as ciências da saúde, tipo medicina, odontologia, etc. Nestes casos, existe risco de vida do consumidor e é válida certa regulação, e até um monopólio regional da regulação. Para outras ciências, isso é meio complicado.

Por que um engenheiro ou um administrador de empresas não pode entender mais de economia do que um economista formado à "cuspe e giz" em uma faculdade picareta? Ou ainda, por que um economista nõa pode saber mais de alocação intertemporal de recursos do que um atuário, ou mais estatística que um estatístico, ou mais contabilidade que um contador? Algo me diz que a perda de eficiência pode ser grande. Mas, não quero me alongar nesse assunto porque ele é muito chato...

Enfim, parabéns à todos.

Matemática e Economia

Está rolando na blogosfera uma discussão sobre o uso (e ensino) da matemática na economia. Não vou entrar na discussão. Deixo apenas aqui o link para um resumo da ópera. Clicando AQUI você acessa um post muito legal e ainda ganha um índice para os demais posts na blogosfera acadêmica.

PS: Não entrarei no debate pois acho a discussão vazia. Não existe economia sem uma profunda representação matemática - listando hipóteses e conclusões. Em 1947 o Paul Samuelson já sabia disso. Caso contrário, fica complicadíssimo de se discurtir economia, já que as hipóteses estão obscuras ou variam conforme a conveniência. Mais ainda, quanto mais simples os modelos melhor. Se os modelos, porém, não replicam os dados, joga-se fora o modelo, não os dados.

PS: sim, sim... Paul Samuelson também é um cidadão ilustre de Gary (Indiana), assim como Joseph Stiglitz, Michael Jackson e os outros integrantes do Jackson 5.

sábado, 16 de agosto de 2008

Os Axiomas da Bolsa de Valores

Direto do Monitor Investimentos: Os Axiomas da Bolsa de Valores. Cada um seguido de um contraponto. Muito divertido. Seguem alguns dos axiomas:

"A tendência é sua amiga"
Mas contrariá-la às vezes pode render bem mais.

"Pior que ganhar pouco ou não ganhar nada, é perder"
Pior ainda é perder muito.

"Olhe para o gráfico com olhos de criança"
E continue não entendendo nada!

"Encare a perda com serenidade"
Só chore quando estiver sozinho!

"Não queira se tornar milionário da noite para o dia, mas queira se tornar milionário dia após dia"
Ou então vai operar no mercado japonês que funciona até de madrugada!

Muito divertido. Leiam mais axiomas (e contrapontos) clicando AQUI.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dica de Journal: Applied Econometrics

Um journal interessante para quem gosta de econometria aplicada é o Journal of Applied Econometrics.

A parte dos dados do journal é organizada pelo pessoal do departamento de economia da Queen's University. O atual editor é o M. Hashem Pesaran, da Universiy of Cambridge.

O lance legal é que o journal mantém esse site com todos os dados e programas que foram usaados nos trabalhos publicados desde 1995. Vale muito a pena dar uma conferida nos trabalhos, no mínimo para aprender um pouco sobre programação.

Confira os papers AQUI e os dados/programas AQUI.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Material de Matemática

A prova da ANPEC se aproxima. Já deixei AQUI o material de micro que eu havia preparado dois anos atrás. Deixo agora o link para o material de matemática que eu preparei ano passado. São duas aulas. Os tópicos são:

- Álgebra Linear (Aula 1)

- Funções, Limites, Continuidade, Teorema do Valor Intermediário, Derivada, Teorema do Valor Médio e a Regra de L’Hôpital, Derivada Parcial, Gradiente e Diferencial Total, Teorema da Função Implícita e Teorema da Função Inversa. (Aula 2)

Divirtam-se! Encontrando erros, por favor me avisem!

Economia Olímpica

Muito dinheiro é investido nas Olimpíadas. Eu achei um post da Barbara Kiviat, da TIME, muito interessante. Ela fala sobre como a taxa de crescimento do PIB de alguns países que sediaram os Jogos Olímpicos no passado caíram no ano seguinte.


A explicação seria a seguinte:

A key factor in post-Olympic economic performance is the size of the country and the share of the economic pie held by the host city," said Morgan Stanley in a report. Seoul, Barcelona and Sydney are bigger in proportion to their national economy, which is why the setback was bigger, it said.

Faz todo o sentido. Acontece que Pequim (ou Peking, ou ainda Beijing) não é muito grande com relação ao PIB chinês:

Global pundits who discount the hangover theory say the Chinese capital accounts for just four percent of GDP ― much less than 25 percent for Seoul ― which could be easily offset by growth in the rest of the country.

É isso aí gurizada, um pouco de economia regional é sempre bacana. Leia o post completo - com direito a graficos bacanas - clicando AQUI.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Saldo Externo

No momento em que o preço do petróleo cede e as commodities agrícolas também apresentam forte quedas de preços, alguns economistas têm argumentando que isso traz uma desvantagem: a redução do saldo externo.


Aparentemente o raciocínio faz sentido. Uma diminuição das exportações líquidas - ceteris paribus - diminuiu o PIB. Acontece, que uma mudança de preços relativos das commodities aumenta a renda dos consumidores e permite que eles comprem outros produtos, aumentando o PIB.

Na verdade, temos que pensar em aumentar as importações, e não diminuí-las. Aumentando importações diminuímos a pressão sobre os preços internos e ainda compramos bens de capital para aumentar a produtividade interna. Compramos novas máquinas e tecnologias.

Note que a redução das exportações líquidas pode ser compensada com um aumento do consumo e do investimento. É aquela coisa: Y = C + I + G + (X-M). Se (X-M) cai, podemos ter um aumento do C e do I.

Enfim, um déficit em transações correntes não é um problema. É uma circunstância, muitas vezes importantíssima para o desenvolvimento econômico. Pense nisso!

Poupando Saliva

Eu nunca gostei dessa estória de:

- Ah, eu sou liberal! Keynes era o cara!
- Ai, gente, mas eu sou maaaaais liberal ainda! Eu sou libertário!
- Humf, eu sou de esquerda! Viva a mais-valia relativa!
- Eu sou monetarista! Free to Chooooose!!
- Vocês não sabem nada! Agora o lance é ser new-keynesian!

Daí o Christian Wolf, do Econosheet, larga uma frase ótima:

É comum eu discutir com o pessoal de esquerda que acha que eu tenho que concordar com qualquer autor que seja famoso e liberal. O cara ser liberal não impede ele de dizer besteira.

É uma pura verdade. No momento que o camarada coloca uma etiqueta na testa, em geral acabará tendo que ouvir esse tipo de argumento.

Segue aqui um pequeno conselho. Se você é um estudante de economia, procure evitar esse tipo de discussão. Só traz ruga na sua testa. Reponda o seguinte:

- Em alguns temas eu sou liberal. Em outros, eu sou mais conservador. Em alguns temas é verdade que o estado pode ter um papel importante no desenvovimento econômico, em outros a teoria econômica nos ensina que não. Eu sou eu mesmo, tenho minha própria opinião e não sou viúvo de nenhum economista.

Sua graduação será muito mais tranquila, sem ter que entrar em conflito com nenhum grupo ranzinza - em geral, seguidores de economistas mortos. Falo por experiência própria. Poupa muita saliva. Se eles não entenderem, faça de conta que o seu celular está tocando, peça licença e saia de fininho. Não vale a pena perder tempo discutindo com crentes.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Preço do Petróleo: Almir Barbassa

Almir Barbassa, CFO da Petrobás, deu uma enrevista pra Bloomberg. Segundo ele, o preço deve deverá ficar próximo dos US$ 100.00 o barril. Ele fala também do método que a Petrobrás usa para determinar preços internos, sobre a valorização do Real, e sobre as perspectivas para a Petrobrás e para economia brasileira.

É interessante como parece que esses caras revelam mais informação quando são entrevistados por emissoras americanas. Interessante.

Veja a entrevista AQUI.

Mercado de Doações

Aqui nos EUA existe uma procura muito grande por "doação" de esperma e óvulos. Acho que tem a ver com a maior renda e planejamento familiar. Agora que a economia está indo meio mal, a oferta de óvulos está aumentando. Direto da ABC:

A bartender from Chicago, Stephanie works two jobs and wants to go back to college to study biology. After her roommate donated her eggs to a fertility clinic, Stephanie, who asked that her real name not be used to protect her privacy, said she decided to help an infertile couple and make $7,000 in the process.

Esse valor, de 7,000 dólares, é mais ou menos o preço médio da "doação". Mas, se você olhar os jornais com cuidado, é possível encontrar anúncios que pagam até US$ 20,000 por óvulos de doadoras que satisfazem certas características físicas, religiosas e também de acordo com o nível educacional.

É isso aí meu caro. Choques exógenos também afetam a oferta de óvulos e o produto é diferenciado. E eles ainda chamam de doação...

Aula de Trade: Kenneth Rogoff

O professor de Comércio Internacional em Harvard é Kenneth Rogoff. Na semana passada ele deu uma entrevista para a Veja. Ele falou sobre o fracasso da Rodada de Doha, subsídios agrícolas nos EUA, participação do setor agrícola no parlamento e o risco de retrocessos no processo de abertura comercial. Uma aula de Trade.

Leia a entrevista na íntegra clicando AQUI.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Adeus ao Custo Baixo Chinês

A desaceleração econômica americana está puxando a China. Juntamente com os problemas de inflação interna e câmbio, a China agora enfrenta a sua própria desaceleração econômica. O resultado se reflete no preço do petróleo. Direto da Bloomberg:

China's July crude-oil imports fell 7 percent to about 3.25 million barrels a day, the lowest since December, the Beijing-based Customs General Administration of China said in a posting on its Web site today. China is the world's second-biggest oil consumer. The U.S. is the biggest.

"The primary driving factor of the market is the sluggish economy," McGillian said. "We are looking for any evidence that the economic contagion in the U.S. and Western Europe is spreading to the Far East, where demand has been strong. The Chinese demand numbers today may be a sign that demand is starting to flag in Asia."


Nada como a boa economia globalizada. E um fator importante foi o aumento dos custos de produção na China, conhecida por ter custos muito baixos - especialmente de mão-de-obra. Segundo a CNN:

Once the epicenter of low-cost manufacturing, China is becoming an increasingly expensive place to do business, thanks to a series of sweeping mandates introduced to pacify discontented Chinese citizens and global critics.

Leia mais AQUI e AQUI.

A Resposta de Cochrane

Como alguns de vocês já devem estar sabendo, a Universidade de Chicago decidiu criar o Milton Friedman Institute (MFI). O centro será semalhante ao Hoover Institute, de Stanford (mais detalhes veja no site: http://economics.uchicago.edu).

Isso significa uma bolada de 200 milhões de dólares para pesquisas em Economia e Business.

A criação do intituto tem gerado protestos de outros departamentos. Os professores contrários à criação do MFI escreveram uma carta ao presidente da Universidade. Obviamente, não há professores dos departamentos de Física, Matemática ou Medicina entre os que assinaram a carta. Você pode imaginar de quais departamentos vêem os signatários.

O link abaixo é a resposta de John Cochrane (da GSB de Chicago). Ele comenta, parágrafo por parágrafo, a carta recebida pela reitoria. Alguns pontos são bem divertidos. No link abaixo também encontra-se um link para a carta original. Divirtam-se.

Acesse a carta clicando AQUI.

PS: Contribuiu Jaime de Jesus Filho (The University of Chicago)

domingo, 10 de agosto de 2008

Lei dos Grandes Números e Futebol

Após a vitória do Grêmio, ontem contra o CAM, a seguinte estatística/fato apareceu nas reportagens esportivas:

Desde o início da disputa do brasileiro em pontos corridos, sempre o líder do primeiro turno conquistou o título máximo no final do ano.

É uma estatística interessante, e que certamente irá motivar o torcedor gremista. Mas os torcedores de Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras, Flamengo e Vitória continuarão tranquilos.

Eles conhecem a Lei dos Grandes Números. Um fato desses, que possui apenas 5 observações, é como um tabu que está esperando para ser quebrado. A amostra é muito pequena, dando pouca significância estatística ao fato.

De qualquer forma, outros dados apontam para uma esperança tricolor. Em um Campeonato Brasileiro, que parece ser o mais equilibrado da era de pontos corrido, qualquer estatística positiva deve e será usada pelo Professor Celso Roth para motivar seu jogadores. Mas daí, já entra no campo das behavioural sciences e eu tô fora...

sábado, 9 de agosto de 2008

A Concorrência é a Alma do Negócio

Direto da CNN:

Retail gasoline prices fell, on average, a penny overnight, extending declines for the 23nd straight day, a survey of gas station credit card swipes showed Saturday.

The national average price for a gallon of regular gas fell to $3.826 from $3.836 the previous day. That's down 7% from the record high of $4.114 that gas prices hit on July 16.

Essa é a beleza do setor de distribuição de combustíveis aqui nos EUA. Cada vez que o barril de petróleo muda de preço, mudam também os preços da gasolina, combustível de aviação e demais derivados.

Grande parte dessa concorrência vem do fato que os donos dos postos são independentes. Eles podem comprar a gasolina de qualquer distribuidora. Logo, existe uma concorrência também na distribuição/refino e na comercialização.

Dicas de artigos acadêmicos sobre o assunto:

Dahlstrom e Nygaard (1994) A Preliminary Investigation of Franchised Oil Distribution in Norway, Journal of Retailing, Vol. 70, No. 2, pp. 179-191.

Shepard (1993) Contractual form, retail price, and asset characteristics in gasoline retailing, RAND Journal of Economics, Vol. 24, No. 1, pp. 58-77.

Balss e Carlton (2001) The Choice of Organizational Form in Gasoline Retailing and the Cost of Laws that Limit that Choice, Journal of Law and Economics, Vol. 54, pp. 511-524.

Slade (1996) Multitask Agency and Contract Choice: An Empirical Exploration. International Economic Review, Vol. 37, No. 2, pp. 465-486.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Renda do Economista Americano

Procurei rapidamente sobre as perspectivas salariais para economistas americanos. Encontrei esse gráfico aqui em baixo:

O gráfico mostra que um mestrado em economia eleva o salário anual de US$ 45,000 para algo próximo a US$ 70,000. É um aumento considerável. Só perde para o MBA e o Ph.D. Para esse último, os salários médios estão próximo de US$ 85,000. Só para se ter uma idéia, a renda média americana é próxima de US$ 44,000. Ou seja, um mestrado (M.A.) ou um doutorado (Ph.D.) coloca um economista bem acima da média.

Considerando que entram aproximadamente 900 Ph.D. em economia a cada ano no mercado americano, é de se esperar que a variância da estimativa seja maior para este grupo. Um estudo recente, por exemplo, mostrou que os economistas com Ph.D. são o grupo que tem a maior renda mediana entre os analisados, US$ 116,000 por ano.

Leia mais AQUI.

A Bússola

Os Jogos Olímpicos de 2008 começaram oficialmente há dois dias atrás. Assisti Noruega 2 x 0 EUA, no futebol feminino, e Argentina 2 x 1 Costa do Marfim, no masculino.

Hoje pela manhã está acontecendo a abertura oficial, e amanhã começam os jogos para valer. No momento que lhes escrevo, assisto o Brasil adentrando o estádio. Estou vendo na internet. Na verdade, a abertura é meio chata. Enfim, lá estávam os atletas brasileiros de paletó verde e chapéu esquisito.


Aqui nos EUA a emissora que irá transmitir a Olimpíada é a NBC. Basicamente, só passam os jogos dos times dos EUA. O jogo da Argentina eu assisti no Telemundo. A abertura? Vão reprisar à noite. Vai ser complicado de assistir.

Mas o que isso tudo tem à ver com economia? Bem, não muito. A única referência econômica da abertura aconteceu quando o narrador falou das 4 invenções da China Antiga: a pólvora, o papel, a bússola e a impressão.

Disparado, a mais interessante é a bússola. Ela permitiou toda a expansão econômica durante o período das grandes navegações. Um período interessantíssimo do ponto de vista de comércio internacional, e que coincidiu (de certa forma) com os primeiros estudos realmente importantes sobre teoria econômica (economistas clássicos).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Concurso para o IBGE

Direto do Globo Online:

Brasília - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contratar, a partir de setembro, 332 analistas censitários para dar suporte à preparação, planejamento e execução do Censo 2010.

O IBGE oferece remuneração de R$ 4 mil por mês, para jornada de 40 horas semanais, e o contrato não pode exceder dois anos.

Está aí uma boa chance de iniciar a carreira como economista. O edital, que está AQUI, traz todos os detalhes da tarefa a ser desenvolvida:

Análise sócio-econômica: desenvolver estudos e pesquisas; levantar, organizar, sistematizar e avaliar informações; elaborar relatórios, gráficos e tabelas; elaborar textos (analíticos e relatórios técnicos); analisar dados quantitativamente e qualitativamente; desenvolver eventualmente atividades de campo; ministrar treinamento técnico-operacional.

Segundo o edital, qualquer pessoa com formação superior pode se candidatar à este cargo. É um trabalho muito bom. Como diria um amigo meu, é um trabalho para um "moço bom, trabalhador, sistemático, que nunca foi preso à toa...".

Dinheiro e Felicidade

As pesquisas que medem a felicidade subjetiva das pessoas existem há muito tempo aqui nos EUA. A Betsey Stevenson e o Justin Wolfes, de Wharton (a escola de business aqui de Penn), analisaram os dados e concluiram que a desigualdade da felicidade entre os americanos diminui entre 1972-2006.

Nesse período porém, houve um aumento da desigualdade de renda aqui nos EUA. A conclusão óbvia é que o dinheiro traz felicidade, mas só até certo ponto. O aumento de renda aumentou mais a felicidade relativa dos mais pobres do que dos ricos.

O ditado popular de que o "dinheiro não traz felicidade'" deveria ser alterado para: "dinheiro não traz uma grande felicidade, mas se for uma felicidade média (com 8 fatias) dá pra pedir delivery".

Leia o artigo dos professores de Wharton clicando AQUI.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Expectativa de Vida: Japão

As mulheres japonesas constituem o grupo com a maior expectativa de vida no planeta: 86 anos. Nos últimos 23 anos elas lideram o ranking de expectativa de vida mundial.

Segundo previsões de analistas, a população acima dos 65 anos de idade será mais de 40% da população japonesa em 2050. Acontece que o Japão também tem uma das menores taxas de natalidade do planeta. A conseqüência? Um problema econômico. Como financiar essa população idosa e fora da força de trabalho? Talvez seja essa a explicação para a grande taxa de poupança japonesa.

Fica aí a dica de monografia. Deixo até uma sugestão para o título "Inquérito Sobre as Conseqüências Econômicas do Aumento da Expectativa de Vida: O Caso Japonês"

Leia mais sobre os dados japoneses clicando AQUI.

Apagão de Mão-de-Obra

O professor Marcelo Neri, do IBRE da FGV, divulgou ontem os resultados do levantamento da Nova Classe Média. Segundo o estudo, mais de 50% dos trabalhadores das seis principais regiões metropolitanas se encontram na chamada classe C. Ou seja, ganham entre R$ 1.064 e R$ 4.591 mensais. Outro resultado é o aumento da mobilidade entre as classes.

Mas o resultado da pesquisa que me chamou mais a atenção foi a ausência de mão-de-obra qualificada para cargos com maiores salários. Segundo Neri:

"Se antes nós tínhamos uma crise de desemprego, hoje nós temos um apagão de mão-de-obra, onde não há profissionais qualificados".

Já havíamos lido sobre isso AQUI e AQUI. Leia o estudo do IBRE na íntegra clicando AQUI.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Fed, Petróleo e o Futuro

O Fed decidiu manter a taxa de juros constante em 2%. Além disso, deixou a entender que as taxas continuarão constantes por um bom tempo. A tendência é um dólar ainda mais fraco. O mercado respondeu bem. Resta saber como fica a inflação aqui nos EUA.

Enquanto isso, o petróleo continua caido. Hoje o barril para entrega em setembro fechou a 119 dólares. A questão é saber quanto dessa queda é redução da demanda e quanto é expectativa de redução da demanda futura. É uma bela pergunta. Segundo informações da CNN, um pouco seria resultado do desaquecimento econômico na Europa, Japão e China. À conferir...

Leia mais AQUI, AQUI e AQUI.

PS: Acertei a aposta dos juros. Bem, eu e boa parte do mercado. Mas, pelo movimento pós-reunião da bolsa muitos achavam que vinha um aumento.

Economias de Escala e Cinema

É sabido que o cinema brasileiro vive do financiamento público. Os recursos vêm da chamada Lei do Audiovisual. Acontece que essa lei deixará de existir a partir de 2010. A solução encontrada pelos cineastas foi adotar um conceito econômico simples: economias de escala. O diretor Paulo Pons explicou ao ClicRBS:

"A média de longas no Brasil chegou a R$ 2,5 milhões. Vingança custou R$ 80 mil por fazer parte de um projeto de quatro longas que tinham o mesmo valor. É difícil comparar com outros filmes, como os de Gramado, por exemplo, que custam entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões. É muito absurda a diferença."

Eles juntaram 4 projetos e economizaram recursos. Seguindo o raciocínio ele afirma:

"Começamos com R$ 80 mil porque queríamos quebrar esse paradigma do financiamento, coisa que torna cada vez mais excludente e complicado o fazer cinema no Brasil. A tendência é que todo esse sistema de financiamento caia. A própria Lei do Audiovisual está prevista para acabar em 2010. E daí, como é que se vai fazer cinema no Brasil?"

Leia a entrevista completa clicando AQUI.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O Dilema do Fed

O Federal Reserve não está dando sinais que irá aumentar a taxa de juros americana nesta terça-feira. O Fed está num dilema. Se ele não aumentar e a inflação voltar terá sido um erro. Se aumentar e a inflação não cair, também terá sido um erro.

Existem dois cenários em que Ben Bernanke se daria bem. O primeiro é aumentar, os juros a inflação ceder rapidamente (com uma ajuda da queda do preço do petróleo) e no início do próximo ano já haveria espaço para uma recuperação econômica. O segundo, mais provável na minha opinião, é a manutenção da taxa atual e uma espera para ver para onde os preços realmente vão nos próximos dois meses. Dado que o petróleo vem caindo, e a crise dos alimentos parece estar dando sinais de que não será tão grave assim. Com isso, o Fed ganharia tempo para resolver as questões do mercado financeiro. Aumentar os juros agora diminuiria muito a liquidez e a oferta de moeda.

O livro texto de macroeconomia diz que os Bancos Centrais tem 3 funções: regular a atividade bancária, ser emprestador de última instância (prover liquidez) e controlar a inflação (controlar a oferta de moeda). Creio que muito apego à terceira tarefa possa prejudicar a execução da segunda. Dado que a primeira função não foi muito bem cumprida. À conferir...



Leia mais AQUI.

Relatório FOCUS: Alívio

O novo relatório FOCUS, diferentemente dos anteriores, trouxe previsões mais otimistas para a economia brasileira. Alguns destaques das previsões dos indicadores para o ano de 2008:

IPCA: Em Julho era 6,58%, passou para 6,5%;
Balança Comercial: Era 22,78 bi, agora é 23,00 bi;
PIB: Continua 4,8%
Selic: Antes estimada em 14,25% e agora 14,50%.

O relatório mostra basicamente o seguinte. A taxa de juros vai continuar subindo, e a inflação deve ceder. Entretanto, esse movimento não deverá afetar o PIB em 2008. O surpreendente é que o relatório mantém a previsão de crescimento do PIB de 2009 também constante em 3,90%.

Espera-se, portanto, que os recursos se realoquem entre os grupos da economia (consumo, investimento, gastos do governo, exportações líquidas) e alterem a demanda por produtos, de modo que os preços não subam tanto quanto esperado anteriormente. Seria realmente muito interessante se isto acontecesse.

Leia mais AQUI.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ranking de Universidades

Um dos rankings de universidades mais populares do mundo é o "Webometrics Ranking of World Universities". Pois, para aqueles que estão pensando em fazer um doutorado em economia no exterior, recomendo o site e deixo o link AQUI.

Acho que vale a pena dar uma olhada. A correlação entre a qualidade do departamento de economia e a qualidade da universidade é alta.

As Top Five: MIT, Harvard, Stanford, Berkeley e Penn State. Já a UPenn aparece na 12a posição. Chicago em 19a e Princeton em 25a enfraquecem um pouco a correlação.

A USP é a primeira brasileira, em 113a. Unicamp vem em 212 e a UFRJ em 330. O ranking vai até o número 4000. Divirtam-se.

Confira o ranking clicando AQUI.

sábado, 2 de agosto de 2008

O Fim da Declaração de Isento

Acabaram com a chatice da declaração de isento. Muito bem. A única utilidade dela era passar ao cidadão o custo de fiscalizar os falsários, o que deveria ser tarefa do governo. Parece que o próximo passo será a criação de uma carteira de identidade que terá o seu número do CPF, o da carteira de motorista, o PIS, etc.

É engraçado demais. Eu não sei pra que tanto número. Teoricamente, em qualquer país com menos de 10 bilhões de habitantes, um número de 10 dígitos seria suficiente pra identificar qualquer pessoa. Que tal o pessoal do governo aprender o seguinte truque:

Coloquem no Stata os dados de cada criatura: nome, cpf, identidade, ... e criem um único número! Se estiverm em bancos de dados diferentes é só usar o merge e pronto. Vejam que idéia genial (lol)! E daí, vejam só, cada pessoa teria somente um número!

E a carteira de motorista? Ué, você fica com o número lá reservado e com os dados já no banco de dados do DETRAN. Quando você passar no teste você recebe uma carteira de motorista, (um pedaço de plástico, com validade, foto, se é doador e tudo mais) mas o número é o mesmo. Olha que legal, quando você atualizar seu endereço na receita já atualiza no INSS, no DETRAN, etc. Se o guarda lhe parar na blitz e você tiver esquecido a carteira, ele põe seu número no sistema e vê a sua foto, a validade da carteira e seu endereço. Pronto, estás dispensado.

O único cuidado deve ser em separar os dados de renda dos demais. Mas os dados de propriedade de veículos pode ser legal manter. Você declara o seu veículo para a receita e para o DETRAN, logo o número do chassi tem que bater. E se você se envolver em um acidente grave, na hora de identificar o motorista, basta olhar o chassi e obtém-se o telefone e endereço do proprietário. O mesmo vale para a recuperação de carros roubados.

Era essa a minha humilde idéia em um sábado de tempo nublado.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Preço dos Alimentos e Doha

Um argumento que tem rondado a blogosfera é o seguinte. O fim dos subsídios agrícolas dos países ricos pode não ser necessariamente bom para os pobres, na medida que o fim do subsídio levaria a um aumento ainda maior do preço dos produtos agrícolas.

O argumento tem duas falhas. A primeira é supor que a oferta total se reduza. Imagina-se que a redução da escala de produção, digamos ao reduzir a produção na França e aumentar em algum país da África, elevaria o custo marginal. Isso não é necessariamente verdade. Mas pode ser, por isso a redução gradual seria o ideal. Mas os subsídios podem estar restringindo a entrada, logo o efeito é no mínimo indefinido.

A segunda falha é esquecer que o destino da renda também é importante. O objetivo do comércio é produzir os produtos no país que tem vantagens comparativas na produção de cada bem. Se o preço aumentar, talvez mais renda esteja indo para a África, para que os africanos comprem roupas dos chineses, que compram Ipods dos EUA. E o efeito líquido do aumento de preço do algodão, por exemplo, pode ser um menor preço de um celular. E todos saem ganhando (exceto os produtores agrícolas dos países ricos).

Abraço e bom final de semana!

Analisando a Crise Americana

Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do banco ABN-Amro, falou sobre a "Crise Internacional - entendendo a origem e as conseqüências da crise financeira internacional, bem como suas implicações para a economia brasileira". A frase que para mim resumiu bem a idéia da dinâmica da crise atual foi a seguinte:

"O efeito mais relevante desta crise sem dúvida é a contaminação do balanço dos bancos pelo setor imobiliário"

Quer saber mais sobre a palestra? Basta clicar AQUI.