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sábado, 31 de maio de 2008

Preço da Cerveja

O site www.pintprice.com revela o preço da cerveja em qualquer lugar do mundo. São 200 países, incluindo o Brasil. Você seleciona o país e o preço médio é reportado por cidade. Vale a pena olhar esse site antes de sair de férias.


Para conferir o preço da cerveja ao redor do mundo é só clicar AQUI.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

EconTalk

Recebi essa dica do meu amigo Tiago Severo, lá de Harvard University. O site Econ Talk traz várias entrevistas com economistas famosos, incluindo uma série de entrevistas com Milton Friedman. O link vai para a barra lateral. Segue o link AQUI. Divirtam-se!

Oportunidade, Educação e Desenvolvimento

Este artigo está meio relacionado ao debate sobre liberdades econômicas (e não econômicas) e desenvolvimento econômico iniciado pelo meu amigo Cláudio Shikida, do De Gustibus Non Est Disputandum.

Uma matéria de hoje no MSNBC fala de um estudo comparando resultados de testes de matemática entre meninos e meninas. Em geral, meninos vão melhor que as meninas em ciências exatas, em particular em matemática.

O estudo mostra que, em sociedades em que as oportunidades econômicas e sociais (direitos) são mais equitativos entre os gêneros, as meninas e os meninos tiram as mesmas médias em provas de matemática. Em alguns países as meninas foram inclusive melhores.

O resultado é importante pois expões todas as bobagens por trás de argumentos genéticos do tipo: meninos são melhores em exatas, meninas são melhores em sociais, blá, blá, blá...

Enfim, igualdade de oportunidades parece ser claramente um fator fundamental para o desenvovimento educacional, e por conseqüência econômico. A minha percepção é que na medida em que mulheres forem se destacando, as mais jovens vão observando estes resultados e com o aumento das oportunidades - e o fim de tradições familiares bobocas - as mulheres têm tudo para obter quaisquer posições hoje ocupadas por homens.

Esse debate é muito interessante, na medida que aqui nos EUA, por exemplo, as alunas de graduação completam seus cursos com mais freqüência que os meninos, e são admitidas também com mais freqüência. Algumas universidades passaram a adotar reserva de mercado para os meninos. Fica aqui um pitaco para países que buscam um desenvolvimento mais equitativo (ou maior): deixem as meninas pensarem! Incentivem o ensino da matemática!

Leia mais AQUI.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O Contraponto

Essa foi ontem, mas vale o post. Do Terra:

A Força Sindical realizou, nesta quarta-feira, uma série de protestos pelo País para apoiar o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

A intenção do protesto, segundo secretário-geral da entidade, João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, é adaptar a legislação às mudanças que ocorreram no sistema de produção das empresas.

De acordo com o secretário, a implementação de novas políticas de gestão e os avanços tecnológicos fizeram a produtividade das empresas dar um salto nos últimos anos, mas "não houve contraponto na jornada de trabalho".

Não houve contraponto? Eu não sei se eu entendi bem, mas o que está sendo argumentado é que: como a produtividade do trabalho aumentou (logo, o salário aumentou) então pode-se trabalhar menos. Mas note que a redução é de 44 para 40 horas. Ou seja, os camaradas querem é o sábado de folga. Não faz sentido nenhum. Será que não é melhor trabalhar aos sábados pela manhã e receber um pouco desse ganho de produtividade via maior renda, maior consumo, melhor lazer...

Eu não sei mas eu tenho a nítida impressão que as pessoas acham que mais tempo de lazer é melhor lazer. O que você prefere? Só falta o Faustão passar aos sábados pela manhã. Ainda segundo o pessoal da Força Sindical:

"A sociedade do futuro não é uma sociedade dentro da fábrica. É uma sociedade de lazer, que visita os parentes. Tanto que o turismo é uma atividade importante em vários países e o Brasil devia explorar isso melhor"

Visitar parente? Tá de sacanagem, né? O cara vai argumentar que não visita a mãe porque trabalha nos sábados. Daí é dose. E a sociedade do futuro? Não têm fábrica nenhuma? Vai ver é só o turismo e todo mundo passeando. É, faltou o contraponto mesmo...

Forecasting in Rio

Vem aí o Forecasting in Rio, dos dias 29 à 31 de Julho. Confira quem vai participar desta conferência organizada pela EPGE clicando AQUI.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Licença Médica

Saio hoje de licença médica. Volto com meus posts na quarta-feira. Sabe como é vida de craque, né? Sempre caçado em campo...

Luz no Fundo

Essa veio do Valor Econômico, via Míriam Leitão:

Lula está preocupado com a inflação e cogita usar a contenção maior do superávit primário para pagar juros e assim ajudar o Banco Central. Ontem, em entrevista à Radiobras, Meirelles deu o sinal de que defende esta medida. Disse que o aumento do superávit auxiliaria a política monetária e ajudaria a diminuir no longo prazo a taxa Selic.

Excelente notícia se for confirmada.

A Saúde no Brasil

A Veja de duas semanas atrás traz uma reportagem sobre o sistema de saúde brasileiro. Achei muito interessante e recomendo a leitura na íntegra. O link fica AQUI.

Um dos artigos trata da "ajuda"que encareceu os planos. Segundo a reportagem:

Desde 2000, com a falência acelerada da saúde pública brasileira e sua pretensa substituição pela saúde complementar privada, o governo, por meio da Agência Nacional de Saúde (ANS), criada naquele ano, não só passou a controlar os reajustes como também ampliou o leque de doenças que os planos são obrigados a cobrir.

A coisa piorou. A intervenção teve efeitos colaterais adversos. Impedidas de alterar os contratos já existentes, as empresas de saúde buscaram outras saídas:

• Elevaram substancialmente o preço dos novos contratos. Há cinco anos o valor de um novo plano de saúde para uma família de quatro pessoas, com hospitais de alto padrão, não passava de 1 000 reais. Hoje atinge 1 700 (um aumento de 70%, contra uma inflação de 34%).

• Abandonaram o mercado de planos individuais, migrando para o segmento empresarial, em que há mais liberdade. Foi o que fizeram, por exemplo, as maiores empresas do setor de seguro-saúde – SulAmérica, Porto Seguro, Bradesco e Itaú.

Uma nova rodada de mudanças ocorreu recentemente. Eu dei um pitaco sobre o assunto neste post AQUI. Basicamente você estende o benefício aos que já estão segurados. Isso eleva o custo das seguradoras, que recisam aumentar os preços. Mas com o aumento dos preços você exclui os que ainda não têm seguro.

A teoria econômica nos ensina que deveríamos deixar os consumidores escolherem a sua própria cobertura. Como implementar isto? Muito simples, cada empresa põe no seu portal várias opções de coberturas e prêmios. O indivíduo vai lá, clica em alguns campos e recebe um orçamento na sua tela. Depois vai no site da outra empresa e compara. Mas isso seria simples demais para o nosso planejador benevolente...

Mas em outros lugares isto já existe. Basta clicar AQUI.

domingo, 25 de maio de 2008

Economia do Papelão

Do Estadão:

Dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) mostram que, pelo segundo mês seguido, as vendas do produto em volume estão menores que no mesmo período de 2007. A queda foi de 6,42% em março, de 0,42% em abril e de 0,66% no ano.

"Trata-se de uma acomodação, mas estamos preocupados", diz o presidente da ABPO, Paulo Sérgio Peres. Sua preocupação com uma possível desaceleração na produção da indústria tem motivos. É que 35% das vendas do setor são para fabricantes de alimentos, que também mostram perda de fôlego nos negócios.

É, parece que a economia está começando a desacelerar. O importante é notar que o setor de embalagens é um setor costuma mover-se antes dos outros já que para realizar a venda de produtos em embalagens você tem que comprar as embalagens primeiro. É o que os economistas chamam de indicadores antecedentes, ou predecessores. Entre estes indicadores está o nível das vendas do setores de embalagens plásticas, papelão e papel. Outros indicadores predecessores são o número de pedidos de seguro desemprego, o número de pedidos de licença de construção e níveis de estoques. Em geral o nível das bolsas de valores também é um indicador antecessor.

sábado, 24 de maio de 2008

Rumo ao Exílio em Paris

Edson Gonçalves bate no Fundo Soberano, discute os efeitos do "celso-furtadismo" sobre a economia brasileira, fecha departamentos de economia e sociologia e manda a grana toda pro IMPA.

"Salve-se quem puder!!! Rumo ao exílio em Paris (se o Chico Buarque conseguiu, eu também consigo)!!!"

Confira o post do Blog do Edson clicando AQUI.

Vossa Caixa, Nossa Receita

Nesta sexta-feira surgiu a notícia da venda do banco Nossa Caixa ao BB. A teoria econômica básica nos ensina que um leilão seria a forma mais eficiente (que traz maior receita) de vender objetos cujo preço é difícil de ser estimado (em geral quando o objeto é único, como quadros por exemplo).

Não parece que o economista José Serra cobriu esse tópico no seu curso de graduação. Segundo o Estadão:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) defendeu nesta sexta-feira, 23, em entrevista em Campos do Jordão (SP), a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. "Se houver uma oferta boa, a gente tende a aceitar", disse o governador. "É natural pensar que a proposta do BB será sempre melhor para o Estado de São Paulo, pois implicará trazer mais recursos que, em princípio, as propostas de bancos privados", avaliou em entrevista.

Não sei por qual motivo a proposta do BB seria melhor do que a dos outros bancos. A proposta do leilão parece ser unânime entre os que entendem um pouco mais de maximizar receitas. Além disto, a questão da transparência e dos direitos dos acionistas seria preservada.

Para analistas, um possível acordo entre o governo federal - controlador do BB - e o do Estado de São Paulo - dono de 71% da Nossa Caixa - seria prejudicial para os acionistas do banco paulista, já que uma concorrência aberta tenderia a elevar o preço das ações.

Listada no Novo Mercado da Bovespa, segmento com regras rígidas de transparência e respeito aos acionistas, a Nossa Caixa é obrigada a estender aos minoritários 100% do preço pago às ações do bloco de controle, em caso de venda.

Isso sem falar na questão da concentração bancária. A compra da Nossa Caixa pelo BB aumentaria em 552 o número de agências do BB em São Paulo, que atualmente possui 682. Em termos de ativos, a união criaria um banco com 404 bilhões em ativos (357+47). Bem acima dos 288 bilhões do Itaú.

Enfim, por que precisamos de bancos públicos afinal?

Leia mais AQUI e AQUI.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Falando Nela...

Essa veio direto do Wall Street Journal, e dispensa comentários:

HARARE, Zimbabwe - Weary Zimbabweans are facing a new wave of price increases that will put many basic goods even further out of their reach: A loaf of bread now costs what 12 new cars did a decade ago.

Independent finance houses said in an assessment Tuesday that annual inflation rose this month to 1,063,572% based on prices of a basket of basic foodstuffs. Economic analysts say unless the rate of inflation is slowed, annual inflation will likely reach about 5 million percent by October.

Sobre Ovos e Cestas

No seu blog, A Mão Visível, Alexandre Schwartsman descreve quão inusitada é a proposta do fundo soberano para o Brasil. Segundo o autor,

...isto equivale a por os ovos dentro de duas cestas, e uma dentro da outra.

Achei ótima a frase. Leia a íntegra do artigo sobre o Fundo Soberano clicando AQUI.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Preço dos Livros no Brasil

O Marginal Revolution se confundiu ao tentar explicar os altos preços dos livros no Brasil:

1. Most Brazilians do not read. I don't mean they can't read, I mean they don't read for leisure so much. I was stuck at the Sao Paulo airport for seven hours and did not see a single person reading a book, not once. Taking that as given, low demand means high prices.

Espera um segundo...como que é? Demanda baixa implica preços altos? E o que acontece quando a demanda aumenta? Mas, acho que ele estava se referindo a potenciais ganhos de escala no lado da oferta, na medida que o tamanho do mercado aumenta. Mais uma chance...

2. Brazilian retailing is not in every way efficient.

Bom, mas esse mercado tem livre entrada. Por que outras empresas, mais eficientes, não entram no mercado? Strike One!

3. No other supply source is right nearby and the Portuguese language does not produce an extremely thick market.

Espera um pouco, e por acaso o alemão ou o italiano, em termos de leitores aptos, são maiores que o brasileiro? E por acaso os mexicanos lêem livros espanhóis? Strike Two!

4. The Brazilian currency may be overvalued at the moment, at least in purchasing power parity terms, due to Brazil's commodity exports.

Bandeirantes!! O Canal Olímpico!! Essa passou longe demais!! Fui obrigado a colocar dois pontos de exclamação. OUT!!

Enfim, que tal um argumento mais simples: O preço é alto porque está perto de seu custo marginal, que também é alto?

Para o Alto e Avante

Sobre o preço do barril do petróleo esta manhã:

May 21 (Bloomberg) -- Crude oil rose to a record above $134 a barrel as U.S. stockpiles unexpectedly dropped and banks raised price forecasts because of supply constraints and demand growth.

Inventories fell 5.32 million barrels to 320.4 million last week, the biggest drop in four months, the Energy Department said. Oil for December 2016 delivery rose more than $20 a barrel, or 17 percent, after Goldman Sachs Group Inc. on May 16 raised its outlook to $141 a barrel for the second-half of the year.

Fonte: Bloomberg

Eu, a Inflação e o Etanol

Já tem uns 6 meses que só tenho tomado café sem açúcar e Coca Zero. Acho que nesse período deixei de ingerir uns 2Kg de açúcar. De acordo com o raciocínio abaixo estou contribuido para reduzir a inflação e de quebra derrubo o preço do Etanol (via queda na demanda por açúcar). Uma beleza. Pena, que devo ter aumentado minha expectativa de vida em alguns dias. Vou ser obrigado a comprar produtos nesses dias a mais...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Os Culpados pela Inflação

Essa eu tirei do Blog do Reinaldo Azevedo, mas quem escreve é Elisabeth Lopes:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um alerta para os riscos da volta da inflação no País, destacando que ela representa "a pior desgraça" para os assalariados. Em discurso feito no anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na favela de Heliópolis, ele destacou: "Não podemos deixar a inflação voltar". E eximiu seu governo de maior responsabilidade.

"E a culpa não é do governo, não. A culpa é de quem compra e de quem vende, de quem governa e de quem não governa."

Bom, então tá né. Quem sabe paramos com esse negócio de compra e venda, hein? Podemos voltar a algo menos inflacionário...uma economia de trocas quem sabe? Escambo? (como sugeriu o Tio Rei). Enfim, quero acreditar que isso seja só discurso político.


Por via das dúvidas não vou tomar café hoje de tarde pra ver se diminuo a inflação por aqui.

PS: Achei muito boa essa foto do Da Silva com o W. Bush, ambos com capacete da Petrobrás.

Economistas e Inflação

Essa eu tirei do Estadão. Seguem algumas declarações de economistas sobre os resultados do IGP-M de ontem:

"É verdade que a inflação vem acelerando, mas ela opera dentro da meta. As expectativas de longo prazo continuam perto da meta ... a inflação corrente não está contaminada pelas expectativas futuras". Roberto Padovani (Banco WestLB).

"O Banco Central tem a inflação sob controle ... A banda tem que ser usada". Marcelo Salomon (Unibanco).

"O BC tem que agir mesmo ... os choques acontecem e não é culpa do BC se a inflação está fora do centro". Maurício Oreng (Itaú Corretora).

"Não é um fenômeno só ligado aos preços dos alimentos. É mais profundo. ... o desafio do BC é evitar que a alta da inflação corrente contamine as expectativas lá para frente ... a briga do BC não é por 2008, é pelo que vai acontecer em 2009". Alexandre Schwartsman (Santander).

terça-feira, 20 de maio de 2008

Visão Além do Alcance

O Presidente Da Silva elogiou (no domingo passado) o crescimento do país do presidente Alan García (o maior da América do Sul, na faixa dos 9%), em uma frase que provocou sorrisos entre os espectadores:

"A gente vê na rua o crescimento do Peru".

É, mas parece que o presidente Da Silva tem o chamado Olho de Tandera, ou tá vendo demais. Segundo a The Economist:

Yet there are paradoxes at the heart of the boom. Despite the growth, poverty has fallen only slowly. And many Peruvians are disgruntled.

There are several reasons for the relatively slow fall in poverty. Although the number of formal-sector jobs is expanding at 9% a year, many Peruvians still labour in the informal sector of unregistered businesses, where productivity is low. Wages for the unskilled have been slow to rise.

Leia a reportagem sobre o Peru clicando AQUI.

A Resposta do Mercado

E não é que o mercado é forward looking? Dados os resultados do IGP-M que eu coloquei ali no post abaixo a resposta do mercado não poderia ser outra. Olha o que acabou de sair no InfoMoney:

Com novos indícios sobre inflação brasileira mais acelerada, os juros futuros seguem em alta na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), com investidores apostando cada vez mais em forte aumento na Selic.

A segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de maio apontou variação positiva de 1,54%, 1,17 ponto percentual acima da apurada em abril. A alta, influenciada principalmente pelo IPA (Índice de Preços no Atacado), ficou acima das projeções contidas no último Focus, que estimavam algo em torno de 1,30%.

O contrato de juros de maior liquidez hoje, com vencimento em janeiro de 2010, aponta uma taxa de 14,36%, 0,09 ponto percentual acima do fechamento de segunda-feira. O número de contratos negociados chega a 106.940.

Nada como o bom e velho mercado para ajustar os preços relativos.

Aí vem ela...

É pessoal, parece que alguém está errando a mão nos juros ou na política fiscal (ou ambos). Aí vem uma conhecida nossa que estava em repouso...direto da Folha Online:

Inflação em maio mais que quadruplica e sobe 1,54%, diz FGV

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) mais que quadruplicou na segunda leitura prévia de maio, apresentando alta de 1,54%, contra 0,37% um mês antes. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

O IPA (Índice de Preços por Atacado) subiu 2,02% no período, contra 0,22% um mês antes. O grupo Matérias-Primas Brutas passou de deflação de 1,39% para inflação de 3,36%. Os itens que mais contribuíram para o avanço foram soja em grão (-9,80% para 0,43%), arroz em casca (-0,44% para 33,96%) e minério de ferro (-3,87% para 11,25%). Já os itens tomate (35,28% para 6,10%), algodão (em caroço) (5,59% para -4,32%) e laranja (-8,71% para -19,02%) desaceleraram.

É importante notar que esse aumento do IPA só aparecerá nos IPC's dos próximos meses. E os efeitos de safra/entre-safra de vários produtos ainda não terão desaparecido. Parece que vão abocanhar parte da renda dos brasileiros esse ano. Dificilmente o crescimento do PIB será maior que a taxa de inflação este ano.

Pode ter um efeito de sazonalidade aí, mas o acumulado do ano já está alto. Em 2007, a prévia do segundo decênio de Maio foi -0,03%. Fica aqui a série do IGP-M, segundo decênio, desde janeiro de 2007 (via IPEADATA):

2007.01 : 0,44
2007.02 : 0,13
2007.03 : 0,24
2007.04 : 0,00
2007.05 :-0,03
2007.06 : 0,26
2007.07 : 0,19
2007.08 : 0,59
2007.09 : 1,05
2007.10 : 0,86
2007.11 : 0,48
2007.12 : 1,54
2008.01 : 0,93
2008.02 : 0,46
2008.03 : 0,78
2008.04 : 0,37
2008.05 : 1,54

Em todos os meses a taxa de inflação, segundo esse indicador, ficou acima do mesmo mês do ano anterior. É esperar para ver. Só não pode esperar muito...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Commencement 2008

Hoje ficou ruim de atualizar o blog. Era a minha formatura aqui em Penn. Recebi meu título de Master of Arts. "Chique do úrti"! A cerimônia foi bacana. O paraninfo foi o Michael Bloomberg. Eu queria muito ter tido a oportunidade de dizer para ele: "Moedas, moedas, moedas e mais moedas: FXC, Go!". Mas, fica para a próxima.

O discurso dele foi bacana. Para quem quiser ouvir/ver o discurso o link do vídeo está AQUI (você vai precisar do Real Player). O Bloomberg começa a falar quando o tempo do vídeo chega em 1:44:44.


PS: A melhor parte foi quando ele disse:

"In God we trust, but all the others bring data!".

Amanhã eu volto com tudo! Valeu!

domingo, 18 de maio de 2008

Sendo Eu

O Francisco da Costa, ex-aluno meu lá da graduação da FGV e que depois também fez mestrado na EPGE, está indo fazer doutorado lá na LSE. Parabéns Chico!!

Aproveito para deixar aqui o link da banda Companhia Itinerante, da qual o Chico é baixista. O conjunto (como o meu pai gosta de dizer) lançou um CD recentemente. O disco (como eu gosto de dizer) leva o nome de "Sendo EU". Você pode ouvir os hits da banda clicando: Companhia Itinerante. Para ver alguns vídeos é só clicar AQUI.

Fica aí a dica de um som maneiríssimo (como os cariocas gostam de dizer).

sábado, 17 de maio de 2008

Ainda Sobre o BBB-

Eu sempre leio a Veja com duas semanas de atraso, quando as edições anteriores ficam disponíveis aos que não são assinantes. Duas semanas atrás, na edição que trazia o Ronaldo Fenômeno na capa, Ilan Goldfajn (da PUC-Rio e Casa das Garças) escreveu sobre o BBB- do Brasil.

Leia na íntegra clicando AQUI.

Custo de Aprendizado

Da Folha, via clipping do Min. do Planejamento:

BB vai absorver Banco Popular, após R$ 144 mi em prejuízos
Por Ney Hayashi da Cruz, na Folha:

O Banco do Brasil anunciou ontem que irá absorver as operações do Banco Popular, subsidiária do BB criada em 2003 para atender clientes de baixa renda. Na prática, isso significa o fim da instituição financeira que representou uma das primeiras iniciativas do governo Lula para democratizar o acesso a serviços bancários, mas que deixa de existir sem nunca ter conseguido gerar lucros.


Toda a estrutura montada pelo Banco Popular será transferida para o BB e funcionará sob uma nova diretoria do banco, chamada de diretoria de Menor Renda. Os 81 funcionários do Banco Popular, todos eles cedidos pelo BB, voltam a seus empregos de origem.

Segundo o vice-presidente de Varejo e Distribuição do BB, Milton Luciano dos Santos, o objetivo é reunir numa mesma área do banco todas as operações com pessoas que têm renda mensal de até um salário mínimo, o que tornaria a atuação nesse segmento mais eficiente. Além de absorver o Banco Popular, a nova diretoria irá gerenciar correspondentes bancários e programas de desenvolvimento regional do BB.

Desde que iniciou suas operações, o Banco Popular acumulou R$ 144 milhões em prejuízos. No ano passado, as perdas foram de R$ 16 milhões. "Isso é o custo de aprendizado", diz Santos, referindo-se à importância que a experiência acumulada no período teve para o banco.

É bem melhor pagar um custo de aprendizado com o dinheiro alheio, não é mesmo?

Manchetes Econômicas

As manchete econômicas nos jornais brasileiros são interessantes. Se o dólar cai 1% a manchete é algo do tipo: "Mercado Eufórico: Dólar Despenca e Atinge Menor Valor em 10 Anos". Não há nenhuma notícia relevante no fato de ser o menor valor em dez anos, mas as pessoas clicam mais vezes no seu link. É um fenômeno interessante. Tudo bem, um pouco de exagero e sensacionalismo é válido. Já que o objetivo é maximizar o número de hits no seu link.

Mas e quando a manchete é esta: "Alta no preço de alimentos reduz consumo, aponta estudo" ? Você clicaria nesta notícia?

Só de curiosidade eu cliquei e descobri que:

O aumento nos preços dos alimentos começa a afetar o consumo das famílias brasileiras. Pesquisa da LatinPanel, que acompanha 8.200 domicílios, registrou queda de 6% no volume comprado no primeiro trimestre, com destaque para a retração nas classes C, D e E (7%), que têm renda mensal inferior a dez salários mínimos.

Entre os produtos com diminuição no volume estão farinha de trigo (16%), café solúvel (8%), pão (7%), açúcar (7%), óleo (6%) e massas (4%).

Interessante, não? O preço dos alimentos aumenta e o consumo de alimentos cai! Fiquei chocado com esta notícia! Mas acho que a manchete deveria ser: "Crise Econômica Mundial: Lei da Oferta e Demanda Ataca Famílias Brasileiras!"

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Carga Tributária: Líquida ou Bruta?

Ontem, o IPEA divulgou um estudo feito por Márcio Pochmann sobre desigualdade de renda e carga tributária. Não vou nem dar pitacos sobre desigualdade de renda, pois não é a minha praia. Mas gostaria de chamar atenção para um detalhe.

O PDF com o press-release está AQUI. Abra o artigo e analise comigo.

Ao falar da carga tributária, o autor enfatiza que devemos olhar a carga tributária líquida (descontando-se transferências para o setor privado e juros retidos). Ele conclui, então, que a carga tributária estaria constante nos últimos 6 anos. Pois bem, do ponto de vista contábil pode até fazer algum sentido. Já do ponto de vista econômico, eu tenho as minhas dúvidas. Uma vez que ao transferir o imposto para o estado e depois de volta para a sociedade a distorção de escolhas já ocorreu. Qualquer modelo macro simples com imposto sobre a renda traz esse resultado.

Mais ainda, ao falar de progressividade/regressividade da carga tributária o autor volta para a carga tributária bruta. E mostra que os impostos são regressivos, uma vez que os impostos sobre o consumo acabam incidindo mais sobre os mais pobres. Não há dúvida sobre isto, nem na teoria e nem na prática. Entretanto, para ser consistente, ele deveria manter o critério e usar a carga tributária líquida, já que muitos recebem transferências diretas do governo.

Não sei qual das abordagens estaria correta. Mas creio que a conclusão deve ser feita a partir de o mesmo indicador. Ou se usa a carga bruta, e admite-se o seu crescimento e regressividade. Ou usa-se a carga líquida e estudamos a regressividade/progressividade.

E você o que achou do estudo?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Preço ou Imposto?

Acabo de ler isto no Extra (sim, eu leio o Extra):

Para evitar desabastecimento e maiores altas no preço de derivados do trigo, o governo anunciou hoje medidas de desoneração tributária para a cadeia do trigo.

Será suspensa até o fim deste ano a cobrança de Pis e Cofins sobre a venda de trigo, farinha de trigo e pão francês. Segundo o Ministério da Fazenda, essa medida beneficiará principalmente padarias, pequenas indústrias e pequenos varejistas).

Interessante, não? Desde que vim morar na Philadelphia, onde o imposto sobre alimentos e vestuários é zero, eu notei algo diferente. Aqui, quando você compra um produto de US$ 1.00 vem escrito:

Preço US$ 1.00
Imposto US$ 0.06
Total US$ 1.06

Quer dizer, o imposto estadual (equivalente ao ICMS) e em geral em torno de 6%, está descrito no cupom fiscal, item por item. No caso do pão francês, o governo não estará reduzindo o preço do pão, o que estará diminuiundo é o imposto cobrado. É óbvio que a alíquota altera a quantidade demandada/ofertada, já que altera o preço final. Mas fica muito mais claro para o consumidor o que é preço e o que é imposto. É apenas uma questão de definição...

E me pouparia de ler manchetes como esta AQUI.

A Livre Iniciativa

O valor da livre iniciativa está na origem da teoria econômica moderna. Sempre que pensamos em concorrência perfeita, pensamos em livre entrada e livre iniciativa (que é o direito político de se constituir um negócio, uma empresa, etc.).

Aqui nos EUA eles levam isso muito a sério. Pois entendem os benefícios que a concorrência proporciona. O que está descrito abaixo é a maior prova disto:

DETROIT - A Girl Scout sold 17,328 boxes of the group's signature cookies this year by setting up shop on a street corner, shattering her troop's old mark and probably setting a national record.

Jennifer Sharpe, a 15-year-old from Dearborn, plans to travel to Europe with her troop with the proceeds from her feat.

"We were always there; we never closed"

Jennifer Sharpe's Troop 813 raised about $21,000 in cookie sales, paying for its 10-day trip to Europe this winter. Troops get only part of the proceeds from their members' sales.

É isso aí minha gente, enquanto uns ficam 4 semanas sem procurar emprego meninas de 15 anos dizem: "We were always there; we never closed".

FONTE: Yahoo!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Mais Sobre Petróleo

Um dos colunistas que passei a ler nas últimas semanas é Martin Wolf, que escreve para o Financial Times. Em sua última coluna ele dá alguns detalhes sobre como devemos analisar a alta do petróleo. Vou deixar AQUI o link porque o artigo é longo e muito interessante.

A Taxa de Desemprego

A taxa de desemprego é uma medida muito simples. É a fração das pessoas que estão em idade para trabalhar e que gostariam de estar trabalhando, mas não encontram emprego.

Por exemplo, se existem 1,000 pessoas em uma cidade e, das 600 que estão em idade de trabalhar, 400 estão trabalhando então o desemprego é de 33% (=200/600) correto? Errado. Entre as 200 pessoas que não estão trabalhando você deve retirar aquelas que não estão trabalhando por opção. São pessoas que, em geral, trabalham em casa, são dependentes financeiras de outras, possuem renda de capital, ou que se fossem trabalhar receberiam um salário muito baixo.

Digamos que na nossa cidade essas pessoas somassem 150 pessoas. Então o desemprego total seria 8.33% (=50/600). Correto? Quase. Muitas pessoas respondem as pesquisas de desemprego dizendo que gostariam de estar trabalhando, mas na verdade não procuraram emprego nas últimas 4 semanas, por exemplo. Neste caso, os institutos de pesquisa voltam a classificar estas pessoas como se elas estivessem desempregadas voluntariamente. Se no nosso exemplo este grupo somasse 15 pessoas, então a taxa de desemprego seria 5.83% (=35/600).

É assim que a maioria dos institutos no mundo calculam a taxa de desemprego. Algumas variações na idade da força de trabalho, definição de procura de trabalho, definição de quem está ocupado, etc, são normais. Uma referência que eu achei pesquisando rapidamente o assunto está AQUI.

A idéia de escrever este post veio depois que li esta reportagem AQUI. Nela, argumenta-se que o desemprego é muito maior do que mostram as estatísticas americanas. Segundo a reportagem:

Even the government's own numbers show there are many unemployed people not showing up in the unemployment rate. The official reading does not include 4.8 million people who want to work but haven't found a job, for example.

Many of these people are dropped from the official calculation because they have become so discouraged from looking without success that they haven't looked in the previous four weeks. Simply adding those people to the number of unemployed takes the current unemployment rate to 7.8%.

Mas, é basicamente uma questão de definição. É difícil crer que alguém que não procura por emprego há um mês esteja realmente disposto a trabalhar 8 horas por dia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Correlação ou Causalidade?

Achei essa tira muito boa para entender a diferença entre correlação e causalidade.

PS: Também me lembrei dos pingüins do Mundo de Beakman.

BRIC's e Taxa de Crescimento

Direto da Folha Online:

Uma reportagem do jornal americano "The Wall Street Journal" publicada nesta terça-feira afirma que o Brasil "se juntou à linha de frente das novas potências econômicas", alcançando Rússia, Índia e China. "O Brasil não tem a poupança e os níveis de investimento da China e da Índia.

Mas o Brasil atingiu um estado mais maduro de desenvolvimento do que a China e a Índia, com uma população urbanizada maior e uma riqueza per capita mais alta - então é simplesmente menos provável que ele dê grandes saltos hoje em dia."


Interessante, não? Parece que o pessoal do Wall Street Journal descobriu princípios matemáticos básicos. Ou seja, se você dividir X por Y, quando Y é muito próximo de zero, resultará em algo muito próximo de infinito. Mas se Y for grande, dividir o mesmo X por Y vai resultar em algo pequeno.

Só pra lembrar, a renda per capita do Brasil (US$ 9,695) é 1.8 vezes a chinesa (US$ 5,292). Ou seja, um crescimento de 1% (96.95 dólares) na renda per capita brasileira seria equivalente a um crescimento de 1.8% na China - em termos per capita.

Dados do FMI e em dólar PPP, ver tabela completa AQUI.

Cartão Cigarro

O governo japonês inovou e criou um novo método para diminuir o consumo de cigarros entre menores de idade. É o o Taspo, um cartão de identificação que também é cartão de crédito/débito. Esta será a única forma de se comprar cigarros, em máquinas, no Japão a partir de Julho de 2008.

É como se fosse uma restrição de idade sendo posta em prática via restrição de cash-in-advance. Mas neste caso não é cash, é pidel-in-advance. "Pidel" é o nome da moeda virtual que vale somente para comprar cigarros.

A idéia é reduzir o acesso dos jovens ao cigarro, um problema muito grande no Japão (especialmente entre homens, 50% deles fumam) e que parece estar ligado com a renda, exceto na faixa etária de 18-24 anos.

Para ler sobre o Taspo leia mais AQUI. Para ler sobre os problemas do tabagismo no Japão clique AQUI ou AQUI.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Aposentadoria e Fertilidade

Será que o desenvolvimento de mercados com fundos de aposentadoria (pensão) fazem a taxa de fertilidade diminuir? Ou será que a causalidade é oposta? Veja o que Vincenzo Galasso da Boccony University descobriu ao estudar o assunto:

In traditional societies, old age support was guaranteed by intergenerational transfers within the family from young to old, but the weakening of family ties in modern societies has justified the introduction of social security systems, thus reducing the incentive to have children.

The authors argue that pension generosity and development of capital markets are crucial to understand fertility decisions, as the role of children as a form of retirement saving for their parents is particularly strong in economies with limited or non-existent access to financial markets.

Leia mais clicando AQUI.

A "Idéia" da CONAB

Leiam a nova proposta da CONAB (direto do InfoMoney):

Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) pretende levar, ainda esta semana, ao Ministério da Agricultura, a proposta para a criação de uma nova modalidade de garantia de preços mínimos diferenciados para os agricultores. O objetivo é aumentar a produção agrícola e manter um estoque mínimo de segurança no país.

A medida pretende fixar dois valores, onde um seria mais elevado e o beneficiário poderia vender sua safra até certo limite, de forma a tornar o preço mais remunerador e estimular a produção de alimentos.

Esta é a segunda medida tomada pela Conab, em menos de um mês, na tentativa de amenizar os efeitos da alta mundial dos alimentos.

O negrito foi por minha conta. Alguém entendeu? Quer dizer, os preços estão aumentando e obviamente a produção vai aumentar para atender a demanda, e daí a CONAB quer comprar mais alimentos, a um preço maior, para deixar estocado?

Peraí, deixa eu achar as minhas notas de introdução a economia...

Câmbio e Política de Imigração

A taxa de câmbio americana tem tornado a imigração (especialmente a ilegal) para os EUA uma aventura menos atrativa. Apesar do American Dream ainda existir, esta taxa de câmbio aumenta a incerteza e diminui o retorno esperado, já que no curto prazo o retorno é quase zero e o retorno futuro está recheado de incertezas.

Esse câmbio desvalorizado pode estar sendo a melhor política de imigração já pensada por aqui. Basicamente, muitos imigrantes estão voltando aos países de origem. Especialmente mexicanos e brasileiros. Leia esta reportagem do Terra:

Com o retorno de parte dos emigrantes brasileiros que foram nas últimas décadas para os Estados Unidos, há temor de que uma forte recessão afete a economia de Governador Valadares (MG) no próximo ano, segundo o vice-presidente da Associação dos Parentes e Amigos dos Emigrantes do Brasil (Aspaemig), Raimundo Santana.

"Não sabemos quantos emigrantes estão voltando, mas é claro que nossa economia é dependente deles", disse. Segundo a Prefeitura de Governador Valadares, as remessas em dólares enviadas pelos emigrantes representaram um terço do orçamento municipal deste ano. A estimativa é a de que o município tenha recebido em torno de R$ 80 milhões em remessas do exterior, somente em 2007
.

Ou seja, na medida em que não vale a pena ficar nos EUA, a tendência é que os imigrantes voltem ao país de origem. Governador Valadares sofrerá bastante, pois dependia da renda enviada pelos mineiros nos EUA e porque não terá espaço para todos os que estão voltando no seu mercado de trabalho.

domingo, 11 de maio de 2008

Dia das Mães

Deixo aqui um pedaço do texto do Eder Fischer, do blog Sob a Benção da Imortalidade, em homenagem as mães:

...todas as mães que são mães de verdade, torcem pelo mesmo time, O ÚNICO time que uma mãe digna em sã consciência tem em primeiro lugar no seu coração. Calma, calma, este time não é o Grêmio e nem o inter, este time é o Filho Futebol Clube.

Que todos nós possamos saudar esta fiel torcedora incondicional, seja pessoalmente, por telefone, msn ou mesmo através de uma oração, pois as mães, mesmo as vermelhas, também são imortais.

Feliz Dia das Mães!

Pelas Barbas do Belluzzo!

Parece que o governo vai realmente atacar a questão fiscal. Leiam o que saiu neste final de semana e depois eu comento.

Do Estadão:

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo propôs ao governo elevar o superávit primário do setor público - economia para o pagamento de juros da dívida - para ajudar a política monetária no controle da inflação. Belluzzo participou na quarta-feira da semana passada de reunião de conselheiros econômicos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Falei que é necessário subir o primário para ter uma maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal. A inflação tem subido, em parte por commodities, mas também por conta do aquecimento da demanda. Não se pode ser tolerante com a inflação e o juro não é o único instrumento", afirmou Belluzo.

Da Folha Online:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está discutindo com conselheiros econômicos a elevação do superávit primário (economia para abater a dívida pública) no país dos atuais 3,8% para 5% do PIB, informa reportagem de Kennedy Alencar publicada na Folha deste sábado.

O percentual que exceder os atuais 3,8% seria utilizado para financiar o chamado fundo soberano (fundo de investimentos estatal que usa como recurso as reservas internacionais ou outras fontes de receita governamentais).

Com a medida - que foi proposta pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo e tem o apoio do ministro Guido Mantega (Fazenda) e de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central -, o governo espera aumentar o aperto fiscal para combater a inflação, tentar amenizar a alta dos juros e financiar investimentos brasileiros no exterior.

Não sei qual a relevância deste tal fundo soberano para a gestão das reservas internacionais. Sempre que penso em investimentos usando as reservas imagino o caso do aposentado que tira o dinheiro de baixo do colchão e aplica na bolsa. No longo prazo é uma boa. Mas, as reservas não seriam justamente para cobrir imprevistos de curto prazo? Tem-se um retorno próximo de zero, mas o risco é baixíssimo. Enfim, pelo menos parece que o governo acordou e redescobriu, via Luiz Gonzaga Belluzzo, a política fiscal.

Será mesmo? A conferir...

Mudança na Presidência do BC?

Direto da Folha Online:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que quer ser candidato ao governo de Goiás em 2010. Com isso, ele teria de deixar o cargo antes do fim do mandato de Lula, informa reportagem de Kennedy Alencar e Sheila D'amorim publicada neste sábado pela Folha.

Segundo a Folha apurou, o presidente concordou e deu apoio à idéia, mas pediu que isso fosse mantido em reserva para que se possa articular uma transição com tranqüilidade - uma troca de comando do BC pode causar instabilidade no mercado financeiro. Uma solução que já é discutida pelo governo é a indicação de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas do BC, para a presidência da instituição, após a saída de Meirelles.

Este furo de reportagem deve gerar notícias na segunda-feira.

sábado, 10 de maio de 2008

Auto-Suficiência

Esses dias me perguntaram se o Brasil não era auto-suficiente em petróleo. Seguem os dados direto da Folha Online:

O Brasil manteve, em 2007, a auto-suficiência de petróleo, conforme dados do BEN (Balanço Energético Nacional), divulgados nesta quinta-feira pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Foram produzidos, em média, 1,751 milhão de barris/dia, diante de consumo médio de 1,734 milhão de barris/dia. A EPE mede o consumo pelo volume de barris processado nas refinarias brasileiras.

O BEN indica ainda que foram exportados 421 mil barris/dia em 2007. Já o volume importado de petróleo ficou em 418 mil barris/dia. No ano anterior, haviam sido vendidos ao exterior, em média, 368 mil barris/dia, e importados 335 mil barris diários.

Note que os dados são da quantidade e não do valor do petróleo produzido.

Commanding Heights

A PBS, um canal de televisão americano, tem uma série chamada Commanding Heights. Ela conta a história econômica e política do século XX. Todos os três episódios estão disponíveis na internet, totalizando 6 horas de filmes. Tudo em inglês, mas você pode clicar em Transcript e ir lendo ao mesmo tempo que vê o vídeo. Ajuda bastante.

A série tem entrevistas com economistas famosos, membros de governos de vários países e vídeos muito legais de cada um dos acontecimentos deste século. Ela inicia na Primeira Guerra Mundial e logo alcança o pensamento de John Maynard Keynes. Você vai notar que, dentro dos episódios, em cada capítulo existem links logo abaixo do resumo, apontando para descrições de países e pessoas. Eles são muito legais também, são resumos escritos.

Abaixo eu deixo o link para a página inicial e para a página de índice. A série é dividida em três episódios: A Batalha da Idéias, A Agonia da Reforma e As Novas Regras do Jogo. Cada episódios tem vários capítulos.

Os vídeos podem ser vistos com o Windows Media Player, QuickTime ou Real Player, em alta ou baixa definição. Basta, em cada capítulo, você clicar escolher uma das seis opções de reprodução do vídeo.

Ficam aqui os Links: Página Inicial e Índice de Episódios.

Divirtam-se!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Filosofia e Sociologia no Ensino Médio

Essa vem direto da Folha Online:

O Senado aprovou quinta-feira (8) um projeto de lei que determina a inclusão de disciplinas de filosofia e sociologia nas três séries do ensino médio. Já aprovado pela Câmara, o projeto será submetido agora ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá sancioná-lo ou vetá-lo.

A idéia é ensinar o pessoal pensar um pouco mais, ao invés de ficar decorando material pro vestibular. O negrito é por minha conta. Três anos de filosofia e sociologia? Pode ser uma boa, mas abre um espaço pra lavagem cerebral que é uma beleza. Já estou vendo todo mundo especialista em Platão e sem saber o Teorema de Pitágoras. Mas tudo bem, não vou ficar criticando de graça. Pode parecer preconceito babaca. Então, deixo aqui um argumento mais econômico:

Sob a gestão tucana, o Ministério da Educação argumentou que o texto criava ônus para os Estados, que teriam de contratar mais professores, e era anacrônico, já que os currículos modernos deveriam, para o ex-ministro Paulo Renato Souza, pregar a interdisciplinaridade.

Pois é, espero que o novo projeto deixe bem claro quem irá pagar a conta, e qual matéria terá a carga horária reduzida.

Concorrência na UFRGS

Concorrência implica em aumento da eficiência. Há um tempo atrás eu deixei aqui o link dos blogs Pensando em Economia e Rabiscos Econômicos. São de um pessoal lá da UFRGS. Agora eu gostaria de deixar o link da concorrência. É o blog Econosheet, também do pessoal lá de Porto Alegre. Já vai ali para a barra lateral.

Viva a concorrência!

PS: Vou deixar também o link do blog Oikomania. É o blog do Thomas Kang, ex-aluno de cursinho preparatório pra prova da ANPEC e hoje aluno de mestrado na USP.

Veículos e Máquinas

Saíram os dados da ANFAVEA para abril de 2008. Direto do Estadão:

Licenciamento:
Os licenciamentos de automóveis nacionais e importados chegaram a 261,2 mil, alta de 12,5% sobre março e de 45,7% ante abril de 2007.

Produção:
Em abril, foram produzidos entre veículos montados e CKD, 300,6 mil unidades, alta de 6,2% em relação a março, e de 34,4% ante abril de 2007. De janeiro a abril, a produção de veículos atingiu 1,09 milhão de unidades, alta de 23,5% sobre o mesmo período do ano passado.

Máquinas:
As vendas internas de máquinas agrícolas nacionais e importadas atingiram 4.475 unidades em abril, alta de 3,3% sobre março e de 53,9% em relação a abril de 2007. Foi o melhor resultado em termos de vendas para um mês dos últimos três anos. No acumulado do ano, as vendas de máquinas agrícolas aumentaram 54,4% para 15.645 unidades.

Parece que o crescimento da economia, aliado ao preço dos combustíveis (bem abaixo dos níveis internacionais) resultou em um aumento muito grande da produção e licenciamento de veículos.

Isso é o que os economistas chamam de elasticidade preço cruzada. Quando uma variação no preço do bem X leva a uma variação no consumo do bem Y. No caso de bens complementares essa elasticidade é negativa. Diminui o preço da gasolina, aumenta o consumo de veículos. Tem também o efeito renda. O aumento da renda aumenta o consumo de veículos, uma vez que o indivíduo que estava quase indiferente entre andar de ônibus e comprar um carro, ao receber um aumento da renda disponível (mesmo que via crédito) passa a optar pela segunda alternativa.

O efeito disto se reflete também no campo. O aumento no número de máquinas agrícolas, de 54,4%, é um crescimento muito bom. Sinal de que a oferta de produtos agrícolas pode estar aumentando no médio prazo (ajudando a reduzir os preços dos alimentos, será?). Esse crescimento também está ligado ao aumento da produção de cana-de-acúcar.

Leia mais sobre o setor de veículos clicando AQUI.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Capitalismo: Stranger in Moscow

A economia russa é uma das que mais cresce no mundo. Alguns dados direto da Newsweek:

...growth has averaged 7.5 per year for the last eight years, the country's massive debts have been replaced with a $150 billion stabilization fund, and its trade balance shows a healthy surplus of $72.5 billion last year. The Russian stock market's RTS index has grown by a staggering 1,922 percent between 2000 and 2007.

Interessante, não? A Rússia é um dos maiores proutores e exportadores de petróleo, em uma época que o barril está em 120 doletas. Eles êm tudo pra continuar crescendo. Mas, o governo lá nunca gostou muito de capitalismo e concorrência. Então o que acontece na verdade é:

...little of that growth has spilled over into the real Russian economy. Rather, the boom has, in many ways, held back Russia's non-commodities economy from growing: rampant inflation, spiraling real-estate prices and higher labor costs, bureaucratic corruption, expensive credit and bad governance have combined to stifle the competitiveness of many Russian businesses.

E o motivo para todas estas distorções:

"Russia's elite still believes that what they have can be taken away at any time, so they spend like mad, or hide their money abroad," says Professor Igor Turkhansky, who studies elites at Moscow's Russian State University for the Humanities. "The idea of reinvesting your money to grow your business, or to saving your salary in a Russian bank for the future—all these ideas are very new."

Leia a reportagem completa clicando AQUI.

TIME Brazil

O site da TIME agora tem um portal que se chama Global Business. Nele você pode ler informações de diferentes países selecionados pela revista. Um deles é o Brazil - com "z" mesmo. Um dos gráficos na primeira página é este abaixo.

O gráfico mostra os principais problemas encontrados quando empreas estrangeiras pensam em investir no país. Disparado, a pesquisa aponta os impostos e taxas para se abrir e manter uma empresa como sendo o principal fator problemático. Depois vêm os impostos de renda e as restrições no mercado de trabalho. Mas, é bom saber que problemas de estabilidade política e inflação ficaram no passado.

Os dados desta pesquisa são do Fórum Econômico Mundial.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Futuro do Dólar II

A queda do dólar (frente ao euro) pode estar com os dias contados. Ao contrário do Brasil, onde a taxa de câmbio real-dólar está diretamente ligada aos movimentos de investimentos estrangeiros (e a balança comercial afeta pouco o fluxo total), nos EUA a taxa de câmbio euro-dólar está diretamente ligada à balança comercial americana. E esta começa a dar sinais de recuperação.

As exportações já cresceram cerca de 10% com relação ao ano passado. Os que crêem nesta teoria apontam para o gráfico abaixo. O dólar teria chegado ao fundo do poço e estaria começando uma tragetória de estabilidade ou valorização.


Mas, o déficit comercial americano ainda é cerca de 700 bilhões de dólares nos últimos 12 meses. Martin Feldestein da Harvard University disse o seguinte ao NYT:

“I think the dollar depreciates because of the fundamental trade imbalance. I think the dollar has substantially further to fall”

“Is this terrible? Not really. It’s the natural way for the trade deficit to be reduced.”

Confira a reportagem do NYT clicando AQUI.

Produtividade do Trabalho

A produtividade do trabalho é o quanto de produto um trabalhador produz por hora. Por exemplo, em uma construtora de imóveis isto seria quantos tijolos um trabalhador consegue cimentar em uma parede, por hora.

O Departamento de Trabalho Americano divulgou os dados da produtividade do trabalho no primeiro trimestre. Ela cresceu a uma taxa de 2.2% ao ano. Acima dos 1.5% esperado, mas abaixo dos 2.8% do último trimestre de 2007.

O aumento da produtividade é bom, pois permite aos empresários aumentar os salários sem diminuir o seu lucro. É importante também, pois pode incentivar a manutenção de empregos, já que a economia não parece estar desaquecendo tão fortemente.

Mas, este aumento de produtividade pode estar também já refletindo as demissões passadas, já que ele é basicamente o PIB/horas trabalhadas, e as horas trabalhadas caíram 1.8%.

Eu não ficaria surpreso se o número de empregos destruídos no próximo mês ficar próximo de 10.000 ou até mesmo de zero.

Leia mais AQUI.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Princípios Macroeconômicos

Esse verão vou lecionar Princípios Macroeconômicos para os alunos de graduação da Drexel University. A disciplina é introdutória e para alunos de vários cursos. Eu vou usar o livro do Mankiw: Principles of Macroeconomics.

O legal é que na página do livro mais avançado, o Macroeconomics, tem um jogo que chama Presidential Game. Basicamente, a cada ano você escolhe a política monetária e fiscal. E vai ficando no poder enquanto a sua popularidade estiver em alta. Resolvi jogar o jogo para ver se ainda sabia macro de graduação. É muito fácil esquecer todo aquele lance de IS-LM. Bom, vamos lá. Segue abaixo o resultado do "meu governo".

Crescimento Médio: 3.61%
Desemprego Médio: 5.96%
Inflação Média: 4.07%



Engraçado demais! Sorte pura, certo! Enfim, acho que vou dar conta do novo curso!

PS: Joguem o jogo e depois comentem aqui como foram.

Hillary, Economistas e a Academia

Vocês devem estar sabendo de um comentário que a candidata Hillary Clinton fez no domingo. Ela disse:

“Well I’ll tell you what, I’m not going to put my lot in with economists”

quando perguntada sobre quem seria o seu acessor econômico. Basicamente, ela disse não se importar com o que os economistas pensam sobre economia.

É aquele velho discurso de que o conhecimento do povo é melhor que o dos intelectuais da Academia. O artigo repercutiu, vários economistas criticaram. Mas, a melhor resposta que eu encontrei foi esta:

“Soon I expect to hear the Senator from New York promise to jump out of a tenth-story window and fly, to demonstrate defiance of ‘elite’ physicists who doubt the feasibility of the project.”

do Arnold Kling, do blog EconLog. Achei muito boa. Esse discurso de que o conhecimento intelectual não tem valor é um prato cheio para se cometer bobagens.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Entendendo o Índice de Preços

O índice de preços ao consumidor é uma soma ponderada de vários grupos de produtos consumidos. Cada produto tem o seu peso, seu valor percentual, e conforme os preços variam, este índice sobe ou desce. Se os produtos que têm mais peso subirem de preço o índice tende a subir. Fácil, não?

O Philipe Berman, do Rabiscos Econômicos, publicou no seu blog uma dica do Diego Baldusco (do Pensando em Economia). É um infográfico publicado pelo NYT explicando os pesos do índice de inflação americano. Segue AQUI o link. Abra e vamos analisar alguns detalhes.

Ao abrir o link, você pode navegar pelo chamado CPI (Consumer Price Index) americano. No gráfico do NYT, ao parar com o mouse sobre o bem, você vê o peso do produto (ou grupo de produto) e o quanto o produto subiu de Março de 2007 até Março de 2008.

Algumas observações:

- 4 produtos subiram mais de 20%: ovos, gasolina para carros, óleo para aquecimento e óleo de motor. Este grupo é, em média, cerca de 5.8% de tudo que um americano consome.

- Alguns alimentos e passagens aéreas subiram mais de 10%. Esse grupo é somente cerca de 2% do consumo de um americano médio.

- TV's , computadores e outros aparelhos eletrônicos puxam o índice para baixo, com uma queda de mais de 10%. Mas isso é somente 0.4% do consumo mensal.

O resto fica tudo entre -10% e +10%. Com destaque para os grandes grupos de aluguéis e aluguel imputado que juntos chegam a 28% do total consumido. Este grupo subiu cerca de 3% nos últimos 12 meses.

Acontece que, para as pessoas mais pobres, alimentos e combustíveis representam uma parcela maior do que esta representada no CPI. Para elas, alimentos e combustíveis pesam muito. E a inflação percebida por elas é muito maior. Logo, entende-se porque a economia, em especial o debate sobre o preço dos alimentos e dos combustíveis, está no centro do debate eleitoral.

Chance Perdida

Uma crise sempre traz mudanças, e estas podem ser muito boas no longo prazo. Crises reduzem o custo de mudanças, e as vezes até são a fonte motivadora de inovações financeiras ou políticas. De fato, muitas vezes crises aumentam o bem-estar - no longo prazo, é claro. Escrevi sobre isso nesse post AQUI.

Mas, não sou somente eu quem pensa assim. Paul Krugman levantou este ponto em sua última coluna no New York Times. Ele inicia o artigo dizendo:

Cross your fingers, knock on wood: it’s possible, though by no means certain, that the worst of the financial crisis is over. That’s the good news.

The bad news is that as markets stabilize, chances for fundamental financial reform may be slipping away. As a result, the next crisis will probably be worse than this one.

Não sei se a próxima crise será pior do que esta - que nem sabemos se está mesmo no seu final - ou se terá causas similares. Mas, é um ponto interessante. Leia a coluna de Paul Krugman na íntegra clicando AQUI.

Ranking de Departamentos de Economia

Sempre que alguém me pergunta quais universidades têm bons departamentos de economia, eu indico este Ranking AQUI.

Ele é antigo, de 2004. Mas é o que há de melhor. Acho que o do U.S. News é mais recente, mas é baseado em outros critérios. Colo aqui em baixo as Top 20.


1 Harvard U USA
2 U Chicago USA
3 MIT USA
4 U California - Berkeley USA
5 Princeton U USA
6 Stanford U USA
7 Northwestern U USA
8 U Pennsylvania USA
9 Yale U USA
10 New York U (NYU) USA
11 UCLA USA
12 LSE UK
13 Columbia U USA
14 U Wisconsin - Madison USA
15 Cornell U USA
16 U Michigan - Ann Arbor USA
17 U Maryland - College Park USA
18 U Toulouse France
19 U Texas - Austin USA
20 U British Columbia Canada


Confira o ranking completo clicando AQUI.

domingo, 4 de maio de 2008

Afternoon Effect

Essa é para quem gosta teoria de leilões ou para os estudiosos de economia comportamental:

Art auctions are a testing ground for economic theory. This column summarises recent research that uses extensive data on works of Latin American art to study auction outcomes. Most puzzlingly, there is a persistent “afternoon effect,” in which identical goods auctioned later command lower prices.

Leia mais sobre o "afternoon effect" clicando AQUI.

Duas Alternativas

E as transações correntes? Bem, as transações correntes continuam indo pro buraco. Por quê? Simplesmente porque o câmbio flutuante faz com que a moeda se valorize quando entram mais dólares na economia.

É simples. O superávit, atualmente vindo da Conta Investimentos, é compensado pelo movimento no câmbio. Neste caso, o real se valoriza fazendo com que mais dólares saiam (em geral via aumento de importações) para que voltemos a um equilíbrio em que o superávit da Conta Investimentos seja compensado com um déficit nas Transações Correntes. Simples, não?

Neste caso, um grupo sai prejudicado de forma direta. São os exportadores. Não muito, porque com a economia crescendo, eles podem vender no mercado interno. Mas a competição com o resto do mundo fica complicada. Algumas medidas podem ser tomadas para conter a valorização do real frente ao dólar.

A primeira é reduzir os gastos públicos (a chamada política fiscal). Isto possibilitaria reduzir a inflação sem a necessidade de aumento nos juros (que é o principal atrativo do capital externo). A segunda seria taxar a entrada de capital. Você coloca um imposto, e reduz a atratividade do investimento no Brasil. Diminuindo a demanda por ativos brasileiros.

A segunda opção é menos convencional. E também não é eficiente no longo prazo, uma vez que investimentos vão deixar de ser feitos. Não há muito mais o que se fazer para conter a valorização do real frente ao dólar. A economia brasileira cresce mais que a americana, e mais que a européia. É natural uma valorização sob o regime de câmbio flexível.

A escolha será do governo. Subsídios aos exportadores serão dados. É do jogo político. E a economia não está acima da política em uma democracia. Setores prejudicados serão amparados. Isso é normal, quem perde fatias do bolo quando o bolo está crescendo tende a ser compensado - se for um grupo de interesse com poder de barganha e organizado.

Mas, o governo mostra sinais que dentre as duas opções acima, a segunda alternativa ainda não foi descartada. Infelizmente. Seria uma oportunidade de ouro para zerarmos o déficit nominal do governo federal e melhorar o perfil da dívida pública federal.

Leia mais sobre os planos do governo clicando AQUI.

É a Economia "Bocaberta"!

Uma eleição que parecia estar caindo no colo dos Democratas pode ficar bem complicada. Dois motivos, a luta entre Hillary e Obama já durou longe demais, dividindo o partido. E o outro? É a economia "bocaberta"!

Dois cenários são possíveis para a economia quando o dia 4 de Novembro chegar. Um é a economia estar em forte recessão e a figura de McCain estar ligada aos problemas econômicos. Principalmente se a taxa de desemprego estiver alta. Daí o candidato Democrata teria ampla vantagem. O segundo, é uma economia começando a aquecer, mesmo com inflação alta. Neste caso os Republicanos estariam com a vantagem. Mas, é simples assim? E a guerra? E a saúde?

Parece que sim, saberemos em Novembro. Mas hoje, metade dos americanos acha que a economia é o mais importante. Em particular: reaquecer a economia, controlar a inflação e reduzir o preço da gasolina. É o que 49% dos americanos acham: economia é o fator decisivo na escolha do candidato, segundo a CNN. Para se ter uma idéia, esse número era 29% em Dezembro.

Mas mesmo em um quadro de pouco crescimento McCain pode se dar bem. O que ajudaria o candidato seria um aumento da inflação. Segundo a CNN:

"Historically, when consumers are concerned about inflation, they vote Republican, and when they are worried about employment, that's when they tend to vote Democratic."

E a guerra? Bem, a guerra é importante somente para 19% dos americanos, e a saúde somente para 14%.

Leia mais sobre a eleição americana clicando AQUI.

sábado, 3 de maio de 2008

Aborto e Criminalidade

O artigo de Donohue & Levitt (The Impact of Legalized Abortion on Crime, Quarterly Journal of Economics, 2001) sugere que a legalização do aborto pode reduzir a criminalidade 18 anos depois.

A idéia é a seguinte. Com a legalização, reduz-se o custo do aborto, que torna-se uma opção viável para as grávidas jovens e/ou de baixa renda. Os filhos destas, se viessem a nascer, seriam prováveis criminosos no futuro, já que teriam menor acesso a educação e baixa renda. O custo de oportunidade de entrar no mundo do crime seria baixo para eles. Ao ser abortado, o feto (futuro criminoso em potencial) deixa de existir e a criminalidade cai, 18 anos depois.

Esse artigo foi muito lido e debatido. Principalmente porque a teoria explicava a queda da criminalidade, algo pouco compreendido ainda aqui nos EUA. NY, por exemplo, onde a crimidalidade nos anos 80 era alta, hoje é uma das cidades mais seguras dos EUA.

Acontece, que a teoria pode não estar correta, não pelos problemas estatísticos do paper do Levitt, mas pela evidência empírica deste outro estudo AQUI e desses dados AQUI divulgados sobre o perfil dos abortos no Brasil.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Governo Tem Seus Meios?

Do Invertia:

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu hoje que o aumento dos combustíveis nas refinarias anunciado pelo governo federal não vai ser repassado aos consumidores e que podem haver "punições severas" para os postos que repassarem o preço da alta para o consumidor. Perguntado sobre como isso seria feito, Lobão disse que "o governo tem seus meios".

Interessante a colocação do Ministro. Ela não está de acordo com o que diz o site da ANP:

Vigora no Brasil, desde 2002, regime de liberdade de preços em toda a cadeia de produção e comercialização de combustíveis - produção, distribuição e revenda. Não há qualquer tipo de tabelamento, valores máximos e mínimos, participação na formação de preços, nem necessidade de autorização prévia para reajustes de preços de combustíveis.

Agora fiquei com a pulga atrás da orelha. O que será que o Ministro de Minas e Energia quis dizer com "o governo tem seus meios"?

A Questão Fiscal

Do Terra:

O Brasil precisa fortalecer a política fiscal e impulsionar o crescimento para obter uma classificação de risco mais alta, disse a Standard & Poor's nesta sexta-feira. Lisa Schineller, analista do Brasil para a S&P, afirmou em teleconferência que a agência espera ver uma queda mais acentuada da relação dívida/PIB antes de elevar a nota do País novamente.

Acho que a questão fiscal é o tema do momento. Nada como uma boa redução dos gastos públicos para reduzir pressões inflacionárias

Leia mais sobre o que a S&P's pensa clicando AQUI.

Cadê o Desemprego?

Saíram os dados do mercado de trabalho americano. A taxa de desemprego caiu, de 5.1% para 5%. Apenas 20,000 empregos foram perdidos em Abril. Ante 80,000 em Março. Nos primeiros 4 meses da recessão de 2001 foram destruídos em média 121,000 empregos por mês. Nos primeiros 4 meses da crise atual essa média é de 65,000.

Talvez a crise seja menor do que o esperado. A questão é que ela pode ser mais duradoura, uma vez que obras - prédios e casas - que já haviam sido iniciadas continuam sendo construídas. Não dá para parar uma obra no meio. O setor de construção civil emprega muita gente. Vamos ver. A notícia é boa. Eu continuo com um pé atrás.

Essa semana começaram a ser distribuidos os rebates de 600 dólares para quem pagou impostos em 2007. É esperar para ver. Se a economia estiver aquecida no segundo semestre, a corrida presidencial vai ficar ainda mais interessante.

Leia mais sobre os dados de desemprego clicando AQUI.

Gasolina e Demanda por Automóveis nos EUA

Já havia postado AQUI que o aumento do preço da gasolina estava fazendo os americanos trocarem o carro pelo transporte público, bicicleta ou pela caminhada. Agora eles estão mudando os hábitos na hora de comprar veículos. Para ver isto, abra esta tabela AQUI.

Vamos olhar alguns números. A tabela mostra no canto superior esquerdo uma queda de 2.9% na demanda por carros, mas de 23.8 na demanda por caminhões leves. Um claro efeito do consumo de gasolina destes tipos de veículos. Quem mais perdeu foi a Chevrolet, que produz carros que consomem muita gasolina, como o Chevy Silverado.

No lado direito temos as variações por modelo. O carro que mais cresceu em vendas foi o Toyota Prius, 53.8%. Mas esta tabela é só com os carros mais populares. Esta outra aqui em baixo traz dados de crescimento nas vendas de carros de menor tamanho, que consomem pouca gasolina:


Não há muito o que discutir, é a chamada elasticidade-preço cruzada. O preço de um bem complementar aumenta, a demanda deve cair. Nada como um incentivo via preço, não é mesmo?

Leia mais clicando AQUI.

PS 1: Note que 29 MPG (milhas por galão) equivale a 12.3 Km/litro. É uma boa média. A maioria dos carros americanos não chega a fazer nem 8 Km/litro.

PS 2: Tirei a notícia/idéia do Blog do Mankiw.

Rabiscos Econômicos

Adicionei mais um blog na lista ao lado. Com bom humor, inteligência e elegância, Philipe Berman e Guilherme Stein escrevem o Rabiscos Econômicos diretamente do NAPE da UFRGS.

O último post foi sobre educação, leia clicando AQUI.

PS: A dica veio do Cláudio Shikida.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dia do Trabalho

Um resumo do Colégio Ofélia Fonseca, em São Paulo, diz o seguinte:

Na maioria dos países industrializados, o 1º de maio é o Dia do Trabalho. Comemorada desde o final do século XIX, a data é uma homenagem aos oito líderes trabalhistas norte-americanos que morreram enforcados em Chicago (EUA), em 1886. Eles foram presos e julgados sumariamente por dirigirem manifestações que tiveram início justamente no dia 1º de maio daquele ano. No Brasil, a data é comemorada desde 1895 e virou feriado nacional em setembro de 1925 por um decreto do presidente Artur Bernardes.

O curioso é que nos EUA esse feriado é comemorado na primeira semana de Setembro, e com outra motivação: folga do trabalho.

Labor Day is a United States federal holiday that takes place on the first Monday in September. The holiday began in 1882, originating from a desire by the Central Labor Union to create a day off for the "working man". It is still celebrated mainly as a day of rest and marks the symbolic end of summer for many. Labor Day became a federal holiday by Act of Congress in 1894.

Enfim, tire alguns minutos de folga e leia um pouco sobre a história desse dia comemorativo no Brasil clicando AQUI.