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quarta-feira, 30 de abril de 2008

BBB- Brasil

Depois de muito sonhar, o Brasil finalmente conseguiu entrar na classe dos países considerados seguros para investimento. Não muito seguro, é claro. Somos ainda BBB-, segundo a Standard and Poor's. Afinal, ainda somos o Brasil de sempre.

O ponto mais importante é o acesso ao capital externo que antes não podia investir no Brasil por força de leis de gerenciamento de risco. Estas leis, ou regras, têm como objetivo evitar investimentos desastrosos em países estrangeiros arriscados e ao mesmo tempo incentivar os países problemáticos a desenvolverem suas intituições, tornando-se menos arriscados.

No lado financeiro haverá uma euforia momentânea. Mas a teoria econômica nos ensina que os preços já antecipavam esta mudança de investment grade. Será um teste legal. Se as curvas de juros e dólar futuros e a demanda por títulos públicos não alterar muito, é porque esta mudança já era esperada.

Leia mais sobre o BBB- Brasil clicando AQUI.

O Monopólio

O dicionário de economia traz a seguinte definição de monopólio:

Mercado onde existe somente uma firma ofertando produto ou serviço. Três características definem um mercado monopolista: (i) a firma é motivada pelo lucro; (ii) existe barreira à entrada de novas firmas no mercado; (iii) as ações do monopolista afetam o preço de mercado.

Em geral, monopólios são ineficientes, na medida que o preço de monopólio é maior que o custo marginal. Levando a uma menor demanda. Veja figura abaixo.


Existem dois motivos pelo qual a existência de um setor monopolista pode persistir por algum tempo em uma economia.

O primeiro deles é a existência de uma barreira tecnológica à entrada - item (ii). É o que os economistas costumam chamar de monopólio natural. No Brasil, um caso típico era o do setor de telefonia fixa. Era difícil imaginar várias empresas de telefonia concorrendo, com milhares de fios passando pelos postes. Então, decidiu-se criar empresas estatais para prover o serviço. Na medida que a tecnologia avançou o mercado foi privatizado e a concorrência diminuiu os preços e melhorou a qualidade do serviço (lembre que no tempo da Telebrás a pessoa precisava adquirir uma "linha telefônica" que custava quase o preço de um automóvel, e, mesmo assim, muitas vezes você tirava o telefone do gancho e não havia tom de discagem, ou ouviam-se conversas alheias). Hoje o acesso à telefonia é grande e há concorrência.

A segunda justificativa para um monopólio está no item (i). Se a sociedade desejar que um determinado setor não seja maximizador de lucro, ela pode criar uma barreira jurídica à entrada e decretar monopólio estatal. Muitos setores no Brasil usam parcialmente este artifício. É o caso da aviação, do setor bancário e do setor energético. O governo cria barreiras limitando, por exemplo, países estrangeiros de deter o controle total dos bancos, ou empresas aéreas de fazer vôos nacionais. Isso acontece sob o argumento de, por exemplo, "segurança nacional", ou ainda, de que certos setores seriam "estratégicos para o desenvolvimento". Argumentos discutíveis. Mas, a verdade é que a sociedade escolheu eliminar o item (i) e pra isso precisou criar o item (ii). Sem perceber que, na maioria dos casos o item (ii) implica o item (iii).

Este é o caso atual da Petrobrás, uma gigante estatal que atua na exploração, refino e distribuição de combustíveis e é controlada pelo governo. Na medida que o governo desiste de maximizar lucro - item (i) - e detém poder de mercado via item (ii), não existe razão para que haja surpresa com o fato de a gasolina no Brasil estar abaixo do preço de outros países e a Petrobrás estar tendo lucros menores. É uma simples questão de escolha. Se não se está maximizando lucro, deve-se estar maximizando outra coisa.

Leia uma análise do momento da Petrobrás e do preço dos combustíveis no Brasil clicando AQUI.

PS: No caso de monopólios naturais, o controle do governo não é a única opção. Permitir a exploração por uma empresa privada e usar a regulação para limitar seus lucros é uma alternativa. Mas isto fica para um próximo post.

Imperialismo Econômico

Uma dica de leitura legal para aqueles começando o mestrado - ou no final da graduação - é o texto Economic Imperialism, do professor Edward Lazear, da GSB de Stanford.

O texto explica como a economia se tornou um método de pesquisa que pode ser usado para explicar fenômenos sociais, não necessariamente econômicos à primeira vista. Exemplos de áreas que têm recebido contribuições de economistas são: ciências políticas, criminologia, demografia e ciências sociais. Outras áreas, porém, têm contribuído para o avanço das ciências econômicas, como por exemplo a psicologia.

Leia este texto muito legal clicando AQUI.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Doutorado no Exterior

Direto do site da CAPES:

"O programa de Bolsas de Doutorado Pleno nos Estados Unidos – Programa CAPES/FULBRIGHT – destina-se a candidatos de comprovado desempenho acadêmico, com projetos que não possam ser realizados total ou parcialmente no Brasil, e que se dirijam a instituições norte-americanas de excelência.

O objetivo é formar doutores em áreas nas quais se verifique carência de grupos consolidados no Brasil, complementando os esforços despendidos pelos programas de pós-graduação nacionais e buscando a formação de docentes e pesquisadores de alto nível.


As inscrições para candidaturas ao processo seletivo do Programa CAPES/FULBRIGHT devem ser feitas até às 20h do dia 12 de maio de 2008. As bolsas serão implementadas no segundo semestre de 2009."


Leia mais clicando AQUI.

Pena de Morte e Criminalidade

O efeito de penas de morte sobre a criminalidade é um assunto controverso aqui nos EUA. Uma pesquisa recente mostrou que o número de execuções é negativamente correlacionado com o número de homicídios no ano seguinte, usando dados nacionais. A idéia é que a divulgação do número de condenados pela mídia afetaria as escolhas dos futuros homicidas. Veja o gráfico abaixo:

O estudo revela que para cada execução em um ano, são cometidos 74 homicídios a menos no ano seguinte. O resultado é interessante. É teoria de incentivos e informação aplicada à escolha de cometer ou não homicídios.

Entretanto, as taxas de criminalidade vêm caindo ao longo dos anos nos EUA. E parte desse efeito pode vir de outros fatores. Políticas sociais, econômicas, e até mesmo a legalização do aborto podem estar relacionados à esta redução, especialmente nos anos 90. De modo geral, as taxas vêm caindo. Além disso, os dados do FBI mostram pouca diferença entre as taxas de criminalidade entre estados que possuem pena de morte e estados que não possuem pena de morte.

Mas quando analisa-se os dados por estado é necessário observar que os homicidas podem estar migrando dos estados com pena de morte para os sem pena de morte, de modo que a diferença se anula. Estados que têm pena de morte são conhecidos por ter altas taxas de criminalidade. Logo, um movimento de migração dos homicidas tornaria as taxas homogêneas entre estados.

É difícil avaliar o efeito real da pena capital. Especialmente porque a maioria delas acontece no Texas. Mas, certamente há um efeito de transmissão da informação via mídia, e um efeito de migração dos homicidas.

Leia mais sobre o estudo citado clicando AQUI e veja os dados do FBI clicando AQUI.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Saúde Pelo Mundo

O blog Healthcare Economist fez uma seqüência de artigos sobre os sistemas de saúde pelo mundo. Vale a pena ler com cuidado. Os países analisados são: França, Itália, Espanha, Japão, Noruega, Portugal, Grécia, Grã-Bretanha, Suiça, Alemanha e Canadá.

Uma introdução à série de posts encontra-se AQUI. Divirtam-se.

Application para Solteiros

Essa é a época do ano que o pessoal começa a pensar para onde aplicar para o doutorado nos EUA. Em geral, os alunos olham os rankings, onde o pessoal foi nos anos anteriores, escolas tradicionais, alguns hedges e pronto. Escolhem de 10 a 18 escolas e aplicam. Pois estou disposto a trazer uma informação relevante aos alunos(as) solteiros que vão aplicar.

É um mapa de distribuição da população, por sexo, nos EUA. Claramente, na costa oeste tem mais homens solteiros do que na costa leste. Lugares com mais mulheres solteiras do que homens solteiros: New York, Washington e Philadelphia. Fica aí mais uma informação. Veja o mapa abaixo.

Só tem um detalhe. Esse mapa inclui pessoas solteiras dos 20 aos 64 anos. Não se animem muito!

domingo, 27 de abril de 2008

Teoria Econômica da Cesariana

O Brasil é um dos países com o maior percentual de nascimentos por cesariana no mundo, aproximadamente 40%. Nos EUA as estatísticas eram diferentes até pouco tempo. Até a decada de noventa esse número era perto de 20%. Entretanto, especialistas afirmam que os resultados de 2007 vão apontar uma taxa de cerca de 33%. Número considerado elevado.

Por trás deste movimento de crescimento da taxa de nascimentos por cesariana estão aspectos econômicos e econômico-jurídicos.

O primeiro diz respeito a eficiência da cirurgia por cesariana. Em um parto normal o processo pode levar horas. E os custos para os médicos e para o hospital que está provendo o serviço podem ser grandes. Enquanto isso, na cirurgia cesariana o seguro paga todas as despesas, mais serviço são prestados (anestesia e internação) e o método tem duração definida. Em suma, é mais lucrativo e menos arriscado (descontado o risco de infecções) que o parto normal.

O segundo tem a ver com erros médicos durante o parto normal. Se algum incidente (como por exemplo o mal uso do fórceps) ocorrer durante o parto, o médico pode ser processado. Evitar este dipo de processo é mais fácil em uma cesariana. É uma questão de incentivos, o sistema jurídico repassa o risco para o médico, ele dá um jeito de se livrar do risco fazendo uma cesariana. Assim, o médico tende a recomendar cesarianas mesmo quando o ideal seria o parto normal.

Essa tendência têm ocorrido na Europa também. Na Alemanha a taxa já próxima de 30%. Não se pode lutar contra a teoria econômica. Eficiência, incentivos e aversão ao risco explicam grande parte do fenômeno.

Fica uma pergunta. Porque o Brasil foi pioneiro no uso de cesarianas?

Leia mais sobre o crescimento no número de cesarianas clicando AQUI ou AQUI.

sábado, 26 de abril de 2008

Quanto Vale O Seu Dedo?

Essa é a pergunta do final de semana: por quanto você venderia o seu dedo do pé? E se fosse uma oferta por todos os dedos do pé esquerdo?

Pergunta meio sinistra, não? Pois bem, existe mercado para dedos de pé. Pelo menos em Santa Catarina. Segundo o site O Globo:

"o golpe consistia em contratar seguro de vida ou invalidez para pessoas que depois mutilavam dedos das mãos e dos pés para receber o valor.

...as apólices dos seguros variavam de R$ 60 mil a R$ 720 mil.

...o sujeito teve a casa incendiada três vezes e perdeu todos os dedos do pé para receber R$ 300 mil de seguro."

E aí? Por quanto você venderia os dedos do seu pé?

Leia a reportagem sobre a Operação Cinco Dedos clicando AQUI.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Custo de Demissão

Um dos problemas do sistema tributário brasileiro é a distorção causada pelos impostos que são pagos somente quando determinadas decisões são tomadas.

O caso da demissão/contratação é o principal. Isso gera problemas, uma vez que reduz o incentivo a contratações em momentos de reaquecimento de ciclos econômicos. O imposto reduz a possibilidade de um rápido reajustamento das firmas ao tamanho ótimo da força de trabalho em momentos de crise ou crescimento acelerado, tornando-as menos competitivas. Note que sabendo que pagará um imposto alto no futuro, a firma antecipa isso e reluta em contratar funcionários mesmo em períodos de crescimento.

Se os impostos e custos de demissão fossem todos pagos como parcela do salário, as decisões de demissão/contratação não envolveriam um salto nos gastos e seriam tomadas quando quer que fosse o melhor a ser feito. Fica aqui abaixo uma tabela com os custos de demissão.

Leia mais sobre os custos de demissão no Brasil clicando AQUI.

Contribuiu: Roberto B. Pinheiro (University of Pennsylvania).

Stimulus Plan

Na semana que vem começam a ser enviados os cheques de USD 600 para aqueles que declararam imposto de renda aqui nos EUA. Eu declarei, mas não-residentes não levam a bolada. Uma pena. O pacote vai injetar cerca de 150 bilhões de dólares na economia e pode ser o empurrão que faltava para o país sair da crise de crédito atual.

O pacote, chamado de Stimulus Plan, é composto principalmente de uma transferência lump-sum para os consumidores (tem uma parte que vai para as empresas também, mas menor). O efeito final vai depender da propensão marginal a consumir de cada um. Tudo que o governo não gostaria é que as pessoas guardassem esse dinheiro. Acho que não vai ser esse o caso.

Se eu recebesse saberia até onde gastar. Compraria minha passagem pro Brasil, ajudando a Delta Airlines a sair do buraco. Mas não vou levar .... cadê meu rebate Bush!!

Leia sobre o pacote AQUI.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ineficiência Italiana

Em geral, pensamos que grande parte dos problemas da administração do dinheiro público está na corrupção. Pois bem, este artigo AQUI aponta o contrário. Quer dizer, isso na Itália. Os autores mostram que 83% dos desvios públicos têm origem na ineficiência e não na corrupção. Segue o abstract do artigo.

What determines how efficiently a certain public service is provided? The authors of CEPR DP6799 use a dataset of procurement prices paid by Italian public bodies to disentangle the effect of active waste (overpricing that benefits the decision-maker directly, like bribing) and passive waste (overpricing due to sheer inefficiency). The results indicate that passive waste accounts for 83% of the total estimated waste.

Quer dizer, a incompetência é maior do que a roubalheira na Itália. Fiquei curioso para saber como seria o resultado desse estudo no Brasil.

Leia mais AQUI.

Oferta e Demanda

Com os preços da gasolina subindo constantemente, os americanos estão trocando o bom e velho automóvel pelo transporte público ou uma caminhada para o serviço. Veja os dados recentes sobre tráfego de veículos e consumo de gasolina que tirei de uma reportagem da Business Week:

"For 20 years now, workers in Palm Beach County, Fla., have been counting cars with sensors at strategic points along the county's 4,000 miles of roads. And as sure as the tide flows in the nearby Atlantic, nearly every year traffic volume has climbed at least 2%. But in 2007 there was a slight decline in the number of vehicles on the roads. And this year, traffic is down 7.5% through March. "We're seeing a very significant change," says county engineer George Webb.


It's not just Palm Beach. Traffic levels are trending downward nationwide. Preliminary figures from the
Federal Highway Administration show it falling 1.4% last year. Now, with nationwide gasoline prices having recently passed the inflation-adjusted record of $3.40 a gallon set back in 1981, the U.S. Energy Information Administration (EIA) is predicting gas consumption will actually fall 0.3% this year. That would be the first annual decline since 1991."

Teoria econômica básica. Você tem um choque de oferta que aumenta o custo, deslocando a curva de oferta para a esquerda. Neste novo equilíbrio o preço é mais alto e o consumo menor. Bingo!

Leia a reportagem completa clicando AQUI.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Obesidade e Custos Econômicos

Segundo o site da MSNBC, a geração atual americana pode ser a primeira a ter uma expectativa de vida inferior à de seus pais. Mesmo com os desenvolvimentos tecnológicos e novos remédios, o efeito da obesidade pode ser determinante na expectativa de vida da geração atual de adolescentes. Mais de um terço dos adolescentes são obesos ou estão acima do peso recomendado para a sua altura. Segundo a reportagem:

"Thanks largely to medical and public health advances, Americans are living longer than ever. The average life expectancy in 2005, the latest year for which figures are available, was nearly 78. That's up from 47 in 1900 and 68 in 1950.

But even as the market for anti-aging pills and products has never been hotter with Americans seeking a longer life, some experts say we as a nation are doing ourselves in with our couch-potato culture of eating way too much and exercising far too little. Some health professionals even raise the controversial notion that today's generation of kids like Justin — about a third of whom are overweight or obese — may be the first to live shorter lives than their parents."

Na academia, o tema obesidade ganhou força nos últimos anos. As escolhas de consumo afetariam a produtividade, e outros componentes da economia, como por exemplo a expectativa de vida. Um efeito direto da obesidade seria o aumento do preço dos seguros saúde, que não podem discriminar pessoas pelo peso.

No site do Healthcare Economist encontrei algumas referências sobre o assunto. Em particular:

"Papers such as Finkelstein, Fiebelkorn and Wang (2003) show that annual medical expenditures for obese individuals are $732 more than those of normal weight."

Para acessar outras referências clique AQUI.

Preços dos Alimentos

O professor Gary Becker (University of Chicago) explica porque os preços dos alimentos não vão subir de maneira permanente.

O argumento é basicamente a baixa produtividade de países pobres (que ainda vai aumentar muito) e o aumento da área plantada em resposta ao aumento de preços. Teoria econômica básica.

Confira na íntegra o comentário de Becker sobre os preços dos alimentos clicando AQUI.

Encontro do LACEA

O Encontro Anual do LACEA será no IMPA, entre os dias 20 e 23 de Novembro de 2008.

Prazo para submissão dos artigos: 01 de Agosto de 2008.

O site estará disponível em breve: http://lacealames2008.fgv.br.

terça-feira, 22 de abril de 2008

XXXVI Encontro Nacional de Economia

A ANPEC promoverá em 2008 o XXXVI Encontro Nacional de Economia. O evento será realizado em Salvador (Bahia), de 9 a 12 de dezembro.

Confira as principais datas do processo de seleção de trabalhos:
- submissão de artigos: até 21 de julho.
- inscrição para o Prêmio Haralambos Simeonidis: até 21 de julho.
- previsão da lista de trabalhos selecionados: 12 de setembro.

Mais informações direto no site da ANPEC: www.anpec.org.br

Salário Real

O salário real é o valor do salário (nominal) dividido pelo índice de preços. O salário em termos de bananas é o salário (nominal) dividido pelo preço da banana. Simples, não? Pois bem, para reduzirmos a pobreza seria preciso aumentar a renda real das pessoas, em especial os salários reais. Se o salário sobre 10% e a inflação é de 10%, o aumento no salário real é de 0%.

Parece que só agora alguns especialistas estão entendo que para reduzir a pobreza não adianta somente transferir renda aos pobres. Para que a renda deles aumente em termos reais, é preciso que os preços não subam simultaneamente. Em geral, este efeito é obtido quando há ganhos na produtividade do trabalho.

Pessoas de baixa renda tem alta elasticidade-renda por alimentos. Para elas, um aumento de 1% na renda aumenta o consumo de alimentos em quase 1%. Se a oferta de alimentos for constante no curto prazo, o preço dos alimentos aumentam. Muito simples.

Era só um pitaco que eu queira dar após ler isto AQUI.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

CARESS-Cowles Conference

De sexta à domingo rolou a 4th Annual CARESS-Cowles Conference on General Equilibrium and Its Applications, aqui em Penn. Organizada por David Cass, é uma conferência que ocorre anualmente e reúne o pessoal de Equilíbrio Geral.

Os brasileiros Aloísio Araújo (IMPA, EPGE), José Heleno Faro (IMPA), Victor Filipe Martins-da-Rocha (EPGE), Bruno Funchal (FUCAPE) e Sérgio Turner (Brown) estavam por aqui.

Foi um excelente encontro. Deixo o link com os papers apresentados AQUI.

Eficiência de Mercado

Ontem tirei o dia para passear. Levei um amigo meu que veio do Brasil para fazer compras no maior shopping center daqui da região. Nunca vi tanta gente carregando sacolas de compras. Tinha até cartaz de lojas pedindo funcionário. O chamado cartaz de "Help Wanted".

A sensação que tive é que o pessoal estava comprando muito. Mas, isso tem uma explicação. Este shopping era de fábrica. Conseguimos descontos de até 50% sobre o preço de fábrica. Ou seja, o preço já está rapidamente se ajustando ao cenário econômico.

Empregos, salários e preços ajustam-se muito rapidamente aqui nos EUA. Fica aí, uma observação empírica da eficiência de mercado.

sábado, 19 de abril de 2008

Escolhas e Conseqüências

O novo blog de economia na web é do professor Ronald Hillbrecht, da UFRGS. Escolhas e Conseqüências já está na barra de links ao lado.

Competição na blogosfera! A teoria econômica nos ensina que isto é bom para o consumidor (leitor). Excelente!

PS: Dica do Cláudio Shikida.

Ponto Para os Meninos

Tirei do Estadão:

"Os contratos de juros futuros de um dia (conhecidos pela sigla DI) encerraram a quinta-feira projetando taxa de 11,82% para julho deste ano, ante 11,67% na quarta-feira. Os juros estimados para janeiro de 2009 também subiram, de 12,53% para 12,64% ao ano. Em compensação, os DIs para janeiro de 2010 fecharam o dia com taxa de 13,34%, ante 13,36% na quarta-feira. O movimento foi ainda mais intenso nos contratos para janeiro de 2012, que recuaram de 13,49% para 13,40%."

Parece que o Bate e Assopra do BC deu certo. Como diria a Xuxa: Ponto para os meninos!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Três Questões

As novas descobertas de petróleo, ainda por serem confirmadas, já despertam interesse da mídia americana. Segundo a ABC, o "Brazil" pode se tornar o sétimo maior produtor de petróleo no mundo.

Como também somos o segundo maior produtor de etanol, atrás somente dos EUA, fica clara a posição importante do Brasil no setor energético. Essa abundância de recursos naturais (também incluindo aí o minério) terá papel importante no médio prazo.

Três questões são importantes:

1) Como o governo vai utilizar as receitas advindas dos recursos?

2) Que impacto esse salto na riqueza brasileira terá sobre o desenvolvimento econômico (crescimento e distribuição de renda)?

3) Qual o impacto sobre o nível de preços e taxa de câmbio? O controle/administração da Petrobrás tem papel fudamental nestes dois aspectos?

O Ganho e a Perda

Em geral, ganhos são notícias boas e prejuízos notícias ruins. Certo? Nem sempre. Ontem o Google anunciou receitas acima do esperado, e no momento que lhes escrevo este post as ações estão com 17% de valorização. Isso aconteceu porque os lucros e receitas do Google superaram as expectativas do mercado.

Porém, ontem o Citigroup anunciou prejuízo de US$ 5.1 bilhões de dólares. Você pensou que as ações do Citi teriam perdas hoje, não é? Pois bem, acontece que essa perda gigante foi modesta perto do que os analistas esperavam. Então, as ações do Citi estavam subindo hoje pela manhã. Só no pre-market, subia 4%.

É a boa e velha teoria econômica. Quando uma informação é revelada, uma boa informação pode sinalizar um bom futuro, mas uma informação ruim pode sinalizar um futuro ainda melhor. A informaçào só precisa ser "menos ruim" do o mercado esperava. O Citi também anunciou corte de 9,000 empregos, o que é bom. Sinaliza que o banco está disposto a ganhar eficiência. Se o resultado do Citi estiver indicando o novo rumo do setor financeiro, então terá sido uma notícia excelente.

Leia mais AQUI.

Social Networks

Recebi uma dica interessante. É um paper sobre redes sociais (social networks) e investimentos. Os autores mostram que analistas conseguem obter melhores informações, e a partir delas melhores retornos quando possuem alguma relação educacional (colegas no passado) com gerentes/diretores da firma que estão investindo. Segundo os autores:

"A simple portfolio strategy of going long the buy recommendations with school ties and going short buy recommendations without ties earns returns of 5.40% per year."

Leia mais AQUI.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Bate e Assopra do BC

O Banco Central elevou a taxa referencial de juros em meio ponto percentual, para 11.75% ao ano. A idéia é reduzir a demanda agregada, diminuido as pressões inflacionárias. Alguns economistas têm dito que isso não vai afetar os preços dos alimentos nem diminuir a demanda por alimentos. Eles provavelmente estão corretos. Mas o objetivo não é esse. O objetivo é diminuir a demanda agregada. Pode ser que diminua a demanda por carburadores, ao invés da demanda por milho. Mas não tem problema, já que a inflação é um índice. Se o preço do carburador cai e o do milho sobe, o índice sobe menos do que se a taxa de juros fosse mais alta.

Mas, o BC assoprou também. Eles disseram na nota à imprensa:

"O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado"

Ou seja, a hora de reduzir a demanda é agora, caso contrário o aumento da taxa terá de ser maior no futuro. Enfim, muita gente vai reclamar e exportadores vão berrar (já que o Real vai se apreciar ainda mais). Mas, a realidade é que o Brasil é uma Ferrari (pilotada pelo Rubinho, é verdade) que precisa parar nos boxes pra trocar pneu, pois o tempo "lá fora" mudou um pouco. O tempo ruim requer medidas que diminuem a velocidade. O risco é maior quando se usa o pneu errado, principalmente quando o temporal é forte. Não queremos parar na brita.

Fonte: InfoMoney

quarta-feira, 16 de abril de 2008

In Memoriam

Penn disponibilizou uma nota da American Economic Association de 2000, que concedia a David Cass o título de Distinguished Fellow. O artigo resume em uma página as contribuições de Dave.

Leia AQUI.

terça-feira, 15 de abril de 2008

David Cass

É com tristeza que escrevo este post e informo o falecimento do professor David Cass. Aos 71 anos, Cass deixará saudades. Ele foi meu professor em 2005, e passava por problemas pulmonares. Eu gosto de dizer aos outros que ele viveu intensamente.

No Skit Night de 2006 eu trabalhei de bartender, e providenciamos um vinho que ele gostava. Acho que era espanhol, só lembro que deu um certo trabalho pra encontrar. Sempre apreciou a bebida, o cigarro e mulheres bonitas, de preferência inteligentes.

Academicamente, seu artigo mais relevante talvez tenha sido "Optimum Growth in an Aggregative Model of Capital Accumulation", um dos artigos seminais que modelava o crescimento econômico a partir de um modelo de escolha intertemporal, resultando em uma poupança endógena.

Baseado no trabalho de Ramsey e complementado pelo de Koopmans, o modelo viria a ser chamado Ramsey-Cass-Koopmans. Primeiro capítulo em teoria de crescimento hoje em dia, esta modelagem rendeu o prêmio Nobel à Koopmans em 1975. Cass (muito novo na época), e Ramsey (então falecido) não receberam o prêmio.

Dave (era assim que gostava de ser chamado) dava aulas de equilíbrio geral aqui em Penn. Hoje, eu acho que boa parte da minha intuição econômica eu devo à noção de equilíbrio geral que aprendi com o Dave, e também com Marcos Lisboa. Lisboa era professor da EPGE em 2002, e fiz Micro II com ele. Ele havia sido orientado por Dave aqui em Penn, e seu curso era baseado no do Dave. Na verdade fiz o mesmo curso duas vezes.

Equilíbrio Geral talvez tenha perdido o seu charme, e muitos dizem que é uma área pouco importante. Mas acho que um bom curso de equilíbrio geral é essencial na formação de qualquer economista. Creio que Dave discordaria da minha primeira frase. Ele acreditava que EG é o arcabouço fundamental da economia moderna. Dave chamava teoria dos jogos de pop-sociology...

A Sorte da FGV

A entrevista da Maria da Conceição Tavares é ótima. Ainda sobre a década de 1970 ela conta o seguinte:

"Junto com o Pedro Malan, o Carlos Lessa e um grupo do Rio, fizemos o movimento de renovação dos economistas, que aproximou profissionais da UFRJ, da PUC, de Campinas e da USP. Ao mesmo tempo, continuava-se a batalhar na Anpec (Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia), que o Paulinho Haddad e, depois, o João Sayad presidiram com muito peito. Quando Campinas entrou, a Fundação saiu, para só retornar quando o Mário Henrique deixou o ministério e reassumiu seu lugar na EPGE (Escola de Pós-Graduação em Economia). Afinal, o Carlos Geraldo Langoni não é propriamente um modelo de isenção acadêmica: demitiu - praticamente expulsou - o Chico Lopes da Fundação, e hoje deve ficar meio nervoso quando se lembra disso. A Fundação perdeu a chance de ser uma das mães do plano heterodoxo..."

Achei muito interessante. A última frase dos parágrafos da entrevista são sempre os melhores: "A Fundação perdeu a chance de ser uma das mães do plano heterodoxo...". Eu achei ótima essa também. Ainda mais assim, terminando com reticências. Eu não sei se ela diz que a FGV perdeu a chance no sentido de ter tido sorte ou no sentido de tido azar. Também não fica claro, mas acho que ela está se referindo ao Plano Cruzado. Imperdível. Leia a entrevista, vale muito a pena. O link está AQUI.

O Nascimento da Economia na UFRJ

Em março de 1986, Maria da Conceição Tavares deu uma entrevista que se encontra hoje no site do Canal Ciência. Ao falar sobre a década de 1970 a professora diz o seguinte:

"A Fundação era um gueto de ortodoxos. Salvava-se a ciência porque no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tinha um homem chamado Isaac Kerstenetzky e na Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) outro, chamado José Pelúcio Ferreira. Se não fosse por eles, na década de 1970 não teríamos tido financiamento para fazer pesquisa nenhuma. Não foram os militares que deram condições coisa nenhuma. Foram o Isaac, no IBGE, e o Pelúcio, na Finep, que tiveram consciência de que tinham que impedir a paralisia dos centros de pesquisa em ciências sociais. Essa é que é a verdade. Aliás, ia parar tudo - a física também - menos a pesquisa propriamente militar.

Na década de 1970, encontrei esse clima: dois mecenas sérios, com pouco dinheiro mas com muita respeitabilidade no meio acadêmico. Um levando seriamente a estatística, o outro levando seriamente o financiamento à pesquisa. Além disso, poucos centros, entre os quais minha velha escola (FEA/UFRJ) decadente. A primeira coisa que fiz foi mobilizar todo o pessoal que pude para fazer concurso para a UFRJ. Tivemos 20 concursos de uma vez, uma maravilha. E tomamos a escola."

Interessante. "E tomamos a escola" é uma frase ótima, não é mesmo? Foi assim que nasceu o pós-graduação em economia na UFRJ.

Confira a íntegra da entrevista clicando AQUI.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Duas Lições Econômicas

Essa semana caiu o secretário de governo americano responsável pelas políticas de habitação, Alphonso Jackson. Ele era o chefe do HUD (Department of Housing and Urban Development).

Ao final de 2006, ele insistia que as quedas no mercado imobiliário eram apenas pequenas correções. Além disto, ajudou a passar legislações que tornavam mais fácil o crédito para pessoas que davam pouco de entrada. Mas a maior de suas falhas foi não ter trabalhado. Ele não deu atenção para estudos feitos dentro do próprio HUD, sobre o que poderia estar acontecendo. Tudo isso veio acompanhado de mal utilização de verbas, vôos em jatinhos, jantares, etc.

Em Junho de 2007 ele teria dito:
"I'm convinced this spring we will see the market again begin to soar"

Não poderia estar mais errado. Duas grandes lições econômicas podem ser tiradas desta crise imobiliária.

A primeira delas refere-se justamente ao caso acima. É o efeito da má qualidade da regulação e propostas legislativas carentes de teoria econômica. Enquanto órgãos reguladores e do governo que investem na economia, negligenciarem tecnicalidades e aspectos econômicos envolvidos em vultuosos investimentos, em algum momento eles causarão distorções de preços.

A segunda é a administração de risco. Do lado da oferta, o papel de análise de risco por parte das agências e das instituições financeira foi de péssima qualidade técnica. Parte foi incentivado pela má regulação, mas grande parte foi o clima de oba-oba dentro das instituições privadas. Do lado da demanda o problema foi também de análise de risco. Mais precisamente: alavancagem e diversificação. Não se põe os ovos em um único cesto (investimento imobiliário no caso). Muito menos se você se alavanca (toma empréstimos) para fazer isto, por quê? Porque o risco é alto! E você pode perder grandes quantias.



Fica aí a lição. Alguns vão perder cargos, outros dinheiro. Nós ganhamos um pouco de conhecimento econômico...

Fonte: MSNBC

domingo, 13 de abril de 2008

Eleições, Advogados e Economistas

Quando as eleições chegam, é comum vermos grupos de interesse alinhados com certos candidatos. Aqui nos EUA isso é bem organizado. Pesquisando rapidamente descobri que os advogados possuem interesses distintos, mesmo entre eles. Tem os Advogados por Obama, os Jovens Advogados por Hillary e os Adogados por McCain.

Tentei descobrir se os economistas também eram organizados a esse ponto. Não sei se tive pouco sucesso, ou se economistas não têm muito a ganhar com a mudança dos presidentes. Mas achei interessante descobrir que existem os Economistas por Obama.

O boato que rola no meio acadêmico é que o Obama tem um discurso trabalhista e muitas vezes até protecionista, mas na verdade os acessores econômicos por trás de sua campanha seriam bem conservadores (no sentido de mainstream). É esperar pra ver. Enquanto isso McCain vai subindo nas pesquisas...

sábado, 12 de abril de 2008

Acordos de Livre Comércio

Dani Rodrick nos explica porque os Acordos de Livre Comércio devem ser permanentes.

"...the government faces a "time-inconsistency" problem. It would like to commit to free trade ... but realizes that over time it will give in to pressure and deviate from what is its optimal policy ex ante. So it chooses to tie its hands through external discipline. This way, when protectionists ... show up at its door, the government says: "sorry, [the FTA with the US] ... will not let me do it." Everyone is better off, save for the lobbyists and special interests. This is the good kind of delegation and external discipline."

Ele usa o argumento de inconsistência intertemporal ao falar sobre o Acordo EUA-Colômbia. Leia o que Dani Rodrick pensa sobre acordo clicando AQUI.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Concorrência Aérea

A Varig anunciou que vai deixar de voar para Madrid, México e Paris. A notícia saiu no Estadão Online. Até aí nada demais, já sabemos que a Varig não vem bem das pernas. Mas daí sou obrigado a ler isto:

"Se liberar o preço para a Europa, as empresas brasileiras vão quebrar", disse o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), José Márcio Mollo. Segundo ele, a liberação levaria concorrentes estrangeiras a cobrarem preços muito mais baixos que não poderiam ser equiparados pelas brasileiras."

Será que não é isso que gostaríamos? Se a empresa brasileira é mais cara, por que não podemos voar nos aviões estrangeiros? Não fica claro para mim. Daí o presidente do Snea continua:

"No Brasil, o leasing dos aviões, o seguro, o combustível, é tudo mais caro", disse Mollo. O dirigente lamentou a suspensão dos vôos da Varig para México, Madri e Paris. "É mais mercado das empresas brasileiras perdido. Uma vez perdido para empresas estrangeiras, dificilmente será recuperado."

O leasing e o seguro são mais caros por algum motivo, que provavelmente tem a ver com o marco legal brasileiro e a probabilidade de o avião sofrer algum dano. O combustível de aviação é comercializado internacionalmente, não pode variar muito, caso contrario é só reabastecer quando o avião estiver em Paris.

Mais ainda, com certeza a mão-de-obra, manutenção, e salários no Brasil devem ser menores. Um claro exemplo é o preço do vôo NY-GRU na TAM em relação ao preço da United e da American Airlines. Na TAM o valor é consistentemente mais barato.

Enfim, o argumento de reserva de mercado não fecha muito nas minhas contas. Se fica difícil recuperar depois é outro problema. Mas, este argumento vai na contramão do que a teoria econômica nos ensina.

Aqui nos EUA, desde 31 de Março, empresas européias e americanas podem voar para qualquer destino nos dois continentes. É o Open Skies Treaty. A competição aumentará, e advinhe quem vai sair ganhando? O consumidor.

Veja um vídeo sobre o Open Skies Treaty:

Quantidade e Qualidade

Sim, a TV digital é uma realidade. O pessoal anda feito doido comprando os novos aparelhos, tem o decodificador com desconto, e toda aquela maravilha da imagem perfeita. Correto? Bem, isso na teoria. Mas na prática, a teoria é outra. Existe um trade-off entre quantidade e qualidade na oferta de produtos digitais. Quanto mais perfeita a imagem, mais "espaço" ela consome para ser transmitida. Ou seja, vale a pena reduzir a qualidade um pouco para prover mais canais aos assinantes - ao mesmo preço, é claro.

"...Comcast and other providers of so-called high-def TV are intentionally compressing the video stream on many of their channels, sometimes by as much as 38 percent, degrading image quality along the way. Why? Supposedly, it frees up bandwidth so the operators can pack in even more channels."

Aguarde, vai acontecer no Brasil em breve. Este trade-off é bem interessante. Eu esperaria que a oferta de qualidade passasse a existir, como em um menu de contratos. Você escolhe o número de canais e eles lhe ofertam vários níveis de qualidade. Você escolhe o número de canais e a qualidade demandada. Eles te oferecem um preço e paga quem quiser.

Leia mais sobre o trade-off qualidade/quantidade na HDTV clicando AQUI.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Depois da Universidade

Um americano médio tem uma renda de U$ 51,000 anuais. Aqueles que terminam a high-school (ensino médio) e conseguem bravamente terminar o college (ensino superior) são os americanos que vão ficar acima da média. Em geral, profissões ligadas as ciências exatas recebem mais do que as das áreas sociais, humanas e educação. Note que nos EUA as escolas de medicina e direito só podem ser frequentadas depois dos 4 anos de college. O gráfico abaixo mostra a distribuição dos salários dos recém-formados do ensino superior americano, de acordo com o major (curso principal).


Ou seja, já de saída um engenheiro ganha um salário bem próximo da média americana.

A distribuição de salários do Brasil deverá se aproximar da americana, na medida que o país for se desenvolvendo. A demanda por engenheiros no Brasil foi tema de reportagem da revista VEJA, em 19 de Dezembro de 2007.

Para ler a reportagem clique AQUI.

Econ School Drop-Out

Essa eu achei no Greg Mankiw's Blog. Hoje eu tirei a manhã de folga, mas tive que entrar pra postar esse vídeo do Skit-night dos alunos de economia da Columbia University. Pra quem não se ligou é uma música adaptada do filme Greese.




Move on to Law School!!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Alfred Marshall

Alfred Marshall é, na minha humilde opinião, um dos Founding Fathers da Microeconomia moderna. Juntamente com Walras e Samuelson, obviamente. Segue abaixo uma dica de leitura, um tanto óbvia, mas cuja modernidade representa a importância de sua obra.

Principles of Economics (1890) é um clássico da literatura. E o acesso online está disponível AQUI. O livro faz parte da The Library of Economics and Liberty.

Boa leitura!

Novas Regras na Saúde II

Já escrevi AQUI sobre as novas regras para os planos de saúde. Expliquei que os planos não iriam aumentar seus prêmios em Maio, quando acontece o reajuste do setor. Pois bem, naquele post eu falei que, no entanto, a porta estaria aberta para reajustes em 2009. O Globo Online publicou isto hoje:

"A ANS já descartou a possibilidade de reajuste para o consumidor neste ano. No entanto, na segunda-feira, no V Fórum Brasileiro sobre as Agências Reguladoras, realizado em Brasília, o diretor-presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, admitiu a possibilidade de aumento de preços em 2009."

Não existe mágica. Não há como aumentar a cobertura sem aumentar o prêmio. Exceto por uma feliz coincidência na relação entre prevenção e ocorrência da doença.

Leia o meu post sobre as novas regras clicando AQUI, e a reportagem do O Globo Online clicando AQUI.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Cerveja e Aquecimento Global

Agora o pessoal ambientalista começou a falar a minha língua. Eles começaram a disseminar a idéia, ou provavelmente fato, de que o aquecimento global vai elevar o preço da cerveja. Acompanhe um trecho da matéria que saiu no ClicRBS:

"O preço da cerveja aumentará nas próximas décadas porque a mudança climática prejudicará a produção de cevada, ingrediente essencial dessa bebida, segundo um estudo de um cientista da Nova Zelândia. Jim Salinger, especialista meio ambiental do Instituto de Água e Pesquisa Meteorológica neozelandês, assinala no relatório divulgado hoje que o aquecimento global destruirá grande parte dos cultivos do citado cereal na Oceania. As áreas secas da Austrália e Nova Zelândia receberão cada vez menos precipitações, por isso nelas se semeará menos cevada."

Em um primeiro momento a informação assusta. Poucos gostam quando o preço da cerveja aumenta. É claro que não li a pesquisa. Mas é bem provável que o cientista tenha cometido um erro de análise comum aos cientistas, mas que os economistas já não cometem mais, que é o de não incluir o desenvolvimento tecnológico em suas análises.

Se o custo sobe por um lado, obviamente os produtores de cevada e fabricantes de cerveja vão desenvolver tecnologias para contrabalançar este efeito e aumentar a produtividade. Foi aí que furou a teoria Malthusiana.

Será que este mesmo raciocínio também não vale para os outros grãos e alimentos agrícolas (arroz, feijão, milho, etc) analisados no post abaixo? Caso afirmativo, isso aconteceria somente no médio prazo. Correto?

Outras perguntas: É possível extrair etanol da cevada? Os carros a álcool podem ser movidos a "cerveja"?

Preços Agrícolas

Claramente existe uma pressão sobre os preços agrícolas. É compreensível. A demanda por etanol (que pode ser extraído de vários produtos) advinda do aumento do preço do petróleo, aliada ao aumento de renda/crédito em países com alta propensão marginal a consumir alimentos (Brazil, China, Índia, México, etc.) resulta em uma forte pressão de demanda.

Algumas questões ficam em aberto. Por exemplo, esse tipo de aumento de preços, que parece ser na verdade mudança permanente em preços relativos, deve ser levada em conta na hora de definir-se metas de inflação? Entrariam essas variações no chamado Core da inflação? Se a mudança é mundial e os preços são commodities internacionais, adiantaria um aumento de juros para conter demanda, reduzindo crescimento e diminuindo a inflação? Palpites?

São perguntas interessantes. Parece-me uma mudança de preços relativos em que um conjunto de preços sobe e o outro fica fixo. Quando o ideal seria um conjunto subir um pouco e o outro cair de modo que a inflação fosse zero. A pergunta é: será que o BC está disposto a abortar o crescimento, mesmo que parcialmente, em troca de um ajuste de preços?

O Ministério da Fazenda anunciou ontem um corte, que se posto em prática, tiraria 19,4 bilhões do orçamento de 2008. Seria uma forma de conter demanda. Ao invés de política monetária, política fiscal. O valor é metade do que a CPMF arrecadava. É relativamente alto. Seria uma excelente alternativa. Entretanto, a história seria boa demais. No mesmo dia anunciaram um aumento de 16,9 bilhões das despesas obrigatórias.

E aí BC? Vai uma política monetária aí?

Leia mais sobre o "corte" fiscal AQUI.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

W. Bush e o Acordo EUA-Colômbia

Já falei sobre o acordo de livre comércio EUA-Colômbia AQUI. Os Democratas são contra. Em especial Hillary. O estrategista dela, Mark Penn, dava consultoria ao governo colombiano e teve que pedir pra sair no final de semana. Em um claro conflito de interesses.

W. Bush não é bobo. Ele aproveitou o momentum e mandou o acordo para votação no Congresso. Mais ainda, mandou para ser votado em 90 dias (o chamado fast-track). O que significa que será votado na época da convenção Democrata e antes do Congresso ser liberado para campanhas.

O acordo é de interesse comercial. Mais do que isso, é de interesse geopolítico para os EUA. Confira o que o W. Bush disse:

"If Congress fails to approve this agreement, it would not only abandon a brave ally; it would send a signal throughout the region that America cannot be counted on to support its friends."

Leia mais AQUI sobre este "jogo" político-econômico.

ENEM: Resultados e Avaliações

Sem dúvida, avaliar o Ensino Médio é uma boa idéia. Pois fui dar uma olhada mais cuidadosa nos dados de Novembro de 2007. Alguns resultados do ENEM são robustos e interessantes. Outros nem tanto. A avaliação regional parece ser uma das análises que pode ser feita com alguma confiança. Já a avaliação das escolas deve ser feita com cuidado.

Os dados divulgados indicam o que se esperaria. As regiões Sul e Sudeste lideram. Com destaque para o RS, que teve a maior média na prova objetiva (56,27) e também na redação (59,74). Clique AQUI para ver a tabela, em Excel.

Esta outra tabela AQUI, traz os dados por tipo de escola para a prova objetiva. Com ela pode-se fazer uma análise do ensino público (coluna B) e compará-lo ao ensino privado (coluna L). Na prova objetiva, o RS lidera no setor público e SP no ensino privado. Já na prova de redação, AQUI, o RS lidera no ensino público e GO no ensino particular. Análises regionais são mais confiáveis, pois o número de observações é grande, e nestes casos a média pode ser considerada um bom indicativo.

Entretanto, uma análise em menor escala revela alguns problemas com a avaliação do ENEM. Escolas apresentam um número de participante muito inferior ao número de concluintes do ensino médio. Isso acontece mais nas particulares.

Para dar um exemplo, vou pegar os resultados de Porto Alegre. Somente escolas com mais de 10 participantes tem a sua média reportada. O Centro de Ensino Médio Pastor Dohms, considerado um bom colégio, teve média 77,62 na prova objetiva. Acontece que somente 10 alunos, dos 132 formando fizeram a prova. Interessante, não? Não me interessa o motivo. Mas, claramente, essa não é uma boa amostra da qualidade do ensino nesta escola. No Colégio Província de São Pedro, outra escola de grande prestígio, acontece o mesmo. Dos 75 formandos, somente 10 fizeram a prova. Estes resultados podem ser obtidos fazendo uma pesquisa no site do ENEM, para qualquer município clicando AQUI.

Acho que o ENEM é um exame válido. Mas, principalmente para as escolas da rede pública. Essa auto-seleção de alunos por parte de algumas escolas particulares não tira a validade do Exame, mas tira um pouco a validade da nota das escolas particulares. Não quero julgar esta ou aquela escola. Apenas apontar para a qualidade da informação contida no resultado.

domingo, 6 de abril de 2008

Economia Informal II

Essa eu tirei do O Globo Online. É uma série, chamada Brasil Fora de Série, que vai apresentar as cidades com menores índices de desemprego no país. A primeira delas é Saltinho, em São Paulo. Parece que o desemprego de 0% é obtido com uma economia informal que emprega cerca de 50% das pessoas. Segue um trecho da reportagem:

"A atividade econômica do município se baseia na agroindústria sucroalcooleira: 90% das pequenas e médias fábricas são de metalurgia voltada para o ciclo de produção de cana-de-açúcar. Respondem por cerca de 800 postos de trabalho, garantindo rendimentos médios de R$ 1.041,16. Em meio à burocracia que dificulta a abertura de empresas formais, surgiram as confecções, escondidas em garagens e cômodos das casas do município. Nas contas do prefeito, são mais de 800 pessoas, especialmente mulheres, que trabalham por conta própria para fábricas de fora da cidade - praticamente o mesmo número de empregados nas indústrias formais."


Interessante. Fica aí uma evidência empírica relacionada ao post de ontem. Só tem um detalhe, estes 1,600 postos não batem com uma população de cerca de 6,000 habitantes e desemprego de 0%. A não ser que mais de 60% da população seja constituída por aposentados e crianças. Alguma informação está nos faltando, provavelmente atividades rurais. De qualquer modo, a taxa de informalidade é elevada.

Fonte: O Globo Online

sábado, 5 de abril de 2008

Economia Informal

Existe um debate na academia brasileira e também aqui nos EUA sobre economia informal. A idéia é tentar entender como ela funciona, suas causas e conseqüências. Um dos resultados é que quanto mais burocratizada (dificuldade de manter uma empresa registrada, abrir um negócio, etc.) a economia formal maior será o mercado informal. Exemplos: Brasil e China.

Pois bem, a solução para este tipo de problema é simples, você faz a desburocratização do setor formal. A idéia é que ao reduzir o custo de tornar uma empresa formal, você cria incentivos para o registro da empresa e cria acesso às conseqüências legais e econômicas advindas da formalização.

Empresas formais não só contribuem com impostos, mas também aumentam a competição ao mesmo tempo que são obrigadas a prover um certo nível de qualidade do produto. O INMETRO não testa os brinquedos vendidos no comércio informal, por exemplo. Pelo menos não os falsificados.

A receita para maior concorrência (dada certa qualidade) e maior formalização da economia é simples, reduzir a enorme "formalização" do setor formal. Ficou uma frase horrível, mas que destaca bem a idéia.

PS: É óbvio que um camelô vai ofertar o mesmo produto com um preço menor. Por isso acrescentei a questão da qualidade. Qualidade inclui, por exemplo, seis meses de garantia, troca do produto em caso de recall pelo fabricante, etc. Um brinquedo no camelô é mais barato do que na loja, mas na verdade este não é o mesmo produto. Na imagem acima, o camelô vende protetor solar. Se você tiver uma queimadura ou alergia na pele, não poderá reclamar na justiça. Também não é o mesmo produto.

Burocracia Européia

Essa o meu amigo Cláudio Shikida vai gostar. No site UUorld tem uma pequena série de recursos visuais que ajudam entender diferenças geopolíticas e econômicas.

Um deles mostra o número de procedimentos necessário para abrir uma empresa em um mapa 3D do velho continente. É um mapa em que a altura do país representa o número de procedimentos. Nota-se claramente que quanto mais para o oriente e para o sul do continente europeu, maior a burocracia (mais altos os países ficam no mapa). O número de procedimentos necessários é menor nos países escandinávios e na Grã-Bretanha. Vale notar que existe uma correlação entre renda per capita e o número de procedimentos. Claramente, nos países mais ricos esse número é menor em média.

Para ler uma discussão sobre empreededorismo, burocracias, liberdades (que também inclui fácil acesso à criação de empresas), falência de estados e desenvolvimento econômico consulte a série de posts no blog De Gustibus Non Est Disputandum.

Para ver o gráfico 3D clique AQUI (você vai precisar ter o Flash instalado).

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Comércio e Política

Um dos acordos de livre comércio (FTA's) que será em breve votado no congresso americano é com a Colômbia. Basicamente, 90% das importações americanas vindas da Colômbia já tem tarifa zero. O acordo beneficiaria muito mais os EUA.

Entretanto, a oposição - Democratas - está relutante em assinar o acordo. Isso acontece logo após todo o debate nas prévias Democratas em Ohio sobre livre comércio, sobre empregos americanos estarem indo pra China e India, Nafta, etc. É a política por traz dos interesses econômicos.


O Chairman do House Ways and Means Committee, Charles Rangel, resumiu bem a situação:

"It's not the substance in the ground - it's the politics in the air"

O acordo é de interesse econômico e comercial para os EUA. É uma boa do ponto de vista de política internacional e segurança. É importante para uma aproximação maior com a América Latina. É um acordo de win-win, como dizem aqui. Mais ainda, o acordo é idêntico ao feito com o Peru, que foi aprovado pelos dois partido no Congresso.

Mas é assim mesmo, tudo para não perder o momentum em ano de eleição...

Fonte: U.S. News, semana 7-14 de Abril. Entrevista com Susan Schwab.

Hodrick-Prescott Filter

O Filtro Hodrick-Prescott é um método criado por Robert Hodrick e Edward Prescott (prêmio Nobel de 2004) para obter tendências não-lineares em séries de tempo. É muito usado em Ciclos Reais de Negócios para tirar a tendência de séries como a série de PIB anual, daí você trabalha somente com as flutuações em torno da tendência.

Usar o HP-Filter é um comando simples no E-Views. Mas eu não sou muito de trabalhar com séries de tempo. Em geral uso o Stata e não tenho o E-Views instalado no meu computador pessoal. Uma dica para tirar tendências rapidamente, e usando a internet, é o site da University of Connecticut. É uma interface simples e que dá o resultado na hora. Basta colar a coluna de Excel e clicar alguns comandos.

Segue o link AQUI.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Novas Regras na Saúde

Ontem entrou em vigor um novo conjunto de regras para os planos de saúde. Basicamente, foram incluídos novos procedimentos que devem ser cobertos pelos planos. São cerca de 100 novos procedimentos, incluindo laqueadura e vasectomia.

Até aí tudo bem. Na verdade vasectomia me parece bem estranho, já que nunca ouvi falar de alguém ter alguma doença ou morrer por não ter feito uma vasectomia. Mas vá lá, digamos que vá reduzir uso de anticoncepcional da esposa. Por outro lado, mamografia digital, por exemplo, é importantíssima no diagnóstico precoce de câncer de mama. Podendo inclusive reduzir custos.

O ponto é que, provavelmente, o custo esperado das operadoras vai aumentar. Não tem como você aumentar a cobertura e manter o mesmo preço, supondo-se que o número e perfil dos segurados sejam os mesmos. Segundo a Associação Brasileira de Medicina em Grupo (Abramge), os custos aumentariam em cerca de 10%. Já a ANS disse que não será permitido o repasse aos segurados. Isso foi o que foi divulgado na imprensa.

Acontece que eu sou chato e fui no site da ANS pra ver como vai ser mesmo. Acabei encontrando isto (já com os erros de português):

O impacto do novo Rol nos custos das operadoras
Para que possamos ter uma idéia exata do impacto do novo Rol de Procedimentos nos custos das operadoras, a ANS irá monitorar o mercado durante um ano e avaliar o comportamento do setor. Como a nova cobertura será obrigatória a partir de 2 de abril e o reajuste anual autorizado pela ANS para planos individuais novos (contratados a partir de 1 de janeiro de 1999) será divulgado até o maio, a ampliação não será levada em consideração no reajuste de 2008.

A ANS acreditam, porém, que não haverá um impacto significativo nos custos das operadoras de planos de saúde com a ampliação do Rol de Procedimentos. Alguns dos novos procedimentos, já são oferecidos por muitas operadoras. Além disso, outros procedimentos preventivos incluídos poderão reduzir o número de consultas e de internações, gerando diminuição de custos no futuro. A vídeolaparoscopia é um exemplo disso. O custo desse procedimento é elevado, mas proporciona redução do tempo de internação e das complicações médicas, reduzindo assim o custo final para a empresa.

Faz algum sentido. Mas também deixa a porta aberta para reajustes a partir de 2009. É esperar para ver.

Leia mais AQUI e AQUI.

Aulas de Matemática em Vídeo

As universidades aqui nos EUA têm vários cursos online e gratuitos. Uma delas é o MIT. Entre outros cursos legais, eles oferecem o curso Mathematical Methods for Engineers I. Tem álgebra linear, mínimos quadrados, etc. Tudo isso em 32 aulas. Parece bem bacana.

Essa dica eu tirei do blog Homo Econometricum. Que agora passará a figurar na barra de links ao lado.


Outros links para páginas iniciais de cursos online gratuítos nos EUA são: MIT, Yale, Berkeley e Stanford.

Bom estudo!!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"Recession Is Possible"

O presidente do FED, Ben Bernanke, não poderia ter sido mais claro: "Recession is possible". Quer dizer: "Estamos indo pro buraco esse semestre, mas não é tão fundo".

Nunca faço previsão aqui, até porque não sou meteorologista. Mas parece que o cenário mais provável, ao qual o presidente se refere, é um primeiro semestre - e talvez o terceiro trimestre de queda do GDP - e depois, já lá nas eleições presidenciais, uma retomada do crescimento. Seria o cenário ideal, dada a lambança que foi feita no mercado imobiliário.

O risco nem é de uma queda maior do produto, mas de uma alta da inflação juntamente com uma queda de produto, algo raro, mas possível. Um tipo de estagflação piorada. Não é esse o cenário "possible" da frase do Bernanke.


Mas, a inflação já tem subido na Europa e China. No velho munto ela atingiu o maior nível em 16 anos. A China vai ajustar via câmbio, na Europa ainda não se sabe como será. Uma taxa de juros mais alta freiaria o crescimento de vez, e valorizaria ainda mais o Euro.

Para ler sobre as declarações de Ben Bernanke clique AQUI.

Leia mais sobre inflação na China e na Europa AQUI e AQUI.

Quants Mais Melhoris!

Eu nunca trabalhei em banco. Mas acho que deve ser bacana ficar tentando prever o futuro com o dinheiro dos outros. É claro que se você errar mais do que acertar acaba perdendo o emprego, mas acho que um mínimo de conhecimento da teoria econômica garante alguma estabilidade.

Pois bem, um amigo meu virou Quants. Eu logo disse: Ôpa, Quants Mais Melhoris! Obviamente, parafraseando o saudoso Mussum.

Os Quants são os analistas que trabalham na parte de pesquisa e em geral fazem algo mais quantitativo, incluido programação e simulações. São os chamados quantitative investment analists, ou simplesmente Quants. Em geral são Ph.D.'s em economia ou estatística.

Eles surgiram no meio do século passado, quando a Fronteira de Markovitz formalizou a idéia de retorno médio do portfólio e covariância entre ativos. Ou melhor, a teoria de colocar os ovos em cestas diferentes com alguma lógica.

Bem, com o avanço do cálculo estocástico essas teorias ficaram complicadíssimas e hoje requerem alguns bons anos de estudo para serem implementadas. É isso que faz um Quants. Entre outras coisas, ele tenta criar métodos para determinar quais ações estão baratas e quais estão caras, correlações, probabilidades, etc. É a sofisticação matemática tentando violar a lei de não-arbitragem. Afinal, qualquer centavo é dinheiro e Quants Mais Melhoris!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Zimbabwe Today

O Zimbabwe gostou da experiência brasileira e resolveu competir. Eles conseguiram chegar a 100,000 % de inflação entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008. Deve ser recorde.

O país tem 80% da população abaixo da linha de pobreza, mercado negro, falta de comida, e todo aquele pacote de idéias brilhantes como o controle de preços. Um dólar comprava 25 milhões da moeda local em 6 de Março. Cem dólares compra cerca de 20Kg de bufunfa, que não vale nada e ainda polui o ambiente.


Por trás desta confusão econômica está um processo político ainda mais complicado. O país ficou independnete em 1980. Mudaram a constituição, o primeiro-ministro virou presidente, resolveu tirar as terras dos 1% brancos e dar para os negros (supostamente ministros e pessoass ligadas ao governo), etc. Hoje parece que a oposição teria vencido as eleições. Depois de 28 anos no poder, parece que Robert Mugabe vai cair fora. Já vai tarde...

Leia mais AQUI, AQUI e AQUI.

Mercado de Passageiros

A regulação aérea na Europa chegou ao limite do absurdo. Em sua rota Dublin-Norwich a empresa Flybe não estava conseguindo alcançar a meta de 15,000 passageiros em 12 meses, significando que teria de pagar cerca de meio milhão de dólares ao aeroporto de Norwich.

Pois bem, a Flybe resolveu então alugar 172 passageiros para "dar uma banda" de avião. O ticket dava direito a boca livre durante o vôo. Basicamente ela pagou para os passageiros desembarcarem e embarcarem de volta.


A meta foi cumprida e foram poupados 500,000 USD. É a teoria econômica a serviço do bom senso, diante de uma regulação capenga.

Leia mais sobre o passeio dos passageiros ingleses AQUI.