Um dos recorrentes debates no Brasil é o nível da taxa de câmbio entre o Real e o Dólar Americano. Para alguns, nossa moeda estaria valorizada demais, enfraquecendo a competitividade brasileira no exterior. O argumento é basicamente o seguinte: quando o Real valoriza, os produtos brasileiros cotados em dólar ficam mais caros no exterior e vendemos menos. Perdemos dinheiro.
Acontece que está lógica está incompleta. Um Real forte torna mais baratos os produtos importados. Esta redução tem dois efeitos diretos importantíssimos. No curto prazo, a entrada de produtos importados aumenta a competição na economia doméstica via preços. Esta maior concorrência pode permitir uma redução maior da taxa de juros, sem que os índices de inflação voltem a subir. Ao mesmo tempo, a entrada de bens de capital aumenta a produtividade das firmas brasileiras. Estes ganhos de produtividade vindos de investimentos em máquinas e equipamentos são definitivos e tem efeitos de longo prazo, descontada a depreciação.
O resultado final é uma redução de preços domésticos, ou pelo menos uma ausência de elevação de preços em um ambiente de demanda aquecida. Mais do que isto, esta redução da demanda externa pode deteriorar um pouco as contas externas, mas esta é a conseqüência esperada do principal objetivo de um país em seu comércio com o exterior.
Por que exportamos os bens que produzimos? A resposta é muito simples, para termos mais lucros e obtermos divisas externas para comprarmos outros produtos que não possuímos (recursos naturais) ou não somos muito bons em sua produção. É fato, por exemplo, que certos setores sofrem com a competição chinesa. São produtos asiáticos com qualidade similar e um preço muito inferior. O que a teoria econômica nos ensina é que neste caso deveríamos abandonar a produção de tais bens e usar os trabalhadores destes setores em outra atividade em que temos vantagens comparativas.
Este será um dos desafios futuros de nosso país, hoje inserido em um mundo em que o comércio internacional é de fundamental importância ao desenvolvimento econômico e social. Formar trabalhadores preparados e dinâmicos para atuar em mais de um setor e, ao mesmo tempo, formar especialistas em atividades de ponta - como engenharia, biologia e informática - será decisivo para nosso progresso no curto e médio prazos.
O objetivo de nossas exportações sempre será o desenvolvimento. Mas não iremos aumentar nossas exportações futuras se não usarmos as divisas atuais para investir em máquinas, equipamentos e, sobretudo, na qualidade técnica de nossos trabalhadores. A taxa de câmbio é apenas um indicador de quando o momento para este investimento é mais urgente. Hoje ela sinaliza que estamos no momento adequado de fazermos estes investimentos, e, como diria o compositor, o tempo não pára.