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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quanto Vale... a Sua Vida?


PS: Esse post foi escrito originalmente em 4 de Dezembro de 2008.

Vou contar uma história que é conhecida entre os meus ex-colegas de EPGE. No primeiro dia de aula, entramos na sala e o professor começa a falar sobre princípios econômicos. Depois de uns vinte minutos ele aborda o tema "valor". Ele fala da relação entre valor e preço e descreve inúmeros exemplos. Lá pelas tantas, ele para de frente para uma aluna visitante. Era a Olga, que era russa e estava visitando mas falava português. O professor pergunta:

- Qual é o seu preço?

A Olga olha para os lados e todo mundo fica apreensivo (tinha gente ali que se ela dissesse menos de 200 reais já estava abrindo a carteira). O professor repete a pergunta:

- Qual o seu preço? Se eu quiser comprar você, quanto custa?

Todo mundo cai na gargalhada e a russa sem entender nada. O professor insiste:

- Minha filha, tudo tem um preço. Deixa eu perguntar de outra forma e para outra pessoa.

O professor olha para o aluno do lado e pergunta:

- Meu caro, se a Olga fosse sua esposa e tivesse caído em um buraco na calçada e morrido, quando você pediria de intenização para a prefeitura?

O aluno fica pensativo (creio que louco pra dizer uns 200 reais) e diz que deve ser algo relacionado a renda que a Olga teria ao longo da vida, mais um valor monetário correspondente a desutilidade de viver sem a esposa (e provavelmente ter que arrumar outra). Mas, certamente é algo muito difícil de ser calculado.

Foi desse modo que acabamos aprendendo uma boa lição sobre o valor da vida. A primeira é que a nossa vida tem valor, e pode ser expresso em valores monetários. A segunda é que é muito difícil calcular esse número.

Me lembrei dessa história ao ler uma matéria que o Shikida colocou o link no De Gostibus e saiu no Herald Tribune. O governo britânico nega medicamentos aos seus cidadãos quando o custo é muito alto, mesmo que isso possa custar a vida do cidadão. É uma análise complicadíssima do ponto de vista filosófico, moral, social e humano.

Deixo AQUI o link para o post do Shikida, e de lá você chega na reportagem. Vale a leitura!


5 comentários:

Anônimo disse...

Essa discussão é muito interessante e ingrata. Já que os recursos são escassos, o que é preferível: comprar um medicamento caro para tratar uma pessoa e que os estudos mostram que, na média, traz um ou dois meses a mais de sobrevida, ou comprar vários medicamentos mais baratos para tratar várias pessoas.
Em resumo, você prefere matar 5 ou 50? Esta é uma discussão complicada que a farmacoeconomia ajuda a responder. Aliás, o NICE é quem mais aplica a farmacoeconomia nas suas tomadas de decisão. O site deles é bem interessante.

Anônimo disse...

Curiosidade: o professor em questão era professor de Macro ou de Micro?

<b> Cristiano M. Costa </b> disse...

Vais ficar sem matar a sua curiosidade...hehehe

daniel disse...

Cálculos de custo-benefício são muito úteis para guiar a alocação ótima de recursos mas existem limites éticos não triviais.

Levado ao pé da letra, esse cálculo leva a conclusões que contrariam os princípios básicos da democracia. Por exemplo, será que o estado deveria gastar mais salvando a vida de um rico do que um pobre pois o valor presente da renda futura do primeiro é maior? Aqui nos EUA, as indenizações por morte ou invalidez são proporcionais ao valor presente esperado da renda futura. Até que ponto isso contraria a idéia de que todos são iguais perante a lei?

Isso sem sequer entrar em questões mais básicas relacionadas a dificuldade de contabilizar custos e benefícios não-monetários e como agregar preferências de diferentes indivíduos.

cronopios disse...

puxa... pelo visto as aulas do primeiro trimestre são estacionárias ao longo do tempo!

em 2007 houve a mesma situação e em 2008 idem...

obs: respeitando a vontade do proprietário deste blog também me abstenho de citar nomes.